IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • HOMOFILIA

     

    Parece que o ministério da educação não deu o seu aval à divulgação oficial, nas escolas, de uma campanha “educativa” destinada a combater a “homofobia”. É claro que houve logo uma voz, provinda das alfurjas do poder, que, certamente por sentir a terrível injustiça que o ministério estava a praticar, se apressou em descansar as boas almas, acrescentando que a posição do governo não impedia que cada escola, de per si, aceitasse a propaganda e as “conferências” “educativas” a pronunciar nelas pelos ilustres autores da iniciativa.

    É evidente que a campanha imaginada pela rapaziada homo se destina, não a evitar a chamada homofobia, mas a propagandear a homofilia, através da defesa dos “direitos” dos seus aderentes à “igualdade”.

    Dois cartazes destinados a “iluminar” a mente das criancinhas através da sua afixação nas escolas. Um mostra-nos três meninas todas rechonchudas em suave e terna posição, encimadas pela frase “uma de nós é lésbica”, outro três doces rapazinhos muito juntinhos, declarando orgulhosamente “um de nós é gay”.

    Pura propaganda dos defeitos de uma de delas e de um deles. Sem dizer qual delas e qual deles. Afinal, parece que lhes resta uma pontinha de vergonha! Senão, o quitolas e a jararaca “revelavam-se”. Ou talvez não. Se calhar o que estas representações gráficas querem dizer é que são todas e todos, ou que todas e todos podem, ou devem, ser membros da filarmónica. Deficientes sexuais não discretos, nem olhados com tolerância ou compreensão, mas incensados, credores da admiração das gentes, sujeitos de especiais direitos, exemplos de dignidade e de cidadania, merecedores da mais alta consideração, não pelo que fazem ou produzem, mas pela simples razão de ter um defeito, congénito ou adquirido.

     

    É evidente que o ministério da educação, bem acompanhado pelos partidos comunistas, pelas alas pintodesousista e sousapintista do PS, por meia dúzia de pêpêdês e por um uma data de intelectuais “progressistas”, vai acabar por admitir, caucionar e apoiar a campanha de propaganda homossexual nas escolas. Até porque, tendo o governo subsidiado a coisa, mal se compreenderia que os dinheiros que gastou caíssem em saco roto, sobretudo no clima de austeridade em que vivemos.

     

    17.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CONTAS DO ARCO-DA-VELHA

     

    Uma de entre os milhares de “entidades” que por aí vegetam deu à luz um relatório sobre as maravilhosas “reformas” da Justiça que o socialismo inventou.

    Desta vez, quem sabe se por prever a queda iminente do dito, a tal “entidade” debruçou-se sobre as monumentais poupanças que foram obtidas sob a égide do ministro Alberto Costa e continuadas pelo seu magnífico sucessor.

    Verifica-se, por exemplo, que a mudança das facilities para o Parque das Nações, resultaram numa “poupança” de – (menos) 5.700.000,00 de euros por ano, só em rendas da casa; que os custos em energia “pouparam” ao Estado nada menos de – (menos) 1.000.000 de euros, sendo de notar que o ministro Costa tinha previsto uma poupança de 10.000.800 euros, isto é, só nesta rubrica, a derrapagem em relação ao estimado foi de uns meros 1.180% (mil cento e oitenta por cento).

     

    Há muito, muito mais. Mas não vale a pena perder mais tempo a descrevê-lo.

    Poderia alegar-se que os serviços judiciais tinham melhorado de tal maneira que se justificaria o colossal aumento da despesa. Mas toda a gente sabe que a coisa nem sequer funciona, não tem segurança, não tem salas de audiências que cheguem, que os papéis continuam a ocupar o chão e a subir pelas paredes, etc.

    O governo socialista, tão preocupado que anda em sacar dinheiro às pessoas, tão ajoujado que anda, coitadinho, aos ditames dos “mercados” e da dona Ângela – ela é que sabe! – continua a gastar de forma sumptuária e inútil, isto é, de forma burra ou suja, ou as duas coisas.

     

    E o Dr. Passos Coelho a dar o benefício da dúvida, ou seja, a pôr a hipótese de, em Março, as contas a apresentar pelo governo se revelarem “no bom caminho”!

    Segundo o IRRITADO prevê, vão mesmo estar! É de caras chutar para a frente as despesas do primeiro trimestre. É de caras apresentá-las à la manière. Neste particular, o governo, gloriosa excepção, não é nada bronco. Antes pelo contrário.  

     

    17.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • JACOBINISMO CINEMATOGRÁFICO

     

    De um modo geral, os intelectuais do cinema ou escrevem coisas que ninguém percebe e são meras masturbações cerebrais a esguichar vasta “cultura”, ou nos brindam com opiniões que pouco têm a ver com os sentimentos, as emoções e a sensibilidade estética das pessoas, pelo menos das pessoas “normais” e com alguma educação.

     

    Vem isto a propósito de uma maravilha cinematográfica britânica, de seu nome “O Discurso do Rei”, que está nas nossas salas e foi nomeado para um ror de “Óscares”.

    Trata-se de uma obra-prima de realização e de interpretação, de um olhar limpo e belo sobre um episódio do século XX (a ascensão ao Trono de Jorge VI de Inglaterra), numa apreciação plena de sensibilidade, com uma pinguinha de ironia e toneladas de humanidade. Vale a pena ver e rever.

     

    Mas…

    Desde logo uma razão há para que haja críticos a desmerecer do filme: é que, sendo apontado para tantos prémios de origem americana – na Europa parece que já ganhou os que por aí havia à disposição – é automático, por cá, pensar que se trata de obra americanóide, com os defeitos impostos pelos partis pris do politicamente correcto.

    Depois, é uma obra “monárquica”, no sentido em que nos mostra a Realeza por um ângulo que põe em causa os preconceitos do nacional-jacobinismo, isto é, que coloca o Rei/Homem frente a frente com o Rei/Instituição, e sabe separar – e unir – de forma profunda, indiscutível, cristalina e evidente as duas circunstâncias.

     

    Postos uns olhos jacobinos e socialistas sobre uma maravilha daquelas, outra solução não resta às criaturas donas de tais olhos que classificar o filme como “medíocre” ou “razoável”, como vejo num jornal “de referência” que tenho à minha frente.

    Para ser justo, há outro jornal em que dois críticos lhe dão a classificação de “muito bom”, e um terceiro (jacobino?) a de “com interesse”.

     

    À consideração dos leitores do IRRITADO. Se querem um conselho, não deixem de ver.

     

    15.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • AINDA NÃO PERCEBERAM?

     

    Caro Belarmino

     

    Você é um executivo generosamente pago. Como gosta de automóveis, comprou um Mercedes todo cheio de gadgets. Como gosta de boas casas, comprou um apartamento no Palace do Estoril. Como gosta de boa comida, passou a vida a almoçar no Ritz e a jantar no Tavares. Como gosta de viagens com conforto e tratamento VIP, levou a família à Tailândia, classe executiva, hotéis de cinco estrelas, resort de luxo. Muito bem.

    Como tem um amigo num banco, foi-lhe fácil arranjar dinheiro para tudo. Há dois anos, viu-se obrigado a pedir um empréstimo grandalhão para “reestruturar” o seu magnífico buraco. Depois, como não mudou de vida, nem a patroa e os meninos quiseram mudar de vida, foi a outro banco, a ver se arranjava mais uns cobres. Como o apartamento do Palace já estava hipotecado, já nada tinha que se visse de garantia real.

    A partir daí, você sabe o que lhe aconteceu. A patroa foi viver com a mamã, os meninos foram com ela, você vive sozinho num Tê-zero em Massamá e vai de comboio para o trabalho. É o que lhe resta. O ordenado vai-se em processos e advogados. Se o despedem…

     

    ***

    Caro Pancrácio

     

    Você estava empregado numa farmácia. O patrão dava-lhe umas comissões, para além de um ordenadinho. A sua mulher era recepcionista num consultório. Têm uma menina de 15 anos, espigadota, que até já anda na TVI a mostrar as pernitas. Você comprou um Toyota, um andar na Cova da Piedade, uma multidão de electrodomésticos, playstations e coisas do género. Tudo a crédito.

    O doutor morreu e os filhos fecharam o consultório. O seu patrão, como isto está difícil, acabou com as comissões. Você está enterrado até ao pescoço. Vai entregar a casa, alugar um tê-um e nem sabe se terá dinheiro para pagar a renda.

     

    ***

     

    Caro Belarmino, caro Pancrácio

     

    Imaginem o que aconteceria se tivessem um governo que gerisse a vida do país como vocês geriram a vossa. Imaginem que as coisas iam ficando de tal maneira que já ninguém emprestasse dinheiro ao Estado ou, se o fizesse, fosse em tal ordem de condições que jamais lhe seria possível pagar o que devia. Imaginem um governo que habituasse as pessoas como vocês habituaram as vossas famílias, que distribuísse benesses, subsídios, tachos, regalias “sociais”, contratos malucos com empresas amigas, tudo em quantidades industriais, como vocês distribuíram almoços e playstations. A ponto de, com o apoio de partidos idiotas e de uma Constituição burra, os cidadãos acharem que as benesses de que gozam sem que haja dinheiro para as pagar são direitos inalienáveis, como as vossas patroas acharam que as férias na Tailândia e o Toyota eram para sempre.

    Imaginem o estado a que o Estado chegaria.

    O vosso problema, que já não é só vosso mas de todos nós, é que o Estado já está nesse estado. Já não é preciso imaginar. E que a inconsciência, a incompetência, a irresponsabilidade do Estado só tem um destinatário: vocês, que não tiveram juízo, e os outros, que o tiveram mas têm que pagar na mesma.

    Vocês, a quem o Estado impingiu, com incentivos vários e uma lei de arrendamento criminosa, a ideia peregrina de comprar uma casa em vez de a alugar, vocês, que o Estado contemplou com auto-estradas por onde ninguém passa, que o Estado afogou em “direitos sociais”, que premeia abortos num país que perde gente todos os dias, que malbarata os vossos inacreditáveis impostos como vocês malbarataram o ordenado, que protege os empregos a termo e condena a mobilidade social, vocês, meus caros, vão pagar tudo o que devem e não devem. Os vossos filhos continuarão a pagar. Os vossos netos também.

    O Estado, que estava razoável e sustentavelmente endividado quando os socialistas tomaram o poder, chegou com eles a este estado.

     

    A pergunta que vos faço é esta: será possível que vocês não achem que a vossa primeira prioridade é correr com esta gente e procurar alguém que, melhor ou pior, pelo menos não ande a enganá-los todos os dias, não faça da política e da economia meros instrumentos de propaganda, não tenha do povo a noção de um bando de idiotas que até gosta de ser aldrabado, não faça da própria manutenção no poder o seu único e exclusivo objectivo custe o que custar, doa a quem doer e seja por que meios for?

     

    Pensem nisto e façam força. Já não há nada que os livre de chatices, mas, que diabo, pelo menos será bom que a desgraça deixe de aumentar.

    Ou querem ser mais enganados do que já foram?

     

    Melhores cumprimentos

     

    IRRITADO

     

    14.2.11

  • “SUSTENTABILIDADE”

     

    Em feroz luta contra o seu (ex?) colega Mira Amaral, o outrora célebre Pimentinha – grande especialista em pôr ovos em ninhos alheios – veio à liça defender com unhas e dentes a sua indústria: os moinhos de vento. Isto na qualidade de director do CEEETA – Centro de Estudos, blabla, etc., não na de industrial de moinhos – coisa que, nestas manifestações “técnicas”, é melhor esconder para não prejudicar a “independência” opinativa – vem pôr em causa os esclarecidos artigos de Mira Amaral sobre a monumental trafulhice da energia eólica. Não o cita, et pour cause…, mas inclui-o, evidentemente, no “reduzido número de personalidades (que têm uma) fixação cega e irracional contra a energia eólica”.

    O (ex?) colega Mira Amaral passou a cego e a irracional! A montanha de escritos de tanta gente, ao alcance do Pimenta mas que ele não lê, é produzida por cegos e irracionais. Se estes tipos impuserem as suas razões, lá se vai o negócio dos cata-ventos. É de tremer de medo, não é, ó Pimenta?

    O pior, ou o melhor, é que o gato ficou com o rabo de fora no meio da extraordinária argumentação que o nosso homem escrevinhou no jornal. Diz ele que os três eixos da política energética são sustentabilidade ambiental, competitividade e segurança no abastecimento. O que quer dizer, por exemplo, que o que pagamos pela energia é um pormenor secundário. Importante é, diz ele, que, segundo ele a “comunidade científica”, inexistente criatura da imaginação “onusiana”, não há dúvidas sobre a excelência dos produtos que tão subsidiada e lucrativamente produz: as odiosas ventoinhas. O ilustre engenheiro defende a “sustentabilidade ambiental” das ditas: quer dizer, as horrendas florestas de rodopiantes maquinetas que nos destroem a paisagem são um “bem” ambiental! Defende a sua “competitividade”, sabido que é que, de todas as formas de energia é mais intensiva em matéria de custos de investimento e de manutenção! Defende a “segurança no abastecimento” de uma energia que depende de haver ou não haver vento!

    Muito esperto, como sempre, o nosso homem passa à defesa da economia das renováveis, escondendo que, nelas, está a meter a hídrica, para lhe acertar as contas.

    Não valerá a pena elaborar muito mais sobre a argumentação pimentosa. Outros o farão com mais propriedade que o IRRITADO.

    Vale, em todo o caso, a pena denunciar como se defende causas

    próprias, mascarando a coisa de abalisada opinião “técnica”.

     

    14.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • FRASES CÉLEBRES

     

    Uma alta escrevinhadora:

    Uma queca adiada é uma queca não dada.

    Margarida Rebelo Pinto

     

    Um socialista sério (!):

    É impossível resolver qualquer problema com o José Sócrates à frente do poder.

    Henrique Neto

     

    Um socialista clássico:

    É importante que o Estado não chateie.

    Jorge Coelho

     

    Uma socialista feroz:

    A liderança de Sócrates tornou-se autocrata, distribuindo lugares e privilégios, ultrapassando até o centralismo democrático de Lenine.

    Ana Benavente

     

    Um socialista lapalissiano:

    Quando os efeitos da recessão passarem, o mundo vai ser muito diferente.

    Vieira da Silva

     

    Um socialista que consegue ser mais aldrabão que os outros:

    Não haverá despedimentos na função pública.

    Pinto de Sousa

     

    Um PPD mais ou menos idiota:

    Temos de deixar o engº. Sócrates sair com dignidade.

    Luís Filipe Meneses

     

     

    13.2.11

  • A CULPA FOI DO MACACO

     

    Consta que uma comissão especializada em processos eleitorais contratada pelo movimento de esquerda GF (gato fanático) chegou à conclusão que a culpa das pessegadas havidas nas eleições presidenciais foi de um simpático orangotango, nascido há dois anos no jardim zoológico.

    A conclusão baseia-se no facto de não haver, ao nível dos humanos, qualquer sombra de culpados, isto segundo a comissão de inquérito nomeada pelo governo.

     

    Há trinta e tal anos, criou-se um sistema técnico eleitoral que foi funcionando a contento.

    Vai daí, as autoridades socialistas, em frenética ânsia de modernizar, de exercitar novas tecnologias, de épater le bourgeois, criaram novos instrumentos para “agilizar” o processo, tipo simplex ou coisa que o valha. A nobre e profilática atitude do governo provocou, como é do conhecimento geral, a maior bagunça eleitoral ocorrida durante a III República. Não há um só número dos resultados eleitorais que mereça 85% que seja de confiança. Mas o processo foi validado. Para a frente é que é o caminho.

     

    Houve uns rapazes que quiseram politizar a questão. Que ideia! Parece que são parvos! Então não sabem que a culpa nunca é do governo?

    Houve uns funcionários do ministério que tiveram um ataque de seriedade e se demitiram.

    Houve uma secretária de Estado, de cuja existência, até há dias, ninguém tinha conhecimento, que veio dizer que os tipos que se demitiram são uns aldrabões.

    Os tipos replicaram que aldrabona era ela.

    Metido na peixeirada, o ministro meteu-se atrás da secretária de Estado (salvo seja!) e tratou de se esconder bem escondidinho. Coitado, não tinha nada a ver com o assunto! E lá foi dizê-lo aos deputados, os quais, maioritariamente, não aceitaram as explicações. Mas isso não interessa.

    O primeiro-ministro, um galaró de terceira, apressou-se a reiterar a sua inabalável confiança no irrefutável ministro. Quanto mais asneiras o homem fizer (são tantas…), mais confiança merece e mais perto fica do seus pares e do seu chefe.

     

    Atentos os autos, verifica-se que a única conclusão minimamente credível é a dos fanáticos: a culpa foi do macaco.

    Parabéns aos inquiridores.

     

    13.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • COISAS DA VIDA E DA MORTE

     

    Uma multidão de jornalistas, comentadores, psicólogos, analistas, políticos das mais variadas tendência, senhoras e senhores, meninos e meninas, se tem pronunciado, indignada, sobre a morte solitária de uma senhora de avançada idade, há nove anos, sem que ninguém tenha dado por isso. Ela, o cão, talvez o gato e o periquito.

    É unânime a condenação desta sociedade “individualista”, que abandona os velhotes à sua solidão e à sua sorte.

    E, no entanto, o caso tem pouco de anormal. A senhora vivia só, teria poucos parentes, dava-se com a vizinha do lado e era normalmente considerada por quem a conhecia lá na rua. Teria meios de sobrevivência, casa própria e uma pequena pensão. Não teria doença especial, para além dos inúmeros achaques que a idade trás a toda a gente. Terá morrido de repente, quando lidava na cozinha. Paragem cardíaca, ou coisa que o valha. A autópsia não indicou especiais sintomas de sofrimento ou violência.

    Nesta ordem de ideias, parece que a pobre senhora se despediu da vida sem grandes problemas. Um caso triste, como a morte é sempre, mas dentro de uma aceitável normalidade.

     

    Bate o ponto nos nove anos de solidão do cadáver, coisa não lhe terá causado incómodo de maior.

     

    A vizinha foi não sei quantas vezes à Guarda Republicana reportar o estranho desaparecimento. Um primo recorreu às autoridades judicias mais de dez vezes.

    A Guarda Republicana borrifou no assunto. As autoridades judiciais fizeram o mesmo.

    Ninguém quis acreditar na história, mesmo sendo evidente que a senhora há nove anos não levantava a pensão, quiçá a sua única fonte de subsistência. Não é preciso mais que 0,2 de QI para perceber que quem vive da pensão não prescinde dela, a não ser que tenha morrido. Mas riu-se a Guarda, borrifou-se a “justiça”.

    Só as finanças se não borrifaram nem fizeram troça. Como a senhora lhes devia a astronómica soma de 1.500 euros, trataram de lhe penhorar o andarzinho. Nunca fizeram a mais pequena diligência para a encontrar. Ter-lhe-ão mandado umas notificações, daquelas que nem um vivo entende, quanto mais um morto. Depois, diligentes, as finanças leiloaram-lhe a propriedade por 30.000 euros. Que se saiba não fizeram o mais pequeno movimento, sequer para devolver as sobras (28.500 euros!) à sua proprietária. Terão ficado com a massa, a fim de que o senhor primeiro-ministro pudesse gabar-se do aumento da receita fiscal. Para as finanças o que havia a fazer era entregar o apartamento ao seu novo feliz proprietário. Para isso já deve ter havido alguma autoridade judicial a autorizar que se arrombasse a porta, isto se as finanças (ainda) não o puderem fazer do motu próprio.

     

    No fim da história, a multidão de opinantes revolta-se contra a sociedade, que não é “solidária”, que condena as pessoas ao isolamento, que é egoísta e malevolente!

     

    Quanto aos tipos da Guarda Republicana, nada. Ainda nenhum sargento, nenhum capitão, nenhum general mandou prender os responsáveis.

    Os tipos da “justiça” nada fizeram para dar um porradão monumental aos que negaram auxílio a quem, fundamentadamente, o pediu.

    Os tipos das finanças, esses, presume-se, receberão um prémio por ter cobrado uma dívida com tanto zelo, tamanha eficácia e tão formidável competência.

     *

    Não passarão nove anos até que os credores venham à procura de Portugal, país em fase de desaparecimento, como as finanças foram a casa da desaparecida velhinha.

    Na certeza porém que, como os culpados do caso da pobre senhora, o senhor Pinto se Sousa já estará longe daqui, em merecido, inocente e bem pago refrigério.  

     

    13.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ONDE ESTÁ O PROBLEMA

     

    Quem ontem ouvisse o senhor Pinto de Sousa a discursar numa roda de exportadores pensaria estar num comício do PS.

    No entanto, em mais uma boa meia hora de propaganda gentilmente oferecida pela SIC Notícias, o inacreditável SSilva, ministro da tropa, afirmava meigamente que não, que o orador estava, muito simplesmente, a falar de exportações.  Na ordem de ideias de ambos, falar de exportações é desautorizar, ridicularizar e invectivar todo e qualquer cidadão que se atreva a pôr em causa a “estabilidade”, ou seja, a querer que o senhor Pinto de Sousa se vá embora quanto antes. O importante é segurar-se no poleiro, quais exportações qual carapuça!

    Poderiam, ao menos, ter lido o que escreveu um tal Henrique Neto, empresário socialista, sobre o nosso problema. É que o homem pôs preto no branco que, com o senhor Pinto de Sousa, nada se adianta nem resolve, bem pelo contrário. A sua demissão é condição primeira e sine qua non para que se possa ter alguma esperança de sair do buraco. Por outras palavras, o senhor Pinto de Sousa, mais do que estar do lado do problema, é a vera incarnação do dito.

    Pena é que a esmagadora maioria dos socialistas, ainda que pensem o mesmo, se metam nas encolhas, ou porque são cobardes ou porque são pagos porque são, simplesmente, parvos.

     

    9.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • APELO A PASSOS COELHO

     

    O Dr. Passos Coelho tem cometido alguns erros sem importância de maior. O pior deles é fazer das contas a razão primeira para avançar, ou não, com a moção de censura.

    Que credibilidade merece esta gente em matéria de contas? Zero.

    Montaram o seu poder, duas vezes já, sobre uma interminável série de mentiras. Chegaram ao coração dos eleitores dizendo que a Dona Manuela era uma besta porque queria endireitar as contas. Cilindraram-na com essa. Depois, inventaram um grave problema de contas com um orçamento imaginário, falso como Judas, com a cumplicidade dos camaradas Constâncio e Sampaio. Apregoaram aos quatro ventos que tinham reduzido um défice que jamais tinha sido registado, tendo-o na verdade aumentado, e não pouco. Depois, mercê de coisas que não valerá a pena referir, lá o fizeram descer um bocadinho. Berraram que nem uns leões que tal redução era “estrutural”, ou seja, para ficar, o que constituiu duas monumentais mentiras: nem a redução era estrutural, nem era para ficar, como se veio a demonstrar à saciedade. No ano passado, aldrabaram as contas vezes sem conta, enganaram-se, esqueceram-se de umas linhas, de uns quadros, de uns números, levaram o país à bancarrota, isto sempre a apregoar que estávamos no melhor dos mundos.

     

    Agora, para o assombro e a indignação do IRRITADO, o Dr. Passos Coelho dá-lhes o benefício da dúvida! Se as contas, em fins de Março, estiverem dentro do previsto, tudo bem, diz o PSD. Então o Dr. Passos Coelho não sabe, como todos nós, que, se as contas estiverem bem é porque foram aldrabadas? Não sabe que nada do que esta gente diz tem a mais leve sombra de credibilidade. Não vê que, para o senhor Pinto de Sousa vale tudo, tirar olhos, partir pernas, esganar! Não repara que o senhor Pinto de Sousa, quando não tem com que o atacar, inventa o que for preciso? Não vê, por exemplo, que o Pinto de Sousa inventou que você queria despedir funcionários públicos (se fosse verdade o IRRITADO até acharia muito bem), coisa que você nunca disse. Não vê que o homem é o maior aldrabão de todas as três repúblicas?

    Dar-lhe o benefício da dúvida, achar que as contas, daqui a dois meses, podem estar certas, é um erro clamoroso. Se as contas desta gente nunca estiveram certas, por que carga de água tal poderiam acertá-las agora?

    Acabe com isso já, Dr. Passos Coelho! Diga-lhes que, quando achar que é o momento certo os porá na rua sem dó nem piedade. Não lhes dê mais conversa. A nós, diga que partilha da vergonha que temos por ser governados por um badaleiro ranhoso, ignorante e aldrabão. Diga-nos da “consideração” que, lá fora, todos têm por ele. Mostre-nos a insuportável indignidade que é estarmos debaixo de gente tão rasca!

     

    Se não for v. a tentar livrar-nos do homem o mais depressa possível (já devia tê-lo feito há muito, muito tempo), quem o poderá fazer? O Jerónimo?

     

    9.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ABALISADAS CONSIDERAÇÕES

    Na intelectualíssima opinião da restaurada dona Clara F. Alves, Cavaco não passa de um mero professor atascado nas trafulhices dos amigos, presidente passivo no primeiro mandato, e sem uma única ideia sobre o que quer ou o que propõe. Os outros candidatos também não têm uma só ideia na cabeça, a começar com Fernando Nobre, que nem sequer sabe ao que veio. O melhor foi o do PC, que despejava a cassete como um menino do coro. Dois havia (presume-se que fossem o idiota da Madeira e o escarro de Viana do Castelo) que não existem nem ninguém se preocupa com isso. Quanto a Alegre, a senhora confessa que, ao querer desafiar Cavaco, teve a ideia mais estúpida de toda a campanha, se calhar a única no meio do deserto de ideias em que a senhora se debate.

     

    Pior que os candidatos, opina a senhora, são os jornalistas, jovens sem preparação, mão-de-obra barata, cheios de leviandade e ignorância. Gente que em vez de se preocupar com a dívida anda a falar do Seabra e do defunto Castro, chegando ao ponto de chamar jornalista ao segundo.

     

    Os portugueses, esses, são indiferentes a tudo, conformistas por ignorância, desqualificação e subdesenvolvimento.

     

    Assim caracterizados os políticos, os jornalistas e os portugueses, mercê da aplicação dos altíssimos critérios da dona Clara (agora menos clara), parte a genial criatura para o lado bom das coisas, isto é, para o seu amigo Pinto de Sousa, nas suas palavras o único que não é pateta. O único que trabalha, o único que se mexe, o único que tem desempenhado um difícil papel, o único que se bate. O governo não existe, só ele. “No meio dos patetas, aparece um político”. Que, diz ela, jamais se demitirá.

     

    Estamos lixados!

     

    8.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • PROFESSORAIS OPINIÕES

     

    Ninguém haverá em Portugal que perceba o que vai na cabeça do Doutor Freitas do Amaral. O IRRITADO, que até gosta do senhor, faz parte dos mais apreensivos quanto ao seu percurso.

    Aluno de eleição do Professor Marcelo Caetano, diz-se que zangou com o Mestre, acabando por escrever uma peça de teatro que pôs os cabelos em pé a meio mundo em praticamente todos os sectores da política.

    Fundador e líder incontestado do primeiro partido que se dizia não de esquerda da III República, acabou ministro dos negócios estrangeiros de um governo socialista, ainda por cima um governo do senhor Pinto de Sousa.

    Candidato presidencial da direita e do centro, tendo sido publicamente insultado e rebaixado pelo concorrente (Soares), é hoje amigo do peito do insultador.

    E tantas mais!

     

    Vá-se lá entender!

     

    Agora, falando-se da monstruosa máquina estatal e administrativa que nos esmaga, revolta-se indignado contra as propostas de redução do número de deputados, de autarquias e de pesadíssimos trambolhos públicos.

    Começa por dizer que em Portugal há poucos deputados, se comparado com os países europeus nossos “parceiros”. Talvez. No entanto, se pensarmos que a Câmara dos comuns tem quase setecentos deputados para setenta milhões de britânicos, concluímos que, na mesma proporção, deveríamos ter… cem deputados.

    Depois, fica preocupadíssimo com a eventual saída de cena de partidos como o PC, o BE, o PEV – como se o PEV alguma vez tivesse existido! – e o CDS. Muito preocupado está o ilustre administrativista com esta terrível hipótese. Estranho é que, em vez de pôr a cabeça a funcionar para encontrar uma solução que mantivesse a representatividade do Parlamento, não senhor. Não se pode mexer e acabou-se! Esquece-se, por exemplo, que em países como a Alemanha, quem quiser ter representação parlamentar tem que obter, pelo menos, 5% dos votos. Será que o Bundestag não é representativo, já que ficam de fora mais partidos que os que entram? Depois tem o topete de afirmar que uma assembleia com menos gente ficaria igual à do tempo do Salazar. Este argumento é tão, como dizer… idiota, que nem merece contestação.

    Diminuir o número de ministros, nem pensar! Nem uma só sugestão sobre a governabilidade do país, a não ser que tudo deve ficar como está. Nem uma palavra sobre a despartidarização da administração pública ou sobre a criação de corpos administrativos competentes e funcionais para além da cor dos governos em funções. Nada.

    Não mudar o número de deputados, nem de ministros, nem de concelhos, nem de freguesias, nada. Que tudo fique na mesma!

    Porquê? Diz o ilustre académico que não há razões financeiras para o fazer. Como se as razões financeiras fossem as únicas que justificariam tais reformas. Como se o Estado pintodesousista fosse a última das maravilhas. E diz-nos que se trata de reformas “fáceis”. Onde é que um tão notável administrativista terá ido buscar tal “facilidade”?

    Para não bater só no cravo (leia-se no PSD), o Professor dá algumas na ferradura (leia-se no PS).

    Até que enfim. Diz-nos então que é preciso acabar grande parte das 14.500 organizações, a maior parte delas ligadas ao PS, que por aí pululam à custa do erário público. Diz-nos que é preciso acabar com os jobs for the boys. De acordo. Isto, para ele, é que é difícil. Só isto, para ele, vale a pena.

     

    Reformar a lei eleitoral e o sistema de nomeação de governos, criar uma câmara alta (existente em todos os países que cita como exemplo), obrigar quem quer ser membro do governo a ser eleito em legislativas, acabar com a bagunça e a imoralidade da substituição de deputados que faz com que o Bloco de Esquerda tenha três ou quatro vezes mais deputados que os que elegeu, disciplinar a Justiça e acabar de vez com as veleidades de poder político dos magistrados, e o muito mais que se pudesse aventar, nada disto interessa ao Professor Freitas do Amaral.

    Parece que o que lhe interessa é manter o Estado pintodesousista tal como está.

     

    Limpar o sujo cheira mal, mas faz falta, não é, professor?

    Não faz falta nenhuma, parece que seria a resposta.

     

    Valha-me Santa Eleutéria!

     

    7.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • ESPANHOLADAS

     

    É sabido que o Dr. Balsemão foi (é?) íntimo de S.M. o Rei de Espanha. Muito bem. Nada contra.

     

    Não sei se por isso se por distracção, o principal meio do Dr. Balsemão, o “Expresso”, teve a subida amabilidade de oferecer aos seus leitores um “mapa das estradas de Espanha” em que, estranhamente ou não tanto, aparecem as estradas de toda a Península Ibérica.

    Por outras palavras, o mapa “integra” Portugal na Espanha, de que passa a fazer parte, ainda que só a título rodoviário.

    Em matéria de insinuação gráfica é difícil ir mais longe.

    Estará o Dr. Balsemão tão distraído quanto a boa vontade do IRRITADO seria levada a crer?  

     

    7.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • BACIOS DE BAIXO

     

    Grande emoção em Bacios de Baixo! Durante 5 dias, 8 senhores vindos de Lisboa andaram a preparar o salão de festas local para a visita de Sua Excelência o Primeiro-Ministro, Engenheiro José Sócrates Carvalho Pinto de Sousa.

    Perante os olhos extasiados dos fregueses, surgiu um palanque e uma sala de imprensa, abriu-se uma porta especial para Sua Excelência poder penetrar nas instalações pelas traseiras sem ser incomodado, revestiu-se as paredes de dizeres, flores por todo o lado, bandeiras, um estrado elevado para os operadores de imagem, uma cerca para os fotógrafos, a EDP forneceu energia especial para tudo, havia até umas coisas transparentes a que o agente local do PSD, prenhe de péssimas intenções, disse ser a “cábula do gajo”.

    Nunca tal coisa se vira em Bacios de Baixo.

    No dia marcado, apareceram quatro autocarros, dois vindos do Porto e dois de Lisboa, a abarrotar de entusiastas, que encheram a sala antes que os locais interessados pudessem lá entrar.

     

    Meia hora antes dos telejornais, surgiu, em esplendorosas viaturas, a comitiva primo-ministerial. Os secretários, os adjuntos, os ministros, os homens do Largo do Rato e o astrólogo de Sua Excelência tomaram lugar na primeira fila.

    Quando Sua Excelência entrou toda a gente se pôs de pé. As bandeiras agitaram-se, as palmas e os vivas atroaram os ares. Sua Excelência acenou, sorridente, às entusiasmadas gentes. Um representante local disse umas palavras de boas-vindas, enquanto os técnicos ajeitavam as cábulas, os funcionários das televisões, rádios e jornais preparavam a maquinaria para a função.

    Quando tudo estava organizado, o senhor Primeiro-Ministro avançou para o pódio e começou o aguardado discurso:

     

    Camaradas! Os sucessos do meu governo são tais e tantos que nem sei por onde começar!

    (palmas)

    Mas, apesar da grande obra do PS, andam ainda por aí uns fulanos a dizer mal!

    (assobios)

    O Dr. Passos Coelho,

    (buuuuuu…)

    Agente encapotado neo-liberalismo internacional

    (buuuuuu…)

    Ainda há dois dias disse que se devia limpar as latrinas de São Bento. O que ele quer é aproveitar-se dos dejectos para os entregar a uma multinacional!

    (apupos de vária ordem)

    O Dr. Passos Coelho disse que a GNR deve ser operacional. O que ele quer é privatizá-la! Sim, entregá-la às manobras do capital monopolista! Nós, o PS

    (aplausos)

    Não fazemos acordos com a privada! Nada de neo-liberalismo, ou melhor, nada de liberalismo. As parcerias público-privadas não foram a asneira que diz o Dr. Passos Coelho. Foram uma obra altamente social, uma vez que as novas gerações vão usar as infra estruturas que construímos, nós, sim, nós e mais ninguém!

    (bandeiras ao alto, apoiado, apoiado!)

    Daqui a cinquenta anos, os nossos netos continuarão a contribuir generosamente com o seu nobre trabalho para terem o gozo daquilo que nós, o PS, o meu PS, deixámos para eles. Sim, camaradas, quando o Dr. Passos Coelho

    (apupos… à morte, à morte!)

    diz que deixámos tudo por pagar, e a privados, não está mais que a fazer o jogo dos monopólios, que queriam o dinheiro já, e não nas próximas décadas!

    (prologada salva de palmas)

    Mas há mais, camaradas, muito mais! O Dr. Passos Coelho quer que a reforma passe a ser aos 67 anos! Sabem o que ele quer? Que nós trabalhemos mais anos para os privados. Quer encher a mula aos amigos! Quer privatizar a segurança social, sim, privatizar, privatizar, privatizar! O nosso sistema, a nossa democracia, estão em causa, como muito bem dizia o camarada Alegre que apoiámos com tanto vigor e tanto empenho.

    (silêncio)

    Não tenhais dúvidas, a culpa da derrota não foi nossa mas dessa gente esquerdista do Bloco de Esquerda, sim, o Bloco de Esquerda está também, à sua maneira, às ordens dos mercados, não passa de um bando de sociais-fascistas!

    (buuuu….)

    Quando o Dr. Passos Coelho diz que quer menos deputados o que ele quer é privatizar a Assembleia da República! Quando o Dr. Passos Coelho diz que quer pôr o Estado a prestar bons serviços o que ele quer é privatizar os serviços! Nós não privatizamos nada…

    (aplausos)

    … a não ser a TAP e mais trezentas e oitenta e três empresas, tudo em defesa do estado social, camaradas!  

    (pêésse, pêésse, pêésse…)

    E agora, camaradas, é com orgulho que aproveito a minha presença na nobre freguesia de Bacios de Baixo para anunciar ao país que as privatizações não passarão e que o capital do BPN nacionalizado-nosso será reforçado com mais catorze mil milhões de euros, em parceria como o Doutor Hugo Chávez e com o camarada Hu! Vai haver dinheiro a rodos para emprestar aos empreendedores socialistas de Bacios de Baixo, e não só de Bacios de Baixo!   

    (enorme ovação, bandeiras desfraldadas, cânticos, duas meninas de tranças, vindas de Lisboa de mini saia sobem ao palco e dão dois beijinhos (cada) na face reluzente de Sua Excelência)

    Progresso, Justiça, Freternidade, Igualdade! Viva o PS!

    (vivaaaaaaaaa…)

    Viva Portugal!

     

    Sorridente, de cabeça levantada, no meio de retumbantes aplausos, Sua Excelência sai pala porta das traseiras, a sua porta preferida.

     

    Trinta segundos depois, já a caravana estava nas estrada. Ingente trabalho esperava Sua Excelência em São Bento.

     

    7.2.11

     

    Reportagem recebida de Serapião Xuxo, cronista e líder do PS em Bacios de Baixo.   

  • NOTÍCIAS EMPOLGANTES

     

    Tal como o IRRITADO a seu tempo referiu, vai de vento em popa a aliança socrélfia entre esses dois gigantes da nossa praça que dão pelos nomes de Rui Pedro Soares e Emídio Rangel.

     

    O Rui ficou célebre pela extremosa colaboração que deu ao chefe aquando da defenestração da dona Guedes, bem como pela forma altamente profissional como terá tratado de assuntos sensíveis, tais a venda da TVI, a questão do Tagus Park e o pequeno-almoço do Figo. Devidamente recompensado pela PT dos incómodos que muitas destas coisas lhe causaram, o indefectível socralista resolveu aplicar uns milhões num “grupo de media”, coisa que possa, pela escrita, pela voz e pela imagem, proporcionar a devida publicidade ao chefe, bem como desmascarar forças ocultas que, a coberto de vários disfarces, sobre ele têm lançado ignominiosos vilipêndios.

    O Emídio, esse, para além de indesmentível quão brilhante currículo radiofónico e televisivo, tornou-se nos últimos tempos conhecido pela forma como foi capaz de defender o chefe com argumentos tais, tantos e de tal qualidade que as forças ocultas acharam que tinha perdido a cabeça, que era paranóico ou que os azares da vida lhe tinham irremediavelmente dado cabo do bestunto.

     

    Formada a equipa, havia que traçar o perfil de parceiros que acrescentassem uns milhões aos do Rui e que colmatassem a eventual falta de milhões do Emídio. Como era chato estar a pedir ao chefe, ter-se-ão aconselhado com ele e resolveram fazer um bypass, ou coisa que o valha.

    O camarada Sapateiro, como é do conhecimento público, tem, tal como o insuportável Berlusconi, uns grupos de media por conta. Tais grupos foram postos à disposição da nacional parelha, tendo a escolha caído sobre a Mediapro, incondicional apoiante do profissional Sapateiro, segundo a imprensa digital espanhola.

    É que, explica a mesma imprensa, “o primeiro-ministro José Sócrates tem pelo menos um motivo para invejar o seu bom amigo espanhol José Luís Zapatero. Ainda que ambos sofram da mesma perda de popularidade, o PS há muito que se queixa de não ter qualquer grupo mediático a seu lado, enquanto o PSOE sempre pode contar com o apoio mais ou menos crítico da Prisa e praticamente incondicional da Mediapro”.

    O jornal espanhol põe os pontos nos is. Não sabe que o grupo do “amigo Oliveira” já está no papo, ainda que, ultimamente, tenha dado umas na ferradura.

    A Mediapro é filha da Imagina. A Imagina já deu o seu apoio ao Rui e ao Emídio e até conseguiu vender-lhes os jogos da liga espanhola por 2,6 milhões (uma época!), dos quais os rapazes já pagaram 850 mil.

    A estrutura accionista desta coisa é ainda segredo bem guardado.

     

    Pelo andar da carruagem, porém, já há elementos suficientes para que as forças ocultas possam fazer uns cálculos preliminares…      

     

    3.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • UMA NOITE PERDIDA

     

    Aqui há dias, o “serviço” público de televisão brindou-nos com a presença de várias sumidades educativas. Entre elas, imagine-se, a senhora ministra da educação, a filha do Dr. Mário Soares e um jovem deputado do PSD. Havia também um senhor que sabia do assunto, o Professor Nuno Crato, o qual, manifestamente, se deve ter enganado no cenário, isto é, estava ali como raminho de salsa, fora do contexto.

     

    O programa foi cientificamente preparado para que a senhora ministra pudesse dar largas aos seus vastíssimos conhecimentos da matéria. A dona não-sei-quantas, que presidia à celebração, assim que alguém começava a dizer coisas menos condizentes com os objectivos em vista, tratava de interromper com observações a despropósito que, sem excepção, se destinavam a tirar a palavra a quem quer que fosse (menos à doutora Soares, como é óbvio) a fim de a entregar à senhora ministra.

     

    O circo completava-se com algumas figuras menores, entre as quais o bigodaças do PC, chefe incontestado dos protestantes professores, que espraiou a cassete das NEP’s da secção de educação marxista-estalinista do respectivo comité central.

    Estava também um senhor que diz representar “os pais”, seja isso o que for, já que não conheço nem um pai que ele represente. Deu duas no cravo, três na ferradura e mais dois nas canelas, ninguém tendo percebido o que o homem, no fim de contas, queria dizer.

    Um senhor nutrido representava o ensino privado, sendo de recomendar ao representado outro representante, que com este não vai a parte nenhuma.

    Finalmente, que me lembre, apareceu um professor tido como “o melhor professor do país”, o qual, coitado, pode ter muito jeito para ensinar mas para exibições destas não tem jeito nenhum.

     

    Muita conversa, sobretudo da ministra, como é lógico num “formato” destes.

    O Professor Crato depressa desistiu daquilo, julga-se que por ter percebido que não tinha o direito de dizer uma só frase até ao fim.

    O rapaz do PSD nada disse que nos pudesse levar a concluir fosse o que fosse sobre a filosofia do partido.

    A senhora Soares estava meia encravada, mas lá foi defendendo que, como no caso do “Moderno”, fundado pelo avozinho, o ensino privado jamais devia ser subsidiado pelo Estado, ou seja, é justo privilégio de quem tem dinheiro para o pagar. Muito bem. Só não se sabe, ou não se percebeu, como é que a senhora compagina esta filosofia com as tiradas socialistóides do papá. Pormenores.

    A ministra foi usando os generosíssimos tempos que lhe foram atribuídos pela agente do governo. Meteu os pés pelas mãos sem que em um só momento, por exemplo, tivesse “confessado” como é que faz as contas lá da loja, ou porque nem sequer o sabe ou porque tem ordens para não dizer.

     

    Em conclusão, ninguém concluiu nada, ou não acrescentou nada ao que já teria concluído antes de assistir à exibição.

    Apesar de tudo, uma sessão em que se pôde vislumbrar que a ministra odeia o ensino privado, e ainda odeia mais o ensino privado “supletivo”. O jovem PPD talvez tivesse alguma coisa a dizer, mas ou não foi capaz ou não o deixaram. O professor Crato tinha coisas a dizer mas foi mandado calar até que desistiu. Dos outros não reza a história.

     

    Uma noite perdida.

     

    3.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • QUE PENA!

     

    O camarada Louçã está zangadíssimo com o camarada Jerónimo, exactamente pelas mesmas razões que levam o camarada Jerónimo a estar zangadíssimo com o camarada Louçã.

    Andam ambos a insultar-se soezmente, com forte linguagem (atitudes “espúrias”, “oportunismo”, “falta de comparência” e de “convergência”, falha em “promover uma política unitária” e “deserção” no “combate à direita”. etc., blablabla. Tudo por causa do camarada Alegre. O PC queria que o Bloco votasse no Xico, o BE almejava o apoio bolchevista ao Alegre. Uma pena!

    O IRRITADO, como é de calcular, está tristíssimo com esta concorrência desleal entre os dois tão simpáticos (xiça!) partidos comunistas. Se eles se entendessem talvez acabassem mais depressa.

     

    3.2.11   

     

    António Borges de Carvalho

  • COITADO DO HOMEM

    Olho, nas páginas dos jornais, uma fotografia do senhor ElBaradei com um megafone na mão, a falar às massas. Faz-me lembrar Francisco Sousa Tavares, o “Tareco”, no Largo do Carmo, em cima de uma “Chaimite”, a falar às massas sobre a liberdade e a democracia. Mal sabia o orador qual era a democracia que os proclamados heróis do 25 de Abril queriam “oferecer” aos portugueses.

    O senhor ElBaradei também não faz ideia do que “as massas” e os capitães lá do sítio querem impingir, se é que querem impingir alguma coisa para além de uma monumental bagunça, da qual, em princípio, vai emergir um bando de aiatolas, como, entre nós, emergiu o PC. O mais provável é que o senhor ElBaradei tenha o destino do Machado dos Santos quando o jacobinismo nacional deu cabo dele em nome da “liberdade” republicana. Talvez se safe, talvez as coisas lhe corram menos mal, como ao “Tareco” e a nós.

     

    No entanto, o mais provável é que o senhor ElBaradei venha a ser apedrejado, ou equivalente, em nome de Alá, de Maomé, do Amadinejá, do Binladen ou de outras altas figuras da praça deles.    

     

    3.2.11

     

    António Borges de Carvalho

  • FELIZ NOVIDADE – PAN!

     

    Animem-se os espíritos que a crise e o governo, realidades gémeas e afins, têm desanimado. A salvação da Pátria está, finalmente, à vista!

     

    Nasceu uma nova organização – o PAN, Partido dos Animais e da Natureza – capaz de resolver os nossos mais ingentes problemas.

    Quer saber como sair da fossa? Pergunte aos cães.

    Quer ganhar mais uns tostões? Pergunte às ratazanas.

    Quer melhorar a sua qualidade de vida? Vá viver com os porcos, antes que acabem.

    Tem larica? Alimente-se com o ar puro da Natureza virgem.

    É mais ou menos o que propõe o PAN.

    Deixe de comer carne, manda o PAN. É verdade. Se não comer carne, acabam os porcos, repugnante e poluente espécie.

    Se não for aos toiros, acabam os toiros, mais os ganadeiros, os campinos, parte dos cavalos, para além dos tipos das quadrilhas e dos fabricantes de bandarilhas e de outros malvados artefactos.

    Acabe-se com as vacas, miseráveis alimárias que dão carne e essa coisa horrível que é o leite, de onde saem os queijos e as manteigas, tudo autênticas fábricas de colesterol.

    Estime o seu cão! Dê-lhe a comer saladas de alface biológica e feijão frade.

    Nem mais um carapau para o gatinho da sogra!

    Nem mais um pescador no mar.

    Feche-se os talhos, os matadouros e as fábricas de chouriços.

    Está doente? Vá à bruxa, ao astrólogo e ao exorcista. Acabe-se com o serviço nacional de saúde, que só gasta dinheiro e enche o povo de químicos.

    Se não gosta de legumes, faça como cavalo do escocês: deixe de comer e verá.

    Mude-se a constituição. Crie-se o “direito à ‘senciência’ (?) dos animais e ao seu direito à vida e ao bem-estar”, diz o PAN. As moscas e as osgas passarão a ter direito à greve, o que muito contribuirá para a sua qualidade de vida.     

    Altere-se o código civil, diz o PAN. No código civil, diz o PAN, “os animais são reduzidos ao estatuto de coisa”.

     

    O IRRITADO, preocupadíssimo que está com as preocupações do PAN, sugere ao seu promotor, um tal Paulo Borges, que altere a designação do partido para PANC – Partido dos Animais, da Natureza e das Coisas. Assim, poderia acabar com as ofensas às coisas, coitadinhas: não mais petróleo, nem cimento, nem pedras da calçada, nem pneus, nem, nem, nem…

    Assim, o panorama seria completo: o homem, os animais selvagens, os calhaus e as árvores, sobretudo as que não fizessem sombra ao PANC.

     

    Acabava a humanidade mas salvava-se o planeta. Não é o que diz o politicamente correcto e o engenheiro relativo?

     

    Partido, haveria só um: o PANC e mais nenhum! O líder seria uma minhoca. Que delícia.

     

    31.1.11

     

    António Borges de Carvalho

  • CORRECÇÕES BERLUSCONIANAS

     

    A moral do mundo mudou. Nos hábitos sociais tudo é diferente, nas relações entre as pessoas quase tudo passou a ser bem-vindo.

     

    As meninas, sem limites, remorso ou sanção, entregam-se, de tenra idade, a quem lhes dá na gana. Meninos há que fazem o mesmo. Toda a gente chama “sair” a ir, depois da meia-noite, embebedar-se num qualquer buraco, sendo o objectivo da “saída” não divertir-se mas embebedar-se. Os adultos deixaram de se casar, passaram a juntar os trapinhos como, há cem anos, se fazia na província quando se não tinha dinheiro para pagar ao padre. Os chamados homossexuais, esses, eles(?) e elas(?), insistem em chamar casamento às suas junções, e a sociedade civil acha muito bem. Nas revistas “sociais” é ver as “famosas” e os “famosos” a trocar de parceiro todas as semanas e a gabar-se disso como larga cópia de compreensão, admiração e quase unânime aplauso. As mamãs e os papás levam criancinhas e jovens de ambos os sexos a programas de televisão destinados a meter nas cabecitas, algumas inocentes, as mais desvairadas ilusões sobre mundos de fama e moderna “felicidade”. É vê-los embevecidos a aplaudir as façanhas dos pequenos, as mais das vezes sabendo onde os estão a meter. E mais não digo porque já chega.

     

    Ao contrário do que se possa pensar, o IRRITADO não trás estas coisas a lume para as condenar. Verifica, ou constata – como se diz agora – o que se passa, a condescendência moral da sociedade para toda uma série de práticas que soíam ser de esconder ou de evitar.

    A tolerância, aplicada com novos critérios, invadiu a espécie na sua zona dita mais “civilizada”. O que era criticável (intolerância!) passa a ser digno da ambição de uns e do aplauso de outros.

     

    Esta “filosofia” não se aplica, porém, a toda a gente. Há pessoas que, submetidas ao politicamente correcto – um dos maiores horrores da nossa idade -, são vilipendiadas na praça pública se se meterem nalguma das actividades que, para outros, são consideradas dignas da mais aberta estima social.

    Não é imaginável, por exemplo, que um homem como Winston Churchill pudesse, nos nossos dias, ser primeiro-ministro. Quê? Um tipo que bebe conhaque em quantidades apreciáveis e fuma como uma chaminé pode ser primeiro-ministro? De forma alguma. Numa sociedade em geral fumadora e bêbeda, não se toleram coisas destas aos “escolhidos”.

    O senhor Berlusconi, por exemplo, um dirty old man independentemente de ser mau ou bom primeiro-ministro (mais de metade dos italianos acham que é bom), é universalmente condenado porque gosta de festanças com raparigas e, sobretudo, porque contratou para elas uma vacalhona ordinaríssima e repulsiva que, instigada pela mãe, se vende a quem pagar. Isto, independentemente de se ter metido, ou não, nela ou com ela (é pouco provável que, com 72 anos, se tenha metido nela). O problema é que a meretriz estava “à beira de fazer 18 anos”, o que acrescenta à coisa um piquinho de piripiri moralístico-legal. E, como a rameira é marroquina, só falta alegar que o fulano pratica o anti islamismo primário. Algo me diz que, se se tratasse de rapazinhos europeus, o politicamente correcto acharia muito bem.

     

    Longe do IRRITADO defender as práticas pessoais do cavaliere. O homem nem o sentido do ridículo deve ter!

    Muito menos acha o IRRITADO que os divertimentos do transalpino septuagenário sejam próprios de um primeiro-ministro, bom ou mau enquanto tal.

    Mas acha inacreditável e repugnante que a filosofia e a moral em vigor se tornem selectivas quando interessa abater um alvo, ou seja que têm critérios duplos segundo quem está em jogo, ou seja que o politicamente correcto de correcto nada tem.

     

    31.1.11

     

    António Borges de Carvalho