IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • FORA DE MODA

    Andam para aí vozes anti-patrióticas a exigir a demissão de um tal Cabrita, imparável produtor de asneiras, de invasões armadas, de bocas ultramontanas, idiotas e ordinárias, tgudo num inegável alarde de assustadora incompetência. Há quem diga que o Cabrita há-de cair como caíu aquela rapariga que, não contente com os incêndios, continua a produzir parvoíces e a chamar nomes ao Cravinho (pai), com o apoio do Costa  e da sua número dois, a inacreditável Nãoseiquantas Mendes. Foi preciso uma barulheira dos diabos para correr com ela? Foi.

    Helas, com o Cabrita a coisa parece fiar mais fino. A barulheira voltou, imparável. Mas o Cabrita é, segundo o chefe Costa, um “excelente ministro”. Não tenham os anti-patriotas ilusões. O poder socialista é que é: desconhece a vergonha, a verdade e outras patacoadas fora de moda.

     

    13.5.21

  • QUE BOM!

     

    De há longos anos conhecíamos as “doutrinas” do Centeno, bem como os seus brilhantes resultados, os orçamentos do Estado aldrabados com  cativações, as ribombantes declarações sobre a “não austeridade”, os aumentos de impostos, o emagrecimento da economia, a falta de dignidade e de vergonha com que se assenhoriou do Banco de Portugal, etc.

    Ei-lo agora a vir, do alto púlpito tal banco lhe garante, disfarçar os seus erros e presentear-nos com novos palpites, num nunca acabar de falta de senso, de lata e de auto-elogio. Veja-se a basilar declaração, vastamente por aí reproduzida, como segue:   a crise pandémica é “exógena, temporária e não deixa marcas na economia além da queda da atividade”. Vejamos a lógica do luminoso intelecto de sua excelência. A crise pandémica (coisa vinda de fora) provocou a queda brutal da actividade económica, ou seja, uma coisa menor, que não vai deixar marcas. Por outras palavras, o desemprego, as falências em catadupa, as pessoas fechadas em casa, a morte dos hotéis, dos restaurantes e similares, o fecho das escolas e todo o cortejo de miséria que por aí grassa, é mero pormenor, um pequeno inconveniente que “não vai deixar marcas”, a não ser “temporárias”, na economia.

    Deve ser por isso, diz ele, que as medidas de apoio à economia devido à pandemia vão ter de terminar. Tem toda a razão. É que, seguindo o seu brilhante raciocínio, se as marcas são temporárias, não há nenhuma razão para que os apoios não o sejam também. Uma triste verdade, se pusermos as coisas no sítio: os apoios não vão acabar por não ser precisos, vão acabar quando acabar o dinheiro. Desde que, é de ver, sem que o socialismo acabe também.

    Vem aí a bazuca (se vier). A bazuca vai a judar o país a sair da crise? Vai, se considerarmos que o país “é” o socialismo. É por isso que os planos do governo são, quase exclusivamente, para auxílio ao Estado, não à economia. A bazuca, como está expresso no chamado PRR, é, acima de tudo, o seguro de vida do socialismo estatista, não o balão de oxigénio que ajude a salvar o futuro da economia.

    Em extremosa cooperação com o poder socialista/comunista/neo-comunista, vem Centeno corroborar, por exemplo, as palavras do inaceitável Costa, quando anuncia a contratação de mais uns milhares de funcionár0s públicos, ou seja, de eleitores.

    E é nesta doce harmonia dos poderes públicos que vivemos. Que bom!

     

    8.5.21

  • PAPAS E BOLOS

    Tive ontem a infelicidade de ouvir a ministra da justiça desdobrar-se em largas “medidas contra a corrupção”. Atascada em propostas dos partidos, e de terceiros, parece que decidiu brindar-nos com a posição final do governo a que pertece. Entre muitas “medidas”, tais o perdão a quem denuncie confessando, ou denuncie sem confessar, tais a extremosa protecção dos bufos, etc., avulta uma que é clássica entre nós: a criação de uma nova “entidade”.

    Quando os governos não sabem o que hão-de fazer mas querem dar um ar da sua graça, criam uma “entidade” ou, mais modestamente, um “grupo de trabalho”, uma “comissão”, uma coisa qualquer que se possa pôr nos jornais, com vasto gáudio de jornalistas e comentadores. Não sei se alguém já fez contas ao número de “entidades” e outras congregações do género, ou se tais coisas não podem ser contadas por serem incontáveis. Mas sei que, daqui a um ano ou dois, a brilhantíssima nova entidade da corrupção, há muito constituída por elementos do PS e afins, e devidamente paga, ainda não reuniu, não tem instalações, não tem “meios”, não tem regulamento, não tem “técnicos”, nem fez ou fará seja o que for. Ninguém se lembrará dela, o que, se calhar, no fundo é o que se pretende.

    Duma coisa podemos estar certos: como há dias dizia o IRRITADO, no essencial ficará tudo na mesma. No mesmo sentido se pronunciou, ontem, a dona Manuela Ferreira Leite, que, com toda a razão, disse que há leis e mais leis que permitem a punição da corrupção e do enriquecimento ilícito – ou “sem causa”, como agora se diz. As brilhantes iniciativas parlamentares, governamentais, até sindicais, imagine-se, terão o destino que merecem: o das coisas inúteis, que só servem, ou para complicar, ou para baralhar, ou para criar mais meios de encanar a perna à rã via as mais complicadas complicações jurídico-penais.

    Quanto às causas da corrupção, zero. A burocracia aumenta sem que haja quem perceba ou a tal se oponha. Até a chamada digitalização, em vez de facilitar, complica.

    Lembro-me de uma história que encheu jornais aqui há anos: o Professor Cavaco Silva queria fazer umas obras na casa de banho lá de casa. Estampou-se contra a a burocracia da CML e andou meses, ou anos, até conseguir mudar a sanita para o lugar do bidé ou coisa que o valha. Suponho que, como não quis, ou não pôde, descobrir o fiscal, o engenheiro, o arquitecto, o burocrata “competente”, ou não os engraxou, teve que esperar, requerer, expor, e não se sabe se conseguiu ou não o seu tão simples objectivo, tornado complicado pelas “autoridades”. O mais provável é que, se fosse mais esperto, teria entrado com uns tostões e ultrapassado os escolhos. Coisas destas sucedem a todos nós. Há sempre um trambolho qualquer que, no “estrito cumprimento sa lei”, se dedica a dar cabo da cabeça a concidadãos que dele dependam. Há sempre um regulamento qualquer que, usado “como deve ser”, lhe prega uma rasteira. E há, quase sempre, alguém que, devidamente “incentivado”, resolve o assunto de um dia para o outro.

    É o que se passa no nosso dia-a-dia. E como ce qui est en bas est comme ce qui est en haut, à medida que as coisas são mais complicadas, ou mais valiosas, o preço dos “incentivos”, naturalmente, sobe em conformidade. Se se tratar de um empreendimento de milhões, quantos ministérios, quantas entidades, quantos “grupos de trabalho”, quantas instâncias “técnicas” ou de outra natureza, têm que ser consultadas, atulhadas de requerimentos, pareceres, opiniões, estudos, quantos “proactivos”, quantos “activistas”, devidamente financiados pelo Estado, terão que se pronunciar, quantas associações “sem fins lucrativos” intervirão, ou seja, quantas oportunidades de ganhar uns tostões, muitos tostões, serão precisos se se quiser, com razão ou sem ela, andar para a frente.

    Há um comerciante aqui perto que resolveu fazer aquilo a que chama a sua “galeria de arte”. Mandou emoldurar as licenças de toda a ordem de que precisou para legalizar a loja. Encheu uma parede. Imaginem actividades mais complexas. Dariam um museu de pictocracia!

    O mar de oportunidades de corrupção é da responsabilidade de um Estado que a si próprio e aos seus adeptos atribui gigantescas competências e que, para sustentação dos seus, cria sistemas de vigilância quanto mais complicados melhor. E o que faz esse Estado quando diz perceber que há corrupção? Sobre si próprio, nada. Sobre a “luta” contra a corrupção arranja formas de complicar ainda mais, com mais leis e mais “entidades”.

    Entretanto, nos armários da Justiça, como sugere a dona Manuela, jazem instrumentos suficientes que jamais chegarão. É preciso mais, e mais, e mais, não importa as redundâncias, desde que o Estado vá entretendo os tolos com balelas. Nem papas nem bolos, que esses são para engordar o insaciável bandulho público.

    E assim vai a vida. Sem remédio.

     

    30.4.21  

  • EXTERMÍNIOS

    Rui Rio, na sua incansável tarefa de destruição do PSD – no exercício da qual tem mostrado altíssima competência – resolveu arranjar uma candidata de arromba ao velho feudo comuno-socialista da Amadora. A senhora, rotunda e desbocada, resolveu advogar o extermínio do BE, do Chega e de outros que tais. O BE, consciente da sua enorme importância (sua dele, e dela, pelos vistos), resolve descontextualizar a história, concluindo que a fulana se referiu só ao BE e não aos demais.

    Começo por não saber se a criatura sabe o que quer dizer extermínio, mas posso admitir que a palavra tenha sido usada (mal) em sentido figurado, o que nada abona em favor da literacia da mulher. Não seria mau para a Amadora e para o resto do país se as organizações extremistas se afundassem nas urnas, tornando-se meros raminhos de salsa da política, mas daí a “exterminá-las” vai uma distância cósmica.

    A tendência para a asneira que caracteriza o senhor Rio é o que se revela com maior evidência nesta estranha escolha. Enfim, as urnas dirão se tenho razão mas, mesmo que a não tenha, o “critério” da decisão não podia ser  mais marcante da cruzada do homem a favor do “extermínio” do PSD. Tal é a gravidade da questão. A desbocada, comparada com isto, é um fait divers.

     

    29.4.21      

  • CITAÇÕES

    É esta a primeira vez que cá venho desde a última vez que cá estive.

    Américo Tomás

     

    É importante dizer que só há futuro porque aqui chegámos.

    Marta Temido

     

  • OS CARROCEIROS E A COITADINHA

    Toda a gente sabe que um tal Erdogan é um muçulmano fundamentalista que, após várias tentativas, conseguiu dar cabo do regime civilista fundado por “Ataturk” (pai da Turquia), Mustafá Kemal. Fê-lo prendendo, matando, encarcerando os que se lhe opunham, civis, militares, juízes, funcionários, opositores de vária ordem, fiéis da antiga República democrática. E fê-lo, mudando a política externa do país, afastando-o do Ocidente livre e aproximando-se das mais horrendas ditaduras, traindo a NATO, traindo quem, na Turquia, queria aderir à UE, traindo a própria UE a que seria falso candidato.

    Em miserável demonstração do seu poder, recebeu dignitários europeus do mesmo nível, desqualificando um deles, a dona Ursula, e qualificando outro, um certo Michel, muito conhecido pelas suas miseráveis e ridículas performances político-burocráticas.

    Havia duas cadeiras na sala. O carroceiro Erdogan não tinha arranjado lugar para a senhora. Mas, pior que isso, o carroceiro Michel alapardou-se com o cadeirão disponível, em vez de o oferecer à senhora. E, não sei se ainda pior, a senhora aceitou a humilhação e, em vez de virar costas, foi sentar-se num sofá e aguentou tudo, muito caladinha.

    Tudo errado. Dois miseráveis carroceiros tratam mal a Europa inteira, ainda por cima, na pessoa de uma alemã. A senhora, em vez de ter reagido como devia, achou que a ofensa era a ela, como mulher, não como alta representante de nós todos.

    O Parlamento Europeu, se existe, devia ter já posto em curso a expulsão do Michel, talvez mandando-o pastar caracóis para a Turquia, que era o que o IRRITADO teria feito.

    O IRRITADO está-se nas tintas para que o Presidente da Comissão Europeia seja um homem, uma mulher, ou um membro das diversas modalidades de “género” promovidas pelo BE. O que lhe interessa é a dignidade, a eficiência, o valor político, a defesa dos nossos valores, de quem tal cargo ocupa.   

    Mas a verdade é que, no meio disto tudo quem ficou a ganhar foi o turco, ditador/terrorista/machista/ordinário, da Turquia, e os humilhados fomos todos nós. Gaita!

     

    27.4.210

  • GRANDES FEITOS

    Um dos grandes feitos deste governo e deste primeiro ministro foi a reversão da privatizção parcial da TAP em boa hora conseguida pelo governo legítimo.

    Orgulhoso da posse pública da maioria do capital, Costa e seus sectários trataram de mandar em tudo. O senhor do Barraqueiro, coitado, aguentou ficar em tal companhia.

    Veio o covide. Resultado: o “expropriado” americano do Brasil foi-se embora, coitadinho, a acariciar um cheque de cinquenta milhões (peanuts!) generosamente emitido pelos altos defensores do Estado, todos pertencentes à agremiação do Costa. Quem paga o cheque que o atingido já descontou, somos nós. Que importa, se ainda não estamos habituados já devíamos estar. Ai aguenta, aguenta! Quem mal vota, mal se dá. Bem feita!

    Sem a famosa reversão, nesta altura, o tal americano estava feito, enterrado até ao pescoço, e a TAP bem menos mal do que está. Assim, feitos estamos nós. São as maravilhas do socialismo, do estatismo, do pretenciosismo politiqueiro, da estupidez e da sede de poder.

     

    27.4.21

  • 25

    Ainda haverá quem acredite que o golpe militar de 25 de Abril de 1974 se destinava a implantar uma democracia liberal? Talvez. Mas helas, o golpe destinava-se, primeiro, a acabar com a admissão, no exército, de capitães milicianos, profissionalizando-os e fazendo concorrência aos “de raiz”, e, segundo, para implantar uma “democracia de esquerda”. Mesmo os que, na hora da verdade, contribuiram para evitar a total sovietização do país, queriam, como o futuro veio a demonstrar à saciedade, dar à não-esquerda um estatuto de raminho de salsa para Europa ver, a fim de legitimar a perpetuação da esquerda, com diversos matizes.

    A mais cabal demonstração disto foi a recusa dos “militares de Abril” em aceitar a legitimidade maioritária do governo Passos Coelho, recusando-se a estar presentes nas comemorações oficiais do fim da ditadura. Para eles, um governo de não-esquerda estava fora da “democracia” que queriam. As posições da chamada associação dos actuais coronéis – quantos mereceram os galões em serviço, nos quartéis? – repetidamente o demonstram. Como se tem visto, as comemorações, ou são de esquerda, ou não cabem na filosofia de tais militares,.

    Em 1964, no Regimento de Infantaria de Abrantes, tive o “privilégio” de conhecer o jovem Vasco Lourenço, acabadinho de sair da Escola do Exército. Até dormimos os dois no mesmo quarto! Havia uma chusma de aspirantes milicianos à espera de embarque para Angola. O Lourenço era uma carta fora do baralho. Andava a tirar cursos de guerra em várias unidades especiais, fazia discursos ideológicos sobre a defesa do Império, e desprezava os conscritos. Quem havia de dizer onde iria parar tal fulano? Já era, na altura, bronco, abrutalhado e ignorante. No uso destas nobres e brilhantes características, viria a ser o que é hoje: proprietário de uma democracia de esquerda, com a missão de esconjurar tudo e todos que à esquerda não pertençam. Os seus entimentos democráticos, as suas convicções de defesa das liberdades, ficaram por aí: tudo o que não seja de esquerda não é democrático. O fascimo começa ao centro.

    Em 1975, trabalhava eu numa fábrica que tinha à volta de 500 trabalhadores, entre operários e quadros. No meio das trapalhadas do PREC, fomos um dia invadidos por uma brilhante delegação dos Comandos da Amadora, à altura nas mãos do MFA. Comandava-os um capitão de Abril, cujo nome sei mas, de momento, me escapa. Tal capitão, numa das tempestuosas “assembleias” da época, subiu para cima da mesa e, entre uma fartura de bojardas marxistas-leninistas, declarou, tonitruante, que “os nossos irmão cubanos andam há dez anos a construir o socialismo, nós faremos o mesmo”. Este exemplar capitão de Abril é hoje, nas suas próprias plavras, um “historiador independente”.

    Muito mais teria para contar, mas desta vez não me apetece. O que é triste e merece que se sublinhe é que esta brilhante gente, no fundo, continua na mesma e até tem uma “associação” destinada a promover a esquerda socialista, ao mesmo tempo que diz que lhe devemos a democracia. Não devemos. Se há credores, são os que deram cabo das maluquices ditatoriais dos “capitães de Abril”, o Povo que resistiu aos seus desmandos.

    Pena é que mais de quarenta os anos tenham passado e que tais capitães/coronéis continuem na mesma. Quando o socialismo nos arruinar de vez, aí teremos realizado o seu sonho.

     

    24.4.21   

  • GRANDES PROJECTOS

    Assustado com as aventuras do Pinto de Sousa, o PS que, oficialmente, ainda não deu por elas, resolveu, fazendo uso da sua indiscutível, proverbial e inabalável honradez, probidade, decoro, pundunor, integridade de carácter, etc., alinhar com os demais no lançamento de mais uma campanha contra a corrupção. Desta feita anuncia a sua anuência a uma coisa contra o “enriquecimento ilícito”. Muito bem!

    O IRRITADO, dada a sua falta de inteligência, ainda não percebeu se tal campanha se destina a perseguir só os políticos e adjacentes, se o público em geral. Se for só para os primeiros, a campanha, da parte do PS, deve almejar uma selecção das actuais ou futuras pretensões a tais cargos, de forma a pôr de lado quem não tenha o seu passaporte de honestidade, ou seja, quem não seja filiado ou comprovado simpatizante da organização. Se for para toda a gente, pior.

    Comecemos pelo conceito. O que é o “enriquecimento ilícito”? Julga-se aqui na casa que se trata de enriquecimento obtido por meios ilícitos. Será redundância? É, mas, para pacóvio ver, funciona. Tais meios, vulgo trafulhices, já são punidos por lei. Poder-se-á vasculhar os ilícitos de cada um utilizando os meios legais já disponíveis, a partir de suspeições, indícios, denúncias, investigações, inquéritos, etc. Os abrangidos pela futura lei já são obrigados a declarar o que têm, deixaram de ter ou passaram a ter, à entrada e à saída dos seus cargos, e são, como toda a gente, obrigados a meter os ganhos no IRS, sujeitando-se às mais rebuscadas perseguições e prejuízos que, mui justamente, não deixarão de lhes cair em cima.

    Pouco se sabe sobre o que, em concreto, virá a ser proposto nos projectos a apresentar pelas mais variegadas partes, sendo de supor que a imaginação criadora das catarinas&Cª não deixará de encontrar maneiras as mais repenicadas de chover no molhado, isto é, de encher de palha um ordenamento jurídico-penal já abundante, que o PAN não se esquecerá dos animais atingidos pela corrupção, que o PS arranjará forma de proteger os seus, que o Rio fará mais umas asneiras, que todos arranjarão maneira de mandar à fava o Tribunal Constitucional, e por aí fora.

    De calcular, como quase certo, é que tudo mude para ficar tudo na mesma.

     

     22.4.21      

  • COMO?

    Parece que a política do covide está a causar mais estragos do que os que já são públicos e notórios.

    Dizem números oficiais que a produção de bebés caiu mais de trinta por cento na era covide.

    Dirá então a voz dos resistentes: aí têm o resultado da fabricação do terror levada a cabo pelas autoridades, pelos “cientistas”, “especialistas” e outros “istas” que, aos pontapés, andam por aí armados em estrelas da televisão, a dizer hoje que é preto, amanhã branco e depois azul aos quadradinhos. Unanimemente, assim ou assado, todos colaboram no terror. Muitos deles já foram, e são, desmentidos, sem precisar de quem os desminta, ou seja, desmentem-se a si próprios, sem pudor nem desculpa. O direito à informação transformou-se em direito à confusão.

    Como querem que as pessoas não desistam de ter filhos? Como querem que as pessoas não achem que estão às portas da morte? Como querem que as pessoas não se deixem influenciar pela propaganda se são matraqueadas, todos os dias, pelas mais catastrofistas previsões e cenários? Como querem que tenham alguma sombra de optimismo ou de confiança no futuro? Como, se as estatísticas dos óbitos,  unânimes e optimistas, não são lidas nem analisadas pelos jornais porque dizem que o problema, colectivamente, é de somenos. Como, se nada de positivo é comunicado, a não ser, é claro, o que possa ser interpretado como grande feito do governo e quejandos?

    Dir-se-á, com razão, que são as  próprias pessoas a a propagar o terror e a gostar dele. É verdade. Como podia ser diferente se a informação não colaboracionista é escondida, calada, perseguida, multada, ostracisada, insultada, transformando a Liberdade de opinião numa coisa a esquecer, um pinchavelho de um passado já caído na obsolescência?

    Como?

     

    20.4.21

    NB. Vacine-se, como antes se vacinava contra a gripe, coisa que matava imensa gente sem que ninguém ligasse ao assunto. Não vá na conversa dos que se entretêm a arranjar mais terrores a propósito das vacinas. E deixe-se de mariquices.

  • PERALVICES

    Dona Peralta, recentemente saída da obscuridade por obra e graça da “informação”, veio acrescentar ao terror uma ideia com pés e cabeça: vai ser preciso, diz ela, lançar mais impostos por causa da crise do covide.

    Pois vai. Tocar na despesa pública, nem pensar (só se for para a aumentar); os funcionários, ao contrário dos demais, são sacrossantos – enquanto milhões sossobram, fiacam incólumes; as empresas, bodes expiatórios dos impostos, não podem ser aliviadas; os planos espalhafatosos do senhor Santos são intocáveis, doa a quem doer; os dinheiros da bazuca, se vieram, já estão gastos em “iniciativas” públicas. Não há problema, aumenta-se os impostos e pronto. Sabem porquê? Porque o Estado não paga impostos; os funcionários ficam na mesma; o povo, quer dizer, a fatia do povo que ainda não caiu na miséria, pagará. O grande remédio será a estatização. Até que, falido outra vez o Estado, grande especialidade de quem manda, haja alguém que ponha uma esmolinha na lata do Costa.

    A Peralta é que sabe.

     

    20.4.21     

  • QUEIXINHAS

    Diz o jornal de hoje que, este ano, não houve queixas por assédio sexual. Isto segundo a UMAR, secção feminista do PC. Nesta conformidade, dizem, é preciso criminalizar ainda mais tal e tão tremenda prática. Então, se não há queixas… percebem? Eu também não.

    Mas as organizações que vivem disto encontraram a solução: se não há queixas, devia haver. É de supor que a existência de queixas lhes daria imenso gozo. Ou não? Não, dizem: se não há queixas é porque não há quem se queixe, isto é, quem se devia queixar tem pudor ou vergonha de o fazer, ou não está interessado/a em fazê-lo. Ou, quem sabe, é parvo/a.

    Já o lobo dizia coisas parecidas ao cordeiro.   

    Saia da sua zona de conforto. Queixe-se! Não tem queixas? Arranje-as, força, não tenha medo, seja provocante, faça os/as assediadores/as sair do buraco, para lhes cair em cima com mão de ferro. Vão ver que a UMAR agradece.

     

    20.4.21

  • DESGOSTOS

    A coisa prolifera. Ao Medina, coitadinho, que foi engando pelo Sócrates, que não sabia de nada, não dava por nada – caso que, exaltando a oportunidade, já ontem tivemos ocasião de aqui lamentar – veio juntar-se o papá da ministra-chefe do protocolo do ilustre Costa. O honestíssimo político confessou, contrito, o seu profundo seu desgosto pelas reiteradas trafulhices e aldrabices do seu antigo e tão amado líder. Pobre senhor. Também ele, a quem a fé socialista e a fidelidade ao chefe tinham levado, impoluto, sincero, crente, amigo, a não ver, não ouvir, não ler, não acreditar. Eis senão quando, viu, ouviu, leu, acreditou, como São Paulo na estrada de Damasco. Iluminado pela luz intensa da verdade, chorou de desgoto.

    O IRRITADO não pode deixar de se solidarizar com a súbita quão inesperada esplendorosa luz que invadiu o espírito e a mente de tão notável cidadão.

    A ver vamos quantos virão juntar-se à procissão do desgosto.

     

    17.4.21

  • TARDE PIASTE

    O impensável Medina, repentinamente, acordou para o caso Sócrates. Apostado em ganhar a Câmara nas eleições deste ano, resolveu fazer uma declaração de inocência própria e de crítica a outros camaradas pelo lavar de mãos do PS nesta tendencialmente eterna história.

    Parabéns. Mas parabéns porquê? Então ele, como todos os outros colaboradores de Sócrates, nunca deu por nada? Nunca lhe veio à ideia, ao menos, desconfiar do seu tão amado chefe? Não foi Medina, ao longo de longos anos, cúmplice do Costa e dos malandrins do partido, ao chutar para a justiça um caso evidentemente (também) político, nessa criminosa atitude de Pilatos praticada colectivamente pelo PS?

    Porque esperou tanto para declarar a sua indignação? Guardou a consciência no bolso, a fim de a utilizar quando lhe fosse mais conveniente? Esteve-se nas tintas, como os outros, só “acordando” na hora de pescar votos? Que melhor argumento para os ir buscar à sua direita, senão esta declaração de afastamento da sua augusta pessoa em relação aos desacatos morais do partido?

    Numa nobre arrancada de “arrependimento”, eventualmente inspirado pela “moral republicana”, o impoluto Medina decidiu tirar o cavalinho da chuva.

    Espero que, para quem tiver dois dedos de testa, o cavalo continue bem molhado, se constipe, apanhe o covide e nem os cuidados intensivos lhe valham.

     

    15.4.21      

     

  • IRRITADO ENTUPIDO

    O IRRITADO anda entupido há oito dias, quem sabe se por ter ouvido o Ivo Rosa, se por ter sido vacinado, se por preguiça, ou por outra causa qualquer.

    Há uns 15 anos que o blog me serve para exorcizar os demónios que pairam, ferozes, à minha volta, para acalmar fúrias matinais, ou para acabar com os pesadelos que, acordado, me assaltam. Deixo a coisa ao cuidado dos psicólogos que me leem ou, quem sabe se melhor, aos psiquiatras que por aí se mexem.

    Que se lixe. Comecemos hoje por “analisar” (actividade altamente intelectual!) as causas.

    Se fosse honesto, confessaria que a causa principal foi a preguiça. Mas não confesso.

    O Ivo, esse sim, entupiu-me. Reduziu os crimes do 44 a mera “percepção” pública de certos factos. Os factos, ou não interessam, ou já não são factos porque, tecnicamente, deixaram de existir. As testemunhas, essas, também há as que interessam e as que não interessam, as que dizem coisas de que o Ivo gosta e as que dizem dizem outras. A verdade é que o Ivo está no seu pleníssimo direito (direito?) de as escolher. O Ivo é um artista, raro e de altíssimo gabarito. Quem sou eu, ou nós, para lhe morder as canelas? As nossas “percepções” não passam disso. Facto é que, na genial mente do Ivo, não há percepções, há certezas devidamente fundamentadas. Por exemplo, ele sabe que andam por aí, sem rei nem roque, ou com rei e roque, 34 milhões, mas o que interessa é 1,7. Que podemos nós, simples mortais, dizer a isto? Nada. A nossa cabeça é uma bola cheia de ar poluído pela desconfiança. Raminho de salsa, para contentar a canalha: o 1,7 é a única verba que oferece prova da corrupção. Foi o que ele descobriu, as descobertas dos procuradores são todas aldrabices sem fundamento. Ponham o Ivo a julgar o réu, com prévia garantia de absolvição, e o assunto fica resolvido.

    Adenda: segundo as notícias, amanhã o 44 vai esclarecer tudo na televisão, o que nos enche de nojo. uma vez que já não há penicos, prepare um alguidar para os vómitos.

     

    Passemos à vacina. A coisa fuciona bem. O almirante do camuflado está de parabéns: haja alguém que se safe na borrasca da incompetência e da mentira. A vacina é de borla. Uma gritante injustiça. Quem pode devia pagar, digo eu que não sou social-comunista e, por isso, nunca tenho razão. Interessante é verificar que, para além da vacina do almirante, há, descaradamente, a campanha eleitoral do Merdina. Cartazes por todos os lados, de propaganda camarária. Com os cumprimentos do “senhor presidente”, devidamente expressos, uma “operacional” da coisa deu-me, e a todos os outros velhotes, um saco com um pero, um frasco de água e três bolachas de água e sal. Eu disse que não queria, mas era obrigatório aceitar. Como devem calcular, saí de lá com o coração cheio de amor e gratidão pelo Merdina, vulgo Medina.

     

    14.4.21

  • À CAÇA DE BERBICACHOS

    Temos pela frente uma nova doença psiquiátrica, cujos sintomas, entre outros, são evidentemente galopantes nas meninges do nosso afamado primeiro-ministro.

    Na sua cruzada a favor do medo e da ruína, sua excelência encontrou o seguinte “berbicacho”: rezam os jornais, todos eles adeptos dos ditos (primeiro-ministro e berbicacho), que, em dezoito milhões de vacinados com a astrazeneca (raio de nome), houve trinta que desenvolveram coágulos sanguíneos.

    Uma pequena conta leva a concluir que o berbicacho do senhor primeiro-ministro equivale a cerca de 0,00002% (calculado por excesso) dos tais vacinados. Parece que houve 7 mortos. Ou seja, se você tiver muito, muito azar, poderá morrer com um AVC, o que, acrescentado um zero à direita, quererá dizer o que você calcular, se quiser exercitar mais o bestunto do que o fez sua excelência.

    Acresce que ninguém, muito menos tão alta figura, terá feito a seguinte pergunta: em 18.000.000 de pessoas, com uma média de idade que rondará os 70 anos, quantos haverá que não tenham coágulos sanguíneos? Devo dizer que não conheço nenhum, eu incluído.

    Só uma besta quadrada é capaz de pôr a uma vacina as culpas da morte, por AVC, de sete pessoas em dezoito milhões.

    Mas é do que, por cá, a casa gasta. O que importa à inteligência do primeiro-ministro é a propagação do terror, a ver se ficamos todos tão inteligentes como ele.

    Antigamente, caçava-se gambozinos. Hoje, a caça é aos berbicachos, o que é mais ou menos a mesma coisa.

     

    7.4.21      

  • REGRESSO DA PÁSCOA

     

    Mea culpa. Às distintas autoridades, sejam elas quais forem, aos magotes de especialistas, aos covidistas de várias espécies e origens, às aterrorizadoras televisões e aos meus concidadãos que, convertidos em polícias, têm por costume querer obrigar-me a andar de máscara nos parques e jardins, a todos peço desculpa. Fui gozar a Páscoa atravessando inúmeros concelhos, centenas de quilómetros ilegais, incívicos, atentatórios do sacrossanto confinamento. Não comprei o “Expresso”, não vi telejornais, nem outros arautos do covide. Fui livre!

    E livre de tal forma que nem dei porque o tipo de São Bento, um casca grossa, tinha desatado à guerra com o de Belém. Já sabia que se tinham desentendido, mas ainda estavam em fase minimamaente cavalheiresca. Oficialmente, continuavam amigos. Mas o tipo de São Bento decidiu dar gás às hostilidades, as quais abrem caminho a um novo “equlíbrio”. Sentindo-se só (imagine-se, até o seu principal apoiante, um tal Rio, o traíra!), decidiu dar na cabeça do sócio. Que diabo, ele é o sócio-gerente, o outro só serve para umas bocas.

    Alguém me perguntou porquê. Porquê pôr em andamento uma carripana política que pode levar a uma crise? O IRRITADO, no uso legítimo da habitual profundidade das suas análises, vem responder a tal pergunta. Para o homem, bem conhecido pela sua inegável honestidade, nada melhor que uma boa crise política. Opositores de todas as cores, uni-vos, que eu cá estou! À direita, o único que, em caso de crise e de eleições, poderia morder-lhe as canelas, tem, de há muito, as pernas cortadas pelo serrote do Rio; o CDS, moribundo, tende a deixar de existir; o Chega e a IL, são meros raminhos de salsa. À esquerda, o PC pouco conta, o BE anda cheio de problemas, a bater teclas desafinadas. As sondagens garantem-lhe a vitória e, com um jeitinho, o ignaro eleitorado, que não está para assistir à insegurança de outro governo minoritário, é muito capaz de lhe dar a maioria absoluta. Assim, o fulano está de poleiro. Nada melhor que cair, para de novo se erguer, com mais poder.

    Em tempos, o seu camarada Sampaio garantiu a maioria do Pinto de Sousa, com brilhantes resultados, como se sabe. Esperou que o PS resolvesse os seus problemas internos, que o PC se arrumasse e, trás!, maioria para o caixote, que outro de mais alto se alevanta.

    Agora, as circunstâncias são outras, mas o resultado pode ser o parecido. Daí que o espertalhão comece a preparar o terreno. Para ele, nada melhor que uma boa crise, cuja data deve estar prevista para depois de acabar esta chatice de ser o mais ridículo presidente do Consalho Europeu de que há memória.

    A ver vamos se a estratégia funciona. No horizonte, as núvens são cada vez mais negras. Preparem-se. Se ainda forem a tempo, emigrem.

     

    6.4.21

  • PERSEGUIÇÕES

    Usando o seu habitual instinto, muito democrático, de perseguir as pessoas, o grupo de cavilosos deputados do PS decidiu convocar, mais uma vez, Carlos Moedas para prestar declarações na ridícula e comprovadamente inútil, por redundante e estúpida, comissão de inquérito ao BES/NB. Porquê, Moedas outra vez? Porque sugiu alguma coisa nova? Não. Porque Moedas é candidato à CML? Sim. Há que persegui-lo de qualquer maneira, há que inventar seja o que for, seja como for, para lhe criar escolhos, sejam quais forem, recorrendo às mais rebuscadas trapalhices, falsidades, ou o que der mais jeito.

    *

    Experimente ir à praia. Na Arrábida, por exemplo, anda uma lancha de polícia marítima que, quando o vê, sozinho, a esparramar-se na doce areia, desata a atroar os ares com uma buzina daquelas tipo transatântido. Uns marujos, lá da lancha, fazem ameaçadores gestos a mandá-lo dali para fora. Você não vai, tem a ilusão da liberdade. Está ali praticamente só, não consta que os piolhos da areia transmitam o covide, nem lhe parece que haja alguma lei que possa impedi-lo de ali estar. Ilusão. Você, no “pensamento” governamental e presidencial, ou é estúpido, ou não sabe quem manda. E, como se deixou ficar a modorrar, dali a dez minutos aparece um tipo de moto, outro de scooter marítima, a intimá-lo a dar o fora. Você protesta. Os polícias, inchados de autoridade, identificam-no e começam a passar o papel. Paga já, ou paga depois. Você, para quem os duzentos euros são dinheiro, mete o jornal debaixo do braço, agarra na toalha, e vai-se, fugindo aos beleguins do poder.

    *

    No meu bairro, mesmo aqui ao pé, há um parque infantil muito frequentado nos ominosos tempos da liberdade. Foi fechado, há meses, com um cadeado da CML. As criancinhas que se lixem, pensa o poder constituído. Há dias, quando o “confinamento” foi “aliviado”, o cadeado desapareceu. Para magna alegria das gentes, voltou a haver crianças a brincar. Até que enfim! Ilusão. O que aconteceu foi que um cidadão, daqueles do tempo da liberdade civil, rebentou com o cadeado e deitou-o ao lixo. Durante uns dias, vi com prazer algumas criancinhas a brincar no parque. Mas os pressurosos esbirros da ditadura viram a coisa e compraram um cadeado novinho em folha. Querem brincar, ó meninas e meninos? O raio que os parta, é a mensagem do município, covidofundamentalista como compete a um fiel seguidor dos ditames governamentais, presidenciais e parlamentares.

    *

    Para o munícipe que ainda acalenta alguma esperança, a única das vantagens do chamado “confinamento” foi a ausência da EMEL das ruas de Lisboa. A soviética instituição deixou de chatear, entrou de férias. Aqui no bairro, foi uma alegria. Acabaram as multas, as miseráveis perseguições dos malsins da Câmara. Facto é que o estacionamento passou a ser mais fácil, mais pacífico, mais funcional, mais cívico. Uma coisa boa, quiçá “imerecida”. Mas foi sol de pouca dura. É certo que a EMEL baixou a actividade (devem ter mandado alguns esbirros para o teletrabalho), mas não morreu. As multas voltaram, ainda que menos.  Numa rua onde todas as lojas, todas as actividaes económicas, têm as portas fechadas, os canalhas multam quem está nas “cargas e descargas”, que são coisa rigorosamente inexistente. Até, uma vez por outra, lá aparece o reboque. É o KGB municipal a dar uns ares da sua graça. Uma coisa, no entanto, pode contribuir para a satisfação do cidadão. É que a EMEL, só em 2020, perdeu 23% das receitas. Hossana! Esperam os cidadãos que, em 2021, seja ainda pior. Alguma coisa há-de correr bem.

    *

    Outra boa notícia, a ver com o estacionamento. Aqui à volta, há lugares de sobra! É a Páscoa! Quer isto dizer que há quem tenha passado as malhas de ditadura e ido para a terrinha, como de costume. Os meus honrosos cumprimentos, e agradecimentos, a tal gente.

     

    31.3.21

  • PAU PARA TODA A OBRA

    O camarada Ferreira tem sido tudo. Comentador televisivo, deputado europeu, candidato a tudo e mais alguma coisa, o homem parece, ou é, o único, o maior, o mais lindo, o mais inteligente, o mais preparado, o melhor orador, o mais conhecedor, maravilha fatal da nossa idade, flor máxima do jardim da irreformável secção lusitana do Partido Comunista da União Soviética, Sol da Terra, comuna-mor do país, da cidade, da Europa, homem de vastíssimas competências, um deusinho, um santo, o máximo.

    Será que o camarada Jerónimo, quando vasculha nas alfurjas do Comité Central, não encontra mais ninguém, ou haverá moscambilha na coisa? O IRRITADO preocupa-se com o rapaz. É que as NEP’s do partido são imprescrutáveis. Por isso, há quem diga que o andam a “arrumar”, isto é, a fazê-lo subir tanto que, quando cair, caia do mais alto possível, que é o que aleija mais. Dão-lhe o isco, mediante candidaturas aos pontapés. Deixam-no pensar em vir a substituir o camarada Jerónimo. E o Ferreira incha, incha, incha, até que estoira e vai para a prateleira de baixo. Não seria a primeira vez. Não chegam as duas mãos para contar os muitos que se pensavam uns trutas e que foram pela escada abaixo sem dó nem piedade.Talvez fossem uns burgueses traidores, como diriam o Cunhal e a dona Peralta.

    Põe-te a pau, ó Ferreira, não faltará, lá na “casa”, quem afie facas para te cortar as asas com requintes da malvadez. Valer-te-á o PS, cesto dos papéis sempre às ordens. Já valeu a muitos.

     

    30.3.21   

  • O QUE PARECE, É?

    Nesta interminável tragi-comédia das vacinas, há muita coisa estranha, inexplicável, incompreensível. Ou talvez não. Por exemplo, o que explicará a preferência dada aos professores & companhia, em detrimento de milhões de pessoas que trabalham todos os dias em ambientes cheios de gente, como os supermercados, os transportes, as fábricas, enfim, nas actividades que (ainda) não fecharam? Será que os professores correm mais perigo que os outros – fora de dúvida está que correm menos – ou que serão privilegiados, descriminados pela positiva, como se diz agora, enquanto os demais trabalhadores que (ainda) trabalham o são pela negativa? E os velhos que ficam para trás? Porque será que a idade e as morbilidades deixaram de ser o critério? Então privilegia-se os menos afectados pela doença, em vez dos que a sofrem com evidente perigo de vida? Não se percebe.

    Ou percebe. Eis a explicação mais lógica. Os professores são “protegidos” por um sindicato chefiado pelo comité central do último herdeiro vivo do PCUS, o PC. Como o governo tem medo do antigo professor de trabalhos manuais que apascenta a classe, e não menos medo de perder o seu aparentemente único aliado “fixe” à esquerda, vai de esquecer quem antes dizia ser mais precisado para passar a mão pelo pêlo dos tão necessários camaradas do socialismo constitucional e parlamentar.

    Estas coisas da política têm muito de toma lá dá cá. Ó Jerónimo, nós acarinhamos o teu mais importante sindicato, tu vais votando conosco, e o resto é paisagem. OK?

    Será assim? Se não é, parece. Quem dizia que, “em política, o que parece, é”?

     

    29.3.21