O Dr. Passos Coelho tem cometido alguns erros sem importância de maior. O pior deles é fazer das contas a razão primeira para avançar, ou não, com a moção de censura.
Que credibilidade merece esta gente em matéria de contas? Zero.
Montaram o seu poder, duas vezes já, sobre uma interminável série de mentiras. Chegaram ao coração dos eleitores dizendo que a Dona Manuela era uma besta porque queria endireitar as contas. Cilindraram-na com essa. Depois, inventaram um grave problema de contas com um orçamento imaginário, falso como Judas, com a cumplicidade dos camaradas Constâncio e Sampaio. Apregoaram aos quatro ventos que tinham reduzido um défice que jamais tinha sido registado, tendo-o na verdade aumentado, e não pouco. Depois, mercê de coisas que não valerá a pena referir, lá o fizeram descer um bocadinho. Berraram que nem uns leões que tal redução era “estrutural”, ou seja, para ficar, o que constituiu duas monumentais mentiras: nem a redução era estrutural, nem era para ficar, como se veio a demonstrar à saciedade. No ano passado, aldrabaram as contas vezes sem conta, enganaram-se, esqueceram-se de umas linhas, de uns quadros, de uns números, levaram o país à bancarrota, isto sempre a apregoar que estávamos no melhor dos mundos.
Agora, para o assombro e a indignação do IRRITADO, o Dr. Passos Coelho dá-lhes o benefício da dúvida! Se as contas, em fins de Março, estiverem dentro do previsto, tudo bem, diz o PSD. Então o Dr. Passos Coelho não sabe, como todos nós, que, se as contas estiverem bem é porque foram aldrabadas? Não sabe que nada do que esta gente diz tem a mais leve sombra de credibilidade. Não vê que, para o senhor Pinto de Sousa vale tudo, tirar olhos, partir pernas, esganar! Não repara que o senhor Pinto de Sousa, quando não tem com que o atacar, inventa o que for preciso? Não vê, por exemplo, que o Pinto de Sousa inventou que você queria despedir funcionários públicos (se fosse verdade o IRRITADO até acharia muito bem), coisa que você nunca disse. Não vê que o homem é o maior aldrabão de todas as três repúblicas?
Dar-lhe o benefício da dúvida, achar que as contas, daqui a dois meses, podem estar certas, é um erro clamoroso. Se as contas desta gente nunca estiveram certas, por que carga de água tal poderiam acertá-las agora?
Acabe com isso já, Dr. Passos Coelho! Diga-lhes que, quando achar que é o momento certo os porá na rua sem dó nem piedade. Não lhes dê mais conversa. A nós, diga que partilha da vergonha que temos por ser governados por um badaleiro ranhoso, ignorante e aldrabão. Diga-nos da “consideração” que, lá fora, todos têm por ele. Mostre-nos a insuportável indignidade que é estarmos debaixo de gente tão rasca!
Se não for v. a tentar livrar-nos do homem o mais depressa possível (já devia tê-lo feito há muito, muito tempo), quem o poderá fazer? O Jerónimo?
9.2.11
António Borges de Carvalho

Deixe um comentário