Assustado com as aventuras do Pinto de Sousa, o PS que, oficialmente, ainda não deu por elas, resolveu, fazendo uso da sua indiscutível, proverbial e inabalável honradez, probidade, decoro, pundunor, integridade de carácter, etc., alinhar com os demais no lançamento de mais uma campanha contra a corrupção. Desta feita anuncia a sua anuência a uma coisa contra o “enriquecimento ilícito”. Muito bem!
O IRRITADO, dada a sua falta de inteligência, ainda não percebeu se tal campanha se destina a perseguir só os políticos e adjacentes, se o público em geral. Se for só para os primeiros, a campanha, da parte do PS, deve almejar uma selecção das actuais ou futuras pretensões a tais cargos, de forma a pôr de lado quem não tenha o seu passaporte de honestidade, ou seja, quem não seja filiado ou comprovado simpatizante da organização. Se for para toda a gente, pior.
Comecemos pelo conceito. O que é o “enriquecimento ilícito”? Julga-se aqui na casa que se trata de enriquecimento obtido por meios ilícitos. Será redundância? É, mas, para pacóvio ver, funciona. Tais meios, vulgo trafulhices, já são punidos por lei. Poder-se-á vasculhar os ilícitos de cada um utilizando os meios legais já disponíveis, a partir de suspeições, indícios, denúncias, investigações, inquéritos, etc. Os abrangidos pela futura lei já são obrigados a declarar o que têm, deixaram de ter ou passaram a ter, à entrada e à saída dos seus cargos, e são, como toda a gente, obrigados a meter os ganhos no IRS, sujeitando-se às mais rebuscadas perseguições e prejuízos que, mui justamente, não deixarão de lhes cair em cima.
Pouco se sabe sobre o que, em concreto, virá a ser proposto nos projectos a apresentar pelas mais variegadas partes, sendo de supor que a imaginação criadora das catarinas&Cª não deixará de encontrar maneiras as mais repenicadas de chover no molhado, isto é, de encher de palha um ordenamento jurídico-penal já abundante, que o PAN não se esquecerá dos animais atingidos pela corrupção, que o PS arranjará forma de proteger os seus, que o Rio fará mais umas asneiras, que todos arranjarão maneira de mandar à fava o Tribunal Constitucional, e por aí fora.
De calcular, como quase certo, é que tudo mude para ficar tudo na mesma.
22.4.21

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