IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


A QUADRATURA DA ASPIRINA

 

Com o seu arzinho de boa pessoa, o mui eficaz, competente e já famoso ministro da saude, ou assim chamado, resolveu dizer à Pátria que, em gesto de grande generosidade descentralizadora, ia transferir o Infarmed para o Porto. O interessante autarca lá do sítio apressou-se a elogiar a corajosa medida, muito condizente com o portoótico orgulho. Não acho mal. Quanto mais burocratas sairem de Lisboa melhor.

Fatal engano o meu. Sua excelência, com medo de mais alguma greve, apressou-se a declarar, para sossego das massas e dos partidos de esquerda, que nem um funcionário teria que ir se deslocar.

Como é?, perguntar-se-á. Então a coisa vai para o Porto e o pessoal fica em Lisboa? Que raio é isto?

Tratando-se de iniciativa da geringonça, há várias hipóteses a considerar. Ou é tudo mentira, o que é o mais provável, ou então mete-se mais 350 funcionários lá em cima e ficam os outros 350 cá em baixo a coçar os sovacos, assim se criando “emprego qualificado”. Outra hipótese, a mais “justa”, será a semana de 17,5 horas para os 700, o que muito agradará ao Arménio e poderá até ser usado como exemplo para toda a função pública.

Algo me diz que, daqui a um ano, andará o tipo do Porto aos gritos, que ainda não foi cumprida mais esta doce promessa da geringonça.

 

A seguir se transcreve a história falada da histórica decisão.

– Ó Adalberto, esta de os tipos dos remédios da UE irem para Amesterdão é uma chatice para aquele gajo do Porto que deu com os pés ao PS. Bem feita! Nada que não se soubesse à partida, cá no rectângulo só Lisboa tinha hipóteses, e poucas. Porreiro pá. Lisboa fica como estava, o Medina poupou um trabalhão e não se arriscou a ficar de fora. Nada que eu não tivesse em mente quando pus os deputados a votar a mudança. Genial, não achas?

– Com certeza que acho. Mas, ó António, o que é que eu tenho com isso?

– Muito, meu caro, muito. Temos que aproveitar para acalmar a dor de corno do fulano, a ver se o agarramos outra vez. Já que não vai a UE, vais tu.

– Eu?

– Não te assustes, era um refismo.

– Como?

– Pois, parece que nestes casos se diz qualquer coisa acabada em ismo.

– Talvez eufemismo…

– Adiante. Tu não vais. Mandas para lá aquela coisa da aspirina que está em Lisboa, os gajos ficam todos contentes, e marcámos mais um golo. É a descentralização, porra!

– Julgo que te referes ao Infarmed.

– O nome não interessa, desde que acabe em med. Estás perceber?  

– E como é que eu vou mudar 350 mamíferos de Lisboa para o Porto?

– Vamos lá ver se percebes. Não mandas ninguém, é preciso ter cuidado com o PC. Pessoal fora da zona de conforto é que não.

– Então como é que…

– Não sei. Arranja-te. Diz qualquer coisa que agrade a todos. Diz que não é para já. Daqui a um ano ou dois falamos outra vez.

– Se achas…

– Força meu rapaz, coragem! Tens que aprender a dizer coisas, olha que governar é dizer coisas.

 

Se não foi assim, podia ter sido. É o costume.     

 

22.11.17   



5 respostas a “A QUADRATURA DA ASPIRINA”

  1. Como “é o costume” (recente, diga-se), depressa virá um “ribeiro” que, em “socorro” o sr antónio, levará a porcaria deste sitio com o desiderato da sua escorrência.

  2. Adalberto:.. E o Rui Bicho da Seda ficou contente?O da enCosta- O Bicho da Seda não sabe de nadaA – Mas temos que lhe dizer qualquer coisaC – Temos tempo. Primeiro comunica-se a descentralização ai PaísA – Bem visto que é para o Bicho não armar em galifãoC – !!!A -. E o pessoal dos remédios de Lisboa ficou contente?C – O pessoal dos remédios também não sabe de nada. A – Já percebi…. é segredo. C . Pois daqui a um ano já ninguém se lembra

    1. “é o costume”. Será por causa da seca que vem o “ribeiro” cheio de porcaria?

  3. Avatar de Fernando Ribeiro
    Fernando Ribeiro

    Olhai;.. O asdrúbal trouxe o trombone

    1. Ò “ribeiro”, tresandas a “porcaria”. Vai-te tratar, que bem necessitas.

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