Ora olhem para isto:
O jornal privado chamado “Público”, na sua edição de ontem, páginas 4 e 5, parangona:
– Como as revoltas árabes mataram a narrativa da Al-Qaeda.
E destaca:
– Estas revoluções foram travadas sob slogans heréticos para os jihadistas. A Al-Qaeda tem tentado aproveitar o novo cenário com a sua propaganda, mas no mundo árabe já ninguém liga ao que Bin-Laden diz, afirma Jean-Pierre Filiu;
– O argumento da Al-Qaeda de que era preciso expulsar os Estados Unidos da região antes de ser possível promover qualquer mudança é simplesmente errado.
Na página 6:
– Mudança no mundo árabe, guerra civil visa usar e reforçar a lógica da jihad;
– Islamistas radicais vieram do Egipto para ajudar os líbios “com o coração” e lutar pela lei de Deus;
– Com um regime muito fechado, a Líbia é mais vulnerável aos fundamentalistas.
Em que ficamos? Há, ou não há, perigo de tudo vir a cair nas garras dos fundamentalistas? Qual é a tendência prevalecente? A Alcaida está na jogada, como diz a página 6, ou não tem nada a ver com o assunto, como dizem as páginas 4 e 5?
Às vezes, justificar-se-ia alguma coerência, ou alguém que fizesse a bissectriz. A tradição portuguesa de os jornais não terem opinião não é o contrário do desejável?
7.3.11
António Borges de Carvalho

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