IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


PROFESSORAIS OPINIÕES

 

Ninguém haverá em Portugal que perceba o que vai na cabeça do Doutor Freitas do Amaral. O IRRITADO, que até gosta do senhor, faz parte dos mais apreensivos quanto ao seu percurso.

Aluno de eleição do Professor Marcelo Caetano, diz-se que zangou com o Mestre, acabando por escrever uma peça de teatro que pôs os cabelos em pé a meio mundo em praticamente todos os sectores da política.

Fundador e líder incontestado do primeiro partido que se dizia não de esquerda da III República, acabou ministro dos negócios estrangeiros de um governo socialista, ainda por cima um governo do senhor Pinto de Sousa.

Candidato presidencial da direita e do centro, tendo sido publicamente insultado e rebaixado pelo concorrente (Soares), é hoje amigo do peito do insultador.

E tantas mais!

 

Vá-se lá entender!

 

Agora, falando-se da monstruosa máquina estatal e administrativa que nos esmaga, revolta-se indignado contra as propostas de redução do número de deputados, de autarquias e de pesadíssimos trambolhos públicos.

Começa por dizer que em Portugal há poucos deputados, se comparado com os países europeus nossos “parceiros”. Talvez. No entanto, se pensarmos que a Câmara dos comuns tem quase setecentos deputados para setenta milhões de britânicos, concluímos que, na mesma proporção, deveríamos ter… cem deputados.

Depois, fica preocupadíssimo com a eventual saída de cena de partidos como o PC, o BE, o PEV – como se o PEV alguma vez tivesse existido! – e o CDS. Muito preocupado está o ilustre administrativista com esta terrível hipótese. Estranho é que, em vez de pôr a cabeça a funcionar para encontrar uma solução que mantivesse a representatividade do Parlamento, não senhor. Não se pode mexer e acabou-se! Esquece-se, por exemplo, que em países como a Alemanha, quem quiser ter representação parlamentar tem que obter, pelo menos, 5% dos votos. Será que o Bundestag não é representativo, já que ficam de fora mais partidos que os que entram? Depois tem o topete de afirmar que uma assembleia com menos gente ficaria igual à do tempo do Salazar. Este argumento é tão, como dizer… idiota, que nem merece contestação.

Diminuir o número de ministros, nem pensar! Nem uma só sugestão sobre a governabilidade do país, a não ser que tudo deve ficar como está. Nem uma palavra sobre a despartidarização da administração pública ou sobre a criação de corpos administrativos competentes e funcionais para além da cor dos governos em funções. Nada.

Não mudar o número de deputados, nem de ministros, nem de concelhos, nem de freguesias, nada. Que tudo fique na mesma!

Porquê? Diz o ilustre académico que não há razões financeiras para o fazer. Como se as razões financeiras fossem as únicas que justificariam tais reformas. Como se o Estado pintodesousista fosse a última das maravilhas. E diz-nos que se trata de reformas “fáceis”. Onde é que um tão notável administrativista terá ido buscar tal “facilidade”?

Para não bater só no cravo (leia-se no PSD), o Professor dá algumas na ferradura (leia-se no PS).

Até que enfim. Diz-nos então que é preciso acabar grande parte das 14.500 organizações, a maior parte delas ligadas ao PS, que por aí pululam à custa do erário público. Diz-nos que é preciso acabar com os jobs for the boys. De acordo. Isto, para ele, é que é difícil. Só isto, para ele, vale a pena.

 

Reformar a lei eleitoral e o sistema de nomeação de governos, criar uma câmara alta (existente em todos os países que cita como exemplo), obrigar quem quer ser membro do governo a ser eleito em legislativas, acabar com a bagunça e a imoralidade da substituição de deputados que faz com que o Bloco de Esquerda tenha três ou quatro vezes mais deputados que os que elegeu, disciplinar a Justiça e acabar de vez com as veleidades de poder político dos magistrados, e o muito mais que se pudesse aventar, nada disto interessa ao Professor Freitas do Amaral.

Parece que o que lhe interessa é manter o Estado pintodesousista tal como está.

 

Limpar o sujo cheira mal, mas faz falta, não é, professor?

Não faz falta nenhuma, parece que seria a resposta.

 

Valha-me Santa Eleutéria!

 

7.2.11

 

António Borges de Carvalho



2 respostas a “PROFESSORAIS OPINIÕES”

  1. Quem puxar pela memória, logo percebe o motivo para a “inversão” de 180 graus na rota deste cata-vento.Ocorreu um caso muito específico que o levou a um completo desvario, causado pelo pânico.Juntou forças ao “Apolo” socialista e safou-se, como muito outros. O que não é de todo imprevisível nem de espantar.Peçam ao Moita que ele escreve um romance!

  2. As lutas intestinas de uma estupida direita,que desgraçadamente calhou em sorte a este país.Estupida porque não sabe evoluir,estupida porque afronta os seus correligionários que ousaram evoluir,estupida e principalmente,porque faz com que uma esquerda não democrática vá engordando.

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