A Câmara de Lisboa, apesar de inúmeras sessões de propaganda, continua a ser o monstro burocrático que sempre foi, o consumidor de impostos que sempre foi, o empata que sempre foi, o buraco financeiro que sempre foi, o inimigo público que sempre foi. O esforço de Santana Lopes para alterar as coisas há muito se perdeu, com a tropa fandanga do Costa, da Roseta, do Fernandes et alia a espalhafatar demagogias mais ou menos idiotas.
A última grande decisão do nosso presidente foi, calcule-se, mudar-se para o Intendente. O magnífico edifício da Praça do Município, o belíssimo quão funcional gabinete do Presidente, a dignidade da cidade, nada disto conta para o Costa.
Mudar-se para o Intendente porquê, para quê?
Segundo a filosofia costo/roseto/fernandina, trata-se de “recuperar” o Intendente, zona mal afamada de droga, prostituição barata e negócios afins. Supõe-se que, por estar ali a Presidência, a droga, a prostituição e os negócios afins vão desaparecer. Donde se conclui que, se se trata de erradicar tais fenómenos, melhor seria o Costa fazer mais uns gabinetes, por exemplo no Casal Ventoso, no Bairro da Liberdade, na Musgueira e noutros locais de quejanda fama.
Para quê? Nesta matéria a filosofia camarária não diz grande coisa. Podem os lisboetas pensar o que quiserem. O IRRITADO pensa que se trata de tomar conta das facilities da fábrica “Viúva Lamego”, de gastar um balúrdio em obras, decorações, infra-estruturas técnicas, estacionamento subterrâneo, modernices e modernidades, tudo com o eventual objectivo de… gastar o dinheiro que a CML, apesar de mais ou menos falida, deve ter com fartura(?).
Reza a viquipédia que a fábrica se mudou para Sintra em 1992. Reza outrossim que o seu velho edifício é um de “imóvel de interesse público”, coisa que, diga-se entre parêntesis, nem a própria Câmara sabe o que quer dizer.
Como entrou a Câmara na posse do prédio é coisa que o IRRITADO desconhece. Que “interesse público” tem o edifício, para além da fachada de azulejos, é coisa que o IRRITADO sabe não existir.
Quer isto dizer que o Costa vai construir um edifício novo por trás da fachada histórica. Uma fortuna. Para quê? Para duplicar serviços que já estão bem instalados noutro sítio e que, por causa de um incêndio, foram objecto de obras milionárias.
A maledicência alfacinha dirá que o Costa quer ir juntar-se aos “seus” no Intendente. O IRRITADO nem por sombras chega a tal ponto. Mas aceita que, para quem pensar neste assunto, é muito difícil encontrar qualquer justificação para tal e tão ridícula parvoíce, tal e tão clara irresponsabilidade, tal e tão evidente pisar dos interesses da cidade.
27.2.11
António Borges de Carvalho

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