Andam para aí os jornais todos contentes a dizer que foi descoberto o “segredo” da Coca-Cola.
Dito de outra maneira, a Coca-Cola arranjou uma forma de aparecer em todos os jornais do mundo, dias a fio, sem pagar um tostão. Ele é a “receita” encontrada num livrinho de apontamentos de um tipo qualquer que morreu há 150 anos, reproduzida como por encanto em inúmeras línguas, ele é fotos de garrafas em todas as posições e situações, ele é “explicações científicas” sobre a verdadeira natureza da mistela, sei lá, tudo repetido à exaustão, noticiado, “revelado”, como se fosse um segredo de Estado ou uma boca do Uiquiliques.
Presume-se que o inventor desta campanha tenha ganho uns milhões, gostosamente pagos pela “casa-mãe” da Coca-Cola. Bem o merece.
Devia, igualmente, merecer o Nobel da trafulhice, vencendo aos pontos o Pinto de Sousa e seus rapazes. A “informação”, essa, devia merecer um campo de concentração, com nazis e tudo.
Num mundo em que qualquer caramelo, qualquer pastilha elástica, qualquer porcaria, tem que estatuir, preto no branco, o nome de todos os seus componentes e respectivas quantidades, autorizações, características, etc., como é possível acreditar que o FDA, a EU, a multidão agências, laboratórios, entidades, autoridades, etc., que se debruçam, custando milhões, sobre a “qualidade” de toda mixórdia que metemos pela boca abaixo, abram uma excepção para que se mantenha secreta, “só conhecida por duas pessoas” (será que estas duas pessoas, só elas, fazem a mistura?), fechada num cofre centenário, em local desconhecido, a fórmula da trampa mais bebida neste mundo?
É como o aquecimento global. Ninguém o prova, antes pelo contrário, mas a humanidade inteira, ou boa parte dela, acredita na propaganda.
Andam uns tipos a enganar toda a gente. E (quase) toda a gente a gostar de ser enganada. Não é?
17.2.11
António Borges de Carvalho

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