O camarada Ferreira tem sido tudo. Comentador televisivo, deputado europeu, candidato a tudo e mais alguma coisa, o homem parece, ou é, o único, o maior, o mais lindo, o mais inteligente, o mais preparado, o melhor orador, o mais conhecedor, maravilha fatal da nossa idade, flor máxima do jardim da irreformável secção lusitana do Partido Comunista da União Soviética, Sol da Terra, comuna-mor do país, da cidade, da Europa, homem de vastíssimas competências, um deusinho, um santo, o máximo.
Será que o camarada Jerónimo, quando vasculha nas alfurjas do Comité Central, não encontra mais ninguém, ou haverá moscambilha na coisa? O IRRITADO preocupa-se com o rapaz. É que as NEP’s do partido são imprescrutáveis. Por isso, há quem diga que o andam a “arrumar”, isto é, a fazê-lo subir tanto que, quando cair, caia do mais alto possível, que é o que aleija mais. Dão-lhe o isco, mediante candidaturas aos pontapés. Deixam-no pensar em vir a substituir o camarada Jerónimo. E o Ferreira incha, incha, incha, até que estoira e vai para a prateleira de baixo. Não seria a primeira vez. Não chegam as duas mãos para contar os muitos que se pensavam uns trutas e que foram pela escada abaixo sem dó nem piedade.Talvez fossem uns burgueses traidores, como diriam o Cunhal e a dona Peralta.
Põe-te a pau, ó Ferreira, não faltará, lá na “casa”, quem afie facas para te cortar as asas com requintes da malvadez. Valer-te-á o PS, cesto dos papéis sempre às ordens. Já valeu a muitos.
30.3.21

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