Segundo a generalidade das centenas de intelectuais que por aí há com direito de antena, os chamados “negacionistas” são produtores exclusivos de notícias falsas. Não é verdade. Os correctos, como há milhares de provas, em matéria de mentiras, enganos e patranhas, são tanto ou mais produtivos que eles. Só que falseiam com base “científica”, diz-se. Alguns, como é o caso da dona Ângela, pedem desculpa. Outros, como o senhor Costa, jamais o farão.
Perante as brutais limitações aos direitos, liberdades e garantias de que os cidadãos são vítimas, acho que os negacionistas deverão antes chamar-se resistentes. Não por defenderam as suas opiniões, mas pela perseguição social e pública que lhes é movida. Nas arengas televisivas não há contraditório, os colaboracionistas têm 100% dos lugares. Nos jornais, a mesma coisa. Há quem defenda, a começar pelas autoridades e a acabar nos pululantes bandos de medrosos e correctos, que os resistentes são criminosos públicos, devem ser perseguidos, calados, acusados, multados, processados, presos. As “autoridades” apoiam sem reservas os colaboracionistas e condenam, através da palavra, da escrita e da polícia, os resistentes. A “razão” está, oficialmente, só de um lado. Uma sociedade, chegada a este ponto, perdeu por completo as mais básicas noções da convivência, dos valores, da liberdade, da democracia, da legitimidade.
Não sei quem, no fundo, tem razão. Se calhar, há razão, ou razões, dos dois lados. Não é isso o que me traz. Traz-me, sim, a inevitável comparação com a França ocupada pelos nazis. Mutatis mutandis, há inevitáveis paralelos.
25.3.21

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