Com notável pompa e merecida circunstância, o inenarrável primeiro-ministro que temos, o espantoso ministro do ambiente que ronca, o irritante queixinhas da CMP e outras altas individualidaes juntaram-se mas faldas da Arrábida (a de lá, não a de cá) para mais um retumbante anúncio: o lançamento de um “concurso de ideias” para mais uma ponte lá no sítio, destinada a comboios.
Acho muito bem, isto é, acho muito bem que façam a ponte, ou duas pontes, ou três ou quatro. Mas, a avaliar pelo habitual dos anúncios do governo, algo me diz que não vai haver ponte nenhuma. O concurso de ideias, a realizar-se, porá este mundo e o outro a discutir qual é a melhor, a menos pior, a assim-assim. Como acontece com o novo aeroporto de Lisboa, só no âmbito das “ideias” vão os tripeiros andar a discutir nos próximos cinquenta anos. Admitindo que alguma ideia passe, aí virão os problemas do concurso. Nacional ou internacional? Aberto ou por convite? Mais uns anos. Admitamos que se chega a acordo. E depois? Onde está o dinheiro, donde virá, quem se atravessará?
Poderia continuar, sem fantasias, só falando das evidentes realidades que aí vêm. Encheria mais umas cem páginas, pelo menos.
Uma coisa é certa.O Porto esperneará anos e anos, a exigir a ponte, a dizer que a culpa é de Lisboa, a dizer cobras e lagartos do governo, seja ele qual for. A única certeza a que o IRRITADO se atreve é a de que não haverá ponte nehuma. Talvez no século XXII, se formos optimistas.
Para já, o chamado governo fez mais uma das suas habituais charlas. Um inegável triunfo, do ponto de vista da publicidade enganosa.
No meio disto tudo, uma boa notícia: não vi o mirabolante ministro das infraestruturas a abrilhantar o acto. Pode ser que lhe estejam a preparar os patins, a ver se não faz mais asneiras nem larga mais bojardas.
17.3.21

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