IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DO ALMIRANTISMO

Andam as gentes entretidas, ou anda gente entretida a entreter as gentes com o terrível problema das eleições presidenciais. Acastela-se a lista dos presidenciáveis, mais baixos e mais altos, mais gordos e mais magros, mais espertos e mais burros, um fartote.

Parece que há para aí uns problemas – nacionais, europeus, globais – que mereceriam mais atenção. Mas, quem é o IRRITADO para vir falar em tais coisas? Se o que está a dar é a presidencial história, vamos a ela.

Havia uma senhora ministra que, para além de ter posto o SNS  a pão e laranjas, demonstrou a sua fatal e generalizada incompetência durante a crise do covide. É hoje alta figura do PS, deputada europeia, presença obrigatória nos jornais, etc., o que muito diz sobre os doutos critérios do partido. À altura, em rara crise de inspiração, alguém foi buscar um senhor a um submarino, pô-lo à tona e, caso raro, o homem tratou de vacinar a malta – e de ”safar” a ministra. Muito bem. Parabéns. O homem foi promovido a Almirante, depois a chefe da Armada. Aposto que vai receber umas condecorações. Pelo caminho, foi dando umas dicas que muito emocionaram os nacional-opinadores, ao ponto de o meterem em sondagens apontadas à presidência da República.  

Segundo tais sondagens e de acordo com a impressão generalizada do pagode, o homem do covide está à cabeça na intenção de voto dos portugueses. Conclusão: os tais portugueses querem um tipo que não tenha nada aver com os partidos políticos. Ou seja, um cidadão que, não representando ninguém, não sendo burro e tendo boa imagem estética, reuna as condições para representar todos.

(segundo a habitual propaganda dos próprios, o PR representa todos os portugueses. Não representa – a Constitução diz que representa a República, o que é outra coisa)

Adiante. Admita-se o que é geralmente aceite. Perante as “propostas” das sondagens nem um só dos politicões da lista chega aos calcanhares do almirante.

Varerá pena fazer uma viagem pelos países que nos são próximos, aqui, na democrática Europa. Que me venha à cabeça só há, nas repúblicas, um chefe de estado que governe: o Presidente da República francesa, eleito pelo povo para representar o país e chefiar o governo. Os demais dependem de eleição parlamentar e destinam-se a funções protocolares de representação e a dignificar o sistema. Nas monarquias, acabada a legitimidade “divina”, os reis são legitimados pelos parlamentos. Não têm limites de mandato, têm sucessor constitucionalmente aceite e gozam de prerrogativas formais, representando o Estado e o seu povo (diz-se que são “caros”, o que não passa de atoarda sem qualquer sombra de adesão à verdade).

Poderá então dizer-se que os portugueses, os das sondagens e os da rua, andam à procura de um rei? Direi que, circunstancialmente, não. Os portugueses estão por demais “republicanizados”, por razões que aqui não cabem.

Mas, e substancialmente? Quem sabe, se, lá bem no fundo e talvez sem tomar consciência disso, não queiram ver-se livres desta quiquenal pessegada?

2.12.24



8 respostas a “DO ALMIRANTISMO”

  1. Avatar de Manuel da Rocha
    Manuel da Rocha

    Ainda não percebi a preocupação… Paulo Portas, já tem o apoio de CDS, PSD, IL, Chega e 89434 milhões, de movimentos cívicos. Segundo corre, já existem 15 milhões de euros, doados por membros desse grupo, liderados por Rui Moreira (autarca do Porto) para irem preparando a notícia (que, dizem, irá ser dada, a 26 de Abril de 2025, arrancando uma campanha generalizada, em televisões, rádios, internet e com 10 milhões de cartazes, pelo país). Nas sondagens, quando incluem Paulo Portas, o almirante fica com, menos, de 25% dos votos. Algumas sondagens mostram 49%, para o candidato da frente unida, de direita, o que aponta para uma vitória, logo na primeira volta. Com o tempo, será fácil, Paulo Portas, chegar aos 50 milhões de euros, para ter 50000 vezes mais, que todos os outros candidatos, além de 40000, a 100000, pessoas, ligadas aos media, o apoiarem abertamente.

    1. Manuel Rocha, então e os milhões para o candidato André Ventura. ?

      1. Então, Irritado, já tem informações fidedignas que André Ventura não será candidato? Olhe que não, e nesse caso os milhões para o Portas não serão, assim, tantos milhões.

  2. É capaz de ter alguma razão quanto à malta querer um Rei, Irritado: não de forma explícita e consciente, mas sim, tal como sugere, bem lá no fundo, sem o saber. E porque não? A canalha política é tão má e desilude há tanto tempo – cinquenta anos, só na versão actual – que a malta está por tudo; e velhos hábitos custam a morrer. A república, como a ‘democracia’, é ainda jovem. Já não há quem tenha vivido em monarquia, mas exemplos próximos – até o nosso único vizinho – ainda a têm ‘em pleno séc. XXI’ (fica sempre bem dizer ‘em pleno…’ quando se quer soar moderno e chocado com algum atavismo), pelo que não é algo assim tão remoto. Até mantemos uma família real, algures entre o ‘meme’ e a mascote, pronta a reinar se a coisa virar. A ser um rei eleito, então o ex-marinheiro, com o seu garboso porte militar, podia representar-nos ao lado do espadaúdo espanhol Filipe sem nos envergonhar. Claro que, dirá um cínico, tal ‘representação’ é completamente inútil: uma fogueira de vaidades, uma dança de chulos, um absurdo desperdício de dinheiro público em reis, presidentes, a tralha toda. Mas que sabe o cínico? Feliz Natal, Irritado. Não lhe desejo ainda bom ano porque espero cá passar antes disso.

    1. V., como pessoa inteligente que é, reagiu com lógica e sem os espalhafatos em que muitas vezes cai. Pois é. há coisas que, sem preconceitos a mais, se metem pelos olhos dentro. E até diz que temos pretendente. Não será grande coisa para os mais ambiciosos. Mas, convenhamos, não dá despesa e pode representar o país com dignidade e independência. Não é o que se pretende, ou exige? E não é a (nossa) República mais um preconceito que outra coisa?

    2. V., como pessoa inteligente que é, reagiu com lógica e serenidade, longe dos espalhafatos com que às vezes se diverte. Ora veja lá se não seria mais prático ter o problema resolvido sem eleições universais, parangonas, conversas de chacha e montes de ambiciosos a querer poleiro, armados em gente? E até temos pretendente! Não será um génio (nem é preciso que o seja mas, com confirmação parlamentar, poderia representar a coisa com dignidade e independência, poupando-nos a este triste espectáculo, sendo mais barato e menos dado a controvérsias e às habituais bojardas do “magistério de influência”.Já agora, bom Natal para si e para os seus.

  3. Votos atrasados de um bom ano, Irritado. Não que seja fácil: sei que teve uma enorme perda, deve ter as chatices que a idade traz, também eu já as vou sentindo, e o estado do mundo não recomenda optimismo. Quando dizemos ‘bom ano’, queremos realmente dizer ‘menos mau’. Há uns meses li sobre a morte duma senhora espanhola, era a pessoa mais velha do mundo. Nasceu na América em 1907; veio com os pais para Espanha em 1915 durante a I Guerra; o pai morreu de tuberculose a bordo e foi deitado ao mar; ela foi viver para Barcelona; sobreviveu à Gripe Espanhola que matou milhões; casou-se com um médico em 1931; viveu a Guerra Civil e a II Guerra; Franco veio e foi; o marido morreu aos 72 anos após 40 anos de casamento; ela teve covid em 2020; e agora morreu. Aos 117 anos. Isabel II viveu quase cem anos e esta senhora, que morreu poucos dias antes dela, poderia ser mãe dela. As suas únicas maleitas, diz o médico, eram falta de audição e falta de mobilidade. De resto estava lúcida e saudável. Um daqueles casos não num milhão, mas em mil milhões. Mas e se ela fosse a regra e não a excepção? Como era se todos vivessem até aos 110, 120 anos ou mais? Porque é para aí que caminhamos, que queremos caminhar, não é? É suposto vivermos cada vez mais e melhor; mas como fica o seu capitalismo com cada vez menos filhos e mais idosos? Sabe que é essa a tendência em todos os países mais ricos, e todos os que deixam de ser pobres, ou tão pobres, acompanham a mesma tendência. Até na Índia, até em África há-de ser assim. Então até onde acha que a corda irá esticar? Talvez não pense nisso… há quem não pense noutra coisa.

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