De um modo geral, os intelectuais do cinema ou escrevem coisas que ninguém percebe e são meras masturbações cerebrais a esguichar vasta “cultura”, ou nos brindam com opiniões que pouco têm a ver com os sentimentos, as emoções e a sensibilidade estética das pessoas, pelo menos das pessoas “normais” e com alguma educação.
Vem isto a propósito de uma maravilha cinematográfica britânica, de seu nome “O Discurso do Rei”, que está nas nossas salas e foi nomeado para um ror de “Óscares”.
Trata-se de uma obra-prima de realização e de interpretação, de um olhar limpo e belo sobre um episódio do século XX (a ascensão ao Trono de Jorge VI de Inglaterra), numa apreciação plena de sensibilidade, com uma pinguinha de ironia e toneladas de humanidade. Vale a pena ver e rever.
Mas…
Desde logo uma razão há para que haja críticos a desmerecer do filme: é que, sendo apontado para tantos prémios de origem americana – na Europa parece que já ganhou os que por aí havia à disposição – é automático, por cá, pensar que se trata de obra americanóide, com os defeitos impostos pelos partis pris do politicamente correcto.
Depois, é uma obra “monárquica”, no sentido em que nos mostra a Realeza por um ângulo que põe em causa os preconceitos do nacional-jacobinismo, isto é, que coloca o Rei/Homem frente a frente com o Rei/Instituição, e sabe separar – e unir – de forma profunda, indiscutível, cristalina e evidente as duas circunstâncias.
Postos uns olhos jacobinos e socialistas sobre uma maravilha daquelas, outra solução não resta às criaturas donas de tais olhos que classificar o filme como “medíocre” ou “razoável”, como vejo num jornal “de referência” que tenho à minha frente.
Para ser justo, há outro jornal em que dois críticos lhe dão a classificação de “muito bom”, e um terceiro (jacobino?) a de “com interesse”.
À consideração dos leitores do IRRITADO. Se querem um conselho, não deixem de ver.
15.2.11
António Borges de Carvalho

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