IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


“INSIDE OUTSOURCING”

 

Noticiou-se por aí, e ainda bem, que o ministério da cultura tem a funcionar uma comissão qualquer que já lhe custou 209.000 euros, generosamente  distribuídos por uns tantos funcionários, à razão de 2.500 euros por mês cada. Acontece que a tal comissão, nos seus brilhantes 14 meses de vida, nunca fez rigorosamente nada. Os seus belos membros põem as culpas para o ministério que não lhes deu “condições”, os tipos do ministério dizem que se trata de “inércia” e de “desleixo”.

A pergunta é: quantas comissões destas andam por aí?

A resposta será: muitas, muitas, muitas.

 

Mas há mais perguntas:

O que fazem os funcionários, se não são capazes de honrar o seu ofício e só se oferecem para funcionar se lhes pagarem por fora?

Sendo os ilustres membros desta comissão e doutras comissões, grupos de trabalho, etc., funcionários públicos, porque carga de água recebem 2.500 euros por mês para desempenhar as suas funções?

Se não as desempenham, porque não vão para a rua?

 

Muito se tem criticado, as mais das vezes com razão, o recurso estatal ao “outsourcing”. Facto é que não se percebe que um Estado com uma colossal quantidade de empregados, tenha que comprar fora o que eles teriam obrigação de fazer.

Mas, como nesta comissão, o Estado, para pôr os funcionários a funcionar, presta-se àquilo a que se pode chamar “inside outsourcing”, isto é, compra e paga o que já pagou, e acha muito bem.

 

Das duas, uma: ou os funcionários não cumprem, e devem ser despedidos, ou os funcionários cumprem, mas são poucos. Como a segunda é absurda, tem que se pensar, muito a sério, na primeira. É que, se alguns vissem os colegas calões a ir à vida, talvez passassem a cumprir o que têm a cumprir sem que o Estado precisasse de “inside outsourcing” nem eles tivessem vários ordenados quando se vêem coagidos a trabalhar.

 

Tudo se passa de pernas para o ar, ao ponto de o Estado, por regra, pagar o que não deve sem sequer obter nada em troca. Quando o governo fala em cortar despesas, de que estará a falar?

 

Um pequeno apontamento, de carácter “lateral”.

O Presidente Chirac está a ser julgado, acusado que foi de ter contratado uns tipos para lhe preparar a campanha eleitoral e de lhes ter pago com dinheiros da Mairie de Paris.

E por cá? O que se faz à dona Canavilhas, ao PS, ao Primeiro-Ministro? Nada. Nem acusados são, quanto mais julgados!

 

7.3.11

 

António Borges de Carvalho



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