IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • TINHA QUE SER!

    Não conheço o senhor Casimiro de parte nenhma, nem nunca tinha ouvido falar em tal artista. Pelo contrário, conheço o senhor Pedro Nuno Santos de jingeira, como o conhecem os portugueses em geral. Nunca o vi mas sei que, desgraçadamente, existe, e nem pintado o posso ver. Malquerença? Nem pensar. Justo pensamento, como justificam e provam as suas múltiplas declarações e má criações públicas.

    A última descoberta desta figura ímpar da nossa política foi a de que a culpa de todos os problemas da TAP e da Groundforce é de Passos Coelho. Tinha que ser. De estranhar é que, em seis ou sete anos, que parecem séculos, de governo socialista, os seus distintos intelectuais e políticos ainda não tenham descoberto outro culpado. O PS, na boca desta gente, jamais foi culpado, sequer responsável, por mal algum. É um caso da mais pura impunidade. Defeito é só o de não ter conseguido descobir um bode expiatório substituto, ou alguém cuja acusação não fosse, claramente, tão mentirosa como estúpida.

    Não quer isto dizer que defenda o senhor Casimiro. Não faço ideia se é um herói, uma besta, ou nem uma coisa nem outra.

    O que toda a gente sabe é que, no caso da TAP e da Groundforce, outra coisa senão asneiras e bojardas é de esperar do senhor Santos.

    Não acabo sem um pequeno e inocente comentário ao palvreado dcriatura. Teve asuprema lata de informar os deputados que não é comunista. Aqui, estou de acrodo. Apesar de tudo – e do meu anti-comunismo primário, secundário e mais os “ários” que queiram – os comunistas são muito mais sérios, mais civilizados e menos asnáticos que o senhor Santos.

     

    24.3.21     

  • COITADINHOS DOS MAÇONS

    Quando, há já muitos anos, começou esta história das declarações de interesses dos titulares de cargos políticos e de outras pessoas da administração pública, achei um abuso, uma intromissão ilegítima na vida de cada um e, pior que isso, a consagração do “princípio” de que tais pessoas são, por natureza dos cargos, suspeitas de tudo e mais alguma coisa.

    Mantenho, sem reservas, a minha posição. No entanto, já que a regra se consagrou sem oposição que se visse, haverá que dar-lhe “corpo”, isto é, que pôr à disposição da curiosidade e das suspeitas públicas um mais vasto leque de opções pessoais, integrando-as nas obrigações declarativas. Ou há moralidade ou comem todos, não é? É claro que se trata de uma caixa de Pandora passível de ser usada para todos os fins, mormente ilegítimos e de uma grave limitação à privacidade dos atingidos, além de ser, sem dúvida, uma das razões para a degradação da qualidade da generalidade dos membros da classe política. Muito boa gente se distancia da política para não ter que se despir à vista de todos. Mas, numa sociedade em que a denúncia anónima, a bufaria, o pidismo, são incensados pela justiça, em nome de uma falsa “transparência”, qual é o espanto?

    Assim, se é verdade que não vale a pena lutar contra a obrigatoriedade de tornar públicos os interesses, os bens, as contas bancárias, as fidelidades profissionais e outros elementos da vida de cada um, por que carga de água haverá excepções? Se uns são obrigados a trazer a público os seus dados pessoais, como é que outros, que nunca contra tal se manifestaram, hão-de ficar de fora quando se sentem atingidos?

    Vem isto a propósito da indignação das maçonarias, largamente propagandeada nos media, perante a eventual obrigatoriedade de se declarar a filiação em tais organizações, ditas “discretas”. Então, se um eleito é obrigado a dizer que tem um T2 em Vilar de Perdizes (coisa suspeitíssima!), ou umas acções da EDP (coisa ainda mais suspeita), porque é que não deverá declarar que é sócio do Sporting, dirigente de uma ONG, membro de uma congregação qualquer? E porque é que os maçons hão-de ficar de fora?

    Declaração de interesses: estou-me nas tintas para as maçonarias, coisa ridícula, para não dizer sinistra e, sem dúvida, obsoleta. Se os maçons são tão bons como dizem, porque é que não têm orgulho em mostrar-se?

    Voltarei ao assunto, quando me apetecer.

     

    19.3.21

  • EUTANÁSIA

     

    Toda a discussão à volta desta invenção do BE, que serve às mil maravilhas os interesses do governo (distrair a malta do que interessa), está, ou deslocado ou fora de contexto, tanto no aspecto moral como no político, no legislativo e no constitucional. O que se discute, ou devia (não devia) discutir, é o direito de matar. O resto é conversa para papalvo ver. Mas a falácia está, por obra e graça da nova “moral”esquerdoida, tão disseminada na cabeça das pessoas que já ninguém pensa no que, em verdade,  está  em causa.

     

    18.3.21

  • ÀS VOLTAS COM A ZENECA

     

    Ontem foi um dia interessante no que à insultada vacina se refere.

    Dois casos: o primeiro deve-se ao trafulha que é primeiro-ministro deste triste país. Toda a gente sabe que o anúncio da suspensão da vacina é, indiscutivelmente, (mais) um elemento de desesperança e medo, de desconfiança e de espanto. Perante esta insofismável verdade, o tal primeiro-ministro declara solenemente que se trata do contrário, isto é, que a suspensão fomenta a confiança nas instituições e na “ciência”, demonstrando os cuidados do governo na protecçãso dos cidadãos. O que espanta não é a lata do indivíduo, coisa largamente conhecida, é a apatia das gentes que continuam a aturá-lo sem vir para a rua exigir que seja internado onde não possa fazer mal a ninguém.

    O segundo caso é o contrário do primeiro. Um médico a sério veio à SIC demonstrar a estupidez da suspensão e a desonestidade do PM, sem precisar de o referir. Por palavras suas, bem escolhidas, sensatas, sem demagogias baratas, o Dr. Polónio (daqui lhe presto homenagem) demonstrou por a+b que a suspensão não passa de uma monumental asneira, sem o mais leve sinal de justificação. Trata-se, disse, de espalhar o pânico, mais ainda, nas tão maltratadas mentes das pessoas, retirando-lhes a “fé” na única matéria que, no meio do ataque generalizado, podia dar alguma sinal positivo: a vacina. E disse mais: que a ferida que o PM, com a sua estúpida decisão, causou na já tão depauperada atmosfera social, levará muito mais tempo a sarar do que levou a abrir. Tudo isto com argumentos lógicos, entendíveis, verdadeiros e honestos.

    Espantoso é o “engano” da SIC. Deu antena a um senhor que não colabora na criação de medo e ignorância que é a  evidente “política informativa” da balsemónica organização. Uma ilha no meio do pântano. Parece-me evidente que o Dr. Polónio nunca mais terá um segundo de antena lá na casa. Pudera, “aquilo” não vende terror, condena-o,  é sério demais e, por isso, não convém. Polónio saneado, e já!

     

    18.3.21

  • A GRANDE PONTE

     

    Com notável pompa e merecida circunstância, o inenarrável primeiro-ministro que temos, o espantoso ministro do ambiente que ronca, o irritante queixinhas da CMP e outras altas individualidaes juntaram-se mas faldas da Arrábida (a de lá, não a de cá) para mais um retumbante anúncio: o lançamento de um “concurso de ideias” para mais uma ponte lá no sítio, destinada a comboios.

    Acho muito bem, isto é, acho muito bem que façam a ponte, ou duas pontes, ou três ou quatro. Mas, a avaliar pelo habitual dos anúncios do governo, algo me diz que não vai haver ponte nenhuma. O concurso de ideias, a realizar-se, porá este mundo e o outro a discutir qual é a melhor, a menos pior, a assim-assim. Como acontece com o novo aeroporto de Lisboa, só no âmbito das “ideias” vão os tripeiros andar a discutir nos próximos cinquenta anos. Admitindo que alguma ideia passe, aí virão os problemas do concurso. Nacional ou internacional? Aberto ou por convite? Mais uns anos. Admitamos que se chega a acordo. E depois? Onde está o dinheiro, donde virá, quem se atravessará?

    Poderia continuar, sem fantasias, só falando das evidentes realidades que aí vêm. Encheria mais umas cem páginas, pelo menos.

    Uma coisa é certa.O Porto esperneará anos e anos, a exigir a ponte, a dizer que a culpa é de Lisboa, a dizer cobras e lagartos do governo, seja ele qual for. A  única certeza a que o IRRITADO se atreve é a de que não haverá ponte nehuma. Talvez no século XXII, se formos optimistas.

    Para já, o chamado governo fez mais uma das suas habituais charlas. Um inegável triunfo, do ponto de vista da publicidade enganosa.

    No meio disto tudo, uma boa notícia: não vi o mirabolante ministro das infraestruturas a abrilhantar o acto. Pode ser que lhe estejam a preparar os patins, a ver se não faz mais asneiras nem larga mais bojardas.

     

    17.3.21

  • LAMENTÁVEL BRASIL

    Com cruel ironia, desde sempre se disse que o Brasil é “o país do futuro”. Como o futuro “a Deus pertence”, fica o Brasil sem futuro.

    Vêm estas asserções a propósito da história recente dessa nação, “nossa filha”. Coitada está mais ou menos como a “mãe”.

    Depois da dura ditadura militar, o Brasil, ao fim de mais uns trambolhões, entrou nos eixos possíveis. Teve um Presidente, Fernando Henrique Cardoso, que estabilizou a moeda, corrigiu as finanças públicas, deu largas à economia e pôs a democracia a funcionar tão bem quanto possível.

    A seguir, céus!, veio um pantomineiro da esquerda radical que distribuiu umas coisas, sobretudo aos seu fiéis, e acabou por deixar o país num mar de corrupção e desordem. Nem ordem nem progresso, divisa nacional. Sucedeu-lhe uma inimaginável “presidenta” de sememlhante laia, que tudo agravou e acabou deposta. As coisas de mal a pior, o pobre Brasil caíu nas mãos de um ignorante palavroso e aldrabão, capitão de infantaria ou coisa do género, que, ainda que do outro lado do espectro ideológico, prolongou a bagunça e deu à idiotia as honras do poder.

    Diz-se que “não há mal que sempre dure”. Talvez seja verdade, mas parece que o ditado não se aplica ao Brasil. O trambiqueiro Lula (Inácio Silva), com carreira no bolchevismo à brasileira, regressa à baila. “Não tenham medo de mim”, diz ele, implicitamente reconhecendo que o seu regresso será, ou seria, uma desgraça mais temível do que o foi na primeira vez.

    O IRRITADO, que pouco tem a ver com política externa, lamenta profundamente que o Brasil continue a andar às escuras, sem futuro, sem eira nem beira.

     

    17.3.21

  • GRAMATICANDO

     

    Ando a dar voltas à cachimónia a ver se me lembro do nome do fulano que é agora presidente de uma coisa que se chama Conselho Económico-Social, entidade por certo existente mas cuja utilidade me escapa. De qualquer maneira, dizem, tem uma data de funcionários e de manda-chuvas, todos parece que bem pagos pelo orçamento do Estado, dos quais o referido inominável presidente. O indivíduo, em tempos, até provocou em mim alguma simpatia, coisa rara, reconheço. Era ele contra a geringonça, achava que o seu PS não devia sair das fronteiras da democracia, não devia aliar-se aos comunistas e quejandos. Depois, dei com ele a apoiar a dona Gomes, o que fez desaparecer por completo a simpatia que acima refiro.

    Quando se entra por maus caminhos é muito difícil sair deles, sendo especialmente grave que nem sequer se queira tentar. É assim que o tal indivíduo – raio, como é que se chama? – voltou à ribalta anunciando uma das mais estúpidas e ordinárias iniciativas desde que tenho memória de iniciativas ordinárias e/ou estúpidas. Ao arrepio da língua portuguesa e da respectiva gramática (coisas que, apesar de aturados e escritos esforços, aquela loira já gasta do PS ainda não tinha conseguido destruir) avançou com uma proposta que estropia elementares regras, fortes tradições e meros ditames da mais simples lógica. Tudo isto, diga-se, com o desejo de dar nas vistas, já que outro objectivo se não descortina tão nobre quanto esse. Trata-se de “dessexualizar” a língua portuguesa, ainda que, que se saiba, ninguém o tenha pedido, exija ou de tal precise. Parece que a criatura (ou o criaturo, para ir ao encontro da lógica do camarado) quer que nos revoltemos contra palavras gramaticalmente masculinas ou até de duplo género. Por exemplo, quando se fala de “gestores”, pensa o díscolo, deveria dizer-se qualquer coisa mais simples, por exemplo “pessoas com responsabilidades de gestão”, porque só gestores, naquela privilegiada cabeça, implica a exclusão das mulheres. Isto na mesma lógica, por exemplo e ainda que de pernas para o ar, quando se diz os avós se está a excluir os avôs, ou quando se diz “direitos do Homem”, com H grande, se está a excluir as caras metades e demais senhoras e meninas, que assim deixam de ter direitos. Direitos humanos não são direitos “homanos”, assim como, quando, a contrario sensu, quando se diz “um rebanho de ovelhas” se está a excluir os carneiros ou, num “bando de pássaros”, se está, evidentemente, a excluir as pássaras. Cristalino, não é?

    Por pudor e higiene não vale a pena citar, criticar ou denunciar em pormenor os múltiplos exemplos da produção intelectual do fulano.

    O que talvez valha a pena é alertar para o alarmante facto de ser capaz de haver quem admire a iniciativa. Que diabo, não chegava o “acordo ortográfico” para dar cabo do que resta?

     

    17.3.21     

  • TELEJORNAL

    – Boa noite, senhores telespectadores (espetadores, em novi-língua). Temos hoje como tema principal a suspensão da vacina da Zaneca. O senhor Primeiro-Ministro esclareceu a questão no parque de diversões da nova ponte sobre o Douro.

    Imagens. O PM no relvado, farripas ao vento:

    –  Estou ansioso pela segunda dose da vacina da Zeca.

    – Mas suspendeu a vacina. E agora?

    – Suspendi mas não suspendi, está a perceber?

    O entrevistador, filiado no PS, não percebe, mas não insiste.

    De volta ao estúdio:

    – Depois de o PM instilar mais uma dose de confiança na alma das gentes, vamos ouvir o senhor doutor Jeremias da Purificação, empregado do covide, sobre este ingente problema. Senhor professor Jeremias, acha bem a suspensão da vacina da Zanaga?

    – Boa noite e obrigado pelo convite. A suspensão da vacina da Zeta é uma maravilha, uma necessidade, uma prevenção de alto nível.

    – E porquê?

    – Ora, é muito simples. Entre 50 milhões de vacinados, houve três mortos, um de diarreia, outro com uma unha encravada e, em Tegucicalpa, uma senhora diabética de 98 anos.

    -Mas…

    – Não há mas nem meio mas. É a ciência!

    – Muito obrigada, doutor Jeremias, – a apresentadora sacude as melenas e continua – temos agora entre nós a professora catedrática de matemática na universidade da Arrentela, dona Eufrásia Malacueca, a quem pedimos mais esclarecimentos. Senhora professora, acha bem a suspensão da vacina?

    Boa noite e obrigada pelo convite. É evidente que o senhor primeiro ministro é de uma genealidade a toda a prova. Segundo os modelos matemáticos estabelecidos pela minha equipa, os três casos citados pelo doutor Jeremias, uma vez tratados pelo nosso algoritmo, redundam no perigo universal de uma avassaladora onda de covide.

    – Mas não será um pouco exagerado?

    – Exagerado? Garantido. É aciência, a ciência de alto nível! Tem dúvidas?

    – Nenhumas. Muito obrigado, professora Gervásia. Boa noite. No  seguimento da nossa política informativa, não quisemos deixar de consultar a ilustre professora Pancrácia Caralta, da Nova SCE, especialista na influência do capitalismo na evolução da produção de papel higiénico. Quer dar-nos a sua opinião sobre a suspensão da vacina da Zaragata?

    – Boa noite e obrigada pelo convite. É evidente, à luz da mais actualizada ciência, que a suspensão da vacina muito contribui para o esclarecimento da população. A Zaragata é uma organização do mais horrendo capitalismo, apostado em matar indefesos cidadãos, o que está em curso de prova em várias universidades. Os três mortos em 50 milhões estão aí para não deixar dúvidas.

    – Mas, diz-se, são poucos, e não se sabe se morreram por causa da vacina…

    – Não se sabe? Não diga disparates. Quem diz coisas dessas é a extrema direita, os racistas, os machistas, os fascistas, os burgueses do teletrabalho! Eu falo de ciência, minha senhora, de ciência, que é coisa que não é dada ao povo trabalhador, a burguesia possidente é que estraga tudo!

    – Muito obrigada, professora Caralta. Boa noite.

    Pausa.

    – Da Régie informam-nos que bateu à porta um geógrafo que quer dar a sua opinão. Vamos chamá-lo, a seguir a um curto intervalo.

    – Boa noite, senhor geógrafo, especilista do IPCA (Instituto do Mal e do Covide). Boa noite, professor.

    – Boa noite e obrigado pelo convite.

    – Qual é a sua opinião sobre a actual situação da vacina da Zacota?

    – O que posso dizer é que a vaciana da Zacreta traz um problema gravíssimo, justificando-se plenamente o ambiente de terror que a a decisão de a suspender não deixará de causar, e ainda bem. Temos que agradecer ao senhor primeiro-ministro e ao senhor Presidente a brilhantíssima decisão que tomaram. Averdade é que, diz a ciência, segundo a tendência dos ventos alísios e as novas fissuras da placa tectónica do triângulo das Bermudas, o vírus, ajudado pela vacina, tende a penetrar nas meninges da população causando furúnculos nas axilas, o que, sem dúvida, entre outros males, pode provocar uma galopante vaga de eutanásia.

    – Obrigada, professor. Boa noite… Breaking news: acabámos de enviar um colega para a porta das nossas instalações, a fim de reportar sobre uma manifestação de alguns cidadãos mal informados que gritam contra o governo da Nação, dizendo, entre outros disparates, que se alguém levasse à risca as bulas dos medicamentos, dados os efeitos secundários por milhão de utilizadores ninguém os tomaria. No entanto, comunicam-me agora, a direcção da nossa empresa já proibiu qualquer referência ao assunto e abriu processos disciplinares aos profissionais que foram à porta. Depois do intervalo teremos uma aula de futebol em que, durante 32 horas, vários cientistas se debruçarão sobre as últimas novidades, designadamante sobre o último discurso do senhor Pinto da Costa. Tenha uma boa noite.

     

    17.3.21    

  • UM PRESENTE DESGRAÇADO, UM FUTURO NEGRO

     

    O que Cavaco disse não foi que a democracia está amordaçada, mas sim que “é surpreendente a frequência com que ouvimos e lemos que o país se encontra numa situação de democracia amordaçada”. Certo. Não falta quem o diga. Poucos o escrevem, porque têm medo. O Ferro e o Sousa é que, como bons invejosos, lhe tresleram a boca.

    Já agora: disse o Henrique Raposo, com toneladas de razão, que “Não sei de a democracia está amordaçada, como diz Cavaco, mas a cabeça das pessoas está, sem dúvida”.

    Eu, IRRITADO, digo que a democracia e as cabeças não estãoestão só amordaçadas, estão também desgraçadas. A ruína a fome, o desemprego (disfarçado com números piratas), avançam a todo o galope. Há milhares de pessoas na bicha para a “sopa do Sidónio”. Quando acabarem as moratórias, ninguém vai poder pagar o que deve. Os “auxílios do Estado” não passam de patacoadas do Costa e do careca para patego ouvir e “jornalista” aplaudir. Quem se candidata a auxílios, depois de reunir toneladas de papéis, ou não recebe resposta, ou espera três meses para receber uma carta a dizer que “aquele fundo” já está gasto, ou que não é elegível, ou outra paspalhice qualquer. Dinheiro, zero. Os senhorios não recebem rendas, os bancos não recebem prestações. No meio disto tudo, os “especialistas” aplaudem, dizem que é preto e que é branco, que é bom e que é mau, as vacinas ora são essenciais ora matam mais que o covide, é o que lhes vier à cabeça desde que contribua para a manutenção do medo. A “comunicação social” entretem-se, há mais de um ano, a aterrorizar as pessoas. E estas acabam por gostar, de tão amordaçado têm já o bestunto. Dão lições de moral umas às outras, acham tudo bem, estejam em casa, não trabalhem, ponham a máscara, olhem o covide! As criancinhas olham para uma coisa que já não sabem o que é: um parque infantil. Os velhos estão proibidos da jogar à sueca nos jardins, contentam-se com esperar pela morte, a fim de aprimorar as “estatísticas” do covide. Os cientistas que sabem ler estão impedidos de informar, ou de infirmar. Informação, só a oficial, tremendista, castrante, com o aplauso traidor das televisões e dos jornais. O dr. Carreiras inventa proibições para quem quiser passear à borda de água. Outros fazem o mesmo, ou pior.

    A democracia é já uma batata, não tem ponta por onde se lhe pegue.

    Agora, o glorioso Costa, não se sabe se com a cumplicidade ou sem a cumplicidade do senhor de Belém, prepara  orgulhosamente um decreto qualquer para deixar de dar satisfações seja a quem for, mandar à vontade, o poder todo dele, sem peias fácticas, formais ou morais.

    Este atrapalhado elencar de maravilhas é uma pequena gota, um pobre sinal do que aí vem. Porque o que aí vem vai ser muito pior do que já é. Inimaginavelmente pior.

     

    16.1.21

  • NOTÍCIAS DA PASPALHÂNDIA

     

    Num dos massacres (leia-se telejornais) diários a que estamos condenados, dizia-se que uns 1,2 milhões já estavam vacinados. No mesmo jornal, noutra página, afirmava-se que os vacinados eram 2,7% da população. Faça as contas.

    No mesmo dia, noticiava-se que “Portugal é o país da UE com medidas mais severas”. Escolas fechadas, só em Portugal e na Irlanda –Portugal à frente! Somos os melhores!

    Agora, atenção: vem aí o “desconfinamento”! Perceberam alguma coisa das notícias postas a circular pelo governo sobre a coisa? Não ficaram meio malucos com as “notícias”? Acharam que era tudo falso, tudo verdadeiro ou tudo só irresponsável? Estão do lado do ministro A, da ministra B, do secretário C? Que “cientista” preferem? O geógrafo, o matemático, o epidemiologista, o médico, o enfermeiro, o não-sei-quantos, ou outra especialidade? E, dentro de cada especialidade, preferem o senhor/a X, o/a senhor/a Y, o senhor/a Z, ou outro/a, vindo/a dos vários abecedários que por aí pululam?

    Se ainda não está completamente maluco, para lá caminha. Deixe-se estar em casa, dizem eles. Abomine o ar livre, os parques, as praias, não se sente em bancos de jardim, não peça água a ninguém. Fique em casa, mas abra as janelas, deixe entrar o fresquinho do Inverno. Se tiver aquecimento (a doida Peralta chamar-lhe-á burguês), aguente a conta do gás ou do que for, se não tiver agasalhe-se e constipe-se. Olhe que não há nada mais saudável que fechar-se em casa. Se tiver a ousadia e a incivilidade de ir à rua e lhe aparecer um cidadão a dar-lhe ordens (ponha a máscara! não se sente aí! afaste-se!), agradeça em vez de o mandar à merda, que é o que eu faço. Seja “cívico”!

    Se lhe aparecer algum canalha como o IRRITADO a dizer que fechar as escolas é um crime, faça queixa à Judite. A Judite mandá-lo-á passear. Não vá, que pode ser repreendo, multado, preso. Cuidado! Seja cumpridor. Amordasse-se, não proteste, não levante o rabinho do selim. Não se esqueça do que toda a gente sabe: Sua Excelência de Belém é, desde pequenino, um hipocondríaco militante. Obedeça!

    Se lhe falarem na ruína, na miséria, na fome a que muita gente (a pontinha de um gigantescco iceberg) já está sujeita, diga que é mentira, o governo vai tratar do assunto com a competência e a honestidade que lhe são próprios. Lembre-se que é tudo uma questão de moral republicana.

    E pronto. Vou ligar ao psiquiatra.

     

    11.3.21

  • MATARROANADAS

    O matarroano das infraestruturas, com farto aplauso do governo, resolveu queixar-se à polìcia de um tipo que revelou uma conversa confidencial que tinham tido. Uma questão de transparência opaca, como é de ver.

    Sei quem é o matarroano, mas não sei quem é o outro, nem o que faz ou deixa de fazer. Veio o dito à baila porque tem umas acções de uma empresa falida de que o Estado, representado pelo matarroano, é sócio. Foi-lhe exigido que desse as acções como garantia para um empréstimo que permitisse pagar salários. O homem disse que não. Canalha! Depois confessou que, mesmo que quisesse, não podia prestar tal garantia, uma vez as acções estão hipotecadas ao Montepio, e o Montepio não deixa.

    Desentenderam-se, como é normal que aconteça entre um socialista radical e um negregado canalha privado. O socialista diz que protege os trabalhadores, desde que seja com o dinheiro dos outros, o que é normal e coerente. Sempre foi assim, e assim sempre será. Há os bons e os maus, o que coincide com o público e o privado, respectivamente. É assim, sobretudo em tempos como os orientados pela moral republicana.

    De estranhar é que o governo socialista, que já anunciou rios de dinheiro para proteger os que arruína, no caso ache que não tem nada com isso. É lógico. Os beneficiários dos rios de dinheiro do governo, geralmente, meses depois de apresentar largas dezenas de papéis, recebem uma simpática cartinha a dizer que “essa linha está esgotada”. Conheço alguns. Por que carga de água devia a Groundforce ser uma excepção? Não sabem que os rios de dinheiro são só, ou quase só propaganda?

    Felizmente, há o PC. O PC tem sempre pronta a melhor de todas as soluções: nacionalize-se a Groundforce, e entra tudo nos eixos. O privado, se não for preso, fica a tinir. O socialismo vai buscar o dinherio onde houver disso, como, brilhantemente, diz a sinistra Mortágua.

    E fica feita a festa.

    11.3.21        

  • GALEGADAS DE ALTO NÍVEL

     

    1- Os partidos comunistas não aplaudiram o Presidente.

    2 – O Presidente resolveu contrariar o cidadão Cavaco.

    3 – O cidadão Cavaco foi-se embora porque “tinha que ir para casa”.

    Devemos viver no único  país dito civilizado em que há partidos parlamentares que não aplaudem o juramento do Chefe de Estado. À semelhança, aliás, de outrra gentalha, como o inigualável ultra-socialista Vasco Lourenço, coronel feito à pressa, que, com os capangas em que se converteram os chamados capitães de Abril, se recusou a ir a uma cerimónia oficial, porque não gostava do governo. Democracia sim, mas socialista, não é? O 25 afinal não é para todos. Galegada ou anti-democracia? Resposta: as duas.

    O presidente resolveu dar uma facada ao seu antecessor, que tinha dito, com carradas de razão, que a democracia estava a ser amordaçada, uma evidência para qualquer democrata propriamente dito. Em vez de contrariar Cavaco dizendo que tudo andava pelo melhor, resolveu dar à casca. Galegada.

    O cidadão Cavaco pagou o dar à casca dando à casca, isto é, não distinguindo o cargo da pessoa. Galegada.

    Conclusão: a Galiza não é cá no sítio, mas galegos temos com fartura. E ainda há quem diga que a democracia está de boa saúde.

     

    10.3.21  

  • DOIS PROBLEMAS, OU MAIS

    Diz-se que há indivíduos superdotados, capazes de penetrar nos segredos do cosmos, de resolver equações que estão fora do alcance dos outros mortais, de imaginar sistemas filosóficos de grande alcance e de outras proezas capazes de alterar a sociedade, o ensino, a política, os conceitos sociais. Umas vezes para o nosso bem, outras nem por isso, outras para nosso mal. A inteligência nem sempre é sinal de razão ou de avanço num sentido positivo.

    Não temos por cá superdotados, que eu saiba ou se veja, o que não é um mal em si. Mas temos, com alguma fartura, alguns infradotados. É o caso do primeiro ministro, um indivíduo com alguma, pouca, instrução, e uma capacidade de parlapatar e asnear fora do cumum. Não está só. Das paragens nortenhas surgiu outro, exemplo claro do mau uso que se dá aos restos de inteligência de que se goza. É o caso do auto-proclamado “chefe” da oposição. Um problema, dois problemas.

    Num eventual ataque de bom-senso, conseguiu o segundo convencer um homem de valia já claramente demonstrada a ser seu candidato à Câmara de Lisboa. Rejubilaram as hostes que estão fartas de socialismo e de propaganda barata. Mais. Parecia que o candidato se propunha agregar tais hostes, evitando assim a dispersão de votos e evitando outrossim o Chega para que não o acusem de fascista, xenófobo, machista e de outras tremendices que fazem parte do léxico da esquerda, tanto da burra como da não tanto.

    Tudo, à partida, bem encaminhado. Eis senão quando, o ilustre (no sentido etimológico do que não dá luz) Rio faz uma das suas galegadas. Trata mal um dos eventuais apoiantes do seu candidato. Não lhe liga, não fala com ele, não lhe telefona sequer. Daí que a IL, sendo o menos minhoca dos minhocas, se retire de qualquer acordo.

    A hipótese da união de esforços dos representantes do não socialismo, na presença de uma luta eleitoral taco-a-taco, ficou comprometida por acção ou omissão propositada do seu, dir-se-ia, principal promotor.

    Alguém é capaz de perceber que o líder do PSD, depois do que se poderia chamar a sua única jogada de mestre, à primeira oportunidade a torpedeie? Poderá dizer-se que os tipos da IL levaram longe demais o princípio de que “quem não se sente não é filho de boa gente”, mas, que diabo, perante o pesporrente desprezo de quem dela precisa, que outra solução teriam?

    Parece que a pandemia da falta de juízo é coisa sem remédio nem fim. No entanto, pode ser que os eleitores não socialistas acordem, e façam um intervalo na sujeição ao medo que lhes é instilado pelo poder.

    Wishful thinking, dir-se-á. Mas vale a pena dar uma lição aos coveiros do país, o inenarrável Rio incluído.

     

    8.3.21

  • TARDE PIASTE

    Afinal, dona Marta confessou que ainda não percebeu o que aconteceu no Natal. O IRRITADO está na generosa situação de a esclarecer. O que aconteceu no Natal? Aconteceu o Natal, a 25 de Dezembro, como há mais de mil anos. Os portugueses, apertados pela dona Marta, pelo Costa e pelo senhor de Belém, reuniram-se em família muito menos do que de costume. O vírus não deu por nada, aumentou os ataques pela mesma razão que os veio a diminuir lá para o fim de Janeiro. O Natal teve, em relação à epidemia, o mesmo resultado que o feroz confinamento tem tido: nenhum.

    O que é a todos os títulos notável e nos enche de admiração e respeito, é que a dona Marta mais os habituais prosélitos do terror tenham chegado à conclusão que não sabem nada do assunto. É de louvar esta sinceridade, embora tardia.

     

    23.3.21

  • OS GRANDES MESTRES DO CRIME

    Soube hoje que ainda há dois países na Europa sem aulas presenciais para crianças de tenra idade. São eles a Letónia e… Portugal! Fantástico, formidável, genial. De braço dado com a longínqua Letónia, somos os maiores, isto é, os grandes mestres do crime!

    Já mais do que uma vez chamei a atenção para que se trata de nefando crime – contra a infância, contra a juventude, contra a saúde mental de miúdos e adultos, contra a saúde pública, contra o futuro, contra a humanidade – cometido, ainda por cima sem nenhuma espécie de utilidade, por indivíduos sem escrúpulos sem, sequer, uma réstia de razão que lhes assista. Fartos, ao que se diz e prova, de cometer erros, não hesitam em continuar a cometê-los com cada vez mais força. Podiam ser só ridículos, como Vasco Moscoso de Aragão, o famoso capitão de longo curso do Jorge Amado, mas esse, apesar de ignorante, não fez mal a ninguém. Estes fazem muito mal, e gabam-se disso. É verdadeiramente inimaginável onde o poder sem freio nem senso pode chegar.

    O caso é tão grave que há pais (onde estão os pais que protestam?) que, alienados pela propaganda do pânico veiculada em doses maquiavélicas pelas televisões e pelos jornais, estão de acordo com o mal que lhes andam a fazer ao filhos. Onde chegámos em matéria de acriticismo, de paralisia mental, de carneirismo, é coisa que nem os mais distintos profetas da desgraça poderiam imaginar.

     

    3.3.21

  • MOEDAS

     

    Diz-se que o Moedas é um tipo de altíssimo gabarito. Não duvido. Caso raro, a “informação” tem-lhe dedicado páginas e páginas, o que quer dizer que lhe mete medo. Tido por capaz de fazer sombra ao tenebroso Medina, Moedas é uma luzinha no horizonte dos que insistem em ter esperança no fim da desgraça  socialista que sobre nós se abateu.

    Tem dois desafios pela frente.

    O primeiro será o de estar à altura de se bater com a poderosa máquina de uma esquerda completamente desvairada no seu objectivo do poder pelo poder, com a perseguição mediática de que não deixará de ser alvo, com a criação de um carisma que ainda não terá, com a escolha dos seus colaboradores.

    O segundo será o de arrostar com a fatal e irremediável incompetência política da direcção do PSD, o de perceber que a sua escolha pelo líder é a tábua de salvação que ele arranjou para si próprio em desespero de causa, que o seu, não dele, triunfo político deverá resultar em não se deixar envolver na política desastrosa do chefe, o de dar a perceber que não faz parte do entourage rioista, o de se afirmar por si independentemente das asnáticas atitudes daquela gente, não só em benefício próprio mas para ter oportunidade de vir a salvar o partido, a honestidade e a inteligência na política e, até, a cidade.

    Da sua modesta tribuna, o IRRITADO declara a confiança que Moedas lhe merece e o seu medo de que se deixe envolver, por dentro, na voragem dos coveiros de serviço e, por fora, nas canalhices do poder instalado.

     

    3.3.21      

  • LEGÍTIMA DEFESA

    Um restaurante, em Felgueiras, decidiu abrir, no exercício constitucionalmente protegido, da sua actividade económica.

    Tirânicas autoridades suspenderam a Constituição e os direitos do homem com a esfarrapada desculpa de uma epidemia que, como provam os países que não o fizeram, se está nas tintas para a paralização e a ruína.

    O dono do restaurante foi obrigado a fechar pela polícia do governo, do Rio e do Presidente, e será objecto de inúmeras represálias, até que, devidamente reduzido à miséria, desista de vez.

    O IRRITADO aproveita a ocasião para o cumprimentar pela sua nobre atitude de exercício do direito de legítima defesa. Como já um dia escrevi, se todos os restaurantes tomassem a mesma atitude, a polícia não conseguiria fechá-los, e talvez as tirânicas autoridades fossem obrigadas a encolher as unhas.

     

    3.3.21

  • DA INTOLERÂNCIA EM MARCHA

     

    Dizem os entendidos que as democracias morrem por dentro. Há exemplos disso, verificáveis e dramáticos. Quando acontecem? Quando ganham força os políticos que se consideram donos únicos da razão única, irrefutável e inoponível.

    Por cá, apregoa-se que é o caso do Chega. Não é, não tem qualquer intenção de acabar com a democracia e, se a tivesse, não tinha força para tal. Como é que a adquiriria? Sendo marginalizado em vez de integrado, tolerado, combatido, mas não ostracizado.

    Verdade se diga, há casos bem mais preocupantes. As esquerdas, por se considerar donas da República, da Nação, das novas morais, verdadeiras donas disto tudo, encarregam-se, moderadas ou radicais, de arrastar para o Chega inúmeros moderados de direita, rapidamente apodados de saudosistas, fascistas, xenófobos e outras patacoadas que as esquerdas incluiram no seu patois e que aplicam a todos os que duvidam da sua “razão” ou se opõem a ela. É a intolerância erigida à categoria de obrigatória, o contrário da convivência dos contrários, ou seja, o contrário da democracia.

    O problema é tão mais importante quando faz caminho na força política actualmente mais votada, o PS. A intolerância ganha terreno no antigo partido democrático de Mário Soares, hoje pasto de gente verdadeiramente totalitária. Como dizer outra coisa de senhores como P.N.Santos, A.Simões, ou da senhora A.Gomes? Dizem o que hoje ainda há quem  considere o que dizem como barbaridades, mas que, por inércia de quem devia opor, fazem caminho no partido, na “informação”, no comentariado, até que se tranformem nos rinocerontes de Ionesco, portadores do poder total, nas ruas e nas consciências.

    A arrancada totalitária de dona A.Gomes é sinal disso mesmo. Assustada com o A. Ventura, o qual, a imaginar o pior, seria como ela, desata numa guerra, estúpida ma eficaz, servindo-se de instâncias democráticas para limitar, voire destruir, a própria essência da democracia. Para já, irá onde for preciso para atingir os seus miseráveis fins, assim abrido caminho à destruição da liberdade, em nome da liberdade. É assim que se começa.

    Mário Soares distinguia entre partidos democráticos e não democráticos. Mas nunca lhe passou pela cabeça destruir, ainda menos proibir, os segundos. As odiosas acções da dona Gomes & companhia são a negação final, e total, da tradição soarista. Quando se fala de perigos que a democracia enfrenta, é disso que se deve falar. Sobretudo porque, perdidos todos os escrúpulos, o PS não reage à turba de militantes daquela laia, que instalaram no PS a intolerância do BE. Fazem mais mossa à democracia que todos os venturas que por aí andam.

     

    2.3.21      

  • JUSTIÇA SOCIALISTA

     

    Você, meu caro, é um alarve. Não gosta de máscaras, não gosta de estar fechado em casa, não gosta de não poder passear sem cão, não gosta de não se poder sentar no banco do jardim onde lia o jornal, jantou com a família a 24 de Dezembro, acha que é um crime manter as criancinhas em casa a olhar para a pantalha, enfermiças, tristes, enfim, segundo o governo, altamente representado por eminências do calibre do Cabrita e da Temido, é um inimigo público, um malandro que não não se delicia com as perorações das excelências de Belém e de São Bento. Você é a incarnação do mal, pior que o covide. Aliás, segundo as mesmas fontes, o espalhar das infecções é culpa sua, de mais ninguém. O covide não fez mais que aproveitar-se das suas maldades para avançar a passos largos na sua tenebrosa actividade.

    Você, além de culpado é estúpido. Tem a mania de ir ver uns números que não têm nada a ver com os do governo, bem como com os dos especialistas e artistas convidados para espalhar o terror. Comete o crime de se recusar a ser bombardeado pelas televisões e pelos jornais na sua nobre missão de o assustar, o encher de medos, de ódio ao seu semelhante, de aumentar a  antropofobia que lhe meteram na cabeça. Olha para os números e vê que houve muito covide em Março, que o covide se foi embora a seguir, quase desapareceu no Verão, surgiu outra vez em fins de Dezembro para se estar a ir embora no dealbar da Primavera. Verifica que tal não teve absolutamente nada a ver com o seu Natal, que a coisa anda para cima e para baixo sem ter nada a ver com confinamentos, que não há relação directa do sobe e desce com os confinamentos de cada um.  Você é um negacionista, um covidiota, quiçá um nazi encapotado ou um estalinista a fazer inveja ao PC.

    *

    E se você cometeu o hediondo crime de ir passar uma semana nas doces praias dos brasis, então merece o anátema final, a excomhunhão, o opróbrio. O governo vinga-se, como é seu irrefutável direito. Você comprou uma ida e volta à TAP. O governo proibiu os voos de regresso. Você ficou mais de um mês a pagar estadia, comes e bebes, se calhar está quase teso, não pode ir ao trabalho e o patrão a marcar faltas, e ainda não sabe quando volta. Um mês depois da proibição dos voos, o governo, generosamente, arranjou um avião para  o ir buscar não se sabe quando – atitude heróica se pensarmos na escassez de aviões disponíveis, não é? É claro que com uns míseros mil e tal euros, pode viajar até Paris ou Fankfurt e daí para Lisboa. Deita fora o bilhete da nossa maravilhosa “companhia de bandeira” e diz adeus ao dinheiro que gastou. Quando cá chegar metem-lhe umas zaragatoas pela goelha abaixo e pelo nariz acima, e mandam que se confine mais umas duas semaninhas.

    E se você não tinha bilhete de volta? Aí, como é justo, tem que pagar. Quanto? O governo não tem nada com isso. A companhia de bandeira começou em 800 euros e, anteontem, já ia em 1.350. Hoje não sei, mas se se atrazar vá preparando uns 2.000 ou mais, que não merece outra coisa.

    O que é que você queria? Enquanto a Pátria se debate com o covide, você vai a banhos para o Brasil. Devia ser preso. Não é. Sabe porquê? Porque o nosso socialismo ainda não entrou numa fase “real”. Além disso, não temos uma Sibéria à mão.

     

    26.2.21

  • ENTREVISTA

     

    O IRRITADO fez deslocar a São Bento um dos seus jornalistas especializados em assuntos históricos, a fim de entrevistar o ilustre deputado Parvenso Melões.

    Transcreve-se a gravação d entrevista:

    – Deputado Melões, gostaríamos de lhe pedir algumas ideias sobre a História de Portugal.

    Com certeza. Com todo o gosto.

    – Muito bem. Na sua opinião, como considera a figura de Dom Afonso Henriques?

    Um bandoleiro, sedento de sangue, sem respeito pela própria mãe, um tipo que, com uma mesnada de díscolos e a ajuda dos bandalhos das cruzadas, atacou indefesos muçulmanos e lhes roubou o poder.

    – Mas os muçulmanos…

    Pois, tem razão, eram uma cambada de gatunos que tinham dado cabo das monarquias visigóticas. Aliás, elas não passavam de serventuárias do papado e dos seus mais obscuros interesses.

    – Então o mesmo se poderá dizer dos bárbaros, dos romanos, e por aí fora.

    Sim, claro, toda essa canalha deu origem ao colonialismo, ao racismo e ao fascismo. E é a mentalidade que preside, hoje em dia, a bandos de saudosistas sanguinários.

    – Tomo devida nota, engenheiro Melões. Já agora, que pensa Vossa Excelência do Mestre de Avis?

    Mestre, só se for da desordem e da xenofobia. Ele e aquele tipo a quem chamam condestável. Um incompetente. Um e outro devem ser despojados de honrarias e demolidas as estátuas que por aí têm. Caixote do lixo com eles, já!

    – Mas os castelhanos invadiram o país…

    Os castelhanos eram uns tipos organizados, e esse gajo de Aviz, ou lá donde é, teve que pedir ajuda a uns bifes que andavam por aí à porrada! Está a ver? E ainda há uns fascistas que gostam de gente dessa! É intolerável.

    – Compreendo, doutor Melões. Um pouco mais tarde, tivemos o principe Dom Henrique, o Navegador. Que acha dele?

    Navegador? Esse estafermo nunca pôs os pés na água. Um aldrabão. Pergunte ao Boaventura. O patego queria conquistar o Norte de África e andou a matar abxalás por todos os cantos. Outra vez a filosofia do Henriques!

    – Tomo nota, arquitecto Melões. Agradeço as suas opiniões. Já agora…

    Não são opiniões! É a verdade histórica. Pergunte ao Rosas, à Catarina, ao Tavares, à secção de sociologia da Universidade de Coimbra e a outros patriotas.

    – Continuando, se me permite, professor Melões, gostaria de ouvir a sua opinião sobre o padre António Vieira.

    Quem? Ah, esse gajo, pois. Um propagandista do coloniaismo, um parlapatão que se dizia protector dos índios do Brasil, um desavergonhado. Muito bem fizeram aqueles tipos da escola do Mamadu quando lhe pintaram o focinho… camartelo é o que ele precisava.

    – Vejo que Vossa Excelência é partidário do apagamento de certas memórias.

    Claro. É preciso pôr os pontos nos is. Para começar, devíamos aproveitar a bazuca para limpar a casa, isto é, para financiar um grande programa de demolições.

    – Por exemplo?

    Exemplos não faltam. Começaríamos pelo castelo de São Jorge e por outras vergonhosas memórias que por aí há. De outros tempos, demoliríamos o mosteiro da Batalha, os Jerónimos, as várias catedrais padrescas espalhadas pelo país, o palácio da vila em Sintra – é bom não esquecer que foi lá que o analfabeto Camões leu as suas atoardas ao reizeco Sebastião -, o palácio dos braganças em Vila Viçosa… Enfim, pediu-me alguns exemplos, aí os tem. Seria um programa verdadeiramente nacional, cheio de significado, uma homenagem à verdade, um nunca acabar de restituição da justiça, em nome da juventude e do futuro.

    – Mas isso é uma razia enorme, acha que o seu partido concorda?

    Acabará por concordar, há boas influências internas e externas que apontam claramente para isso. Se você ler os jornais encontra uma catadupa de artigos que vão nesse sentido. Trata-se de uma luta que, mais cedo ou mais tarde, venceremos. É a minha missão, na vida e na política.

    – Senhor comendador, a redacção do IRRITADO agradece as suas declarações, e deseja-lhe um bom e longo confinamento em pocilgas que tenham vaga.

     

     

    NB. O nosso colaborador foi preso pela GNR à saída de São Bento, por ofensas aos “pais da Pátria”. Amanhã será presente ao juiz.

     

    24.2.21