Diz-se que há indivíduos superdotados, capazes de penetrar nos segredos do cosmos, de resolver equações que estão fora do alcance dos outros mortais, de imaginar sistemas filosóficos de grande alcance e de outras proezas capazes de alterar a sociedade, o ensino, a política, os conceitos sociais. Umas vezes para o nosso bem, outras nem por isso, outras para nosso mal. A inteligência nem sempre é sinal de razão ou de avanço num sentido positivo.
Não temos por cá superdotados, que eu saiba ou se veja, o que não é um mal em si. Mas temos, com alguma fartura, alguns infradotados. É o caso do primeiro ministro, um indivíduo com alguma, pouca, instrução, e uma capacidade de parlapatar e asnear fora do cumum. Não está só. Das paragens nortenhas surgiu outro, exemplo claro do mau uso que se dá aos restos de inteligência de que se goza. É o caso do auto-proclamado “chefe” da oposição. Um problema, dois problemas.
Num eventual ataque de bom-senso, conseguiu o segundo convencer um homem de valia já claramente demonstrada a ser seu candidato à Câmara de Lisboa. Rejubilaram as hostes que estão fartas de socialismo e de propaganda barata. Mais. Parecia que o candidato se propunha agregar tais hostes, evitando assim a dispersão de votos e evitando outrossim o Chega para que não o acusem de fascista, xenófobo, machista e de outras tremendices que fazem parte do léxico da esquerda, tanto da burra como da não tanto.
Tudo, à partida, bem encaminhado. Eis senão quando, o ilustre (no sentido etimológico do que não dá luz) Rio faz uma das suas galegadas. Trata mal um dos eventuais apoiantes do seu candidato. Não lhe liga, não fala com ele, não lhe telefona sequer. Daí que a IL, sendo o menos minhoca dos minhocas, se retire de qualquer acordo.
A hipótese da união de esforços dos representantes do não socialismo, na presença de uma luta eleitoral taco-a-taco, ficou comprometida por acção ou omissão propositada do seu, dir-se-ia, principal promotor.
Alguém é capaz de perceber que o líder do PSD, depois do que se poderia chamar a sua única jogada de mestre, à primeira oportunidade a torpedeie? Poderá dizer-se que os tipos da IL levaram longe demais o princípio de que “quem não se sente não é filho de boa gente”, mas, que diabo, perante o pesporrente desprezo de quem dela precisa, que outra solução teriam?
Parece que a pandemia da falta de juízo é coisa sem remédio nem fim. No entanto, pode ser que os eleitores não socialistas acordem, e façam um intervalo na sujeição ao medo que lhes é instilado pelo poder.
Wishful thinking, dir-se-á. Mas vale a pena dar uma lição aos coveiros do país, o inenarrável Rio incluído.
8.3.21

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