O que Cavaco disse não foi que a democracia está amordaçada, mas sim que “é surpreendente a frequência com que ouvimos e lemos que o país se encontra numa situação de democracia amordaçada”. Certo. Não falta quem o diga. Poucos o escrevem, porque têm medo. O Ferro e o Sousa é que, como bons invejosos, lhe tresleram a boca.
Já agora: disse o Henrique Raposo, com toneladas de razão, que “Não sei de a democracia está amordaçada, como diz Cavaco, mas a cabeça das pessoas está, sem dúvida”.
Eu, IRRITADO, digo que a democracia e as cabeças não estãoestão só amordaçadas, estão também desgraçadas. A ruína a fome, o desemprego (disfarçado com números piratas), avançam a todo o galope. Há milhares de pessoas na bicha para a “sopa do Sidónio”. Quando acabarem as moratórias, ninguém vai poder pagar o que deve. Os “auxílios do Estado” não passam de patacoadas do Costa e do careca para patego ouvir e “jornalista” aplaudir. Quem se candidata a auxílios, depois de reunir toneladas de papéis, ou não recebe resposta, ou espera três meses para receber uma carta a dizer que “aquele fundo” já está gasto, ou que não é elegível, ou outra paspalhice qualquer. Dinheiro, zero. Os senhorios não recebem rendas, os bancos não recebem prestações. No meio disto tudo, os “especialistas” aplaudem, dizem que é preto e que é branco, que é bom e que é mau, as vacinas ora são essenciais ora matam mais que o covide, é o que lhes vier à cabeça desde que contribua para a manutenção do medo. A “comunicação social” entretem-se, há mais de um ano, a aterrorizar as pessoas. E estas acabam por gostar, de tão amordaçado têm já o bestunto. Dão lições de moral umas às outras, acham tudo bem, estejam em casa, não trabalhem, ponham a máscara, olhem o covide! As criancinhas olham para uma coisa que já não sabem o que é: um parque infantil. Os velhos estão proibidos da jogar à sueca nos jardins, contentam-se com esperar pela morte, a fim de aprimorar as “estatísticas” do covide. Os cientistas que sabem ler estão impedidos de informar, ou de infirmar. Informação, só a oficial, tremendista, castrante, com o aplauso traidor das televisões e dos jornais. O dr. Carreiras inventa proibições para quem quiser passear à borda de água. Outros fazem o mesmo, ou pior.
A democracia é já uma batata, não tem ponta por onde se lhe pegue.
Agora, o glorioso Costa, não se sabe se com a cumplicidade ou sem a cumplicidade do senhor de Belém, prepara orgulhosamente um decreto qualquer para deixar de dar satisfações seja a quem for, mandar à vontade, o poder todo dele, sem peias fácticas, formais ou morais.
Este atrapalhado elencar de maravilhas é uma pequena gota, um pobre sinal do que aí vem. Porque o que aí vem vai ser muito pior do que já é. Inimaginavelmente pior.
16.1.21

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