Num dos massacres (leia-se telejornais) diários a que estamos condenados, dizia-se que uns 1,2 milhões já estavam vacinados. No mesmo jornal, noutra página, afirmava-se que os vacinados eram 2,7% da população. Faça as contas.
No mesmo dia, noticiava-se que “Portugal é o país da UE com medidas mais severas”. Escolas fechadas, só em Portugal e na Irlanda –Portugal à frente! Somos os melhores!
Agora, atenção: vem aí o “desconfinamento”! Perceberam alguma coisa das notícias postas a circular pelo governo sobre a coisa? Não ficaram meio malucos com as “notícias”? Acharam que era tudo falso, tudo verdadeiro ou tudo só irresponsável? Estão do lado do ministro A, da ministra B, do secretário C? Que “cientista” preferem? O geógrafo, o matemático, o epidemiologista, o médico, o enfermeiro, o não-sei-quantos, ou outra especialidade? E, dentro de cada especialidade, preferem o senhor/a X, o/a senhor/a Y, o senhor/a Z, ou outro/a, vindo/a dos vários abecedários que por aí pululam?
Se ainda não está completamente maluco, para lá caminha. Deixe-se estar em casa, dizem eles. Abomine o ar livre, os parques, as praias, não se sente em bancos de jardim, não peça água a ninguém. Fique em casa, mas abra as janelas, deixe entrar o fresquinho do Inverno. Se tiver aquecimento (a doida Peralta chamar-lhe-á burguês), aguente a conta do gás ou do que for, se não tiver agasalhe-se e constipe-se. Olhe que não há nada mais saudável que fechar-se em casa. Se tiver a ousadia e a incivilidade de ir à rua e lhe aparecer um cidadão a dar-lhe ordens (ponha a máscara! não se sente aí! afaste-se!), agradeça em vez de o mandar à merda, que é o que eu faço. Seja “cívico”!
Se lhe aparecer algum canalha como o IRRITADO a dizer que fechar as escolas é um crime, faça queixa à Judite. A Judite mandá-lo-á passear. Não vá, que pode ser repreendo, multado, preso. Cuidado! Seja cumpridor. Amordasse-se, não proteste, não levante o rabinho do selim. Não se esqueça do que toda a gente sabe: Sua Excelência de Belém é, desde pequenino, um hipocondríaco militante. Obedeça!
Se lhe falarem na ruína, na miséria, na fome a que muita gente (a pontinha de um gigantescco iceberg) já está sujeita, diga que é mentira, o governo vai tratar do assunto com a competência e a honestidade que lhe são próprios. Lembre-se que é tudo uma questão de moral republicana.
E pronto. Vou ligar ao psiquiatra.
11.3.21

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