Uma coisa ficamos a dever aos canalhas da Autoeuropa: a descoberta das vantagens da democracia referendária.
Os tipos tinham uma comissão de trabalhadores que, há anos, negociava com o patrão com bons resultados para as partes. Mas a comissão resolveu pôr a votos o seu último acordo de empresa. O Arménio viu a oportunidade. Depois de comunicar com o comité central, pôs a sua mesnada em acção. Referendou-se o acordo. Resultado: com ele, caiu a comissão. Passaram uns meses. Nova comissão foi eleita, negociou outra vez, e chegou a acordo. Mas, apesar de eleita e representativa, considerou, ou foi-lhe imposto pelos arménios lá do sítio, que havia que referendar o novo acordo. Nova oportunidade para o Arménio. Intriga daqui, intriga d’acolá, e o novo acordo também foi chumbado. Dizem que o comité central, sempre justo, lhe vai dar a Ordem de Lenine.
Postas as coisas em termos gerais, o que por duas vezes se passou foi a condenação da democracia representativa, isto é, o pessoal elege representantes, mas não lhes reconhece representatividade: a rua é que é bom, mesmo que isso, mais que prejudicar o patrão, prejudique os que estão na bicha para o emprego (é a solidariedade proletária!) e os que estão empregados, dê cabo dos restos de confiança de investidores atentos e leve o gigante germânico a pôr de lado este jardim em matéria de projectos.
Para alguns ilustres frequentadores deste blogue, aqui temos um exemplo de como funciona a democracia referendária.
4.12.17
