Aqui há dias, o “serviço” público de televisão brindou-nos com a presença de várias sumidades educativas. Entre elas, imagine-se, a senhora ministra da educação, a filha do Dr. Mário Soares e um jovem deputado do PSD. Havia também um senhor que sabia do assunto, o Professor Nuno Crato, o qual, manifestamente, se deve ter enganado no cenário, isto é, estava ali como raminho de salsa, fora do contexto.
O programa foi cientificamente preparado para que a senhora ministra pudesse dar largas aos seus vastíssimos conhecimentos da matéria. A dona não-sei-quantas, que presidia à celebração, assim que alguém começava a dizer coisas menos condizentes com os objectivos em vista, tratava de interromper com observações a despropósito que, sem excepção, se destinavam a tirar a palavra a quem quer que fosse (menos à doutora Soares, como é óbvio) a fim de a entregar à senhora ministra.
O circo completava-se com algumas figuras menores, entre as quais o bigodaças do PC, chefe incontestado dos protestantes professores, que espraiou a cassete das NEP’s da secção de educação marxista-estalinista do respectivo comité central.
Estava também um senhor que diz representar “os pais”, seja isso o que for, já que não conheço nem um pai que ele represente. Deu duas no cravo, três na ferradura e mais dois nas canelas, ninguém tendo percebido o que o homem, no fim de contas, queria dizer.
Um senhor nutrido representava o ensino privado, sendo de recomendar ao representado outro representante, que com este não vai a parte nenhuma.
Finalmente, que me lembre, apareceu um professor tido como “o melhor professor do país”, o qual, coitado, pode ter muito jeito para ensinar mas para exibições destas não tem jeito nenhum.
Muita conversa, sobretudo da ministra, como é lógico num “formato” destes.
O Professor Crato depressa desistiu daquilo, julga-se que por ter percebido que não tinha o direito de dizer uma só frase até ao fim.
O rapaz do PSD nada disse que nos pudesse levar a concluir fosse o que fosse sobre a filosofia do partido.
A senhora Soares estava meia encravada, mas lá foi defendendo que, como no caso do “Moderno”, fundado pelo avozinho, o ensino privado jamais devia ser subsidiado pelo Estado, ou seja, é justo privilégio de quem tem dinheiro para o pagar. Muito bem. Só não se sabe, ou não se percebeu, como é que a senhora compagina esta filosofia com as tiradas socialistóides do papá. Pormenores.
A ministra foi usando os generosíssimos tempos que lhe foram atribuídos pela agente do governo. Meteu os pés pelas mãos sem que em um só momento, por exemplo, tivesse “confessado” como é que faz as contas lá da loja, ou porque nem sequer o sabe ou porque tem ordens para não dizer.
Em conclusão, ninguém concluiu nada, ou não acrescentou nada ao que já teria concluído antes de assistir à exibição.
Apesar de tudo, uma sessão em que se pôde vislumbrar que a ministra odeia o ensino privado, e ainda odeia mais o ensino privado “supletivo”. O jovem PPD talvez tivesse alguma coisa a dizer, mas ou não foi capaz ou não o deixaram. O professor Crato tinha coisas a dizer mas foi mandado calar até que desistiu. Dos outros não reza a história.
Uma noite perdida.
3.2.11
António Borges de Carvalho

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