Desde que a senhora Canavilhas – raio de nome – resolveu brindar o “cinema português” com mais cinco milhões de euros, muito se tem escrito e dito sobre o assunto. Parece que, por cada bilhete que se vende, os cineastas, seja lá isso o que for, recebem uns 20 euros, ou coisa que o valha. Quanto menos bilhetes se vender mais custará ao contribuinte.
Os “maus” vão dizendo que o “cinema português” é uma chatice, que ninguém se sente atraído por ele, e que os seus autores tratam as pessoas como se fossem parvas. Um deles afirmava que se estava “cagando” para os espectadores. Outro, o mais conhecido de todos, dizia que lhe bastava um espectador que o percebesse para que valesse a pena o “investimento”, quer dizer a despesa do contribuinte. Os “maus” concluem, dizendo-o ou não, que os tipos do cinema são uma cambada de penduras que se diverte com o nosso dinheiro sem produzir nada que mereça um minuto de atenção.
Talvez inspirados no senhor Luís Miguel Sintra, que, um dia, disse que a sociedade tinha a mais estrita obrigação de pagar aos “criadores culturais”, os “bons” contra-atacaram.
Um exemplo exemplar, passe o pleonasmo:
Um tal Borges, produtor cinematográfico muito conhecido lá em casa, alega ser falso que “o cinema português” seja “produzido com dinheiros do Estado”. E justifica: os fundos a tal alocados provêm de uma “taxa sobre os bilhetes de cinema”, assim como de outra taxa “cobrada pelas televisões aos anunciantes”. “Nem um cêntimo do orçamento do Estado”, diz o homem. A seguir, porém, desdiz-se: “O orçamento anual de apoios à produção não chega a nove milhões de euros”. Em que ficamos? Oito milhões e tal (não se sabe se integrando os cinco milhões da senhora Canavilhas) são ou não do orçamento do Estado?
Resumindo:
Você e os seus concidadãos pagam mais caro os bilhetes do cinema americano ou inglês para sustentar o “cinema português”. Você e os seus concidadãos pagam mais caro os produtos que consomem porque, na sua publicidade, há que prover para o mesmo.
Mas nada disto é despesa do Estado!
A pergunta seria: você e os seus concidadãos, quando são obrigados a pagar, querem saber se é imposto, se é taxa, ou que é o vosso rico e pouco dinheirinho que se vai?
Você e os seus concidadãos pagam, em impostos, nove milhões (ou catorze?) para o “cinema português”, coisa que lhes interessa o que interessar, mas para a sustentação da qual não foram tidos nem achados.
Na opinião do “bom” Borges, que finalmente esclarece, o Estado (nós) devia pagar o cinema como paga “a saúde, a educação, a justiça, a tropa…”
Se não paga a “cultura”, então o “nosso atraso e provincianismo é aterrador”.
O que é aterrador, acha o IRRITADO, é que problemas eventualmente sérios sejam tratados de forma que tão pouco o é.
8.3.11
António Borges de Carvalho

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