IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • A REPÚBLICA DOS CARROCEIROS

     

    Quando o Presidente dos EUA, da Rússia, ou seja de onde for, entra na sala, os circunstantes levantam-se. Se se trata de sessão solene, levantam-se e aplaudem-no na sua qualidade de mais alto representante da República. Se se trata da posse do mesmo, por maioria de razão o fazem.

    Seja de onde for? Não! Em Portugal, país de carroceiros à beira-mar plantado, os senhores deputados fazem como lhes apetece. Não estão ali para honrar a República, de que tanto dizem gostar, mas para mostrar o seu desagrado por ver um Presidente que, ainda que eleito pelo povo, que proclamam soberano, lhes não agrada.

     

    Bando de carroceiros! Porcaria de República!

     

    A República Portuguesa, nas suas três versões, e salvo raros momentos, sempre foi uma porcaria. Aliás, é como a pescada, que antes de o ser já o era.

    Mas ontem foi mais carroceira que de costume.

    A esquerda é ordinária, sempre foi ordinária, será sempre ordinária. Mas poder-se-ia pensar que, tratando-se da menina dos seus olhos – a República – teria a decência de tratar com protocolar urbanidade o seu representante. Não. Os tipos não aplaudem, não se levantam, só ali estão à espera de sair cá para fora e desatar aos pontapés ao Presidente perante matilhas de jornalistas que, não se vislumbra porquê, são autorizados a invadir os passos perdidos sempre que lhes apetece.

    O carroceiro chefe, dito Sócrates, faz jus ao seu ordinaríssimo estilo. Deixa o Presidente à espera, enquanto ele “recebe” a “comunicação social”! Mais carroceiro é impossível.

     

    De certa forma, está certo. O Presidente actual, como todos os seus antecessores, proclama-se “presidente de todos os portugueses”. Nunca nenhum deles foi presidente fosse de quem fosse. Foram o que este é, Presidentes da República. E mais nada. É o que reza a Constituição, em rara manifestação de acerto.

     

    Ora os carroceiros, que nem a sua república respeitam a não ser a benefício próprio, se demonstraram a sua baixíssima moral republicana na sessão de ontem, demonstraram também que Cavaco Silva não é presidente “deles”. Tem, por isso, a mais elementar obrigação de ser fiel aos que o elegeram, não aos que não se levantam quando o recebem no Parlamento nem têm para com ele palavra ou gesto de respeito, antes se apressam a dizer dele as maiores alarvidades.  

     

    Depois disto, o que o Presidente tem a fazer é ser ele a puxar ele pela carroça, já que os carroceiros de serviço nem de mulas percebem.

     

    10.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • APELO AOS MANIFESTANTES DO DIA 12

     

    Caros manifestantes

     

    Dizem para aí que vocês são jovens. Acredito. Dizem que estão à rasca. Têm o benefício da dúvida do IRRITADO. Alegam que têm razões para estar descontentes. Acho que sim.

    Não sei é qual é o alvo da vossa manifestação. O camarada Louça já anda para aí a pedir boleia. O camarada Jerónimo, que tem alguma vergonha na cara, não pede boleia, mas não deixará, presume-se, de arregimentar a mesnada. Os camaradas do PS não vão aparecer, porque o governo não é do PSD, caso contrário lá estariam em massa, mesmo que não houvesse motivo nenhum.

     

    O IRRITADO permite-se adiantar uma modesta sugestão, a saber:

    a) A vossa situação, acham vocês, legitima um protesto;

    b) Quem protesta, protesta contra alguma coisa;

    c) Se a razão do protesto é o desemprego, a dificuldade em arranjar emprego, a falta de ajuda no desemprego, então,

    h) Há que determinar quem é o culpado de tal situação, a fim de protestar contra esse, ou esses;

    i) Aqui é que bate o ponto;

    j) Ora pensem bem: quem é que anda para aí a defender os empregados contra os desempregados? Quem é que anda para aí a achar que quem está “encaixado” tem que continuar encaixado, mesmo que haja uma multidão de gente mais habilitada a bater à porta? Quem é que anda para aí a impedir a mobilidade social que os tempos impõem e a justiça exige? Quem é que anda a fazer tudo para nos transformar numa sociedade paralítica, desmotivada, incapaz? Quem é que protege os privilégios (“direitos” adquiridos) de uns, contra os direitos de outros – vocês?

    k) A resposta é simples: quem vos anda a lixar é o Carvalho da Silva, a CGTP, o PC, o BE e o PS, todos empenhados em amarrar as novas gerações às grilhetas que as velhas fabricaram, com as trogloditas “justificações” do capitalismo, do imperialismo, da luta de classes, da inveja e da malquerença, de tudo o que pode contribuir para o nosso atraso e a nossa – vossa – desgraça.

     

    Identificados os autores, resta protestar contra eles. Façam-no com força e convicção. E esqueçam, por favor esqueçam, essa peregrina história da “precariedade”. Encarem o emprego como um passo da vossa vida, a caminho de outro qualquer. Não comprem casa logo que ganhem algum. Sejam móveis enquanto podem. Arrisquem. Não tenham medo, a não ser desta horrível gente que vos arruína dizendo que vos defende.

    Se o Louça e quejandos lá aparecerem, digam-lhe que não sustentam parasitas, que se ponham a mexer, que vão pendurar-se a outro!

     

    9.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • LITERATICES

     

    Esta semana, o “Expresso” contemplou-nos com uma publicitadíssima “biografia” de Fernando Pessoa. Muito bem. Obrigadinho.

     

    Duas pequenas observações:

    – A capa do livrinho, que nada deve ao que se chama design gráfico, vem ilustrada com o logótipo da série, com uma fotografia do Poeta e com a sua assinatura. Reza: Prefácio: Clara Ferreira Alves.

    O leitor interroga-se: quem será o autor da “biografia”? O São Lucas?

    Depois, percebe. O “Expresso” dá mais valor e essa altíssima figura da cultura, da inteligentsia e da literatura nacional, a quem devemos a subida “bondade” de nos iluminar com um prefácio, do que ao desconhecido autor do livro que a impressionante deusa prefacia. Que destaque merece o tal autor? Quem é ele? Um tal João Gaspar Simões, que ninguém sabe quem é? Que destaque, sequer menção, merece o seu nome, se não fez mais que escrever um livrinho qualquer que só terá valor por ser prefaciado pela rebrilhante criatura Alves? Nenhum!

    Na página três lá vem, em letra miúda, o nome do tal João Gaspar Simões, por acaso (diz o IRRITADO) o mais importante crítico literário português do século XX. Mas que valor tem, na opinião do “Expresso”, a opinião do IRRITADO?

     

    – Mais engraçado, ou menos, é que o livro não é biografia nenhuma. Como se poder ler no título e subtítulo do autor – Fernando Pessoa, Ensaio Interpretativo da sua Vida e da sua Obra – trata-se de um Ensaio – opinião crítica – não de historiografia biográfica.

     

    O IRRITADO recomenda ao “Expresso”, sem grande esperança de ser ouvido, que reedite a obra, com os seguintes dizeres na capa:

     

    João Gaspar Simões

    FERNANDO PESSOA

    Ensaio Interpretativo da sua Vida e da sua Obra

     

    Prefácio de Clara Ferreira Alves (sem dois pontos no meio)

     

    Disse.

     

    8.3.11   

           

    António Borges de Carvalho

  • NIMAS

     

    Desde que a senhora Canavilhas – raio de nome – resolveu brindar o “cinema português” com mais cinco milhões de euros, muito se tem escrito e dito sobre o assunto. Parece que, por cada bilhete que se vende, os cineastas, seja lá isso o que for, recebem uns 20 euros, ou coisa que o valha. Quanto menos bilhetes se vender mais custará ao contribuinte.

     

    Os “maus” vão dizendo que o “cinema português” é uma chatice, que ninguém se sente atraído por ele, e que os seus autores tratam as pessoas como se fossem parvas. Um deles afirmava que se estava “cagando” para os espectadores. Outro, o mais conhecido de todos, dizia que lhe bastava um espectador que o percebesse para que valesse a pena o “investimento”, quer dizer a despesa do contribuinte. Os “maus” concluem, dizendo-o ou não, que os tipos do cinema são uma cambada de penduras que se diverte com o nosso dinheiro sem produzir nada que mereça um minuto de atenção.

     

    Talvez inspirados no senhor Luís Miguel Sintra, que, um dia, disse que a sociedade tinha a mais estrita obrigação de pagar aos “criadores culturais”, os “bons” contra-atacaram.

    Um exemplo exemplar, passe o pleonasmo:

    Um tal Borges, produtor cinematográfico muito conhecido lá em casa, alega ser falso que “o cinema português” seja “produzido com dinheiros do Estado”. E justifica: os fundos a tal alocados provêm de uma “taxa sobre os bilhetes de cinema”, assim como de outra taxa “cobrada pelas televisões aos anunciantes”. “Nem um cêntimo do orçamento do Estado”, diz o homem. A seguir, porém, desdiz-se: “O orçamento anual de apoios à produção não chega a nove milhões de euros”. Em que ficamos? Oito milhões e tal (não se sabe se integrando os cinco milhões da senhora Canavilhas) são ou não do orçamento do Estado?

     

    Resumindo:

    Você e os seus concidadãos pagam mais caro os bilhetes do cinema americano ou inglês para sustentar o “cinema português”. Você e os seus concidadãos pagam mais caro os produtos que consomem porque, na sua publicidade, há que prover para o mesmo.

    Mas nada disto é despesa do Estado!

    A pergunta seria: você e os seus concidadãos, quando são obrigados a pagar, querem saber se é imposto, se é taxa, ou que é o vosso rico e pouco dinheirinho que se vai?

    Você e os seus concidadãos pagam, em impostos, nove milhões (ou catorze?) para o “cinema português”, coisa que lhes interessa o que interessar, mas para a sustentação da qual não foram tidos nem achados.

     

    Na opinião do “bom” Borges, que finalmente esclarece, o Estado (nós) devia pagar o cinema como paga “a saúde, a educação, a justiça, a tropa…”

    Se não paga a “cultura”, então o “nosso atraso e provincianismo é aterrador”.

     

    O que é aterrador, acha o IRRITADO, é que problemas eventualmente sérios sejam tratados de forma que tão pouco o é.

     

    8.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • DICAS CONSTITUCIONAIS

     

    Finalmente, começam a aparecer algumas vozes a dizer o que há muito é evidente: a III República está esgotada, afogada nos seus limites e nos seus erros de base.

     

    Não há quem ainda não tenha percebido que o sistema político deixou de funcionar, pelo menos desde que o inenarrável e insuportável Presidente Sampaio se achou comandante de tropas e, pouco tempo depois, chegou à conclusão de que lhe era materialmente legítimo dissolver um parlamento onde não havia qualquer sombra de crise, arrastando com isso um governo maioritário ao qual nem sequer quis dar tempo para mostrar valia ou falta dela.

    Estes pontapés na Constituição, e a forma como foram possíveis, vieram demonstrar à saciedade que ela já não nos serve, que o sistema político, sem eira nem beira, é capaz de gerar, e de manter sine die, um monstro como o senhor Pinto de Sousa, sem que haja mecanismos constitucionais que prevejam uma saída para a situação a que a sobredita aberração política e humana nos conduziu.

     

    Ninguém sabe ao certo o que o Presidente pode ou não pode fazer, a começar pelos titulares do cargo. Limitam-se estes a andar para aí em viagem, distribuindo conselhos e beijinhos, a chatear o governo ou a não chatear o governo com vetos pífios (que não servem para nada) e mensagens inócuas, ou a não chatear o governo, ninguém os compreendendo, nem os próprios, num ou noutro dos casos.

    Primeira necessidade, pois, para quem quiser conferir credibilidade e operacionalidade à República: acabar com o Presidente tal como existe, isto é, ou transformá-lo no chefe político da Nação e do governo e, nesta hipótese, elegê-lo com o sistema actual, ou passar conferir-lhe o valor simbólico e protocolar que é dado à esmagadora maioria dos presidentes europeus e, desta feita, subtraí-lo ao sufrágio popular, e fazê-lo eleger, ou pelo Parlamento ou por um colégio a reunir para o efeito.

     

    Perguntar-se-á como, nesta última hipótese – de longe a preferível – se limita o poder do governo criando os necessários “travões” constitucionais. A resposta está dada na maioria dos países europeus onde as instituições funcionam a contento: a criação de uma câmara alta, chamemos-lhe Senado, que sirva de crivo às iniciativas governamentais e parlamentares.

     

    A segunda grande reforma seria a que se refere à “lavagem” das disposições revolucionárias que enxameiam a Constituição, servindo de arma de arremesso a tudo o que é demagogo e inimigo da democracia liberal e, por exemplo, limitando drasticamente a liberdade de julgamento do Tribunal Constitucional. Uma Constituição que coloca entre estreitas baias ideológicas as políticas dos governos e, portanto, dos eleitores que os levaram ao poder, uma Constituição que limita violentamente as opções democráticas, designadamente criando “direitos”, discutíveis ou irrealizáveis, em pé de igualdade como os direitos propriamente ditos, acaba, como esta está acabando, por potenciar, de facto, as injustiças que, de jure, parecer querer evitar, a bem de cartilhas que poucos partilharão.

     

    A terceira alteração de fundo tem a ver com a Justiça. Não há Justiça onde os cidadãos são julgados por miúdos e miúdas de 25 ou trinta anos, sem preparação nem conhecimento da vida e dos meandros da conflitualidade social. Não é possível haver Justiça enquanto os seus agentes forem autorizados a organizar-se em sindicatos, pondo os seus interesses pessoais e de classe, inevitavelmente, à frente dos interesses gerais da sociedade. Não é possível haver Justiça enquanto a lógica corporativa se sobrepuser a todas as outras, resultando, na prática, na inimputabilidade disciplinar dos magistrados, coisa confundia, a cada passo, com a imdependência e a irresponsabilidade que são prerrogativas dos magistrados enquanto acusadores e julgadores, não de forma geral e, por conseguinte, abusiva.

     

    Aqui ficam três dicas do IRRITADO, destinadas a quem vier a ser “pai” da IV República.

    Como é natural que pense quem me ler, tudo isto não passa de wishfull thinking.

    Sobretudo se tivermos na memória a atitude desse pedregulho institucional que é o Partido Socialista, que já uma vez nos levou, com catastróficas consequências, a ficar sete anos à espera de uma reforma simplicíssima. Como do PS nada há a esperar que não seja paralisia política e enquistamento ideológico – nem que seja só para fins eleitorais, quer dizer, demagógicos – é provável que já não seja nos meus dias que alguma reforma digna desse nome venha a ter lugar. Mas enfim, cá fica o que o IRRITADO tem para dar.

     

    E não se ficará por aqui.

     

    7.3.11

     

    António Borges de Carvalho

     

     

    E.T. Ao Dr. Mário Soares: já reparou que as democracias que melhor funcionam na Europa não são nem republicanas, nem  socialistas nem laicas?

     

  • “INSIDE OUTSOURCING”

     

    Noticiou-se por aí, e ainda bem, que o ministério da cultura tem a funcionar uma comissão qualquer que já lhe custou 209.000 euros, generosamente  distribuídos por uns tantos funcionários, à razão de 2.500 euros por mês cada. Acontece que a tal comissão, nos seus brilhantes 14 meses de vida, nunca fez rigorosamente nada. Os seus belos membros põem as culpas para o ministério que não lhes deu “condições”, os tipos do ministério dizem que se trata de “inércia” e de “desleixo”.

    A pergunta é: quantas comissões destas andam por aí?

    A resposta será: muitas, muitas, muitas.

     

    Mas há mais perguntas:

    O que fazem os funcionários, se não são capazes de honrar o seu ofício e só se oferecem para funcionar se lhes pagarem por fora?

    Sendo os ilustres membros desta comissão e doutras comissões, grupos de trabalho, etc., funcionários públicos, porque carga de água recebem 2.500 euros por mês para desempenhar as suas funções?

    Se não as desempenham, porque não vão para a rua?

     

    Muito se tem criticado, as mais das vezes com razão, o recurso estatal ao “outsourcing”. Facto é que não se percebe que um Estado com uma colossal quantidade de empregados, tenha que comprar fora o que eles teriam obrigação de fazer.

    Mas, como nesta comissão, o Estado, para pôr os funcionários a funcionar, presta-se àquilo a que se pode chamar “inside outsourcing”, isto é, compra e paga o que já pagou, e acha muito bem.

     

    Das duas, uma: ou os funcionários não cumprem, e devem ser despedidos, ou os funcionários cumprem, mas são poucos. Como a segunda é absurda, tem que se pensar, muito a sério, na primeira. É que, se alguns vissem os colegas calões a ir à vida, talvez passassem a cumprir o que têm a cumprir sem que o Estado precisasse de “inside outsourcing” nem eles tivessem vários ordenados quando se vêem coagidos a trabalhar.

     

    Tudo se passa de pernas para o ar, ao ponto de o Estado, por regra, pagar o que não deve sem sequer obter nada em troca. Quando o governo fala em cortar despesas, de que estará a falar?

     

    Um pequeno apontamento, de carácter “lateral”.

    O Presidente Chirac está a ser julgado, acusado que foi de ter contratado uns tipos para lhe preparar a campanha eleitoral e de lhes ter pago com dinheiros da Mairie de Paris.

    E por cá? O que se faz à dona Canavilhas, ao PS, ao Primeiro-Ministro? Nada. Nem acusados são, quanto mais julgados!

     

    7.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CARTA ABERTA AO DR. BALSEMÃO

     

    Meu caro Francisco Balsemão

     

    Já viu o que o Costa (Ricardo) anda a fazer ao “Expresso”, admito – pelo que penso de si – que sem o seu aval?

    Já viu o mijarete das intermináveis primeiras páginas, páginas dois, e três e mais não sei quê, dedicadas a fait divers sem ponta de interesse, as bocas colhidas em coqueteiles de chacha, as velharias que toda a gente sabe, ou calcula, ou pensa, as patacoadas diplomáticas sem nenhuma relevância com que boa parte do seu jornal se entretém?

    Já viu a trafulhice imensa das “negociações”, leia-se das compras de material roubado com o simples critério do roubo, coisa que nada tem a ver com investigação jornalística nem com jornalismo sério?

    Já viu as ginásticas malucas que os seus empregados fazem para “justificar” o injustificável?

    Já viu, ou ouviu, os malabarismos intelectuais com que os seus homens tentam meter na cabeça de cada um que se pautam por ininfringíveis princípios deontológicos, sinal evidente de que sabem, tão bem como você e como eu, que não se vêm pautando por princípios nenhuns? Se assim não fosse, precisavam de os proclamar?

       

    Veja lá se mete aquela gente na ordem. Olhe que é mais fácil perder prestígio num dia do que conquistá-lo em anos.

     

    Com a amizade e a pena do IRRITADO.

     

    7.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • INFORMAÇÃO

     

    Ora olhem para isto:

     

    O jornal privado chamado “Público”, na sua edição de ontem, páginas 4 e 5, parangona:

    – Como as revoltas árabes mataram a narrativa da Al-Qaeda.

    E destaca:

    – Estas revoluções foram travadas sob slogans heréticos para os jihadistas. A Al-Qaeda tem tentado aproveitar o novo cenário com a sua propaganda, mas no mundo árabe já ninguém liga ao que Bin-Laden diz, afirma Jean-Pierre Filiu;

    – O argumento da Al-Qaeda de que era preciso expulsar os Estados Unidos da região antes de ser possível promover qualquer mudança é simplesmente errado.

     

    Na página 6:

    – Mudança no mundo árabe, guerra civil visa usar e reforçar a lógica da jihad;

    – Islamistas radicais vieram do Egipto para ajudar os líbios “com o coração” e lutar pela lei de Deus;

    – Com um regime muito fechado, a Líbia é mais vulnerável aos fundamentalistas.

     

    Em que ficamos? Há, ou não há, perigo de tudo vir a cair nas garras dos fundamentalistas? Qual é a tendência prevalecente? A Alcaida está na jogada, como diz a página 6, ou não tem nada a ver com o assunto, como dizem as páginas 4 e 5?  

     

    Às vezes, justificar-se-ia alguma coerência, ou alguém que fizesse a bissectriz. A tradição portuguesa de os jornais não terem opinião não é o contrário do desejável?

     

    7.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PANO OU NÓDOA?

     

    Diz-se que no melhor pano cai a nódoa, o que significa que ninguém está livre de fazer qualquer coisa ilógica em relação à sua postura habitual, coisa que prejudica o crédito de quem a usa ou faz, às vezes nem sequer entendendo que de uma nódoa se trata.

    Vem isto a propósito da publicação, pelo “Expresso”, de material roubado pelo senhor Assanje, através da associação de malfeitores que criou, a Uiquiliques.

     

    O “Expresso” é um jornal de inquestionável qualidade gráfica, um órgão importante na evolução política e social do país, o semanário que mais se vende e mais se lê.

    Qualidades de excepção que não impedem que o jornal tenha sido veículo de intrigas, de “mensagens” com efeitos políticos, de criação de factos, tudo isto sobretudo sob a batuta Marcelo R. de Sousa, incontestável rei do nacional-intriguismo. Melhorou após a queda deste senhor, mas manteve visível tendência para certos recados ou para reprodução, acrítica ou interessada, de mensagens de agências e de lóbis, sobretudo no caderno de economia. Nada disto invalida, porém, o valor ou a credibilidade do “Expresso”. Trata-se de pequenas nódoas que não mancharão demais o bom pano.

     

    O caso Uiquiliques constitui porém uma monumental machadada na honra do jornal e de quem o compra e lê.

    O “Expresso”, em plena consciência, terá adquirido aos respectivos receptadores materiais provenientes de actividades criminosas, de repugnantes deslealdades, de inacreditáveis abusos de confiança, materiais cuja origem conhece, materiais que põem em causa a segurança das comunicações diplomáticas e, por conseguinte, que minam um dos pilares de uma vida internacional segura e saudável.

     

    Poder-se-ia alegar que as revelações feitas são de irrefutável interesse nacional e tão importantes que conferem legitimidade aos meios usados para atingir fins cruciais para a nossa informação ou para a nossa segurança.

    Que de importante dizem tais informações?

    Que havia um embaixador dos EUA que embirrava com o Dr. Machete.

    Que o mesmo embaixador, por certo algum suporter financeiro do senhor Bush totalmente ignorante em relação à tradicional política do seu governo, com Bush ou com Clinton, com Kenedy ou Reagan, com democratas ou republicanos, achava que Portugal não devia comprar fragatas, submarinos ou o que fosse – sobretudo se fosse adquirido fora dos EUA…

    Que importância têm os telegramas revelados? Zero! Mas o “Expresso” faz disto a comemoração das suas 2.000 edições, sem outro critério que não seja o de causar mediático frisson e de minar uma das poucas coisas em que, apesar de tudo, ainda há algum consenso político em Portugal.

    Com que direito? O de informar? Certamente que não. O de revelar coisas importantes? Ainda menos. O de vender jornais? Talvez.

     

    Há momentos em é legítimo pensar que a nódoa que cai no pano é tão grande que passa a não se saber se ainda há pano ou se já há só nódoa.

     

    1.3.11            

     

    António Borges de Carvalho

  • LÁ VEM A MARRETA OUTRA VEZ

     

    O nosso intolerável primeiro-ministro e o seu inacreditável número dois anunciaram que vão lançar mais medidas de austeridade.

    Coitados, têm razão. O senhor Pinto de Sousa vai ser recebido em audiência pela dona Ângela. A dona Ângela não é parva, sabe perfeitamente que o tipo não é de confiança e quer segurar o dinheirinho dos seus próprios contribuintes caso venha a cedê-lo a esta gente.

    Por isso, preparemo-nos alegremente para levar mais uma marretada.

     

    O Estado socialista, esse, é para guardar tal e qual como está. Nem uma palavra sobre o corte da despesa, que continuará a sua brutal marcha para o (nosso) abismo.

    Talvez o governo anuncie que vai extinguir umas “agências publicas” – nome genérico – sobretudo as que já estão extintas ou que nunca chegaram a existir. Não seria a primeira vez. Os milhares de outras que por aí vicejam (mais de 14.000!!!) sem que sirvam senão para duplicar, triplicar ou quadruplicar instâncias estatais ou autárquicas, continuarão a vicejar. As ditas instâncias, por si, também não devem servir para nada – senão as “agências” não eram “precisas”…

     

    O senhor Pinto de Sousa chegará a Berlim com um pacote debaixo do braço, para oferecer à dona Ângela. Dentro do pacote, mais receita: mais impostos, mais perseguições à economia, mais recessão, mais a venda da TAP, se alguém a comprar, mais uns palácios em hasta pública, mais receita, mais receita, mais receita.

     

    O estado socialista não vai deixar cair os boys, coitados, que têm visto aumentar os rendimentos via cargos, comissões, reuniões, grupos de trabalho (só desde Janeiro, já lá vão mais 40!), empresas municipais, “agências”, um imenso universo de ruinosa rebaldaria.

    Nos boys não se toca.

    Porquê?

    Seria útil fazer um estudo sociológico – sociólogos é o que está a dar – sobre a natureza dos 25% de votos que as sondagens ainda dão ao PS, e ver, nestes, qual o peso dos boys ou equivalentes. Ficaríamos com uma noção das razões que levam a desgraça que nos governa a não tocar na despesa.

     

    Dona Ângela devia pensar duas vezes antes de, sequer, apertar a mão ao senhor Pinto de Sousa.

    Devia perceber que não é com mais marretadas na cabeça das pessoas que a economia reanima e que se pode criar condições para pagar o que se deve e vai dever.

    Devia puxar as orelhas ao fulano e perguntar-lhe o que tenciona fazer ao monstro estatal que construiu e continua a alimentar e a inchar.

    Devia mandá-lo extinguir todas as comissões, todos os grupos de trabalho, todos os altos-comissários, todas as autoridades, todas as empresas públicas, e por aí fora.

    Devia obrigá-lo a pôr o Estado e as autarquias a desempenhar as funções que lhes competem sem recorrer a parasitas.

    Devia proibi-lo de lançar mais impostos.

    Devia obrigá-lo a abolir as leis celeradas que criou, por exemplo as que transformaram as finanças em instância judicial, as que esmagam direitos elementares, as que ajudam a Justiça a criar injustiça.

    Devia aconselhá-lo, com caridade e firmeza, a ir para casa, a não arruinar mais o país, a não achar que precisamos dele, nós ou a Europa.

     

    Não é com pus que se trata feridas.

     

    1.3.11

     

    António Borges de Carvalho

  • NOTÍCIAS DO FIM DE SEMANA

     

    Na senda do seu primo Louçã, o camarada Jerónimo veio anunciar que a sua moção de censura foi criteriosamente concebida para que o PSD a não possa votar.

    Bom seria que o PSD percebesse a mensagem e a votasse mesmo, ainda que explicitando outros motivos. É que, com este PR e com a actual configuração da Assembleia, ou vai desta ou arriscamo-nos à maior das desgraças, que é o Pinto de Sousa  se aguentar até ao (nosso) fim.

    À atenção de Pedro Passos Coelho.

     *

    Afinal, há só 300.000 desempregados! É que, segundo um estudo qualquer, 300.000 portugueses têm dois empregos. Se há 600.000 desempregados… basta o Pinto de Sousa proibir o segundo emprego para reduzir o desemprego a metade! Se o tipo descobre…

     *

    Em 1994 havia 821 meritíssimos juízes. Em 2009, passaram a 1311. Os processos que tal gente concluiu foram, em 1994, 850.000. Em 2009, 820.00. Em 1994, cada juiz finalizou 1029 processos. Em 2009, 478.

    Quando se fala em produtividade… encontramos a magnífica obra dos absurdos (ou criminosos?) sindicatos…

     *

    Quando V.Exª se senta no cinema a ver um filme português nem sonha que, para além do preço do bilhete, você e os seus concidadãos pagam 36 euros em subsídios do Estado. Se acrescentar que a esmagadora maioria dos filmes portugueses são uma horrível chatice, fica com uma noção clara do que é a demagogia cultural em que vivemos. O estado, em vez de premiar obras de boa qualidade e bom público, gasta o nosso dinheiro a sustentar penduras.

     *

    Conhece um advogado de seu nome Domingos Lopes? Não conhece, nem você nem ninguém. Pois é nessa qualidade que o fulano escreve prosas ultra-estalinistas no jornal privado chamado “Público”. Se, em vez de advogado, se apresentasse como um dos mais renhidos próceres do PC, que é o que ele é, talvez ficássemos mais esclarecidos.

     *

    O inacreditável quão douto Noronha do Nascimento ameaça o juiz Carlos Alexandre com um processo disciplinar e um pedido de indemnização, caso o homem não destrua as escutas Vara/Pinto de Sousa, que estão no processo “face oculta”. Vêem onde pode chegar a politização da justiça? O IRRITADO, quando tiver tempo, pronunciar-se-á sobre este assunto com mais algum detalhe. Mas fica, desde já, o aviso.

     *

    A Autoridade da Concorrência, do alto do seu alto valor como “regulador” por conta do Pinto de Sousa, anunciou que não investiga os preços dos combustíveis. Por outras palavras, acha que a desculpa para os cartelizadíssimos aumentos – o preço do petróleo – serve quando sobe, mas não quando desce. Pensem nisto: o imposto sobre os combustíveis é ad valorem, e concluam que o principal membro do cartel é o governo. Quanto mais caro, mais impostos… a “autoridade” deve estar por conta…

     *

    As vozes do Estado “Social”, a começar pelo PS, passam a vida a vituperar a existência dos recibos verdes, e a falar, cheios de caridade, sobre os infelizes que os emitem. Esquecem o pormenor de dizer que o principal “patrão” dos recibos verdes é o Estado “social”, as câmaras municipais e os milhares de organizações estatais e para-estatais que por aí vicejam. Por outro lado, as finanças, que não devem fazer parte do Estado “social”, atiram-se que nem feras enraivecidas aos infelizes dos recibos verdes. Ao ponto de terem concluído que há 64.000 pessoas que não pagam impostos ganhando mais do que a astronómica quantia de 2.515 euros… por ano! Canalhas! Viva o Estado “social”!

     

    28.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PARA O INTENDENTE, RAPIDAMENTE E EM FORÇA!

     

    A Câmara de Lisboa, apesar de inúmeras sessões de propaganda, continua a ser o monstro burocrático que sempre foi, o consumidor de impostos que sempre foi, o empata que sempre foi, o buraco financeiro que sempre foi, o inimigo público que sempre foi. O esforço de Santana Lopes para alterar as coisas há muito se perdeu, com a tropa fandanga do Costa, da Roseta, do Fernandes et alia a espalhafatar demagogias mais ou menos idiotas.

     

    A última grande decisão do nosso presidente foi, calcule-se, mudar-se para o Intendente. O magnífico edifício da Praça do Município, o belíssimo quão funcional gabinete do Presidente, a dignidade da cidade, nada disto conta para o Costa.

     

    Mudar-se para o Intendente porquê, para quê?

    Segundo a filosofia costo/roseto/fernandina, trata-se de “recuperar” o Intendente, zona mal afamada de droga, prostituição barata e negócios afins. Supõe-se que, por estar ali a Presidência, a droga, a prostituição e os negócios afins vão desaparecer. Donde se conclui que, se se trata de erradicar tais fenómenos, melhor seria o Costa fazer mais uns gabinetes, por exemplo no Casal Ventoso, no Bairro da Liberdade, na Musgueira e noutros locais de quejanda fama.   

    Para quê? Nesta matéria a filosofia camarária não diz grande coisa. Podem os lisboetas pensar o que quiserem. O IRRITADO pensa que se trata de tomar conta das facilities da fábrica “Viúva Lamego”, de gastar um balúrdio em obras, decorações, infra-estruturas técnicas, estacionamento subterrâneo, modernices e modernidades, tudo com o eventual objectivo de… gastar o dinheiro que a CML, apesar de mais ou menos falida, deve ter com fartura(?).

     

    Reza a viquipédia que a fábrica se mudou para Sintra em 1992. Reza outrossim que o seu velho edifício é um de “imóvel de interesse público”, coisa que, diga-se entre parêntesis, nem a própria Câmara sabe o que quer dizer.

    Como entrou a Câmara na posse do prédio é coisa que o IRRITADO desconhece. Que “interesse público” tem o edifício, para além da fachada de azulejos, é coisa que o IRRITADO sabe não existir.

    Quer isto dizer que o Costa vai construir um edifício novo por trás da fachada histórica. Uma fortuna. Para quê? Para duplicar serviços que já estão bem instalados noutro sítio e que, por causa de um incêndio, foram objecto de obras milionárias.

     

    A maledicência alfacinha dirá que o Costa quer ir juntar-se aos “seus” no Intendente. O IRRITADO nem por sombras chega a tal ponto. Mas aceita que, para quem pensar neste assunto, é muito difícil encontrar qualquer justificação para tal e tão ridícula parvoíce, tal e tão clara irresponsabilidade, tal e tão evidente pisar dos interesses da cidade.

     

    27.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • “PRETUGUÊS”

     

    “O amante apanhado nas garras do amor romântico comporta-se como um adicto, seguindo a mesma linha de conduta”.

    Esta frase, mais ou menos ininteligível, lead de um artigo de jornal, chamou a atenção do IRRITADO para o que julga ser um neologismo, a palavra “adicto”, inglesismo tão inútil (em português diz-se dependente), quanto desagradável para quem lê ou ouve.

    Os dicionários já adoptaram a palavra, ainda que não tenham passado dela, isto é, não tiveram a coragem de fazer o mesmo com adictar ou adicção. Paciência.Não passa o establishment o tempo a falar de implementação?

     

    Esta irritação despertou outras, por todo o lado recorrentes, dos jornais aos livros, das televisões às rádios, dos escritores aos criativos da publicidade, dos analfabetos aos Prof’s.

    Senão, vejamos:

    – Nos tempos em que o português se prezava da sua lógica interna, ninguém se atreveria a pronunciar pêlo para exprimir a contracção de por com o. Os professores de português, antes da ponteirada no toutiço, costumavam dizer: “Pêlo? Pêlo de quem? Do cão?”, coisa que muito atrapalhava as criancinhas. Hoje há pêlos e pêlas por tudo quanto é sítio e ninguém se importa com isso, a começar pelos professores;

    – Se eu dissesse “esta caixa é em ferro”, o professor aplicava directamente a ponteirada. Depois invectivava: “Diga lá o meu menino onde está a caixa. Em Ferro? Não conheço nenhuma terra com esse nome!”. O menino fazia beicinho e, lembrado dos ensinamentos recebidos, diria “desculpe senhor professor, de ferro, a caixa é de ferro”. Hoje, por toda a parte se fala de “motores em alumínio”, “caixotes em madeira”, etc., sem que seja quem for mexa uma palha, a começar pelas escolas;

    – Os infinitos antecedidos da preposição a (correspondentes a gerúndios) jamais seriam admitidos no plural. Hoje são o pão nosso de cada dia. “A verem o filme, estavam contentes”, “Eram muitos a ofenderem-se”, e por aí fora. “As luzes a acenderem-se e a apagarem-se” – meu Deus, esta, como muitas iguais, é do António Lobo Antunes, génio que tem um rebanho de catedráticas a rever-lhe os textos!!!

    – O mesmo com para, por, sem, etc.: “Foram a exame para passarem”, “Casaram por se amarem”, “Sem saberem as regras do jogo, enganaram-se”…

    – O pleonasmo, coisa condenadíssima quando havia gramática, tornou-se hábito e está em plena expansão: “Parece-me a mim”, “Estou confrontado com”, “Antes prefiro”…

    – E os verbos a concordar com o complemento directo em vez de concordar com o sujeito? “Vendem-se andares”, “Compram-se jóias”…

     

    Há mais, há muito mais. Irritações para quê? Se calhar vale mais achar que a dona Edite Estrela é uma grande filóloga, que as catedráticas do António são o máximo, que a alma é pequena e já não vale a pena.

     

    26.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • OS AMIGOS SÃO PARA AS OCASIÕES

     

    Não sei se já repararam na forma “suave” como o senhor Pinto de Sousa e seus áulicos tratam as revoltas do Norte de África, sobretudo a da Líbia.

    Compreenda-se. É triste ver criticar acerbamente um amigo com quem se partilhou a tenda, que se recebeu em casa, a quem se cedeu um monumento nacional para se instalar, cujas festas se frequentou, um homem que se abraçou com honra e prazer, por ser escovado pelos escravos e reagir à porrada, como compete. Um homem que já tinha sabido mostrar o seu poder mediante um atentado contra um avião civil do inimigo eleito, um homem que – que exemplo! – se preparava para legar o poder aos seus filhinhos mostrando assim os seus elevados sentimentos, um homem tão bem arranjado, tão bem cheiroso, um homem que dava exemplares do Corão às putas italianas, um homem…

    É por causa da merecida consideração que este grande homem merece ao nosso governo que o nosso governo não alinha na universal condenação dos seus métodos, práticas e ideias, antes comenta com excepcional bonomia, cristã caridade e assinalável atraso, os acontecimentos que o põem em causa.

     

    Quando correu o boato que o coronel tinha fugido para a Venezuela, o IRRITADO, plein de joie, almejou que o senhor Pinto de Sousa fosse ter com aqueles que publicamente são os seus maiores amigos. Seria um trio de excelência, a iluminar o nosso mundo!

    Tal não sucedeu, infelizmente.

    Mas a luta continua, não é?

     

    25.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • VIAGEM AO MUNDO DOS CANHOTOS

     

    Não sei se o IRRITADO já contou esta história. Mas, ao ouvir a palinódia de um tal Pureza(?) no Parlamento, ela veio-lhe à memória.

    Numa primaveril manhã dos idos de 78 ou 79 (o IRRITADO ainda não tinha nascido) desembarcava este vosso criado na estação de Campanhã, para um dia de trabalho na cidade invicta.

    Umas dezenas de pessoas esperavam no cais, empunhando bandeiras vermelhas. Não eram bandeiras do PC, do PS, do MRPP ou de quejandos. Que bandeiras seriam?

    De uma carruagem, vejo então sair um magote de tipos mal vestidos – parecia que se tinham ataviado no tempo da guerra e nunca mais tinham mudado de fatiota.

    Os fulanos das bandeiras desataram aos gritos: PTA, PTA, PTA! Fiquei banzo. Mais um partido? Mais comunas, socialistas ou outros tipos de camaradas? Ainda não temos que chegue?

    A turba abraçava os recém-chegados com esfusiante alegria. Os visitantes olhavam para a estação como se fosse a Catedral de Colónia e deixavam-se abraçar, meio aparvalhados. Percebia-se que não se entendiam uns aos outros. Que língua falariam?

    Perguntei a um dos embandeirados o que era aquilo. Era a UDP a receber os camaradas do Partido do Trabalho da Albânia, PTA, PTA, PTA!

    Esclarecido o mistério, fiquei a pensar como era possível ser-se estúpido ao ponto de, em nome do socialismo, apoiar entusiasticamente os sequazes do mais horrível e miserável país da Europa, governado por um tirano, um feroz e sanguinário canalha. Havia, no entanto, que reconhecer que a Albânia era o socialismo na sua mais alta e autêntica expressão. Compreendi. Dei a mão à palmatória.

     

    Anos mais tarde, a malta da UDP viria a juntar-se aos nacionais próceres do “socialismo revolucionário”, grupelho que, com Trorsky como orago e Louçã como chefe, andava por aí, há anos, aos papéis. O parzinho acabaria por anexar uma outra organização, confessamente bolchevista que, sob a batuta de Portas (Miguel), publicava um jornaleco, de seu nome “Política XXI”, nome próprio da organização.

    O ramalhete assim formado viria a constituir-se em partido político e a intitular-se Bloco de Esquerda.

     

    O Bloco de Esquerda foi capaz de arregimentar uns tipos que estavam chateados com o PC, mais umas senhoras gordas, palavrosas e mal vestidas, umas meninas todas bonecas, uns intelectuais sem emprego na política, uns rapazes precocemente envelhecidos, etc. Com esta malta e muito paleio, convenceu não poucos portugueses a presenteá-los com um grupo parlamentar inigualável, uma vez que consegue o bíblico milagre da sua própria multiplicação, o que lhe permite apresentar caras novas todos os dias na AR, as mais delas que ninguém elegeu mas que se sentam no hemiciclo à vez e ganham o ordenadinho como se o tivessem sido. Genial!

    É deste ventre que sai o tal Pureza a fazer discursos de alta ortodoxia democrática, condenando regimes socialistas, tais o do coronel Cadáfi, o do camarada Hu e o do social-trafulha Chávez, quiçá porque não são suficientemente socialistas.

     

    Sem jamais terem feito o mea culpa do seu passado de torcionários dos valores democráticos, os tipos do Bloco têm a lata de se fazer passar, hoje, por indefectíveis arautos deles. Comunistas, eles?, nem pensar! Como se, com três ovos podres, se pudesse fazer batatas fritas! Um exemplar alarde da mais repenicada trafulhice ideológico-propagandística.

     

    Não se apresenta o PC também com a boca a regurgitar “democracia”, como se tivessem alguma coisa a ver com o assunto? Apresenta sim senhor. Mas o PC mantém o trogloditismo estalinista que se pode ler no Avante!, e vai deixando escorrer a verdade em coisas tais que a daquele rapaz gorducho que acha a Coreia do Norte um paraíso dos direitos humanos. O PC tem o rabo de fora e só engana quem quer ser enganado.

     

    Com o Bloco a coisa é outra. O Bloco disfarça muito melhor. E, como não tem, que se saiba, parceiros “institucionais” no estrangeiro, dá-se ao luxo de condenar os colegas de ideologia, a fim de convencer os papalvos da sua fidelidade a princípios em que, evidentemente, não acredita.    

     

    O que uma pessoa tem de aturar!

     

    25.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CONTAS SOCRALDRABONAS

     

    Como é do conhecimento geral, o senhor Pinto de Sousa tem proclamado aos sete ventos que está, por excesso!, a cumprir as suas promessas orçamentais, aquelas, lembram-se?, que fizeram com que o Dr. Passos Coelho desse a esta gente um completamente absurdo benefício da dúvida.

     

    Vistas as coisas por quem sabe, a verdade é a seguinte:

     

    A receita em impostos directos, em Janeiro, aumentou 26% em relação a Janeiro do ano passado, cifrando-se em 253M€, diz o PM.

    Estes 26% devem-se à receita de IRC (mais 153,4% em relação a Janeiro de 2010);

    Os impostos indirectos deram um valente contributo:

      Imposto sobre veículos: mais 59,9%

      Imposto de circulação: mais 46,4%

      IVA: mais 60 milhões de euros.

    Procurando a origem destas brutais cobranças, teremos:

    A de IRC deve-se às distribuições antecipadas de dividendos (estão a ver porque é que o governo não se chateou nada com tais distribuições?).

    Os 60M€ devem-se às vendas de automóveis, em Dezembro, à antecipação do aumento do IVA e ao fim dos incentivos à compra de veículos.

    Conclusão: a esmagadora maioria da descida do défice (398M€) fica a dever-se a receitas não recorrentes, por isso “extraordinárias”.

    A receita contribuiu com mais de 90% para a quebra do défice, reconhecem os “governantes”, ainda que não se perceba bem como tal aconteceu, já que a despesa aumentou.

    O governo comprometeu-se a conseguir a quebra do défice através (1/3) de aumento da receita e (2/3) da descida da despesa. O governo não cumpriu.

    A despesa efectiva subiu cerca 1%. O governo não cumpriu.

    A despesa com o pessoal, apesar da baixa dos salários da função pública, cresceu 4,9%. O governo não cumpriu.

    Os juros pagos aumentaram 23%. Neste particular não se pode dizer que a culpa seja do governo, a não ser por ter conduzido o país à miserável situação em que se encontra e por, ainda por cima, andar a embandeirar em arco por ainda haver quem compre a dívida.

    Com os juros consistentemente acima dos 7%, o governo contabiliza a 6,4%. Contabilidade criativa?

     

    Perante isto – as contas não são do IRRITADO – de que está o PR à espera para pôr esta gente na rua?

    Será que está a contar com o voto do PC numa moção de censura do PSD ou do CDS? A que preço?

    De que está o Dr. Passos Coelho à espera para exigir do PR a dissolução da Assembleia?

    Acharão, um e outro, que, “lá fora”, ainda há quem acredite nesta gente?  

    Ainda não perceberam que a dona Ângela jamais dará o braço a torcer – se der – enquanto correr o risco de pôr dinheiro nas mãos desta gente?

    Ainda não perceberam que vivemos na “estabilidade” mais instável de que há memória?

    Ainda não perceberam que, ou se reduz o PS à dimensão que merece, ou seja, a 10 ou 15 por cento, ou o país não tem salvação?

     

    Vá lá, meus senhores, pensem um bocadinho que não lhes faz mal nenhum.

     

    23.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ESTE PAÍS NÃO É PARA QUEM TEM JUÍZO

     

    Respiguemos os destaques da monumental entrevista com que Sua Excelência o Procurador Geral da República nos presenteou:

     

    1 – Lamento que os políticos continuem a tentar resolver problemas políticos através de processos judiciais;

     

    2 – Fiz um comunicado em que disse: não há nada até este momento contra o primeiro-ministro. A partir daí a imprensa inverteu e desatou a atacar o procurador;

     

    3 – As escutas (Vara e Sócrates) que passaram por aqui foram destruídas. O resto não sei;

     

    4 – O segredo de justiça, em Portugal, é uma fraude, não há segredo de justiça nenhum!;

     

    5 – A República tem que arranjar leis que a defendam (das escutas ilegais) ao nível do aparelho de Estado.

     

    Aqui temos uma amostra do “pensamento” desta altíssima figura do nosso sistema judicial.

     

    Numa análise rápida:

     

    1 – A asserção verdadeira devia resultar da inversão da frase: é de lamentar que o PGR utilize as suas funções para proteger políticos aflitos ou suspeitos, resolvendo problemas judiciais com critérios políticos;

     

    2 – Ao safar, como confessa, o primeiro-ministro, o PGR põe em causa e desmente, com critérios políticos, os seus subordinados que tinham seguido critérios judiciais;

     

    3 – O PGR confessa que não faz a menor ideia se há ou não há, por aí (nos seus próprios serviços!) cópias das escutas;

     

    4 – Se o segredo de justiça não existe é porque ele, os seus serviços ou os seus subordinados não o respeitam;

     

    5 – A República deve proteger os cidadãos de escutas ilegais, e não só o aparelho de Estado!

     

    O PGR há muito devia ter sido substituído por alguém que, pelo menos, tivesse uma dose razoável de bom senso.

    Depois desta entrevista, que está o senhor a fazer no palácio? A resposta é: está a demonstrar que o país, no que à justiça diz respeito, há muito que não existe, e a proclamar aos sete ventos que os problemas da justiça começam ao mais alto nível. Ao nível dele e ao nível de quem lá o segura.

     

    21.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • MALDITA EUROPA!

     

    Os nossos ilustres governantes descobriram que a culpa de todos os males que afligem a Nação é da Europa.

    A culpa já foi do Cavaco, do Barroso, até do Santana. A culpa já foi dos EUA e da sua crise. Já foi dos mercados, da economia de casino (Mário Soares dixit), do preço do petróleo, do diabo a quatro.

    Quando o IRRITADO pensava que a culpa viria, a curto prazo, a ser do “aquecimento” global, do Benfica ou do amigo banana, eis que a inteligentsia governamental descobriu o verdadeiro, o único, o mais terrível culpado: a Europa!

     

    Vejam o que diz o poder:

     

    o enfrentar desta situação implica uma resposta europeia

    (gajo do beicinho à banda);

    o conselho europeu estará em condições de uma vez por todas dar um sinal claro

    (criatura de cabelo à escovinha das finanças);

    Portugal está e continuará a fazer o seu trabalho. A Europa é que tem ficado aquém

    (rapazito de barbas que vem todos os dias à TV dizer aldrabices).

     

    Interpretando:

    O governo trabalha afincada, honestamente e com enorme sucesso, para combater a crise – como demonstra, por exemplo, a 14ª visita do primeiro-ministro às obras do túnel do Marão;

    O governo, qual alfaiate, toma “medidas” – como demonstra, por exemplo, a inauguração de um lar da terceira idade, pelo primeiro-ministro, em Bragança;

    O governo sabe que a situação económica é óptima, como demonstram, por exemplo, as últimas 432 declarações do primeiro-ministro;

    O governo tem um sucesso formidável a vender papéis de crédito a preços altíssimos, como demonstram à saciedade, por exemplo, as múltiplas afirmações de grandes vitórias financeiras que o primeiro-ministro anuncia dia sim dia não.

     

    Quem lixa tudo é a Europa!

    A Europa, capitaneada por governos de direita (só os países de sucesso têm governos de esquerda, como a Grécia, Portugal e a Espanha), insiste em não acreditar nas inteligentíssimas políticas do governo, há seis anos em gloriosa marcha para um futuro brilhante, futuro em que só ele acredita porque só ele tem razão.

    A Europa ameaça! Com quê? Com a necessidade de haver quem tome conta disto. Canalhas! Não sabem que quem toma conta disto é o governo?

     

    Apesar do maravilhoso governo que temos, todos somos vítimas dos malefícios da Europa, pasto que é de gente de direita, de agiotas, de incompetentes e de inimigos da nossa bela Pátria.

    E ainda há quem queira acabar com o governo, quando, ao invés, se devia era acabar com a Europa!

     

    20.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PRECARIEDADE

     

    O IRRITADO assistiu ontem a um espectáculo verdadeiramente aterrador.

    Cinco fulanos, da esquerda e da direita, e um rapazola de uns vinte e poucos anos, discutiam a “precariedade”.

    Os cinco, de um ponto de partida ou de outro, tentavam explicar ao rapaz o que se passa no mundo do trabalho. Diziam-lhe que as coisas estavam mudadas, cá dentro e lá fora, que a chamada segurança do emprego, enquanto intocável “direito”, tinha deixado de existir – onde existia – e que as novas gerações tinham que lutar pela vida.

    O rapaz não entendia ou não queria entender. Para ele o emprego é uma coisa que se tem, um direito constitucional que a sociedade deve a todos, direito que se exerce para toda a vida, seja quem for que o garanta. Despedir alguém, para a mentalidade do jovem, é um caso de polícia.

    Baldados foram os esforços para o fazer perceber que o exercício do “direito ao trabalho”, pelo menos interpretado segundo os cânones que ele considera aplicáveis, é causa de imobilidade social, garantia de insucesso, fonte de problemas não de soluções.

    Nada a fazer. O rapaz era – é – um produto acabado de mais de 35 anos de ilusões e de estupidez constitucional, legislativa, governamental e social. O rapaz era – é – o resultado da prática de “direitos”, ditos “sociais”, que de direitos pouco têm, no sentido em que nada nem ninguém pode garantir a sua perene aplicação.

    Os odiados recibos verdes, os contratos a prazo não renováveis enquanto tal, são a inevitável consequência da rigidez laboral. Não serão ultrapassados enquanto não houver flexibilidade, liberdade de contratação e de despedimento, enquanto o mercado do trabalho tiver regras desumanas, amarrando a empresa ao empregado e este à empresa, enquanto a sociedade se não convencer que ter a ambição de progredir na vida é coisa saudável e que ter sucesso implica esforço e tenacidade, liberdade de escolha e de mudança, além de capacidade de adaptação a situações menos compensatórias. Se a ambição de progredir na vida se limitar à obtenção de “actualizações” e diuturnidades, então as pessoas, as economias e as nações pouco podem esperar do futuro.

    A fonte primeira do desemprego, da falta de produtividade e da paralisia social e laboral que nos vem há tantos anos arruinando, é a rigidez do emprego, entendida como “segurança”. Segurança que, está provado, leva ao marasmo, à irresponsabilidade e à insegurança total, em prejuízo da liberdade e da responsabilidade. Para além, é evidente, de se negar a si própria, por insustentável e absurda

    Se o empregador “normal” fosse livre de reformular como entendesse a sua força de trabalho (o que não impede indemnização razoável e devida a quem é substituído), o empregado sentir-se–ia motivado a progredir no emprego ao mesmo tempo que procuraria sem cessar outro melhor. Não há empregador que despeça um empregado de que precisa!

    O prazo é elemento fundamental de qualquer contrato. Sem prazo, não se pode chamar contrato a uma relação. Em Portugal é, porém, o pão nosso de cada dia, sucedendo não só no mercado de trabalho mas em outras zonas da nossa vida social, de que o arrendamento é exemplo feroz e ruinoso.

     

    O rapaz que vi e ouvi ontem à noite é um dos promotores de um protesto, já com 11.000 aderentes, protesto “apartidário, laico e pacífico”, reivindicando o “direito ao emprego”, o “fim da precariedade”, a “melhoria das condições de trabalho” e o “reconhecimento das qualificações”.

    Aí está. Tudo de pernas para o ar. Vítima de 35 anos de socialismo, a nova geração não reivindica a criação de emprego mas o emprego como “direito”. Não se entusiasma com o alargamento de oportunidades mas quer o fim da precariedade (o emprego para a vida mesmo que o posto de trabalho não exista). Não exige justa retribuição em função do valor do trabalho exercido, antes a quer fundada nas “qualificações”.            

     

    (Entre parêntesis, diga-se que é evidente que o falso recibo verde é uma pantomina. Mas é uma pantomina que a “segurança” que a lei impõe fabricou, encoraja e faz prosperar. E que, ainda por cima, serve de pretexto ao governo para taxar brutalmente o trabalhador com o mais que perverso argumento da “luta contra a precariedade”.)

     

    É muito triste que a nova geração ainda veja as coisas pelos prismas viciados que o socialismo criou e incentiva. É muito triste ver a juventude condenar-se a si própria a um futuro sem esperança.

     

    Querem manifestar-se? Muito bem. O IRRITADO aplaude. Primeiro, porém, terão que rever todos os seus objectivos intermédios, se quiserem chegar mais perto do objectivo final: uma vida melhor.

     

    19.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PUBLICIDADE ENGANOSA

     

    Andam para aí os jornais todos contentes a dizer que foi descoberto o “segredo” da Coca-Cola.

    Dito de outra maneira, a Coca-Cola arranjou uma forma de aparecer em todos os jornais do mundo, dias a fio, sem pagar um tostão. Ele é a “receita” encontrada num livrinho de apontamentos de um tipo qualquer que morreu há 150 anos, reproduzida como por encanto em inúmeras línguas, ele é fotos de garrafas em todas as posições e situações, ele é “explicações científicas” sobre a verdadeira natureza da mistela, sei lá, tudo repetido à exaustão, noticiado, “revelado”, como se fosse um segredo de Estado ou uma boca do Uiquiliques.

    Presume-se que o inventor desta campanha tenha ganho uns milhões, gostosamente pagos pela “casa-mãe” da Coca-Cola. Bem o merece.

    Devia, igualmente, merecer o Nobel da trafulhice, vencendo aos pontos o Pinto de Sousa e seus rapazes. A “informação”, essa, devia merecer um campo de concentração, com nazis e tudo.

     

    Num mundo em que qualquer caramelo, qualquer pastilha elástica, qualquer porcaria, tem que estatuir, preto no branco, o nome de todos os seus componentes e respectivas quantidades, autorizações, características, etc., como é possível acreditar que o FDA, a EU, a multidão agências, laboratórios, entidades, autoridades, etc., que se debruçam, custando milhões, sobre a “qualidade” de toda mixórdia que metemos pela boca abaixo, abram uma excepção para que se mantenha secreta, “só conhecida por duas pessoas” (será que estas duas pessoas, só elas, fazem a mistura?), fechada num cofre centenário, em local desconhecido, a fórmula da trampa mais bebida neste mundo?

     

    É como o aquecimento global. Ninguém o prova, antes pelo contrário, mas a humanidade inteira, ou boa parte dela, acredita na propaganda.

    Andam uns tipos a enganar toda a gente. E (quase) toda a gente a gostar de ser enganada. Não é?    

     

    17.2.11

     

    António Borges de Carvalho