IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DO ÓDIO

    Andam jornalistas, doutores, instituições várias a desdobrar-se em elogios e teorias várias, exposições, seminários e os etc. do costume, sobre o arquitecto Frank Gehry. O IRRITADO acha bem. muito bem. A obra de Gehry não tem paralelo. Um mestre de mestres.

    A propósito: lembram-se de Santana Lopes o ter convidado para projectar um novo Parque Mayer? Foi o diabo. Na Assembleia Municipal e em jornais, um alarido. Sob a chefia do PS e com o alto patrocínio do Presidente Sampaio, um escândalo. Então a CML ia contratar um arquitecto caríssimo, conhecido por obras megalómanas, é um desperdício, Santana Lopes está louco! Resumindo, o homem que, por exemplo, pôs Bilbau no mapa do mundo com o célebre Museu Gugenheim, que projectou maravilhas nas arábias, que goza da mais global das considerações, que ganhou todos os prémios que havia a ganhar, este senhor era malvindo em Lisboa, nem que fosse só para opinar. Era, sim, malvindo, bradou a esquerda em uníssono. A esquerda política, a esquerda cultural, a esquerda bem-pensante, a esquerda pura.

    Porquê? Por uma só razão: o ódio a Santana Lopes. O ódio é o alimento goumet da esquerda-nacional.

    Voltarei ao tema a outros pretextos.  

    15.6.26

  • PERGUNTAS SEM RESPOSTA

    PERGUNTAS SEM RESPOSTA

    O IRRITADO anda com dificuldades mentais, o que é grave. Ainda mais grave é que há muito quem passe pelo mesmo. Passo a explicar: haverá alguém que entenda o que se vai na cabeça do Passos Coelho?

    Passos Coelho geriu esta coisa nos tempos mais difíceis de sempre, depois de lhe ter caído em cima a “obra” do Sócrates. Conseguiu o que ninguém diria possível, com brutais consequências para a nossa vidinha. Muito bem. Coisa espantosa, a seguir ganhou as eleições! A malta percebeu, aceitou e aplaudiu o seu virtuosismo político, a sua inteligência e, sobretudo, a sua coragem. Grande Homem. Traído por Costa, um trambiqueiro plítico, apanhou com a geringonça em cima – ele e todos nós – e foi para casa. Ninguém tem saudades da geringonça. Seguiram-se  os ominosos tempos do Costa. Saudades, as mesmas: zero. Passos continuou em casa. Eis senão quando, Ventura saíu da casca e desatou aos berros. Passos continuou a bom recato. Cresceu o berreiro, a malta enfiou o barrete, e foi o que foi: uma chusma de deputados. Passos começou a dar uns sinaizinhos de existência, sem grande impacto mas dando alguma esperança. De súbito, porém, desembestou.  E de tal maneira se deixou arrastar pelas suas próprias palavras que entrou no berreiro. Partindo de algumas razões, começou a perdê-las. Exagerou nas diatribes, chegou ao insulto,  perdeu a sua imagem de bom senso e seriedade. Porquê? Para quê? Qual o objectivo, a alternativa, o projecto? São estas as perguntas que assaltam o IRRITADO e tantos outros. Para já, sem resposta.

    1.6.26

  • NEM O VENTURA


    Parece que o governo quer evitar o parecer prévio do Tribunal de Contas em contratos públicos inferiores a 10 milhões de Euros. O IRRITADO não faz ideia do impacto de tal medida. O que o traz é a reacção de uma senhora, talvez juiz na instituição. Em termos furiosos lançou-se em ditirâmbicas considerações sobre o assunto. Na douta opinião da referida senhora não se trata de desburocratizar mas de proter a corrupção, coisa que a deve espreitar em cada esquina. Então e a apreciação prévia? E o juízo democrático? E as competências dos juízes? E a moral republicana, coisa que nenguém sabe o que seja (nem os franceses!) mas é importantíssima? Onde é que isto vai parar, ó gentes?
    O IRRITADO ficou verdadeiramente impressionado com o dionisíaco perorar de furibunda magistrada. É que nem o Ventura iria tão longe.

    25.5.26
  • INICIATIVAS

    Há muitos anos, o Presidente Eanes tinha o hábito de nomear primeiros ministros, ditos “de iniciativa presidencial”. De seu alto critério, fomos contemplados, por exemplo, com a engenheira Pintassilgo (ilustre intelectual terceiro-mundista e “católica progressista”) e com o não menos engenheiro Nobre da Costa, cuja “religião” não se sabe bem qual fosse. Ambos tiveram vida curta. Em 82, porém, veio a revisão constitucional e o Presidente deixou de ter poder para “iniciativas”. Levou a mal, e de tal maneira que não encontrou outra solução senão a de patrocinar a criação de um novo partido: o PRD. Encurtando a história, que já é velha, e é comprida, o PRD deu cabo do primeiro governo da Cavaco e desapareceu do mapa.
    Trinta e tal anos depois, novo Presidente, o inefável Seguro, resolveu, por vias travessas, também criar um partido, desta feita não para disputar eleições mas para dar uma lição ao parlamento. Anunciou que vetaria a lei do trabalho se a UGT assim o quisesse. Ou seja, transformou a dita UGT num partido com maioria parlamentar. Se a UGT dissesse não, adeus lei, que se lixe o parlamento.
    O IRRITADO, diga-se, nunca gostou de presidentes, fossem quem fossem. Há que confessá-lo. Se, obrigatoriamente, são eleitos por maioria absoluta, dão-lhes coisas destas na cabeça. C’est la vie.

    23.5.26
  • DA FALTA DE VERGONHA

    Anda para aí uma confusão dos diabos sobre a eleição dos juízes do Tribunal Consitucional. Os partidos esgadanham-se para propor candidatos.

    Estranho, e vergonhoso, é que ninguém sabe quem são os candidatos. Para uma função independente , segundo o que se discute sem a tal vergonha, os candidatos são bons consoante os partidos que os propõem. Quem são? O que fazem, o que fizeram, que qualificações têm, que sinais de independência deram, que competência profissional mostraram, que postura cívica lhes é reconhecida? Não interessa. O que interessa são os amigos que têm. É nisso que os senhores deputados vão votar.

    Que melhor maneira de desacreditar o Tribunal?

     

    22.3.26

  • O SERRA P

    Se exceptuarmos os comentários sobre o balandrau da esposa no dia da posse, não há, nos media como nas redes, nada que não seja os mais rasgados encómios  ao Presidente Seguro: impoluto, seriíssimo, honestíssimo, sábio, discreto, marido exemplar, pai excepcional, um anjo, um querubim… Acredito e apoio. O silêncio sepulcral dos costistas, socratistas e quejandos  reforça os créditos do Senhor Presidente.

     O IRRITADO não deixa, porém, passar uma coisinha: o Serra P. Como toda a gente passou a saber, trata-se de um vinho, pomada fabricada nas presidenciais  adegas com uvas das presidenciais  propriedades. Num jantar qualquer, o Senhor Presidente, muito elogiado por isso, ofereceu aos presidenciais convidados umas rodadas de Serra P. De um momento para o outro, o ignoto Serra P passou a ser ser conhecidíssimo, assunto de primeira página.

    O Senhor Presidente, como outros (não se percebe porquê), passou a sua actividade, vinícola no caso, para o nome dos filhos. Segundo consta, passou a ser obrigatório para os políticos deixar de ser o que eram antes de eleitos. O que, em boa doutrina, os devia obrigar a não fazer publicidade aos seus produtos. 

    Não é o caso do Serra P. Queira-se ou não, foi o que fez o Senhor Presidente. Da gratuita e da boa.

     

    22.3.26

  • ACTIVIDADES CARDINALÍCIAS

    Com a devida publicidade, o Chega fez uma almoçarada em Setúbal. Está no seu direito. É uma maneira de vir nas notícias. Nada a comentar. A surpreza foi ver à mesa Sua Eminência o cardeal do costume, desta feita quase “à paisana”. Digo de costume porque a mesma eminência já tinha honrado com a sua presença no congresso dop PC, dessa vez em trajo de gala.

    O IRRITADO não sabe se trata de uma interpretação extensiva da divisa “todos, todos” do Papa Franciscco, ou se é posição pessoal do ilustre eclesiástico.

    Mas que acha estranho, acha.

     

    15.12.25

  • VASP E QUIEXINHAS

    Em idos tempos, o IRRITADO frequentou algumas reuniões da VASP. Todos os jornais e revistas eram membros da organização. Ou seja os tais membros arranjaram forma de se auto-distribuir, assim formando uma espécie de monopólio do negócio e transformando uma necessidade própria numa actividade lucrativa. A VASP singrou, enquanto os seus membros tinham clientes. É o que acontece a todos os negócios.

    Com o andar da carruagem – a Internet e catracas afins – os clientes começaram a borregar, fazendo com que a organização se desiquilibrasse. Solução óbvia: diz que vai deixar de distribuir nos sítios onde não há clientes que cheguem. Alarme geral. Os clientes que restam revoltam-se. Os autarcas indignam-se. Os jornais e revistas tremem ainda mais do que já tremiam. Ao contrário do ditado, todos ralham e todos têm razão. Umas centenas de milhar de pessoas ficam entregues a gente (informação das redes) em que não confiam, ou cujos processos não dominam. Ficar de olhos em bico a olhar para o telemóvel? Que sina!

    No topo dos protestantes agigantam-se os directores da imprensa escrita através de uma carta aberta a que deram merecida publicidade. É o que trás o IRRITADO à liça. É que tal carta, recheada de queixas e queixinhas, nada adianta. Diz o que toda a gente sabe. Nem uma palavra sobre uma solução do problema. Ou seja, sem o dizer, subentende-se que querem que o Estado tome conta do problema. Há azar? O governo que se mexa. É para isso que servem os impostos, não é? Nem uma dica, uma sugestão, um caminho.

    Ao IRRITADO não cabe propor o que aos senhores directores caberia, se quisessem pensar um bocadinho para além da vitimização. Mas não quer deixar de ir um pouco mais além que os senhores directores. Como a imprensa escrita aumenta os preços todos os dias sem dar cavaco a ninguém, podiam pôr mais uns cêntimos no preço da capa, por exemplo: que paguem os interessados. Ou fazer mini-vasps distritais, com áreas mais limitadas e financiadas por publicidade distrital encartada ou por mecenato. Ou outra coisa qualquer, para além das lamentações. E, que diabo, há tanta gente a distrubuir tudo e mais alguma coisa pelo país inteiro, e não há  inguém que queira arranjar maneira de distribuir a imprensa?

     

    15.12.25

  • COMBOIADAS

    Com alto destaque, apareceu nos jornais a triunfante notícia da construção de comboios, em Portugal, pela primeira vez! Maravilha! Coisa nunca vista.

    Trocado por miudos,verifica-se que não se trata de comboios, mas de carruagens de caminho de ferro. Locomotivas, nem pensar. Tudo bem. Nada contra. Força, comboiistas!

    O problema é que, há mais de 50 anos, por involuntárias circunstâncias, o IRRITADO assistia, diáriamente, à construção de comboios, entenda-se, de carruagens de caminho de ferro.

    Corrija-se então a notícia. Há mais de 50 anos já por cá se construía tal coisa. Ou não é a primeira vez, ou as antigas carruagens não eram construídas em Portugal, ou o IRRITADO tinha alucinações. Ou ainda, convenhamos, a Sorefame – entidade fascista – operava no estrangeiro. Talvez seja o caso. É que, ao tempo, muito havia quem defendesse que a Amadora devia ser uma espécie de sucursal da União Soviética.

    Peço desculpa:  isto, meus senhores, é o que se chama anti-comunismo primário, coisa de que só o IRRITADO  se lembraria, uma vez que é preciso ir buscar bitates a um passado longínquo para dizer tal coisa. O comunismo acabou e, pela lógica das coisas, o anti-comunismo também. Aquele foi substituído, sabe-se lá se com vantagem, pelo wokismo, a filosofia de género, o politicamente correcto e outras triunfantes patacoadas.

    Espera-se que as novas carruagens tenham instalações sanitárias comuns para pessoas que menstruam, para pessoas com braguilha, e para categorias intermédias, sem distinção de opção. Assim, sim, seremos os primeiros em matéria de carruagens!

     

    9.12.25

  • DEBATOCRACIA

    Debatemo-nos com debates. Os debatentes, já lhes perdi a conta, debatem e debatem-se. Um fartote de debates, de debatedores ou debatistas. São tantos que não cabem todos, e até a loira do costume, viajante em todos os mares, charcos e poças de todas as cores, coitada, ficou de fora. Uma injustiça, no parecer do IRRITADO.

    Nenhum sabe o que há-de fazer ou dizer. Entretêm-se a imaginar. A Constituição, vaca sagrada, dá para tudo e para nada. Nenhum sabe, ao certo ou ao errado, o que faria ou poderia fazer se lá chegasse. Vão falando de coisas. Que coisas? Coisas. Coisas que jamais lhes competirão: saúde, educação, habitação, corrupção, blabla, etc. Ah, pois, aí está! Resta-lhes velar pelo regular funcionamento da democracia. Mas ninguém sabe ao certo o que isso é. À falta de melhor, inventa-se ao sabor do momento.  Vale tudo. Dizem e contradizem o que lhes der na gana.

    Depois do debate, o debate continua. Chusmas de comentadores, comentadeiros e comentadistas,  debatem-se, cheios de calores, amores e raivinhas, a promover a “imagem” de cada um.  Ali, na hora, em cima do acontecimento. O mercado de opiniões a funcionar. Um modo de vida, se calhar bem pago.

    Falando a sério, que o assunto é (deveria) ser sério. E se a Constituição não fosse uma confusão, não seria bom para todos? Se o Presidente desta República fosse eleito no parlamento, de preferência via consenso? Um tipo honesto, boa figura, de uma certa idade, sem rabos de palha nem esqueletos no armário, para ficar bem em paradas, cerimónias, visitas de Estado, ratificações, promulgações e nomeações  formais, e pronto, como na Alemanha ou em Itália. Representante do Estado, ou da República, como queiram. Sem manias de representar as pessoas, “todos os portugueses”, ou palermices do género.

    Porquê eleições gerais para um cargo sem poder político, com umas funções que ninguém sabe ao certo quais são e que acabam por ser exercidas das formas mais canhestras ou mirabolantes?

    Eu sei que ninguém quer rever a Constituição. Percebe-se. Mas , se fosse para acabar com os debates, se calhar valia a pena.

     

    1.12.25

  • RECORDAÇÕES

    O IRRITADO não tem nada a acrescentar ao que diz o universal coro de elogios a Francisco Balsemão: está de acordo com a generalidade de tais elogios, e não lhe passaria pela cabeça pô-los em causa. Se não fez a seu tempo, não é agora, manifestamente, altura para o fazer.

    Posto isto, haverá a deixar duas observações, não sobre o ilustre defunto, mas sobre algo do que se disse no que respeita às alterações operadas ao regime político em 1982. Uma tem a ver com a substiuição da tutela militar atribuída ao Conselho da Revolução pelo Tribunal Constitucional, alteração esta universalmente e exclusivamente atribuída pelo coro, nos últimos dias, a Francisco Balsemão. Não é justo. Os partidos da AD, unanimemente, propunham tal medida. O PC e quejandos opunham-se. Era preciso o voto do PS, partido carregadinho de esquerdismo bacoco, do qual ainda hoje subsistem sinais. Não é justo atribuir todos os méritos do caso a Balsemão, esquecendo a tremenda luta interna de Mário Soares para convencer os seus a aceitá-lo. O IRRITADO nunca foi adepto de Mário Soares, ainda menos do Partido Socialista. Mas há alturas em que se deve aplicar, para o bem e para o mal, o princípio popular que reza “o seu a seu dono”.

    Outra observação acerca da alteração ao regime que foi esquecida pelo coro: o Presidente da República deixou de ter poder para demitir o governo, substituindo-o por outro, “de iniciativa presidencial” (Pintasilgo, Nobre da Costa…). Haverá ainda quem se lembre da furibunda “guerra” desencadeada a tal respeito pelo Presidente Eanes, contra o PS e a AD, ao ponto de vir a formar um novo partido proto-socialista, aliás de triste memória, organização que, de braço dado com o PS, seria responsável pela queda do primeiro governo de Cavaco Silva. O PRD morreu cedo e não deixou saudades a ninguém.

    PS: Muitas outras importantes alterações à Constituição foram propostas em 1982, a maioria das quais liminarmente chumbadas pela esquerda. Algumas tiveram que esperar 7 anos para ver a luz do dia. Outras nem isso. C’est la vie.

    23.10.25    

  • PRESIDENCIALICES

    Estamos a entrar na fase mais inútil e contraproducente das jornadas eleitorais a que temos sido submetidos. E aí vamos, ou não vamos (temos essa liberdade) votar num senhor – entre inúmeros outros (quantos são, quantos são?) – que, por sua alta recreação, resolveu que queria ser Presidente da República. Ou chefe do Estado, como lhe chamam. Um senhor que representa a República, e mais nada senão a República, embora, uma vez empossado, venha dizer aos quatro ventos que representa o País, a Pátria, os Portugueses, a Nação, a História, a Cultura, a Tradição, e mais o que lhe vier à cabeça. Nalgumas coisas, a nossa bem-amada Constituição há-de estar certa: o Presidente da República representa a República, e mais coisa nenhuma.

    Não sei se haverá à nossa volta algum país em que o Presidente seja eleito por sufrágio universal para ser titular de (quase) nenhum poder. É claro que a nacional bem-pensância lhe inventa uma série de “funções”: a “magistratura de influência”, o poder do bom (?) conselho, o comando supremo das forças armadas – muito útil em paradas militares e coisas do género – e outros títulos de glória. Poder político só tem um: o de dissolver o parlamento quando lhe der na cabeça. Tem-se visto o resultado.

    Aqui na nossa vizinhança, o único Presidente eleito por sufrágio universal é o de França, regime semi-presidencial, ou seja, o Presidente é o titular máximo do poder político com limites parlamentares, responsável por um governo de sua escolha. O nosso regime diz-se semi-presidencial, mas de presidencial nada tem. Ou seja, somos levados a votar para nada, ou pior, a pôr no topo da República uma pessoa a quem não conferimos poder político. Em países mais sensatos, o Presidente é escolhido pelo parlamento para funções protocolares de representação do Estado, ou da República, se quiserem. Geralmente, uma pessoa universalmente prestigiada a quem se confere funções de representação que estão para além do poder político propriamante dito: caso da Alemanha ou da Itália, por exemplo.

    De resto, nas melhores democracias da Europa foi mantido o regime monárquico, em que o mais alto representante do país é escolhido por sucessão com investidura parlamentar. Daí, o Rei, para além de se ocupar das funções protocolares do cargo, poder legitimamente e em total independência representar as mesmas coisas ou valores a que os nossos tristes presidentes costumam arrogar-se sem legitimidade para tal.

    Não sei se haverá algum país com uma sistema como o nosso. Se há, coitado dele.

    17.10.25

  • ESTADO DE COISAS

    O IRRITADO, para quem tinha o costume de o ler, se não está morto, parece. Facto é que a inspiração, a confusão, apreguiça, a velhice, etc., têm atingido proporções indesculpáveis, pelo menos para o próprio.

    Cá das catacumbas, aqui vai o que está a pensar sobre a nacional-piolheira.

    A esquerda tem os chavões do  fascismo, da “extrema direita”, do “ódio”, e não passa disso. Deste lado, esperava-se melhor do PS. O novo rapaz, que parece querer tomar conta da casa, anunciou-se como “moderado”, uma espécie de Olof Palme, de Helmut Shmit ou, vá lá, de Mário Soares. Tudo mentira. Começou por nomear uma espécie da brigada do reumático (não dei se já houve que se tenha lembrado desta) onde albergou toda a tralha do partido, a velharia, os monos, os rapazes do PNS, e chamou àquilo “conselho estratégico” ou coisa que o valha. Em conformidade, pôs-se “ao ataque”. Em vez da prometida “oposição construtiva”, desatou aos gritos. Ao ponto de “denunciar” a “coligação” do PSD com o Chega. Quando o PS votava com o dito era coligação? Ninguém o disse. Mas o que interessa, diariamente, insistentemente, ao rapaz, é o botabaixismo, a não alternativa, o não diálogo seja com quem for. “Arranjos” só no Largo do Rato. Depois queixem-se, e o Chega agradece. Não sei o que aconteceu à inteligência (ou aos restos dela) no PS, mas é evidente que o resultado desta estranha continuidade política terá por inevitável resultado, não o descrédito do PSD mas o reforço do Chega.

    Como sabe quem (ainda) o procura, o IRRITADO nunca gostou do Chega. Não aprecia a “verve” tonitruante do chefe, não gosta dos tipos façanhudos e ameçantes nem das espernéficas senhoras que o rodeiam ou que ele manda à TV. Acha que não se resolve nada com o espalhafato daquela gente, bem pelo contrário.

    A moribunda esquerda* usa o mesmíssimo argumentário do Chega com uns pòsinhos de “humanitarismo” de cordel, preciosa colaboração para fazer do PSD o bombo da festa. Demita-se este ou aquela, umas comissões de inquérito, uns mini-argumentos que ribombam na chamada comunicação social como se fossem bons, e é tudo. Não se sabe, mas calcula-se onde o rapaz e quejandos vão parar.

    Os que isto lerem dirão “lá está o gajo a defender o Montenegro”. Têm razão. Defende o Montenegro porque, por um lado, acha que o homem pode ser capaz de alguma coisa interessante e, por outro, porque não tem outra escolha.

    *PCP excluído, que já nem dos moribundos faz parte.

     

    22.8.25

  • BARRACAS

    Já lá vai um ror de anos, um conhecido meu, quadro da administração pública de um PALOP, veio ter comigo para fazer um pedido. A minha mulher, disse, que é professora do liceu lá na terra, foi seleccionada para vir para Lisboa fazer um curso de aperfeiçoamento profissional (ou coisa do género) contando ficar por cá uns dois anos. Parabéns, respondi. E ele continuou: queria pedir-lhe o favor de me emprestar 600 contos. Fiquei passado. 600 contos, ao tempo, era muita massa. Para quê?, perguntei. Para comprar uma barraca atrás do estádio do Sporting. O meu espanto não tem descrição. Aquele era o tempo da erradicação, aliás bem sucedida, das barracas de Lisboa. E, ingénuo, disse: eh pá, você não está bom da cabeça, gasta os 600 contos e, passados dias, vai lá a Câmara e deita-lhe a barraca abaixo! O homem não desarmou. Pelo contrário. Respondeu com irrefutável lógica: pois é isso mesmo, meu amigo, a Câmara deita a barraca abaixo e dá-me uma casa nova, de pedra e cal, percebe?

    Percebi. Não lhe emprestei o dinheiro nem me lembro se o voltei a ver.

    Naquele tempo quase não havia imigrantes. As barracas eram muito, mas muito, menos, e mais portuguesas que hoje, havia mais construção, o cavaquismo tinha posto isto a mexer menos mal, o Soares filho estava na CML… Hoje, nascem como cogumelos, os preços da construção disparam, ninguém faz casas baratas… Resultado, as Câmaras de Loures e da Amadora, no cumprimento das normas em vigor, mandam demolir centenas de barracas. As Mortáguas & Companhia, a esquerda em geral, gritam pelos direitos humanos, pelo humanitarismo, o diabo a quatro (nada há tão cínico como a esquerda). Do Presidente da Amadora não ouvi nada. O de Loures declarou que “tinha que ser”, cumpriu-se o que está legislado, na certeza de que ninguém ficará a dormir ao relento.

    Partindo do princípio que o homem cumpre o que diz, isto é, que tem alguma solução, provisória que seja, para não deixar as pessoas sem teto, porquê tanta polémica?

    Por outro lado, a reacção dos atingidos. Foram aproveitar a tal solução provisória? Segundo as notícias, nem pensar. Foram construir, ou reconstruir barracas noutro sítio. Se calhar descobriram a solução preconizada pelo meu conhecido africano: assim, é capaz de ser mais fácil passar à frente na bicha quando houver casas para distribuir…       

     

    18.7.25

  • PERGUNTAS

    Aos tristes portugueses, através de múltiplas estações de “informação”, é-lhes agora “oferecido”, horas a fio, um repugnante espectáculo: um aldrabão diplomado ataca o mundo, à borla, com as suas intermináveis diatribes. Chusmas de indivíduos, ditos jornalistas, oferecem ao fulano horas de telejornais em que as tais chusmas, pacóvias, histéricas, frenéticas, gritam perguntas destinadas a deixá-lo inundar-nos com avalanches de “bocas” repetidas à exaustão. O homem condena juízes, procuradores, polícias, tudo o que mexe, para nos meter na cabeça que ele, cidadão honesto, impecável, impoluto, é perseguido por tal gente, coitadinho, vítima indefesa de rebuscadas cabalas.

    Segundo parece, o inacreditável “engenheiro”, dito Sócrates, tem o direito a ser julgado, embora tenha feito o possível e o impossível, o imaginável e o inimaginável, para evitar tal coisa. Se está inocente, como diz, porque não quer, ou não queria, ser julgado?

    Pergunta o IRRITADO: não entende o réu que basta o que já em tempos disse de si mesmo para se saber de ciência certa que se trata de um pendura miserável, que para desonesto lhe faltam as asas, que não lhe assiste qualquer sombra de escrúpulo? Ainda não percebeu que já está julgado pelo povo e que o veredito é culpado?

    E ainda, as questões principais: não percebem os “jornalistas” e os respectivos chefes que o tipo não merece que percam tempo com ele? Que nós não merecemos a palhaçada diária das suas bocas? Que devia haver alguma dignidade informativa em vez da exploração ad nauseam da verve ordinária e aldrabófona do réu? Que seria sua deontológica obrigação poupar-nos a este miserável ciclo de oportunismo soi disant informativo?

    Perguntas sem resposta, é certo. Mas não é mau que aqui fiquem.

     

    10.7.25  

  • ABSTENÇÃO

    O IRRITADO não tem o hábito de se abster quando há eleições, nem entende lá muito bem porque tem votado nas presidenciais. Desta vez, vai ser coerente: não vota. Já o disse, não sei de nestas páginas se noutro sítio qualquer.

    Olhem para isto. Dos candidatos que importam, temos três. O Marques Mendes, que não é má pessoa mas não entusiasma ninguém; o putativo Seguro, que não é antipático, que, coitado, até já foi vítima da maior traição da triste história política da III República e que, se tivesse juízo, não se sujeitava a ser traído de novo pela gentalha burgessa e ordinária a que (ainda!) está ligado e que não lhe liga nenhuma; e o soldado oportunista que escolheu como principal aliado e magno trunfo um tal Rio, de horripilante memória. Outros candidatos? Nem pensar, nem para raminhos de salsa servem.

    Parece que o militar goza da preferência dos do Chega e de uma dúzia de nóveis dissidentes do PSD. Apanhará os restantes na segunda volta, se a houver.

    Um presidente eleito directamenle mas sem poder político é uma  contradição nos termos. Resta-lhe a “magistratura de influência”, patacoada em voga. Só serve para baralhar e mandar bitates e/ou beijinhos, para além de dissolver o parlamento quando não há outro remédio ou quando lhe der na presidencial gana, como já aconteceu. Não passa de um perduricalho do regime. De resto, não pesa, mas é pesado .

    Na Europa mais próxima da nós, é uma triste originalidade. Só em França o PR é eleito directamente. Mas é o chefe político do governo e do país, com limitados limites (passe a expressão) parlamentares e judiciais. De resto, à nossa volta (Itália, Alemanha…) os Presidentes são figuras escolhidas pelo parlamento, de entre pessoas com prestígio pessoal generalizado, capazes de desempenhar as funções protocolares e de representação do Estado de que a Constiuição os encarrega. O resto são Monarquias. Umas sete. As Monarquias europeias “presidem” às melhores democracias do mundo. Com aprovação parlamentar praticamante unânime, representam o que os partidos políticos – que são “parciais” por natureza, e bem –  não podem fazer : a História, a cultura, a nacionalidade, a “maneira de ser” de um povo, a tradição, a unidade do Estado, enfim, o que é comum a todos e é base da razão de ser das comunidades políticas indepemdentes.

    Não sei se é a nostalgia de um Rei que está (consciente ou inconscientemente) na origem das preferências dadas ao militar auto proclamado independente, pelos portugueses. Mas não é absurdo pensar em tal. As Monarquias que se mantiveram na Europa demonstram-no à saciedade. As 2 Repúblicas que já tivemos e a que temos, também.

     

    2.6.25    

  • BOAS E MÁS NOTÍCIAS

    Uma boa: deixámos de correr o risco de ter como PM um rapazola que já foi (ainda é?) um mortáguazinho parlapatão, um queixinhas miserável, um tipo que andou meses sem outro argumento que não fosse o de denegrir o adversário. Até na noite da derrota, de lágrima no olho, voltou à mesma, um ataque pessoal descabelado e saloio. Em princípio, voltará a comprar e vender imóveis, actividade em que parece ter vastas qualidades e meios.

    Outra boa, ainda que subsidiária e não garantida: pode ser que arranjem, lá no Rato, um substituto minimamente decente; pode ser que até nos vejamos livres dos dislates da Ana Gomes e do antipático peso da Alexandra Leitão, duas bombásticas chatas, duas torquemadazinhas sem peias. Isto sem contar com artistas menores, como os manos Mendes e quejandos. Eu sei que é pedir demais, mas, enfim, pode ser que ainda haja alguém com um mínimo de bom sendo nos armazéns da agremiação.

    Outra ainda, também das boas: a odienta Mortágua foi a única sobrevivente do naufrágio. Nem a brigada do reumático lhe valeu. Resta saber quantas grávidas e/ou mães, solteiras ou casadas, vai despedir desta vez.

    As más são de peso. Governar vai ser uma tragédia. Há maiorias possíveis mas ninguém as quer. O Chega vai continuar aliado ao PS quando lhe apetecer, coisa em que se profissionalizou. E, em matéria de estorvo, continuará igual a si mesmo, palavroso, contraditório, demagogo, populista e sem nada a propor para além das conhecidas alarvidades. Os minhocas da IL já andam a tirar o cavalo da chuva, uma pena, uma falta de vergonha e do chamado sentido de Estado. A fulana do PAN lá estará a chatear de vez em quando. O rapaz do Livre continuará a não perceber que  algum pensamento decente que tenha jamais será realizado, como nunca foi, pela esquerda. O PC não interessa.

     Guardei a melhor para o fim: ganhou o mais capaz. E, em terra de cegos quem tem um olho é Rei. Boa sorte.

     

    19.5.25

  • O MEU PAÍS

    Faltam (a PNS) certas qualidades. Por exemplo, não tem classe, nem encanto, nem credibilidade, nem compaixão, nem inteligência, nem cordialidade, nem sabedoria, nem subtileza, nem sensibilidade, nem autoconsciência, nem humildade, nem graça. O que coloca as limitações de PNS num relevo confrangedoramente acentuado.
    Nunca disse nada de irónico, espirituoso ou sequer ligeiramente divertido. Falta de humor é quase desumano.

    (Com base num texto de Nate White)

    No meio de uma campanha feita de acusações falsas ou pobrezinhas, de propostas estrambólicas ou redundantes, de exibições histriónicas ou ridículas, de ideias parvas ou contraditórias, de “visões do futuro” vazias ou (mal) copiadas, este fulano prepara-se, se a situação parlamentar se repetir (t’arrenego!), para renovar as alianças com o Chega quando for preciso e para paralisar tudo o que cheirar a reforma. Um Sócrates sem “chama”, um Costa paralítico.

    Se eu quisesse caracterizar o homem utilizando o seu entourage pô-lo-ia lado a lado com as suas aias Ana Gomes e Alexandra Leitão. Já agora, acrescentava os heréticos Pacheco Pereira e Tavares do Público.

    Meu pobre país.  

     

    12.5.25

  • INFORMAÇÃO

    Cenário da TV, ontem à noite, canais de notícias.

    Num, perorava o Rosas, membro da trupe do reumático que vai concorrer a eleições com os colegas Fazenda, fervoroso albanês dos tempos do Enver Hoxa, e o Louçã, sacristão do trotzkismo com assento em toda a parte.

    Noutro, esganiçava-se a Ana Gomes, membro de topo da brigada da polícia de investigação política dos nossos dias.

    Noutro ainda, o coitadinho do PC, Raimundo, a marchar pela Palestina com os bolorentos restos do partido e do Bloco, ele, o mais feroz nacional-apoiante do Putin.

    E noutro ainda, ou num deles, já não sei, tive o enjoo de ouvir o nosso mais requentado profeta do marxismo, o famoso Boaventura S. Santos, coitado,  perseguido por umas ordinárias a quem queria tanto, tanto bem…

    Apesar de tudo o que isto quer dizer quanto ao estado da nossa informação, houve uma coisa boa: o casalinho PNSantos/Ventura não me apareceu, ou não me apareceu depois de eu mudar para a Netfix.

     

    31.3.25

  • O QUE ESTÁ A DAR

    Hoje, uma trupe de jornalistas, comentadores et alia, veio insurgir-se, pletórica de entusiasmo, contra Carlos Moedas. Porquê? Porque o homem teve o despante de dizer que tinha mandado uma inspecção a casa de Luís Montenegro a fim de ver se as respectivas obras estavam de acordo com os regulamentos camarários. Pior, o homem disse que não tinham sido detectadas irregularidades.

    Crime de lesa classe, a dos jornalistas, comentadores et alia.

    Então o Moedas não sabe que é proibido dizer tais coisas? Não sabe que o que está a dar é dizer cobras e lagartos do PM, com razão ou sem ela? Não chega não teram provado nada quanto à lei dos solos, nem terem podido dizer que o homem se preparava para, um dia, vir a fazer negócios escuros de milhões com terrenos e construções, como desejavam os interesses dos policias que, sob o nome de “escrutinadores”, enxameavam o país? Então o Moedas não sabe que, seja qual for o motivo, a resposta, a justificação, o PM não tem direito a nada, tudo o que disser é pouco, ou não vale um cararcol? Não sabe que, haja o que houver, nada chegará para esgotar o filão? Ainda não viram como, por mero exemplo, opinadores  outrora tidos como da área política do Montenegro (como o Tavares do “Público”), se assanham nas “investigações”? Ainda não perceberam o que é a “moral” republicana?

    Moedas não viu que tudo minha gente colabora no que está a dar, ao ponto de até a ciganagem do Chega alinhar , activíssima, no movimento?

    Os Moedas do nosso tempo estão fora de moda. O que está na moda são os descobridores do que interessa e dá manchetes, os bufos, os pides democráticos, os anónimos, os jornalistas, os comentadores et alia.

    Contra isto, batatas.

     

    18.3.25