Na intelectualíssima opinião da restaurada dona Clara F. Alves, Cavaco não passa de um mero professor atascado nas trafulhices dos amigos, presidente passivo no primeiro mandato, e sem uma única ideia sobre o que quer ou o que propõe. Os outros candidatos também não têm uma só ideia na cabeça, a começar com Fernando Nobre, que nem sequer sabe ao que veio. O melhor foi o do PC, que despejava a cassete como um menino do coro. Dois havia (presume-se que fossem o idiota da Madeira e o escarro de Viana do Castelo) que não existem nem ninguém se preocupa com isso. Quanto a Alegre, a senhora confessa que, ao querer desafiar Cavaco, teve a ideia mais estúpida de toda a campanha, se calhar a única no meio do deserto de ideias em que a senhora se debate.
Pior que os candidatos, opina a senhora, são os jornalistas, jovens sem preparação, mão-de-obra barata, cheios de leviandade e ignorância. Gente que em vez de se preocupar com a dívida anda a falar do Seabra e do defunto Castro, chegando ao ponto de chamar jornalista ao segundo.
Os portugueses, esses, são indiferentes a tudo, conformistas por ignorância, desqualificação e subdesenvolvimento.
Assim caracterizados os políticos, os jornalistas e os portugueses, mercê da aplicação dos altíssimos critérios da dona Clara (agora menos clara), parte a genial criatura para o lado bom das coisas, isto é, para o seu amigo Pinto de Sousa, nas suas palavras o único que não é pateta. O único que trabalha, o único que se mexe, o único que tem desempenhado um difícil papel, o único que se bate. O governo não existe, só ele. “No meio dos patetas, aparece um político”. Que, diz ela, jamais se demitirá.
Estamos lixados!
8.2.11
António Borges de Carvalho

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