IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • PENDURAS AO ATAQUE

     

    Numa das raríssimas boas intenções da distinta vereação lisboeta, uma senhora propôs a “desmunicipalização” de um teatro.

    Logo a seguir, do fundo das mais legítimas entranhas um magote de “agentes culturais” mostrou a sua indignação: uma petição foi lançada, congregando já mais de mil assinantes, certamente recrutadas ente os adeptos da propriedade pública de tudo e mais alguma coisa, v. g. comunistas de vários matizes, compagnons de route e pacóvios em geral.

    Uma catástrofe, dizem. Os investimentos públicos já realizados serão “anulados”(como, porquê? serão deitados pela janela fora, vendidos a peso?), o “tecido cultural” da cidade será fragilizado, a cidade e o bairro serão “empobrecidos” (como o sabem?), a coisa será oferecida “de mão beijada” (será de borla?) ao concessionário. Seja este quem for, depreende-se, fará parte do tenebroso mundo dos que trabalham fora do Estado, ou seja, dos que fazem pela vida e que constutuem a parte maléfica da sociedade, a que ainda resiste. Uma coisa a todos os títulos diabólica, não é?

    Postas as coisas como a vereadora propõe, lá se vai o dinheirinho para os investimentos públicos, lá se vão os subsídios, e até se corre o inaceitável risco de a sala passar a estar cheia e de haver uns fulanos a ganhar dinheiro com a coisa. Um horror. Lá se vai a “cultura” e a segurança que os impostos e as taxonas proporcionam, como é de justiça, aos “agentes culturais”.

    É claro que o PC já protestou, com carradas de coerência. O rapazola do BE também, ainda que, no caso deste, a vereadora não tenha que se preocupar; a criatura, como habitualmente, votará em conformidade com os desejos, os objectivos e as necessidades do Medina.

    A ver vamos os resultados destas manobras. É possível que a senhora vereadora seja da tiragem do chamado ministro da saúde e tenha lançado a ideia sem pensar, ou só para vir nos jornais, como ele fez com o Infarmed. Assim, tudo ficará na mesma. A acreditar que o assunto é sério, o mais provável é que os penduras ganhem, com o mesmo resultado.

     

    25.12.17

  • MAIS UNS TROCOS

     

    Está, pelo menos em parte, explicado porque é que o Medina, na repugnante senda aberta pelo seu amigo Costa e pelo antigo BE Zé Fernandes, insistia tanto na taxa trafulha da “protecção civil”.

    É que as maluquices destes custaram ao município milhões, por exemplo os referentes à paralização das obras do túnel da Marquês e os motivadas pelas rocambolescas acções judiciais relativas ao caso Parque Mayer/Feira Popular. Ambas já custaram centenas de milhões, e ainda andam – pelo menos a segunda – nos tribunais, para acerto de mais uns trocos. Na outra, note-se, chegou-se ao ponto de o tribunal atribuir aos lesados uma indemnização superior à que exigiam, o que foi servindo ao Costa para não pagar!

    O Zé, como é do conhecimento geral, deu com os pés ao Louçã e meteu-se no PS, continuando vereador, primeiro com o Costa e, agora, com o inacreditável Medina.

    E eis que surge mais uma brilhante obra dessa malta, vagamente citada nos jornais e destinada, é de crer, ao esquecimento. Em 2011, Costa anunciou a construção da ponte pedonal da 2ª Circular, que havia de ser concluída rapidamente – 4 anos depois. A EDP pagou 900 mil euros, a CML o resto. Segundo más líguas geralmente bem informadas, tal ponte já foi usada, em dois anos, por 124 pedestres e 22 ciclistas, o que muito abona em favor da utilidade do investimento. O seu preço inicial derrapou uns 20%, cobertos pela CML, como é evidente. Mas ninguém pagou o IVA. O fisco veio ao ataque e, diz a AT, há que pagar mais uns 300 mil euritos. A EDP fecha-se em copas, o que é natural, dado o que a casa gasta e o que diz o brilhante contrato que o Costa assinou. Vai tudo à conta da CML. A despeza subiu ao plenário da Câmara e foi aprovada com os votos do Medina & Associados, mais uma vez mercê da “abstenção” do rapazola do BE.

    Às centenas de milhões que o Zé e o Costa já custaram à Câmara, juntam agora estes peanuts do Medina e seus aliados, BE incluído. Diz-se que é por estas e por outras que, coitadinhos, o Costa e o Medina precisavam tanto da taxona da “protecção civil”.

    Só mais uma palavrinha a favor da “moral” bloquista. É a segunda vez que o representante das tontas se “abstém”, isto é, faz o jeitinho ao Medina, mas diz que não fez e que até era contra!

    Paga, alfacinha, não tinhas nada que votar em gente desta.

     

    22.12.17

  • CONTRA A ECONOMIA, LUTA CONTÍNUA!

     

    Perante as mais altas figuras da destruição da economia – o Arménio, a Avoila, o fulano da UGT/PS (que vergonha!), o Jerónimo, um rapazola do BE e outros figurões, deu-se ontem o nocturno, festivo e natalício dealbar da greve dos CTT.

    É sabido que a companhia atravessa um momento difícil, que os accionistas sacam dividendos de montante pouco entendível, que a malta anda com dificuldades com o correio clássico, etc. Mas também é sabido que tal correio está em queda vertiginosa, que a adaptação aos novos tempos não é fácil, que talvez os CTT devessem ter reagido mais cedo.

    Numa primeira observação, e a título de parêntessis, verifica-se que o direito à greve não é igual para todos. Os que a fazem têm direito a ela, os que não estão de acordo não têm direito a não estar de acordo. Nesta brilhante conformidade, os grevistas, instigados pelos figurões acima citados, trataram de impedir os camiões dos CTT de sair para a distribuição da noite. Exemplar e esclarecedor do que esta malta entende por “direito”.

    As circunstâncias do mercado impõem, cá como por toda a parte, uma reestruturação dos serviços postais. Já há Estados que pagam aos concessionários para distribuir correio. Sendo, a meu ver, um erro, é sintomático da situação.

    Por cá, reage-se de outra maneira. Os adeptos do costume clamam pela nacionalização, isto é, pela distribuição equitativa dos prejuízos em que as empresas públicas são férteis. Os trabalhadores, esses, perante uma indispensável redução de pessoal, feita de forma paulatina, legal e pacífica, acham que se deve meter mais gente e pagar mais. O chamado governo, moita carrasco.  Tudo atitudes inteligentes, como é de ver.

    Enfim, na melhor das hipóteses pode ser que a crise passe. Na certeza de que os coveiros da economia continuarão a ganhar poder, pelo menos enquanto houver geringonça. Os exemplos multiplicam-se. Só não verá quem não quiser ver.

     

    21.12.17

  • UMA BOA NOTÍCIA, OU NEM POR ISSO

     

    Como já foi dito pelo IRRITADO, não se percebe por alma de quem o Tribunal Constitucional decide,  caso a caso, como no da Gaia, ou seja, porque é que as suas decisões, sendo constitucionais, não cobrem a generalidade do território, dando a impressão que a Constituição não tem aplicação geral nem faz jurisprudência. Enfim, coisas por certo tecnicamente correctas, mas que a razão do comum dos mortais tem dificuldade em entender.

    Desta feita, o mesmo acórdão (inconstitucionalidade do imposto chamado taxa de protecção civil) foi aplicado a Lisboa, ficando-se à espera que outros municípios, os que tal taxa apliquem, venham a ser objecto de igual decisão, o que, no limite, poderá implicar a elaboração de mais uns trezentos acórdãos. Nada mau.

    De qualquer maneira, a invenção (extorsão) socialista que já custou aos lisboetas a sonora quantia de 52 milhões, parece ter chegado ao seu merecido fim. Resta saber quantos anos levará o torcionário Medina a devolver o dinheiro aos expoliados, isto é, a pagar o que lhes deve, sem juros nem prazo, como é hábito das nossas excelentíssimas autoridades.

    Enfim, um boa notícia, pelo menos à primeira vista. Se digo à primeira vista é porque a criatura, ao mesmo tempo que declarava submeter-se à decisão do TC (como se pudesse fazer outra coisa!) “avisou” que a CML encontrará outros meios para se “compensar” deste acidente de percurso.

    A nadar em dinheiro, que gasta mal e porcamente, o senhor Medina vai, diz ele, tratar de extorquir os 52 milhões, correctos e aumentados como é de prever, ao pessoal cá do sítio. Vai aconselhar-se com o jóvem pespinete que as tontas meteram na Câmara, o qual, ouvidas as chefes, não deixará de arranjar maneiras de “ir buscar o dinheiro a quem o acumula”, nas sábias palavras da estrábica ideóloga do BE.

    Se você tiver um andarzinho em Chelas, o melhor é não gastar o que lhe for devolvido, a fim de poder vir a “compensar” a sede esta gente.  E, se tiver dois andares, mesmo que hipotecados aos bancos, vai ver que o camartelo camarário lhe cairá em cima, quer queira quer não. Isto da palavra dada, se der dinheiro, é palavra honrada. Vai ver que a “compensação” do Medina é palavra “honrada”.  E, se a “compensação” for extorquida antes da devolução do outro imposto, não se admire.

     

    21.12.17

  • MORAL REPUBLICANA

     

     

    Em súbito frenesi de honradez e “altura moral”, distintas figuras do poder vieram à tona em defesa de uns amigos contra outros. Tanto as hostes mais costistas como antigos críticos da geringonça, hoje absorvidos, saltaram do seu merecido sossego para esconjurar aqueles que põem em causa a nobreza e a republicaníssima moral vigente no largo do Raro e nas social-aristocráticas criaturas que por lá pululam.

    Bastou que as raparigas do BE lhes saltassem às canelas para que viesse à tona de tais almas a histérica condenação das ofensas por elas proferidas. Como não estão sujeitas à “jurisdição” socialista, como acontece a cerca de trezentos militantes desavindos e em fase de expulsão, recorreram aos media, quais virgens vítimas de assédio, para pôr os pontos nos is.

    O BE violou as regras fundamentais da convivência democrática (Francisco Assis); Não aceitamos nenhuma superioridade moral de nenhum partido, inclusivé dos nossos aliados (Carlos César); Já chega de sermões semanais do Bloco, como se fossem os guardiões da boa moral. O PS não recebe lições de ética política republicana de ninguém (Álvaro Beleza).

    Estão a ver? Como não podem, ou não querem, ou têm medo (ai o poder, o poder) de expulsar o Bloco como fazem a centenas de militantes insurrectos, vai de ter ataquinhos de “moral republicana”.

    Não se sabe bem o que isso seja mas, pela amostra e pelos factos, as respectivas “tábuas da lei” devem ter sido oferecidas aos seus maiores pelo Robespierre, o Marat ou, na melhor das hipóteses, por algum moralista nacional, tipo Afonso Costa.

    Manifestemos a nossa solidariedade para com estas vítimas de assédio político, ainda por cima de saias.

     

    18.12.17

  • ASNEIRAS FARMACOLÓGICAS

    Há quem diga que o IRRITADO passa a vida a dizer cobras e lagartos do PS, da geringonça e do nosso fatal burgesso também conhecido como primeiro-ministro.

    Nada mais injusto da parte dos que tais coisas dizem do pobre IRRITADO que, de um modo geral, mais não faz do que referir-se a factos.

    Olhem para esta: o chamado governo, através do inacreditável ministro da saúde, com o aval do respectivo chefe, nomeou uma comissão: 27 altas inteligências da situação, com a contribuição dos peritos, especialistas ou instituições que por bem tiverem. Tanto podem ser os tais 27, como 42 ou 129, já que, segundo se pode concluir do texto do despacho fundador, não deve haver no tal “grupo de trabalho” nenhum perito, nenhum especialista  nem nenhum representante de alguma instituição interessada. Interessados  em quê, as inteligências, os peritos, as instituições, etc.. Em nada menos que avaliar “cientifica e tecnicamente” a “oportunidade” de… mudar o Infarmed para o Porto.

    O Expresso transcreve o tal despacho. O IRRITADO não o faz porque não quer ver agredida a cabeça dos seus leitores, tal é a chusma de asneiras, de non sense, de paleio de xaxa, de pleonástico tartamudear que revela.

    Fiquemos pelos factos, como é costume: o chamado ministro anunciou à Nação que ia mudar o Infarmed para o Porto – matéria sobre a qual o IRRITADO já se pronunciou. Agora, anuncia que o anunciado era uma patranha, uma patada na poça, uma manifestação da mais funda incompetência política e funcional, uma balela oportunista e idiota, sem fundamento algum, sem estudo prévio algum, sem nada que o justificasse, salvaguardada que seja a patacoada em que o PS já transformou a sacrossanta “descentralização”.

    De tal maneira que é preciso pôr 27+xis fulanos a ganhar umas senhas de presença, com o nobre escopo de vir a salvar a face do ministro, do chefe dele, da geringoça e do PS.

    Como se fosse possível.

     

    18.12.17      

  • O CANDIDATO

     

    É sabido que Santana Lopes, desafiado a meter a Misericórdia no Montepio, andou a encanar aperna à rã, isto é, não se comprometeu com um sim nem disse que não. Compreende-se. Meter a SCML no covil socialístico-maçónico do Montepio, organização com duvidoso futuro financeiro e indubitável capoeira de galos em compita, era um decisão demasiado arriscada. Sem contrariar frontalmente as hostes em presença, foi entretendo e escapando a tal desgraça.

    Sintomaticamente, o novo provedor não foi de modas. A sua primeira decisão foi pôr a circular que a SCML vai comprar uns dez por cento do Montepio por duzentos milhões. Contas feitas por quem sabe, os tais dez por cento, com muito boa vontade, talvez valham oitenta. Donde, o custo da operação é, logo à partida, ruinoso. A máquina socialista, a funcionar como de costume, arranjou padrinho.

    Santana percebeu o que estava em marcha. Era o momento de sair sem ser empurrado para decisões maradas ou para o olho da rua. Aproveitou o deserto de candidatos no PSD para não ter que entrar em guerra com o poder em vigor. Por outro lado, era importante que o provinciano regionalista e pró-socialista Rio não tomasse as rédias do PSD, convertendo o sistema político num mar de esquerdismo democrático destemperado por oportunismos comunistas. Alguém tinha de salvar a honra do convento. Os tipos que querem votar Costa, como os áulicos do Rio, que o façam, como têm anunciado e praticado q.b.. Mas que não venham destruir o partido mais do que já têm feito, durante e depois do governo legítimo.

    Os lobos já uivam por aí. Santana não vai ter a vida fácil. Enfrentar a alcateia é tarefa de gigantes. Mas, desta feita, os lobos não têm o patrono Sampaio para os proteger. E terão um adversário à altura.

     

    18.12.17  

  • TRETAS

     

    As tontas do BE, como é sabido, irritaram-se com o Costa quando este fez o flic-flac das rendas das renováveis, leia-se dos moinhos de vento do Mexia e do Pimenta. Tinham razão. Essa da “palavra dada” era uma treta. Estranho é que, por troca de umas farras políticas, tivessem levado dois anos a descobrir-lo.

    Bem prega frei Tomás. O rapazito que elas meteram na Câmara de Lisboa deu o primeiro ar da sua graça votando contra a extinção da extorsão fiscal a que o Medina chama “taxa da protecção civil”, aliás já vetadas pelo Constitucional, misteriosamente só para Gaia. O BE foi sempre contra tal roubo. O que, como fica à vista, foi só outra treta, uma palavra tão honrada como a do Costa. Quando começam a sentir o cheirinho do poder, as tontas valem o que sempre valeram. Menos que nada.

    Ficou também provado que a jurisprudência do Constitucional é outra treta republicana.

     

    18.12.17

  • PROBLEMA RESOLVIDO, CASO ENCERRADO

     

    A propósito da bronca da Raríssimas anda para aí uma quantidade enorme de gente a dizer cobras e lagartos do governo, do ministro Silva, do secretário Delgado, da dona Brito, da senhora Fertuzinhos, dos primos, filhos, afilhados, parentes, afins, cunhados e outros fantásticos senhores, tudo gente do melhor, a integrar a governamental elite.

    Afinal é tudo fogo de vista, mentira, falsidade, abuso, coisas indignas de gente de bem. ficou tudo devidamente esclarecido pelo formidável político Galamba – aqui conhecido por Caramba, ou por Xiça, altíssima figura do partido que nos dá a honra de dizer que nos governa. Segundo a douta figura, a culpa é dos denunciantes. Sim, dos denunciantes que, em vez de denunciar em sede e tempo próprio (se é que havia coisas a denunciar) andaram a arrastar a asa à dona Brito e guardaram as denúncias para a praça pública. Sim, meus senhores, na correctíssima opinião do Caramba, ou não se denunciava nada, ou se denunciava anonimamente – tipo de denúncia de bufos tão do agrado do opinioso rapaz –, ou se guardava a bom recato a coisa, em vez de, repugnantemente, se apontar o dedo a tão ínclitas pessoas, que é o que são, sem lugar a controvérsias e por definição, os membros do Partido Socialista.

    O IRRITADO saúda efusivamente o letrado propagandista. A verdade sai-lhe da boca como uma filhós azedada, com amargura e indignação. Os funcionários, tesoureiros, contabilistas, especialistas em limpezas e outros malandros da Raríssimas para a prisão, e já, porque, como diria o fantástico Não-sei-quantos Silva, quem se mete com o PS leva.

    Problema resolvido. Caso encerrado, a bem da República.

     

    15.12.17    

  • DEGUSTAÇÃO

     

    Em eufórica discursata de Natal dirigida ao pessoal de serviço em Bruxelas em particular e ao povo português em geral, o nosso admirável dirigente conhecido como primeiro-ministro declarou, de alma cheia de satisfação e orgulho pátrio, que “este ano foi particularmente saboroso para Portugal”.

    Corações ao alto, ó portugueses! O fantástico dirigente que temos acha saborosíssimos os cadáveres dos incêndios, um manjar as tralhas desaparecidas na tropa, um maná as rendas das eólicas, deve dar três estrelas Michelin às patadas na poça dos seus ministros, ao aumento do IRC e das contribuições para a segurança social, às “0raríssimas” trapalhadas do Silva e do Morgado, enfim, a um mar de condutos da melhor qualidade, a encher de prazer o intestino da criatura.

    Coisas tão saborosas, só para gente da alta, não é?

     

    14.12.17

  • DROGAS

    Em mais uma brilhantíssima iniciativa em prol dos “direitos humanos”, um dos serventuários das malucas do BE avançou com um projecto de lei destinado a “legalizar” o uso de canábis, droga leve, para fins medicinais.

    Que eu saiba, para tal fim, o uso de drogas, até das pesadas, como a morfina, é perfeitamente legal, não se percebendo lá muito bem porque há-de ser preciso uma lei do parlamento especificamente para o canábis.

    Pensa o comum dos mortais e dizem leis em vigor, que o uso e legalização de medicamentos é coisa que se trata em sede própria, ou seja, no Infarmed, com os seus 350 funcinários, tidos por devidamente habilitados para o efeito e, para já, residentes em Lisboa. Portanto, se o tal canábis for tido por eficiente no tratamento de doenças, é a tal instância que compete reconhecê-lo e regular a sua utilização. Os deputados não só não percebem nada do assunto como são rigorosamente incompetentes para considerar seja que substância for como aplicável em medicina.

    Estamos, por isso, perante mais uma iniciativa que não tem nada a ver com o fim a que diz destinar-se.

    Então, o que lhe subjaz?

    Uma hipótese terá a ver com algum raspanete que as doidas tenham dado ao rapaz: “andas para aí sem fazer nada, tens que dar um ar da tua graça”. O rapaz pensou, pensou, à procura de alguma ideia salvadora, de preferência com um cheirinho a “fracturante”. Como a organização adora drogas e coisas do género, lembrou-se daquela do canábis, no que foi entusiasticamente aplaudido pelas chefes (quem sabe se “chefas”, lá no seio da camarilha). É uma hipótese cruel, reconheço.

    Talvez a coisa seja mais funda, isto é, vá mais no sentido dos tais “direitos humanos”. Como o canábis não está, com facilidade, à disposição da respectiva clientela para fins não curativos, as coisas facilitar-se-ão, bastando haver um médico compreensivo para receitar ou até um amigo ajudante de farmácia lá no bairro para vender o estimável produto. Os eleitores do BE e outros consumidores melhorarão a sua qualidade de vida.

    Uma terceira hipótese, talvez a mais provável, é a de que a intenção seja tão só aparecer nos solícitos media, a quem matérias deste tipo causam sempre um frisson dos diabos. Ficaram garantidos largos minutos na TV e vastas páginas de jornais. Êxito total.

    Nada a ver com a saúde de cada um, mas muito bem organizado.

     

     

    13.12.17

  • CARÍSSIMA!

     

    Houve uns comentadores desta casa que se rebelaram contra o facto de o IRRITADO não fazer considerações sobre um tal Morgado. Como não fazia ideia de quem ou de que se tratava, fiquei na mesma.

    Até que uma das 32 funcionárias da sede social do IRRITADO me disse o que estava em caudsa: o dito Morgado era um secretário de Estado do chamado governo, ao qual uma senhora, alta dirigente de uma organização sem fins lucrativos, tinha atribuído o estatuto de consultor ou coisa que o valha, a fim de lhe pagar 3.000 euros por mês a troco, quando muito, de pôr o ilustre nome do homem no papel timbrado da agremiação. Qual o escândalo? Nenhum. Um nome tão célebre como o do Morgado bem merecia uns tostões.

    Alguém pode ser contra isto? Ninguém, a não gente de maus sentimentos e de fraca consciência social.

    Facto é que tal gente se pôs a escarafunchar, e escarrapachou por aí que a senhora em apreço, antiga saracoteante modelo e modelar dona de um quiosque, teve um filho com problemas. A criança morreu. A senhora, prenhe de desgosto e de bons sentimentos, tratou de arranjar uma estrutura que tratasse de pessoas com problemas do mesmo tipo. Andou, andou, e fundou uma organização de tal maneira útil e prestigiada que, anos depois, com o patrocínio da Rainha de Espanha, da dona Maria Cavaco, da dona Leonor Beleza e de outras altas figuras da Pátria e da República, se transformou numa instituição digna de todos os encómios, incluindo condecorações presidenciais, presidenciais afectos e presidenciais visitas. A fazenda pública estava dentro com uns milhõezitos, o chamado ministro do trabalho, senhor Silva, tinha lugar nos órgãos sociais da organização, e até lhe dava tanto apoio que mandava a amantíssima esposa à Suécia à conta da respectiva tesouraria. Escândalo? Nenhum.

    Mas as pessoas de maus sentimentos escarafuncharam ainda mais. Parece que a benemérita dona da ONG em causa, senhora de indesmentível charme e indiscutível sex appeal, comprava uns vestiditos à conta, comia umas jantaradas, viajava a torto e a direito, ganhava mundos e fundos, tratava-se bem, tinha um beamer dos bons, enfim, meus senhores, levava uma vida de acordo com as NEP’s do estrato socio-político em que verdejava. Como queriam que se apresentasse a presidentes, ministros, rainhas, primeiras damas, banqueiros, etc.? De chinelos? Com as meias rotas? De bicicleta? Que almoçasse no João do Grão? Nem pensar. Escândalo? Não brinquem em serviço.

    Só gente muito mal formada, muito odiosa, muito invejosa, pode pensar que a ínclita senhora não estava no pleníssimo direito de utilizar, para seu bem-estar e prestígio, umas verbazitas (diz-se que umas míseras centenas de milhar) maioritariamente provenientes da fazenda pública. Que topete! Afinal, o dinheiro do Estado, como as empresas do Estado, não é de todos, como dizem os tipos da geringonça? Ou, como dizem os irritados, sendo de todos não é de ninguém, não tem dono.  Se não tem dono, porque havia a senhora de se privar, ou à família, fosse do que fosse?

    Que diabo, isto á a IIIRepública! Haja juízo.

     

    13.12.17

  • PROCRASTINAR

     

    A tempestade andou por aí a chatear teve inúmeras consequências graves, entre as quais a queda de 1997 árvores ou ramos, felizmente nenhuma ou nenhum em cima do toutiço dos indígenas. Mas 1997 é um número impressionante.

    Já não é a primeira vez que o IRRITADO fala no estado das árvores. Votadas há décadas ao mais miserável abandono, as árvores de Lisboa (no resto do país é mais ou menos a mesma coisa) crescem ao Deus dará, nunca são revitalizadas por meio indispensáveis podas, prática normal para quem as tenha no jardim, mas totalmente desconhecida para as autoridades autárquicas, da protecção civil, dos bombeiros, dos silvicultores, etc..

    Olhem o estado de “desenvolvimento” da floresta da avenida da liberdade e pensem quando cairá uma em cima dos turistas ou dos passantes. Olhem os plátanos gigantescos que, em fase de apodrecimento, abundam pela cidade fora.

    Olhem, e pensem quantos cadáveres serão precisos para que os merdinas e companhia tratem do assunto.

     

    13.12.17

  • GENTE DO MELHOR

    Percebo as críticas de muitos opinion makers cá do sítio que vociferam contra a chamada partidarite, coisa que leva os adeptos de uns a pôr as culpas de tudo o que é mau para as costas de terceiros, contabilizando o que acham bom a crédito de si mesmos. É o evidente caso do Costa. Há dois anos não faz outra coisa, não se cansando de bater na oposição, raiz e fonte de todos os males reais e imaginários. Assim transformando o PS em particular e a geringonça em geral não num governo mas numa aguerrida e insultante oposição à oposição.

    Porém, nos últimos tempos, os tiros desta espingarda passaram ser de pólvora seca ou a acertar nos pés do caçador, com inúmeras trapalhadas, mentidos e desmentidos, faltas evidentes à famosa “palavra honrada”, inúmeras pessegadas de tipos tidos por ministros, etc. e tal. É o “novo ciclo”, por aí tão propalado, a provocar ataques de histerismo às malucas do BE, crises de sovietismo primário ao Jerónimo e, imagine-se, uns tímidos estremeções nalguns fulanos do PS, já prontamente perseguidos pela “justiça” partidária. Até o camarada socialista revolucionário e arcebispo primaz do BE, senhor Louça, já tratou de anunciar a possibilidade de estar em preparação um novo resgate. Será que o diabo está à solta?

    Neste brilhante estado de coisas, temeroso, o PS dá sinais de procurar uma tábua de salvação destinada a substituir os comunistas por quem estiver à mão, a fim de, no novo ciclo, manter o poder costita. Até o esquerdista dos Porsches e dos Maseratis, um tal Santos, já veio insinuar que, daqui por diante, será o tempo dos “consensos” à direita. Quem havia de dizer? Numa explicação simples mas certeira, é o poder do cagaço a funcionar.  

    Apesar destas circunstâncias, do lado do PSD há quem dê uma ajudinha. O senhor Rio, aqui há tempos, deu o mote. Depois, disse que era mentira, mas, para muita gente, como o primeiro amor é que é bom, fica o que à partida foi dito. O estranho mandatário do homem, Sarmento de seu nome, leva as coisas mais longe. Sem papas na língua, denuncia-se como indefectível admirador do camarada Costa, em quem votará se, na sua pitoresca opinião “tudo ficar na mesma”, isto é, se Santana ganhar a liderança do partido que o Sarmento tenta afirmar como ainda seu. Acrescenta que jamais ouviu, de Santana, uma ideia que se veja. Lapidar. E, logo a seguir, afirma, com indiscutível amor à verdade e à coerência, que nunca disse nem dirá mal dele.

    Tudo de pernas para o ar nesta mirabolante candidatura aquícola. Em vez de atacar, ou criticar, os adversários do partido, o mais notório apoiante de Sarmento confessa a sua admiração por eles, dá pancada no concorrente interno e, depois, diz que é mentira.

    Tudo somado, temos homens for all seasons. Passaram do oitenta para o menos oito.  

     

    11.12.17

  • GERINGONCIAIS EUFORIAS

    Dizem, e parece que é verdade, que o pessoal, animado pela propaganda do chamado governo, não poupa um chavo e se vai endividando à fartazana. Tudo como nos tempos do camarada 44. Carros novos, casas novas, um vê se te avias, que a banca está aí outra vez, cheia de dinheiro e ávida de juros.

    Se é verdade que as mesmas causas levam às mesmas consequências, imagine-se o que vem aí mais depressa do que seria de supor. O mal-amado chefe do Banco de Portugal já veio fazer um tímido aviso, a ver se mete algum juízo na gestão de créditos e na cabeça dos indígenas. Ou muito me engano ou anda a prègar no deserto. A conta virá, a seu tempo. Alguém há-de pagar. Se o “governo” diz que está tudo OK…  como dizia o Salazar, o que parece, é.

     

    11.12.17

  • DEFESA NACIONAL

    O Costa anda com bem merecido azar. Animado pela eleição do Centeno, achou que as primeiras páginas tinham boas razões para deixar de repisar cortejo de pessagadas em que tem andado envolvido.

    Dois dias passados, a pessegada voltou, e é bem feita. O palhacinho da defesa encarregou-se dos pêssegos. Disse aos deputados que ia dar-lhes os documentos sobre o programa governamental da defesa europeia. Era mentira, não ia dar coisíssima nenhuma. Rebentada a bronca, veio clamar que o que tinha dito era verdade, só que não tinha lido a história toda e, por isso, não sabia do seu conteúdo. Mais uma palhaçada deste profissional das ditas.

    O tipo a quem se chama ministro da defesa confessa que, quando prometeu aos deputados dar-lhes os papéis, não sabia o que eles continham, isto é, o ministro da defesa nunca leu aquilo de que falava, não fazia ideia do que se estava a “tramar” nas suas costas. Como ministro, não existe. Como palerma e aldrabão, abusa.

    Pior do que o Costa ter ido buscar para ministro de matérias tão sensíveis um ignorante crasso, sem currículo nem nome na defesa, funcionário de segunda do tipo do Porto, avulta o facto de o manter no poleiro depois dos chorrilhos de asneiras com que tem presenteado a Nação.

    Nada que não esteja de acordo com a coluna vertebral da geringonça.

     

    7.12.17

  • ASSUMIR A DIREITA

    Às vezes, muitas vezes, ou sempre, parece que estamos trinta anos atrás. Saídos de um sistema autoritário de direita, estatista e controleiro mas com inúmeros tiques socialistas, a direita democrática considerou-se “social”, evitou nomes, siglas e rótulos que pudessem ser conotados, ainda que por absurdo, com a filosofia vencida. O PPD original teve que se transmutar em PSD, ainda que, com apoios da respectiva internacional, à época vigorosa, o espaço dito social-democrata estivesse ocupado pelo PS. Internacionalmente, o PPD/PSD conotou-se com o PPE, mas internamente não foi capaz de o assumir.

    Estamos na mesma. Décadas passadas, tudo mudou no mundo mas, em Portugal, os complexos de esquerda continuam evidentes. Os partidos do centro e da direita têm pejo em afirmar-se como tal, prisioneiros que continuam da tralha esquerdizante que assolou o país. Palavras como conservador e liberal, por exemplo, continuam banidas do nosso léxico político, como se os políticos, seguidos pela “opinião” e pela “informação”, tivessem vergonha de assumir claramente a posição que, no fundo, é a dos seus apoiantes e que está na raiz ideológica da maioria dos povos europeus.

    Quando ouvimos, por exemplo, o bem articulado discurso de Rui Rio, para além de verificarmos ao vivo a aplicação do princípio de Peter, ficamos com uma imagem clara do domínio, omnipresente em 2017, do nacional complexo de esquerda, como se o mundo fosse o mesmo, como se o país fosse o mesmo de há tantos anos atrás. Os vícios que esta paralizia mental introduziram na nossa vida e na nossa mentalidade continuam a minar o pensamento e as emoções das nossas elites e a anquilosar a sociedade.

    Precisamos de alterar o status quo como de pão para a boca. Mas os políticos que podiam corporizar tal alteração continuam com medo do eleitorado imediato, incapazes de perspectivar um futuro diferente e de o defender publicamente com coragem e determinação. De frente, por palavras claras, sem atalhos nem rodriguinhos. É por isso que a sociedade portuguesa continua tão ou mais estatista e controlada do que o era no tempo da ditadura.

    Com uma réstia de pouco optimista esperança desejar-se-ia que o discurso de Pedro Santana Lopes venha a sair deste pântano, não com imediatismos cobardes mas com uma visão do futuro a médio e longo prazo.

     

    7.12.17     

  • PALAVRA DADA

     

    Numa das suas diárias sessões de propaganda, o cidadão tido por primeiro-ministro demonstrou mais uma vez a sua fidelidade aos compromissos e à palavra dada. Com toda a razão, desta vez no caso das renováveis, prado onde pastam o Mexia e o Pimenta. Cabeça levantada, voz poderosa, a criatura declarou que, havendo um contrato assinado (pelo Sócrates, quem havia de ser), o Estado (ele, Costa) era, como sempre, fiel à palavra dada, respeitava os compromissos do Estado. Notável, digno dos maiores encómios, não é?

    É. Ou seria, se fosse verdade. Então não foi o mesmo Costa quem deitou para o lixo, por exemplo, os contratos de concessão dos transportes? Então não foi o mesmo Costa que, na altura, disse que era um caso de interesse público? Foi. Então, onde está a palavra, onde está a fidelidade aos contratos do mesmo Estado em nome de quem o Costa diz actuar? Foram-se.

    Expliquemos, que parece que a bota não diz com a perdigota. Há uma difernça importante. Na cabeça do fulano, há contratos e contratos, de um lado os assinados pelo seu bem-amado ex-chefe Sócrates, do outro os subscritos pelo pai de todos os males, Passos Coelho. No primeiro caso, há que respeitar, no segundo, “reverter”. É o esplendor da “palavra” socialista.

    Em alternativa, se o Costa fosse capaz de dizer a verdade, comunicaria aos indígenas que respeitava os contratos porque, fazendo o contrário, se arriscava a ser condenado a indemnizações monumentais. O que, aliás, vai acabar por acontecer no caso dos transportes. O Centeno disse-lhe que nem pensar, os contratos do Sócrates têm blindagens à la manière.

    Mas dizer verdades não é especialidade que esteja em vigor, o que está em vigor é a propaganda.

    “Os contratos da energia são para cumprir, nós cumprimos os contratos”, disse ele. Pois, dizia a minha prima, que gostava muito de dizer coisas.

     

    6.12.17

  • LEITURAS

    Mais uma importante notícia sobre os brilhantíssimos resultados da política “educativa” do Mário Nogueira e do seu amigo e aluno, o barbaças  da educção: a qualidade da leitura das criancinhas do quarto ano está em trigéssimo lugar entre cinquenta países avaliados, Burkina Fasso incluído. Dois anos de geringonça provocaram uma queda de onze lugares na classificação.

    O campeonato continua, as perspectivas são negras, mas os treinadores são os mesmos e os jogadores andam na rua aos gritos em vez de dar corda às botas.

     

    6.12.17   

  • MALDADE E BONDADE

    Em Abril, o senhor de Belém declarou que a eleição do Centeno para o Eurogrupo era porque Portugal precisava de ter por cá o ministro das finanças. Aqui há dias, disse que era boa. Coerência e firmeza de opiniões. Conclui-se que, sem margem para dúvidas e segundo a actual opinião de Sexa, o Centeno já não faz cá falta nenhuma.

    O IRRITADO não faz a menor ideia se, para Portugal, será bom ou mau – o mais provável é ser igual ao litro. Mas, para a Europa do Euro será uma maravilha. Todos os ministros da finanças aprenderão a tirar macacos do nariz e, mais importante ainda, a comê-los, o que constitui uma inigualável mensagem para os nutricionistas da zona que tanto lutam pela higiene alimentar dos europeus. É certo que o facto ficará conhecido como o ponto mais alto do eventual mandato do ilustre português. Alegremo-nos.

    Para além da importantíssima gestão dos macacos do nariz, Centeno ensinará aos seus pares a quadratura do círculo em versão geringôncica, isto é, o remédio para todos os males, a euro-panaceia: se faltar dinheiro para pagar votos, não há problema, corta-se na saúde, na educação e noutras miudezas do género, mais umas cativaçõezinhas, uma reversões à la carte, e está o problema resolvido. Se bem seguida esta doutrina, todos precisarão de resgates, o que levará à igualdade, deixará de haver Europa do Sul e Europa do Norte, continentais e periféricos, uns a uma velocidade outros a outra. Tudo teso e feliz, como no tempo do doutor Salazar.

    Soube agora que, à primeira contagem, o homem não passou. Se, em definitivo, não passar, ganhará juízo. Se passar, perderá o juízo que lhe resta.

     

    4.12.17