NÃO FAZER ONDAS
A chamada digitalização dos exames será (ou não) uma coisa boa. Pelo menos, é o que “está a dar” por esse mundo Europa fora. É uma reforma. Ora a principal característica das reformas, em Portugal, sejam quais forem, boas, más ou assim-assim, é ser odiadas pelos partidos políticos, pelos jornais, pelos comentadeiros, et alia, todos os que têm influência sobre a opinião pública. Uma desgraça, uma manifestação da mais torpe incompetência, um terramoto que vai esmagar a juventude, os pais, os avós, os tios, os professores, os sindicatos, os tribunais, o diabo a quatro. Um mar de erros, um caos instalado e incorrigível. Estamos na terceira República a imitar a primeira. Caia o ministro, o primeiro-ministro (o governo não, porque nem o PS nem o Chega estão preparados para eleições). O ministro que há dias e dias é bombardeado com notícias, crónicas, etc., há semanas que é pau para toda a obra, um fartote. Pode vir as vezes que quiser dizer o que quiser, nunca terá razão. Com calma, urbanidade, sem berros, tem assumido as “culpas”, tem feito o que pode e dado mostras de uma contenção política pouco em uso cá no sítio. Mas diga o que disser, será sempre, para os profissionais destas matérias, um tipo que faz pública “demonstração quotidiana de soberba”. Ou seja, à modéstia que vem utilizando para defender o sistema que se comprometeu a fundar e os remédios que diz ter para as falhas, responde-se chamando-lhe arrogante, soberbo, um ror de adjectivos que nenhuma dose de senso comum justificaria.
Portugal é irreformável. O Costa é que tinha razão: o ideal é não fazer ondas.
23.7.26

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