O covidofundamentalista Carreiras, muito conhecido em Cascais por boas e más razões, tem agora, segundo o DN, mais uma brilhante iniciativa: diz que vai comprar vacinas ao supermercado da Rússia.
Há quem se queixe da falta de solidariedade europeia de alguns países. Carreiras acrescenta uma carta a este baralho. Leva mais longe a falta de solidariedade dos Estados, aprofunda-a ao nível municipal. Não sei se trata de (mais) uma arrancada da “descentralização”, de uma demonstração da diferença entre pobres e ricos, de pura fanfarronada, ou de uma forma radical de propaganda populista, provocando manchetes, e comentários aos pontapés. Carreiras é “o maior!”
Foi esta foi a surpresa de hoje, gentilmente fornecida pelo DN. Surpresa que se sobrepôs, provocando esta nota prévia, àquilo que me trazia sobre Cascais: o “Náutico”. Para quem não saiba, o Náutico é o edifício emblemático do consulado Carreiras. Um prédio totalmente estapafúrdio plantado no largo da estação da CP, primeira “visão” de quem chega à Cascais por via-férrea. Trata-se, esteticamente, de uma espécie de presídio ultra-moderno, negro, coberto de grades. A grande novidade é que os presidiários, em vez de ver o Sol aos quadradinhos, o verão às rodelinhas. A nobre construção, coberta de publicidade a si própria e ao município, será, porventura, fruto de gozosa inspiração de algum arquitecto “conhecido”, a que o famoso edil, à semelhança de tantos outros, resolveu dar direito de cidade. Não sei se se destina a escritórios, apartamentos, hotelaria ou outra coisa qualquer. Mas imagine-se o leitor lá dentro, a ver as vistas divididas em rodelas pretas, as quais, parece, só poderá abrir a 45 graus, a fim de evitar que se suicide – nobre objectivo!
Em Cascais já se tinham tornado emblemáticos, pela negativa, por exemplo o mamarracho da Polícia, que houve quem quisesse demolir, sem eco na Câmara, e, cereja em cima do bolo, essoutra intervenção de grande porte que, a fim de demolir o trambolho do “Estoril Sol”, o substituiu por outro ainda maior, a que o povo já teve a amabilidade de chamar musseque.
Enfim, cada um é livre de deixar a sua marca nas cidades e vilas que governa. Assim parece que Carreiras o faz. Só que as rodelas não chegam, agora quer vacinas municipais. Formidável.
27.3.21

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