Nesta interminável tragi-comédia das vacinas, há muita coisa estranha, inexplicável, incompreensível. Ou talvez não. Por exemplo, o que explicará a preferência dada aos professores & companhia, em detrimento de milhões de pessoas que trabalham todos os dias em ambientes cheios de gente, como os supermercados, os transportes, as fábricas, enfim, nas actividades que (ainda) não fecharam? Será que os professores correm mais perigo que os outros – fora de dúvida está que correm menos – ou que serão privilegiados, descriminados pela positiva, como se diz agora, enquanto os demais trabalhadores que (ainda) trabalham o são pela negativa? E os velhos que ficam para trás? Porque será que a idade e as morbilidades deixaram de ser o critério? Então privilegia-se os menos afectados pela doença, em vez dos que a sofrem com evidente perigo de vida? Não se percebe.
Ou percebe. Eis a explicação mais lógica. Os professores são “protegidos” por um sindicato chefiado pelo comité central do último herdeiro vivo do PCUS, o PC. Como o governo tem medo do antigo professor de trabalhos manuais que apascenta a classe, e não menos medo de perder o seu aparentemente único aliado “fixe” à esquerda, vai de esquecer quem antes dizia ser mais precisado para passar a mão pelo pêlo dos tão necessários camaradas do socialismo constitucional e parlamentar.
Estas coisas da política têm muito de toma lá dá cá. Ó Jerónimo, nós acarinhamos o teu mais importante sindicato, tu vais votando conosco, e o resto é paisagem. OK?
Será assim? Se não é, parece. Quem dizia que, “em política, o que parece, é”?
29.3.21

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