IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


COISAS DA VIDA E DA MORTE

 

Uma multidão de jornalistas, comentadores, psicólogos, analistas, políticos das mais variadas tendência, senhoras e senhores, meninos e meninas, se tem pronunciado, indignada, sobre a morte solitária de uma senhora de avançada idade, há nove anos, sem que ninguém tenha dado por isso. Ela, o cão, talvez o gato e o periquito.

É unânime a condenação desta sociedade “individualista”, que abandona os velhotes à sua solidão e à sua sorte.

E, no entanto, o caso tem pouco de anormal. A senhora vivia só, teria poucos parentes, dava-se com a vizinha do lado e era normalmente considerada por quem a conhecia lá na rua. Teria meios de sobrevivência, casa própria e uma pequena pensão. Não teria doença especial, para além dos inúmeros achaques que a idade trás a toda a gente. Terá morrido de repente, quando lidava na cozinha. Paragem cardíaca, ou coisa que o valha. A autópsia não indicou especiais sintomas de sofrimento ou violência.

Nesta ordem de ideias, parece que a pobre senhora se despediu da vida sem grandes problemas. Um caso triste, como a morte é sempre, mas dentro de uma aceitável normalidade.

 

Bate o ponto nos nove anos de solidão do cadáver, coisa não lhe terá causado incómodo de maior.

 

A vizinha foi não sei quantas vezes à Guarda Republicana reportar o estranho desaparecimento. Um primo recorreu às autoridades judicias mais de dez vezes.

A Guarda Republicana borrifou no assunto. As autoridades judiciais fizeram o mesmo.

Ninguém quis acreditar na história, mesmo sendo evidente que a senhora há nove anos não levantava a pensão, quiçá a sua única fonte de subsistência. Não é preciso mais que 0,2 de QI para perceber que quem vive da pensão não prescinde dela, a não ser que tenha morrido. Mas riu-se a Guarda, borrifou-se a “justiça”.

Só as finanças se não borrifaram nem fizeram troça. Como a senhora lhes devia a astronómica soma de 1.500 euros, trataram de lhe penhorar o andarzinho. Nunca fizeram a mais pequena diligência para a encontrar. Ter-lhe-ão mandado umas notificações, daquelas que nem um vivo entende, quanto mais um morto. Depois, diligentes, as finanças leiloaram-lhe a propriedade por 30.000 euros. Que se saiba não fizeram o mais pequeno movimento, sequer para devolver as sobras (28.500 euros!) à sua proprietária. Terão ficado com a massa, a fim de que o senhor primeiro-ministro pudesse gabar-se do aumento da receita fiscal. Para as finanças o que havia a fazer era entregar o apartamento ao seu novo feliz proprietário. Para isso já deve ter havido alguma autoridade judicial a autorizar que se arrombasse a porta, isto se as finanças (ainda) não o puderem fazer do motu próprio.

 

No fim da história, a multidão de opinantes revolta-se contra a sociedade, que não é “solidária”, que condena as pessoas ao isolamento, que é egoísta e malevolente!

 

Quanto aos tipos da Guarda Republicana, nada. Ainda nenhum sargento, nenhum capitão, nenhum general mandou prender os responsáveis.

Os tipos da “justiça” nada fizeram para dar um porradão monumental aos que negaram auxílio a quem, fundamentadamente, o pediu.

Os tipos das finanças, esses, presume-se, receberão um prémio por ter cobrado uma dívida com tanto zelo, tamanha eficácia e tão formidável competência.

 *

Não passarão nove anos até que os credores venham à procura de Portugal, país em fase de desaparecimento, como as finanças foram a casa da desaparecida velhinha.

Na certeza porém que, como os culpados do caso da pobre senhora, o senhor Pinto se Sousa já estará longe daqui, em merecido, inocente e bem pago refrigério.  

 

13.2.11

 

António Borges de Carvalho



6 respostas a “COISAS DA VIDA E DA MORTE”

  1. O conteudo deste post poderia ser lido no correio da manhã,no crime.ou noutro pasquim de fino recorte literario.Poderia ter sido feita uma abordagem séria do assunto,mas não,o caso serve-lhe de baixo pretexto mais uma vez, para se meter com o Pinto de Sousa.Este caso reveste-se de consideravel gravidade,porquanto envolve várias entidades publicas que se tivessem cumprido as suas obrigações esta bizarra situação não teria lugar.Há que apurar urgentemente responsabilidades para que não volte a acontecer algo semelhante.Tambem para que não venhamos ainda ler aqui que foi o Pinto de Sousa que matou a senhora!!!

    1. Já aconteceu Teclão. A coisa entrou na moda…Agora só há uma solução: andar de olho nestes velhinhos: são terríveis. Quanto a apurar responsabilidades vai ser complicado…o casamento foi sábado, pelo menos uns quinze dias de férias… das guardas claro.

    2. Em que ficamos, Tecelão, os jornais a que se refere são:Pasquins?ou”de fino recorte literário”?É óbvio que ninguém vai apurar responsabilidade nenhuma como vem sendo hábito há anos, como o Tecelão bem sabe.O senhor pinto de sousa tem as culpas inerentes ao cargo que ocupa e das quais também nunca vai ser responsabilizado.Assim sendo, sobramos nós, depenados contribuintes, para aparar a batata quente.

      1. Cara pirata:Consta que foi o Pinto de Sousa que matou a velhinha á estalada e o cachorro com um violento pontapé na cabeça,os pássaros é que não foi possivel concluir a morte,mas supõe-se que tenha sido o mesmo facinora.A ser verdade,tem razão,ninguem vai apurar coisa nenhuma.Quais são os contribuintes que têm penas?

        1. Irra que é caturra!Já estamos depenados, percebe?

          1. Ah!Já percebi..Caturras têm penas.É isso?

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