Se exceptuarmos os comentários sobre o balandrau da esposa no dia da posse, não há, nos media como nas redes, nada que não seja os mais rasgados encómios ao Presidente Seguro: impoluto, seriíssimo, honestíssimo, sábio, discreto, marido exemplar, pai excepcional, um anjo, um querubim… Acredito e apoio. O silêncio sepulcral dos costistas, socratistas e quejandos reforça os créditos do Senhor Presidente.
O IRRITADO não deixa, porém, passar uma coisinha: o Serra P. Como toda a gente passou a saber, trata-se de um vinho, pomada fabricada nas presidenciais adegas com uvas das presidenciais propriedades. Num jantar qualquer, o Senhor Presidente, muito elogiado por isso, ofereceu aos presidenciais convidados umas rodadas de Serra P. De um momento para o outro, o ignoto Serra P passou a ser ser conhecidíssimo, assunto de primeira página.
O Senhor Presidente, como outros (não se percebe porquê), passou a sua actividade, vinícola no caso, para o nome dos filhos. Segundo consta, passou a ser obrigatório para os políticos deixar de ser o que eram antes de eleitos. O que, em boa doutrina, os devia obrigar a não fazer publicidade aos seus produtos.
Não é o caso do Serra P. Queira-se ou não, foi o que fez o Senhor Presidente. Da gratuita e da boa.
22.3.26

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