IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • GRANDES FEITOS

    Um dos grandes feitos deste governo e deste primeiro ministro foi a reversão da privatizção parcial da TAP em boa hora conseguida pelo governo legítimo.

    Orgulhoso da posse pública da maioria do capital, Costa e seus sectários trataram de mandar em tudo. O senhor do Barraqueiro, coitado, aguentou ficar em tal companhia.

    Veio o covide. Resultado: o “expropriado” americano do Brasil foi-se embora, coitadinho, a acariciar um cheque de cinquenta milhões (peanuts!) generosamente emitido pelos altos defensores do Estado, todos pertencentes à agremiação do Costa. Quem paga o cheque que o atingido já descontou, somos nós. Que importa, se ainda não estamos habituados já devíamos estar. Ai aguenta, aguenta! Quem mal vota, mal se dá. Bem feita!

    Sem a famosa reversão, nesta altura, o tal americano estava feito, enterrado até ao pescoço, e a TAP bem menos mal do que está. Assim, feitos estamos nós. São as maravilhas do socialismo, do estatismo, do pretenciosismo politiqueiro, da estupidez e da sede de poder.

     

    27.4.21

  • 25

    Ainda haverá quem acredite que o golpe militar de 25 de Abril de 1974 se destinava a implantar uma democracia liberal? Talvez. Mas helas, o golpe destinava-se, primeiro, a acabar com a admissão, no exército, de capitães milicianos, profissionalizando-os e fazendo concorrência aos “de raiz”, e, segundo, para implantar uma “democracia de esquerda”. Mesmo os que, na hora da verdade, contribuiram para evitar a total sovietização do país, queriam, como o futuro veio a demonstrar à saciedade, dar à não-esquerda um estatuto de raminho de salsa para Europa ver, a fim de legitimar a perpetuação da esquerda, com diversos matizes.

    A mais cabal demonstração disto foi a recusa dos “militares de Abril” em aceitar a legitimidade maioritária do governo Passos Coelho, recusando-se a estar presentes nas comemorações oficiais do fim da ditadura. Para eles, um governo de não-esquerda estava fora da “democracia” que queriam. As posições da chamada associação dos actuais coronéis – quantos mereceram os galões em serviço, nos quartéis? – repetidamente o demonstram. Como se tem visto, as comemorações, ou são de esquerda, ou não cabem na filosofia de tais militares,.

    Em 1964, no Regimento de Infantaria de Abrantes, tive o “privilégio” de conhecer o jovem Vasco Lourenço, acabadinho de sair da Escola do Exército. Até dormimos os dois no mesmo quarto! Havia uma chusma de aspirantes milicianos à espera de embarque para Angola. O Lourenço era uma carta fora do baralho. Andava a tirar cursos de guerra em várias unidades especiais, fazia discursos ideológicos sobre a defesa do Império, e desprezava os conscritos. Quem havia de dizer onde iria parar tal fulano? Já era, na altura, bronco, abrutalhado e ignorante. No uso destas nobres e brilhantes características, viria a ser o que é hoje: proprietário de uma democracia de esquerda, com a missão de esconjurar tudo e todos que à esquerda não pertençam. Os seus entimentos democráticos, as suas convicções de defesa das liberdades, ficaram por aí: tudo o que não seja de esquerda não é democrático. O fascimo começa ao centro.

    Em 1975, trabalhava eu numa fábrica que tinha à volta de 500 trabalhadores, entre operários e quadros. No meio das trapalhadas do PREC, fomos um dia invadidos por uma brilhante delegação dos Comandos da Amadora, à altura nas mãos do MFA. Comandava-os um capitão de Abril, cujo nome sei mas, de momento, me escapa. Tal capitão, numa das tempestuosas “assembleias” da época, subiu para cima da mesa e, entre uma fartura de bojardas marxistas-leninistas, declarou, tonitruante, que “os nossos irmão cubanos andam há dez anos a construir o socialismo, nós faremos o mesmo”. Este exemplar capitão de Abril é hoje, nas suas próprias plavras, um “historiador independente”.

    Muito mais teria para contar, mas desta vez não me apetece. O que é triste e merece que se sublinhe é que esta brilhante gente, no fundo, continua na mesma e até tem uma “associação” destinada a promover a esquerda socialista, ao mesmo tempo que diz que lhe devemos a democracia. Não devemos. Se há credores, são os que deram cabo das maluquices ditatoriais dos “capitães de Abril”, o Povo que resistiu aos seus desmandos.

    Pena é que mais de quarenta os anos tenham passado e que tais capitães/coronéis continuem na mesma. Quando o socialismo nos arruinar de vez, aí teremos realizado o seu sonho.

     

    24.4.21   

  • GRANDES PROJECTOS

    Assustado com as aventuras do Pinto de Sousa, o PS que, oficialmente, ainda não deu por elas, resolveu, fazendo uso da sua indiscutível, proverbial e inabalável honradez, probidade, decoro, pundunor, integridade de carácter, etc., alinhar com os demais no lançamento de mais uma campanha contra a corrupção. Desta feita anuncia a sua anuência a uma coisa contra o “enriquecimento ilícito”. Muito bem!

    O IRRITADO, dada a sua falta de inteligência, ainda não percebeu se tal campanha se destina a perseguir só os políticos e adjacentes, se o público em geral. Se for só para os primeiros, a campanha, da parte do PS, deve almejar uma selecção das actuais ou futuras pretensões a tais cargos, de forma a pôr de lado quem não tenha o seu passaporte de honestidade, ou seja, quem não seja filiado ou comprovado simpatizante da organização. Se for para toda a gente, pior.

    Comecemos pelo conceito. O que é o “enriquecimento ilícito”? Julga-se aqui na casa que se trata de enriquecimento obtido por meios ilícitos. Será redundância? É, mas, para pacóvio ver, funciona. Tais meios, vulgo trafulhices, já são punidos por lei. Poder-se-á vasculhar os ilícitos de cada um utilizando os meios legais já disponíveis, a partir de suspeições, indícios, denúncias, investigações, inquéritos, etc. Os abrangidos pela futura lei já são obrigados a declarar o que têm, deixaram de ter ou passaram a ter, à entrada e à saída dos seus cargos, e são, como toda a gente, obrigados a meter os ganhos no IRS, sujeitando-se às mais rebuscadas perseguições e prejuízos que, mui justamente, não deixarão de lhes cair em cima.

    Pouco se sabe sobre o que, em concreto, virá a ser proposto nos projectos a apresentar pelas mais variegadas partes, sendo de supor que a imaginação criadora das catarinas&Cª não deixará de encontrar maneiras as mais repenicadas de chover no molhado, isto é, de encher de palha um ordenamento jurídico-penal já abundante, que o PAN não se esquecerá dos animais atingidos pela corrupção, que o PS arranjará forma de proteger os seus, que o Rio fará mais umas asneiras, que todos arranjarão maneira de mandar à fava o Tribunal Constitucional, e por aí fora.

    De calcular, como quase certo, é que tudo mude para ficar tudo na mesma.

     

     22.4.21      

  • COMO?

    Parece que a política do covide está a causar mais estragos do que os que já são públicos e notórios.

    Dizem números oficiais que a produção de bebés caiu mais de trinta por cento na era covide.

    Dirá então a voz dos resistentes: aí têm o resultado da fabricação do terror levada a cabo pelas autoridades, pelos “cientistas”, “especialistas” e outros “istas” que, aos pontapés, andam por aí armados em estrelas da televisão, a dizer hoje que é preto, amanhã branco e depois azul aos quadradinhos. Unanimemente, assim ou assado, todos colaboram no terror. Muitos deles já foram, e são, desmentidos, sem precisar de quem os desminta, ou seja, desmentem-se a si próprios, sem pudor nem desculpa. O direito à informação transformou-se em direito à confusão.

    Como querem que as pessoas não desistam de ter filhos? Como querem que as pessoas não achem que estão às portas da morte? Como querem que as pessoas não se deixem influenciar pela propaganda se são matraqueadas, todos os dias, pelas mais catastrofistas previsões e cenários? Como querem que tenham alguma sombra de optimismo ou de confiança no futuro? Como, se as estatísticas dos óbitos,  unânimes e optimistas, não são lidas nem analisadas pelos jornais porque dizem que o problema, colectivamente, é de somenos. Como, se nada de positivo é comunicado, a não ser, é claro, o que possa ser interpretado como grande feito do governo e quejandos?

    Dir-se-á, com razão, que são as  próprias pessoas a a propagar o terror e a gostar dele. É verdade. Como podia ser diferente se a informação não colaboracionista é escondida, calada, perseguida, multada, ostracisada, insultada, transformando a Liberdade de opinião numa coisa a esquecer, um pinchavelho de um passado já caído na obsolescência?

    Como?

     

    20.4.21

    NB. Vacine-se, como antes se vacinava contra a gripe, coisa que matava imensa gente sem que ninguém ligasse ao assunto. Não vá na conversa dos que se entretêm a arranjar mais terrores a propósito das vacinas. E deixe-se de mariquices.

  • PERALVICES

    Dona Peralta, recentemente saída da obscuridade por obra e graça da “informação”, veio acrescentar ao terror uma ideia com pés e cabeça: vai ser preciso, diz ela, lançar mais impostos por causa da crise do covide.

    Pois vai. Tocar na despesa pública, nem pensar (só se for para a aumentar); os funcionários, ao contrário dos demais, são sacrossantos – enquanto milhões sossobram, fiacam incólumes; as empresas, bodes expiatórios dos impostos, não podem ser aliviadas; os planos espalhafatosos do senhor Santos são intocáveis, doa a quem doer; os dinheiros da bazuca, se vieram, já estão gastos em “iniciativas” públicas. Não há problema, aumenta-se os impostos e pronto. Sabem porquê? Porque o Estado não paga impostos; os funcionários ficam na mesma; o povo, quer dizer, a fatia do povo que ainda não caiu na miséria, pagará. O grande remédio será a estatização. Até que, falido outra vez o Estado, grande especialidade de quem manda, haja alguém que ponha uma esmolinha na lata do Costa.

    A Peralta é que sabe.

     

    20.4.21     

  • QUEIXINHAS

    Diz o jornal de hoje que, este ano, não houve queixas por assédio sexual. Isto segundo a UMAR, secção feminista do PC. Nesta conformidade, dizem, é preciso criminalizar ainda mais tal e tão tremenda prática. Então, se não há queixas… percebem? Eu também não.

    Mas as organizações que vivem disto encontraram a solução: se não há queixas, devia haver. É de supor que a existência de queixas lhes daria imenso gozo. Ou não? Não, dizem: se não há queixas é porque não há quem se queixe, isto é, quem se devia queixar tem pudor ou vergonha de o fazer, ou não está interessado/a em fazê-lo. Ou, quem sabe, é parvo/a.

    Já o lobo dizia coisas parecidas ao cordeiro.   

    Saia da sua zona de conforto. Queixe-se! Não tem queixas? Arranje-as, força, não tenha medo, seja provocante, faça os/as assediadores/as sair do buraco, para lhes cair em cima com mão de ferro. Vão ver que a UMAR agradece.

     

    20.4.21

  • DESGOSTOS

    A coisa prolifera. Ao Medina, coitadinho, que foi engando pelo Sócrates, que não sabia de nada, não dava por nada – caso que, exaltando a oportunidade, já ontem tivemos ocasião de aqui lamentar – veio juntar-se o papá da ministra-chefe do protocolo do ilustre Costa. O honestíssimo político confessou, contrito, o seu profundo seu desgosto pelas reiteradas trafulhices e aldrabices do seu antigo e tão amado líder. Pobre senhor. Também ele, a quem a fé socialista e a fidelidade ao chefe tinham levado, impoluto, sincero, crente, amigo, a não ver, não ouvir, não ler, não acreditar. Eis senão quando, viu, ouviu, leu, acreditou, como São Paulo na estrada de Damasco. Iluminado pela luz intensa da verdade, chorou de desgoto.

    O IRRITADO não pode deixar de se solidarizar com a súbita quão inesperada esplendorosa luz que invadiu o espírito e a mente de tão notável cidadão.

    A ver vamos quantos virão juntar-se à procissão do desgosto.

     

    17.4.21

  • TARDE PIASTE

    O impensável Medina, repentinamente, acordou para o caso Sócrates. Apostado em ganhar a Câmara nas eleições deste ano, resolveu fazer uma declaração de inocência própria e de crítica a outros camaradas pelo lavar de mãos do PS nesta tendencialmente eterna história.

    Parabéns. Mas parabéns porquê? Então ele, como todos os outros colaboradores de Sócrates, nunca deu por nada? Nunca lhe veio à ideia, ao menos, desconfiar do seu tão amado chefe? Não foi Medina, ao longo de longos anos, cúmplice do Costa e dos malandrins do partido, ao chutar para a justiça um caso evidentemente (também) político, nessa criminosa atitude de Pilatos praticada colectivamente pelo PS?

    Porque esperou tanto para declarar a sua indignação? Guardou a consciência no bolso, a fim de a utilizar quando lhe fosse mais conveniente? Esteve-se nas tintas, como os outros, só “acordando” na hora de pescar votos? Que melhor argumento para os ir buscar à sua direita, senão esta declaração de afastamento da sua augusta pessoa em relação aos desacatos morais do partido?

    Numa nobre arrancada de “arrependimento”, eventualmente inspirado pela “moral republicana”, o impoluto Medina decidiu tirar o cavalinho da chuva.

    Espero que, para quem tiver dois dedos de testa, o cavalo continue bem molhado, se constipe, apanhe o covide e nem os cuidados intensivos lhe valham.

     

    15.4.21      

     

  • IRRITADO ENTUPIDO

    O IRRITADO anda entupido há oito dias, quem sabe se por ter ouvido o Ivo Rosa, se por ter sido vacinado, se por preguiça, ou por outra causa qualquer.

    Há uns 15 anos que o blog me serve para exorcizar os demónios que pairam, ferozes, à minha volta, para acalmar fúrias matinais, ou para acabar com os pesadelos que, acordado, me assaltam. Deixo a coisa ao cuidado dos psicólogos que me leem ou, quem sabe se melhor, aos psiquiatras que por aí se mexem.

    Que se lixe. Comecemos hoje por “analisar” (actividade altamente intelectual!) as causas.

    Se fosse honesto, confessaria que a causa principal foi a preguiça. Mas não confesso.

    O Ivo, esse sim, entupiu-me. Reduziu os crimes do 44 a mera “percepção” pública de certos factos. Os factos, ou não interessam, ou já não são factos porque, tecnicamente, deixaram de existir. As testemunhas, essas, também há as que interessam e as que não interessam, as que dizem coisas de que o Ivo gosta e as que dizem dizem outras. A verdade é que o Ivo está no seu pleníssimo direito (direito?) de as escolher. O Ivo é um artista, raro e de altíssimo gabarito. Quem sou eu, ou nós, para lhe morder as canelas? As nossas “percepções” não passam disso. Facto é que, na genial mente do Ivo, não há percepções, há certezas devidamente fundamentadas. Por exemplo, ele sabe que andam por aí, sem rei nem roque, ou com rei e roque, 34 milhões, mas o que interessa é 1,7. Que podemos nós, simples mortais, dizer a isto? Nada. A nossa cabeça é uma bola cheia de ar poluído pela desconfiança. Raminho de salsa, para contentar a canalha: o 1,7 é a única verba que oferece prova da corrupção. Foi o que ele descobriu, as descobertas dos procuradores são todas aldrabices sem fundamento. Ponham o Ivo a julgar o réu, com prévia garantia de absolvição, e o assunto fica resolvido.

    Adenda: segundo as notícias, amanhã o 44 vai esclarecer tudo na televisão, o que nos enche de nojo. uma vez que já não há penicos, prepare um alguidar para os vómitos.

     

    Passemos à vacina. A coisa fuciona bem. O almirante do camuflado está de parabéns: haja alguém que se safe na borrasca da incompetência e da mentira. A vacina é de borla. Uma gritante injustiça. Quem pode devia pagar, digo eu que não sou social-comunista e, por isso, nunca tenho razão. Interessante é verificar que, para além da vacina do almirante, há, descaradamente, a campanha eleitoral do Merdina. Cartazes por todos os lados, de propaganda camarária. Com os cumprimentos do “senhor presidente”, devidamente expressos, uma “operacional” da coisa deu-me, e a todos os outros velhotes, um saco com um pero, um frasco de água e três bolachas de água e sal. Eu disse que não queria, mas era obrigatório aceitar. Como devem calcular, saí de lá com o coração cheio de amor e gratidão pelo Merdina, vulgo Medina.

     

    14.4.21

  • À CAÇA DE BERBICACHOS

    Temos pela frente uma nova doença psiquiátrica, cujos sintomas, entre outros, são evidentemente galopantes nas meninges do nosso afamado primeiro-ministro.

    Na sua cruzada a favor do medo e da ruína, sua excelência encontrou o seguinte “berbicacho”: rezam os jornais, todos eles adeptos dos ditos (primeiro-ministro e berbicacho), que, em dezoito milhões de vacinados com a astrazeneca (raio de nome), houve trinta que desenvolveram coágulos sanguíneos.

    Uma pequena conta leva a concluir que o berbicacho do senhor primeiro-ministro equivale a cerca de 0,00002% (calculado por excesso) dos tais vacinados. Parece que houve 7 mortos. Ou seja, se você tiver muito, muito azar, poderá morrer com um AVC, o que, acrescentado um zero à direita, quererá dizer o que você calcular, se quiser exercitar mais o bestunto do que o fez sua excelência.

    Acresce que ninguém, muito menos tão alta figura, terá feito a seguinte pergunta: em 18.000.000 de pessoas, com uma média de idade que rondará os 70 anos, quantos haverá que não tenham coágulos sanguíneos? Devo dizer que não conheço nenhum, eu incluído.

    Só uma besta quadrada é capaz de pôr a uma vacina as culpas da morte, por AVC, de sete pessoas em dezoito milhões.

    Mas é do que, por cá, a casa gasta. O que importa à inteligência do primeiro-ministro é a propagação do terror, a ver se ficamos todos tão inteligentes como ele.

    Antigamente, caçava-se gambozinos. Hoje, a caça é aos berbicachos, o que é mais ou menos a mesma coisa.

     

    7.4.21      

  • REGRESSO DA PÁSCOA

     

    Mea culpa. Às distintas autoridades, sejam elas quais forem, aos magotes de especialistas, aos covidistas de várias espécies e origens, às aterrorizadoras televisões e aos meus concidadãos que, convertidos em polícias, têm por costume querer obrigar-me a andar de máscara nos parques e jardins, a todos peço desculpa. Fui gozar a Páscoa atravessando inúmeros concelhos, centenas de quilómetros ilegais, incívicos, atentatórios do sacrossanto confinamento. Não comprei o “Expresso”, não vi telejornais, nem outros arautos do covide. Fui livre!

    E livre de tal forma que nem dei porque o tipo de São Bento, um casca grossa, tinha desatado à guerra com o de Belém. Já sabia que se tinham desentendido, mas ainda estavam em fase minimamaente cavalheiresca. Oficialmente, continuavam amigos. Mas o tipo de São Bento decidiu dar gás às hostilidades, as quais abrem caminho a um novo “equlíbrio”. Sentindo-se só (imagine-se, até o seu principal apoiante, um tal Rio, o traíra!), decidiu dar na cabeça do sócio. Que diabo, ele é o sócio-gerente, o outro só serve para umas bocas.

    Alguém me perguntou porquê. Porquê pôr em andamento uma carripana política que pode levar a uma crise? O IRRITADO, no uso legítimo da habitual profundidade das suas análises, vem responder a tal pergunta. Para o homem, bem conhecido pela sua inegável honestidade, nada melhor que uma boa crise política. Opositores de todas as cores, uni-vos, que eu cá estou! À direita, o único que, em caso de crise e de eleições, poderia morder-lhe as canelas, tem, de há muito, as pernas cortadas pelo serrote do Rio; o CDS, moribundo, tende a deixar de existir; o Chega e a IL, são meros raminhos de salsa. À esquerda, o PC pouco conta, o BE anda cheio de problemas, a bater teclas desafinadas. As sondagens garantem-lhe a vitória e, com um jeitinho, o ignaro eleitorado, que não está para assistir à insegurança de outro governo minoritário, é muito capaz de lhe dar a maioria absoluta. Assim, o fulano está de poleiro. Nada melhor que cair, para de novo se erguer, com mais poder.

    Em tempos, o seu camarada Sampaio garantiu a maioria do Pinto de Sousa, com brilhantes resultados, como se sabe. Esperou que o PS resolvesse os seus problemas internos, que o PC se arrumasse e, trás!, maioria para o caixote, que outro de mais alto se alevanta.

    Agora, as circunstâncias são outras, mas o resultado pode ser o parecido. Daí que o espertalhão comece a preparar o terreno. Para ele, nada melhor que uma boa crise, cuja data deve estar prevista para depois de acabar esta chatice de ser o mais ridículo presidente do Consalho Europeu de que há memória.

    A ver vamos se a estratégia funciona. No horizonte, as núvens são cada vez mais negras. Preparem-se. Se ainda forem a tempo, emigrem.

     

    6.4.21

  • PERSEGUIÇÕES

    Usando o seu habitual instinto, muito democrático, de perseguir as pessoas, o grupo de cavilosos deputados do PS decidiu convocar, mais uma vez, Carlos Moedas para prestar declarações na ridícula e comprovadamente inútil, por redundante e estúpida, comissão de inquérito ao BES/NB. Porquê, Moedas outra vez? Porque sugiu alguma coisa nova? Não. Porque Moedas é candidato à CML? Sim. Há que persegui-lo de qualquer maneira, há que inventar seja o que for, seja como for, para lhe criar escolhos, sejam quais forem, recorrendo às mais rebuscadas trapalhices, falsidades, ou o que der mais jeito.

    *

    Experimente ir à praia. Na Arrábida, por exemplo, anda uma lancha de polícia marítima que, quando o vê, sozinho, a esparramar-se na doce areia, desata a atroar os ares com uma buzina daquelas tipo transatântido. Uns marujos, lá da lancha, fazem ameaçadores gestos a mandá-lo dali para fora. Você não vai, tem a ilusão da liberdade. Está ali praticamente só, não consta que os piolhos da areia transmitam o covide, nem lhe parece que haja alguma lei que possa impedi-lo de ali estar. Ilusão. Você, no “pensamento” governamental e presidencial, ou é estúpido, ou não sabe quem manda. E, como se deixou ficar a modorrar, dali a dez minutos aparece um tipo de moto, outro de scooter marítima, a intimá-lo a dar o fora. Você protesta. Os polícias, inchados de autoridade, identificam-no e começam a passar o papel. Paga já, ou paga depois. Você, para quem os duzentos euros são dinheiro, mete o jornal debaixo do braço, agarra na toalha, e vai-se, fugindo aos beleguins do poder.

    *

    No meu bairro, mesmo aqui ao pé, há um parque infantil muito frequentado nos ominosos tempos da liberdade. Foi fechado, há meses, com um cadeado da CML. As criancinhas que se lixem, pensa o poder constituído. Há dias, quando o “confinamento” foi “aliviado”, o cadeado desapareceu. Para magna alegria das gentes, voltou a haver crianças a brincar. Até que enfim! Ilusão. O que aconteceu foi que um cidadão, daqueles do tempo da liberdade civil, rebentou com o cadeado e deitou-o ao lixo. Durante uns dias, vi com prazer algumas criancinhas a brincar no parque. Mas os pressurosos esbirros da ditadura viram a coisa e compraram um cadeado novinho em folha. Querem brincar, ó meninas e meninos? O raio que os parta, é a mensagem do município, covidofundamentalista como compete a um fiel seguidor dos ditames governamentais, presidenciais e parlamentares.

    *

    Para o munícipe que ainda acalenta alguma esperança, a única das vantagens do chamado “confinamento” foi a ausência da EMEL das ruas de Lisboa. A soviética instituição deixou de chatear, entrou de férias. Aqui no bairro, foi uma alegria. Acabaram as multas, as miseráveis perseguições dos malsins da Câmara. Facto é que o estacionamento passou a ser mais fácil, mais pacífico, mais funcional, mais cívico. Uma coisa boa, quiçá “imerecida”. Mas foi sol de pouca dura. É certo que a EMEL baixou a actividade (devem ter mandado alguns esbirros para o teletrabalho), mas não morreu. As multas voltaram, ainda que menos.  Numa rua onde todas as lojas, todas as actividaes económicas, têm as portas fechadas, os canalhas multam quem está nas “cargas e descargas”, que são coisa rigorosamente inexistente. Até, uma vez por outra, lá aparece o reboque. É o KGB municipal a dar uns ares da sua graça. Uma coisa, no entanto, pode contribuir para a satisfação do cidadão. É que a EMEL, só em 2020, perdeu 23% das receitas. Hossana! Esperam os cidadãos que, em 2021, seja ainda pior. Alguma coisa há-de correr bem.

    *

    Outra boa notícia, a ver com o estacionamento. Aqui à volta, há lugares de sobra! É a Páscoa! Quer isto dizer que há quem tenha passado as malhas de ditadura e ido para a terrinha, como de costume. Os meus honrosos cumprimentos, e agradecimentos, a tal gente.

     

    31.3.21

  • PAU PARA TODA A OBRA

    O camarada Ferreira tem sido tudo. Comentador televisivo, deputado europeu, candidato a tudo e mais alguma coisa, o homem parece, ou é, o único, o maior, o mais lindo, o mais inteligente, o mais preparado, o melhor orador, o mais conhecedor, maravilha fatal da nossa idade, flor máxima do jardim da irreformável secção lusitana do Partido Comunista da União Soviética, Sol da Terra, comuna-mor do país, da cidade, da Europa, homem de vastíssimas competências, um deusinho, um santo, o máximo.

    Será que o camarada Jerónimo, quando vasculha nas alfurjas do Comité Central, não encontra mais ninguém, ou haverá moscambilha na coisa? O IRRITADO preocupa-se com o rapaz. É que as NEP’s do partido são imprescrutáveis. Por isso, há quem diga que o andam a “arrumar”, isto é, a fazê-lo subir tanto que, quando cair, caia do mais alto possível, que é o que aleija mais. Dão-lhe o isco, mediante candidaturas aos pontapés. Deixam-no pensar em vir a substituir o camarada Jerónimo. E o Ferreira incha, incha, incha, até que estoira e vai para a prateleira de baixo. Não seria a primeira vez. Não chegam as duas mãos para contar os muitos que se pensavam uns trutas e que foram pela escada abaixo sem dó nem piedade.Talvez fossem uns burgueses traidores, como diriam o Cunhal e a dona Peralta.

    Põe-te a pau, ó Ferreira, não faltará, lá na “casa”, quem afie facas para te cortar as asas com requintes da malvadez. Valer-te-á o PS, cesto dos papéis sempre às ordens. Já valeu a muitos.

     

    30.3.21   

  • O QUE PARECE, É?

    Nesta interminável tragi-comédia das vacinas, há muita coisa estranha, inexplicável, incompreensível. Ou talvez não. Por exemplo, o que explicará a preferência dada aos professores & companhia, em detrimento de milhões de pessoas que trabalham todos os dias em ambientes cheios de gente, como os supermercados, os transportes, as fábricas, enfim, nas actividades que (ainda) não fecharam? Será que os professores correm mais perigo que os outros – fora de dúvida está que correm menos – ou que serão privilegiados, descriminados pela positiva, como se diz agora, enquanto os demais trabalhadores que (ainda) trabalham o são pela negativa? E os velhos que ficam para trás? Porque será que a idade e as morbilidades deixaram de ser o critério? Então privilegia-se os menos afectados pela doença, em vez dos que a sofrem com evidente perigo de vida? Não se percebe.

    Ou percebe. Eis a explicação mais lógica. Os professores são “protegidos” por um sindicato chefiado pelo comité central do último herdeiro vivo do PCUS, o PC. Como o governo tem medo do antigo professor de trabalhos manuais que apascenta a classe, e não menos medo de perder o seu aparentemente único aliado “fixe” à esquerda, vai de esquecer quem antes dizia ser mais precisado para passar a mão pelo pêlo dos tão necessários camaradas do socialismo constitucional e parlamentar.

    Estas coisas da política têm muito de toma lá dá cá. Ó Jerónimo, nós acarinhamos o teu mais importante sindicato, tu vais votando conosco, e o resto é paisagem. OK?

    Será assim? Se não é, parece. Quem dizia que, “em política, o que parece, é”?

     

    29.3.21

  • CARTA ABERTA AO PRESIDENTE DA INICIATIVA LIBERAL

    Exmº Senhor Presidente, cujo nome, de momento, mea culpa, me escapa

    Tem o partido de V.Exª tido, para mim, a vantagem de ter começado a achar que passo a ter em quem votar. O IRRITADO é, há mais de 30 anos, fiel eleitor do PSD, coisa que se tornou impossível perante a obra de destruição levada a efeito pelo senhor Rio, sem que, das silenciadas catacumbas do partido, saia alguém que o acuse e defronte. O PSD, ou muda ou, nas legislativas, não conta comigo, nem com muitos milhares de portugueses. Muitos deles, como eu, põem, ou punham,  a séria hipótese da votar IL.

    O aparecimento de Moedas na candidatura a Lisboa é uma lufada de esperança para quem ainda pensa ser possível vencer o socialismo galopante e para-ditatorial que sobre nós se abateu. Por isso que me pareça completamente burra a ideia da IL de, sob a direcção de V.Exª, não só não alinhar com ele, como, ainda por cima, vir declará-lo “fraco”.

    Senhor Presidente, criar boa fama não é fácil. Perdê-la, é questão de segundos.

    Com os cumprimentos possíveis do muito irritado

    IRRITADO

  • A DITADURA EM MARCHA

    Um cidadão passa por uma máquina de comes e bebes, na rua, mete um euro na ranhura, escolhe criteriosamente o produto desejado, carrega no botão, puxa a alavanca e vê, todo contente, um saquinho de gomas sair das entranhas da coisa. Retira o produto, abre-o com todo o cuidado, tira de lá uma goma com gostinho a limão, mete-a na boca e começa a desfrutar, todo contente.

    Eis senão quando, imponente, surge uma carripana da GNR com dois esbirros do governo devidamente ataviados, no cumprimento dos seus deveres profissionais.

    Alto e pára o baile! Mas o que é isto? Identifique-se! O cidadão obedece. Enquanto luta com os bolsos à procura do CC, intrigado, que mal fiz eu para estes cabrões me virem chatear… e continua a chupar a goma, cheio de cívico afã. Os guardas, com todo o cuidado, pegam no CC, examinam o documento em busca de alguma irregularidade, não encontram, ficam com pena, e agora, como é que vamos aplicar a lei?

    Foi fácil. O governo ajudou. Então você não sabe que é proibido consumir à porta dos estabelecimentos? O cidadão olha em volta, não vê estabelecimento nenhum. Quem, eu? Sim, você acaba de adquirir comida e está a consumi-la na rua, perto do local da aquisição. Artigo 49, número 386, alínea H, terceiro parágrafo da lei do confinamento e do estado de emergência em vigor.

    Uma goma? O cidadão, meio aparvalhado, ó sor guarda, nem a máquina é um estabelecimento nem eu estava a comer, estava a chupar uma goma, e levo as outras para os meus filhos. O Guarda, qual peru, enche o vasto peito, ora bem, se não quer perceber não perceba, consulte a lei, a ignorância da lei não aproveita a ninguém – ensinaram-me esta lá no quartel – ó 42, preenche lá o papel no aparelho das multas!

    Mas…

    Não há mas nem meio mas, boa tarde senhor cidadão. Os brilhantíssimos agentes da autoridade, orgulhosos por cumprir à risca os ditames da lei, aceleram, e vão à procura de mais gomas.

    O cidadão, homem de brandos costumes, fica, meio balhelhas, no meio da rua, a pensar que, se calhar, nada daquilo aconteceu. Engana-se e, para se lembrar de quem manda, ficou com o papel da multa na mão e, se calhar, até vai pagar os duzentos euros para não ter mais chatices.

    É a democracia, estúpido!

     

    *

     

    Um juiz, no estrito cumprimento da lei constitucional e ordinária que está (julgava ele) em vigor, não quis admitir no seu tribunal pessoas mascaradas. Dando o exemplo, tinha a cara a descoberto.

    Julga-se (ou julgava-se) que, num tribunal, é indispensável que se veja a cara de cada um, juízes, testemunhas, advogados, declarantes, réus, queixosos, público, não só por razões de identidade mas também porque é da maior importância avaliar as expressões e gestos de cada interveniente.

    Mas o tal juiz não só considera isso fundamental como é conhecido por achar que as máscaras do covide, em tempos declaradas inúteis pelos mesmos que agora as consideram indispensáveis, não servem para nada. A não ser, é claro, entre outras coisas, para fomentar o medo e contribuir para a destruição da sociedade.

    Esqueceu-se o meritíssimo que isso era dantes. Os juízes deixaram de ter o direito de ver, na sua plenitude, as caras dos que julgam ou participam na liturgia forense. Por determinação do poder, deixaram de ter esse direito.

    Daí que o nosso juiz tenha passado a ser perseguido por quem “de direito”, inibido de exercer as suas funções, sabendo Deus o que lhe acontecerá a seguir.

    Acresce, ó gentes, que o nosso homem é “negacionista” – com direito a muito mais adjectivos, os quais, por nojo, o IRRITADO desta vez não refere. Por outras palavras, não tem direito, à liberdade de pensamento, ainda menos à de o exprimir, em público ou em privado. É um nhurro, um tipo que não percebe que isso são (eram) liberdades ora caídas em desuso por iniciativa do senhor Presidente da República, do senhor primeiro-ministro, da dona Catarina e do senhor Rio, entre outros.

    É a democracia, estúpido!

         

    28.3.21

  • O NÁUTICO

    O covidofundamentalista Carreiras, muito conhecido em Cascais por boas e más razões, tem agora, segundo o DN, mais uma brilhante iniciativa: diz que vai comprar vacinas ao supermercado da Rússia.

    Há quem se queixe da falta de solidariedade europeia de alguns países. Carreiras acrescenta uma carta a este baralho. Leva mais longe a falta de solidariedade dos Estados, aprofunda-a ao nível municipal. Não sei se trata de (mais) uma arrancada da “descentralização”, de uma demonstração da diferença entre pobres e ricos, de pura fanfarronada, ou de uma forma radical de propaganda populista, provocando manchetes, e comentários aos pontapés. Carreiras é “o maior!”

    Foi esta foi a surpresa de hoje, gentilmente fornecida pelo DN. Surpresa que se sobrepôs, provocando esta nota prévia, àquilo que me trazia sobre Cascais: o “Náutico”. Para quem não saiba, o Náutico é o edifício emblemático do consulado Carreiras. Um prédio totalmente estapafúrdio plantado no largo da estação da CP, primeira “visão” de quem chega à Cascais por via-férrea. Trata-se, esteticamente, de uma espécie de presídio ultra-moderno, negro, coberto de grades. A grande novidade é que os presidiários, em vez de ver o Sol aos quadradinhos, o verão às rodelinhas. A nobre construção, coberta de publicidade a si própria e ao município, será, porventura, fruto de gozosa inspiração de algum arquitecto “conhecido”, a que o famoso edil, à semelhança de tantos outros, resolveu dar direito de cidade. Não sei se se destina a escritórios, apartamentos, hotelaria ou outra coisa qualquer. Mas imagine-se o leitor lá dentro, a ver as vistas divididas em rodelas pretas, as quais, parece, só poderá abrir a 45 graus, a fim de evitar que se suicide – nobre objectivo!

    Em Cascais já se tinham tornado emblemáticos, pela negativa, por exemplo o mamarracho da Polícia, que houve quem quisesse demolir, sem eco na Câmara, e, cereja em cima do bolo, essoutra intervenção de grande porte que, a fim de demolir o trambolho do “Estoril Sol”, o substituiu por outro ainda maior, a que o povo já teve a amabilidade de chamar musseque.

    Enfim, cada um é livre de deixar a sua marca nas cidades e vilas que governa. Assim parece que Carreiras o faz. Só que as rodelas não chegam, agora quer vacinas municipais. Formidável.

     

    27.3.21  

  • A SORTE QUE MERECEM

    O mui venerado director do “Público”, especialista em cravos e ferraduras,  dá hoje largas a uma tese intitulada “O capitalismo português no seu esplendor”. Justifica a ironia pelas tramóias, públicas e privadas, que alimentam a crise da Groundforce. Muito bem.

    O problema é que a coisa está de pernas para o ar. O que está, ou devia estar em causa é o facto indesmentível de que o Estado socialista é parte, a maior parte, de tal capitalismo. Mete-se em negócios, depois quer regulá-los. É o pior de todos os capitalismos. O Estado legisla e julga em causa própria. Por isso que, no paradigmático exemplo da Groundforce, com razão ou sem ela, o Estado não tem razão nenhuma. Zanga-se com os sócios e o povo que pague. A máquina da propaganda faz o resto. O Estado e o senhor Casimiro são sócios desavindos.

    Foi o que aconteceu com a TAP, sociedade tomada de assalto pelo Estado. O resultado viu-se, o sócio privado foi à vida com milhões a tilintar nas algibeiras, o Estado ficou com o aborto nos braços. A conta será paga por nós, não pelos representantes do sócio vencido, o senhor Costa e o senhor Santos.

    Na Groundforce diz a propaganda do PS/BE que um tal Casimiro ganhou millhões em comissões de gestão pagas pela empresa e aplicou metade na compra da maioria da dita. A ser verdade, a culpa é do sócio Estado, que o deixou cobrar tais comissões. Se aplicou o resultado a comprar a empresa ao Estado, quem lhe negará legitimidade? Só o Santos, o tipo do “Público” e a cavilosa Mortágua.

    Agora, agora o quê? Embrulham-se todos, quem paga o capitalismo de Estado são os mesmos de sempre. O mal é do socialismo, não do capitalismo propriamente dito.

    E a EDP? Mais uma pessegada pública, desta vez em forma de cobardia. Não sei se a EDP devia, ou não, ter pago o imposto de selo. Nem, no estado actual da contenda, tal será o mais grave. O mais grave é que, provocado pela sinistra Mortágua e pelo incapaz Rio, o governo (três ministros, pelo menos!) mete os pés pelas mãos, diz que a culpa é do Barbosa du Bocage, ou do Pitágoras, mente com quantos dentes tem na boca, dá o dito por dito e por não dito, desta feita acompanhado pela administração pública, em quem manda, mas diz não mandar.

    O IRRITADO deseja a todos, sem excepção, a sorte que merecem. Aos leitores deixa a tarefa de pensar que sorte é essa.

     

    25.3.21

  • É TEMPO DE AMOCHAR

    Segundo a última descoberta da chamada comunicação social, dos dezanove países europeus devidamente “confinados”, há oito em grave crise de propagação do vírus. A Itália e a Polónia, por exemplo. E agora? Agora, fica abalada a teoria do confinamento? Não fica. Manda quem pode e o resto é conversa.

    As pessoas metidas em casa perdem defesas, têm problemas musculares, psicológicos, de memória, sofrem de enfraquecimento geral, uma data de males que as tornam prato favorito para o covide e não só.

    Alguém será capaz de dizer que não poder ler o jornal num banco de jardim ou ter de andar de máscara ao ar livre faz bem ou protege seja quem for seja do que for? Alguém será capaz de dizer que cinquenta mil cirurgias atrasadas mais de um ano por causa das políticas do covide fazem bem à saúde? E que a paralização dos serviços de saúde não é, em si mesma, uma pandemia tão grave como a do covide? E que trabalhar em casa com os miúdos à perna, esforços brutais de concentração e ausência de horários ou de pausas é bom para o equilíbrio mental de cada um? E que a falta de espectáculos, desportos, encontros, refeições entre amigos, não dá cabo da cabeça das pessoas? E que a ruína económica não vai matar mais que dois ou três covides juntos? E que o hábito da obediência acrítica que se provoca e se enraíza todos os dias em populações aterrorizadas por obra dos poderes públicos não terá graves consequências imediatas, e cataclísmicas no futuro?

    São tudo perguntas de uma indiscutível pertinência. Mas não parecem interessar a ninguém.

    Amocha, aguenta e não protestes, dizem as novas leis da censura pública. Não tens outro remédio se não quiseres ser, ou ostracizado, ou pior.

     

    25.3.21  

  • COLABORACIONISTAS E RESISTENTES

     

    Segundo a generalidade das centenas de intelectuais que por aí há com direito de antena, os chamados “negacionistas” são produtores exclusivos de notícias falsas. Não é verdade. Os correctos, como há milhares de provas, em matéria de mentiras, enganos e patranhas, são tanto ou mais produtivos que eles. Só que falseiam com base “científica”, diz-se. Alguns, como é o caso da dona Ângela, pedem desculpa. Outros, como o senhor Costa, jamais o farão.

    Perante as brutais limitações aos direitos, liberdades e garantias de que os cidadãos são vítimas, acho que os negacionistas deverão antes chamar-se resistentes. Não por defenderam as suas opiniões, mas pela perseguição social e pública que lhes é movida. Nas arengas televisivas não há contraditório, os colaboracionistas têm 100% dos lugares. Nos jornais, a mesma coisa. Há quem defenda, a começar pelas autoridades e a acabar nos pululantes bandos de medrosos e correctos, que os resistentes são criminosos públicos, devem ser perseguidos, calados, acusados, multados, processados, presos. As “autoridades” apoiam sem reservas os colaboracionistas e condenam, através da palavra, da escrita e da polícia, os resistentes. A “razão” está, oficialmente, só de um lado. Uma sociedade, chegada a este ponto, perdeu por completo as mais básicas noções da convivência, dos valores, da liberdade, da democracia, da legitimidade.

    Não sei quem, no fundo, tem razão. Se calhar, há razão, ou razões, dos dois lados. Não é isso o que me traz. Traz-me, sim, a inevitável comparação com a França ocupada pelos nazis. Mutatis mutandis, há inevitáveis paralelos.  

     

    25.3.21