IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


CARÍSSIMA!

 

Houve uns comentadores desta casa que se rebelaram contra o facto de o IRRITADO não fazer considerações sobre um tal Morgado. Como não fazia ideia de quem ou de que se tratava, fiquei na mesma.

Até que uma das 32 funcionárias da sede social do IRRITADO me disse o que estava em caudsa: o dito Morgado era um secretário de Estado do chamado governo, ao qual uma senhora, alta dirigente de uma organização sem fins lucrativos, tinha atribuído o estatuto de consultor ou coisa que o valha, a fim de lhe pagar 3.000 euros por mês a troco, quando muito, de pôr o ilustre nome do homem no papel timbrado da agremiação. Qual o escândalo? Nenhum. Um nome tão célebre como o do Morgado bem merecia uns tostões.

Alguém pode ser contra isto? Ninguém, a não gente de maus sentimentos e de fraca consciência social.

Facto é que tal gente se pôs a escarafunchar, e escarrapachou por aí que a senhora em apreço, antiga saracoteante modelo e modelar dona de um quiosque, teve um filho com problemas. A criança morreu. A senhora, prenhe de desgosto e de bons sentimentos, tratou de arranjar uma estrutura que tratasse de pessoas com problemas do mesmo tipo. Andou, andou, e fundou uma organização de tal maneira útil e prestigiada que, anos depois, com o patrocínio da Rainha de Espanha, da dona Maria Cavaco, da dona Leonor Beleza e de outras altas figuras da Pátria e da República, se transformou numa instituição digna de todos os encómios, incluindo condecorações presidenciais, presidenciais afectos e presidenciais visitas. A fazenda pública estava dentro com uns milhõezitos, o chamado ministro do trabalho, senhor Silva, tinha lugar nos órgãos sociais da organização, e até lhe dava tanto apoio que mandava a amantíssima esposa à Suécia à conta da respectiva tesouraria. Escândalo? Nenhum.

Mas as pessoas de maus sentimentos escarafuncharam ainda mais. Parece que a benemérita dona da ONG em causa, senhora de indesmentível charme e indiscutível sex appeal, comprava uns vestiditos à conta, comia umas jantaradas, viajava a torto e a direito, ganhava mundos e fundos, tratava-se bem, tinha um beamer dos bons, enfim, meus senhores, levava uma vida de acordo com as NEP’s do estrato socio-político em que verdejava. Como queriam que se apresentasse a presidentes, ministros, rainhas, primeiras damas, banqueiros, etc.? De chinelos? Com as meias rotas? De bicicleta? Que almoçasse no João do Grão? Nem pensar. Escândalo? Não brinquem em serviço.

Só gente muito mal formada, muito odiosa, muito invejosa, pode pensar que a ínclita senhora não estava no pleníssimo direito de utilizar, para seu bem-estar e prestígio, umas verbazitas (diz-se que umas míseras centenas de milhar) maioritariamente provenientes da fazenda pública. Que topete! Afinal, o dinheiro do Estado, como as empresas do Estado, não é de todos, como dizem os tipos da geringonça? Ou, como dizem os irritados, sendo de todos não é de ninguém, não tem dono.  Se não tem dono, porque havia a senhora de se privar, ou à família, fosse do que fosse?

Que diabo, isto á a IIIRepública! Haja juízo.

 

13.12.17



9 respostas a “CARÍSSIMA!”

  1. “Houve uns comentadores desta casa que se rebelaram contra o facto de o IRRITADO não fazer considerações sobre um tal Morgado.”?!!!!Onde? Quantos? Quem?Tenha juízo!

  2. A «útil e prestigiada» organização chama-se – o Irritado tem o hábito de não nomear as coisas – Raríssimas. E o sec. Estado chama-se Manuel Delgado, não Morgado. É azar: quando as nomeia,às vezes engana-se. O caso da Raríssimas mostrou-nos duas coisas. A primeira foi a reacção do Delgado. Ao que parece, o tipo tinha um affair com a presidente, foram passear ao Brasil (à pala, claro), etc. Confrontado, disse: “A minha vida privada não é para aqui chamada”. E ameaçou processar a jornalista, Ana Leal. Pois respondeu a Ana Leal, que merece maiúsculas: “Ele está equivocado. Isto DIZ RESPEITO A TODOS NÓS, PORQUE SOMOS NÓS QUE PAGAMOS A RARÍSSIMAS… E O ORDENADO DELE”. Está a ver, Irritado? É assim que se fala! É a resposta a todos, todos, todos os pulhíticos e pseudo-gestores que invocam “razões pessoais”, o “bom nome”, a privacidade… mas qual quê: estes pulhas vivem do nosso dinheiro, do nosso trabalho. Devem-nos todas as explicações. Devem-nos tudo.

    1. De acordo, na generalidade.Admito que o post não fosse “acurate”, ou que a ironia usada não tivesse piada. Quem o ler, porém, pensará que o post não era irónico, o que me faz uma confusão dos diabos.

  3. A segunda coisa é, roubando o título a Márquez, mais uma crónica da mama anunciada. Passo a explicar. Este seu dedicado leitor, quis a sorte, conhece bem a Raríssimas. Conheço-a há anos, conheço a (ex-)modelo que lhe presidia, e sim, aquilo sempre cheirou a esturro. Não digo que tudo seja mau, até terá ajudado algumas pessoas. Mas era fácil perceber as peneiras, a ambição, a ânsia de teta que por lá havia. Na presidente, no filhote, na hierarquia, nos padrinhos pulhíticos… há coisas que estão na cara. O escândalo confirmou, passe o umbiguismo, tudo o que vi e que suspeitei. E não é que eu tenha poderes especiais; é que era óbvio. É geralmente óbvio! E isto é aquilo a que o Irritado chama “maledicência”. É a indignação legítima, a suspeita justificadíssima pela boa vida inexplicável de tantas entidades e pessoas, nesta choldra em forma de país. É aquilo que v. recusa ver e assumir, nos pulhíticos em geral, nos seus compinchas em particular. É aquilo de que falámos há dias, sobre o seu caro Santana e o seu caro Passos. É a ingenuidade selectiva, a cumplicidade podre. Há coisas que estão na cara. Com os anos, sabemos. Um pulha, um chulo, um trafulha, cheira-se a milhas. Só não cheira a quem já se habituou ao cheiro a esgoto. P.S. Dá gosto ver associadas à vergonha «altas figuras da Pátria», e não só, como a Rainha de Espanha, a Maria Cavaca, o Ulrich, etc. Ver chulos e chulões enlameados, embora indirectamente, é sempre divertido. Sei que o Irritado concorda. P.P.C. A Raríssimas tem sido mais ligada à máfia do PS, mas sabe que foto a insigne presidente tinha em destaque para as visitas? Uma foto dela abraçada a… Passos Coelho.

    1. Pois eu nem sequer sabia que a Raríssimas, o Morgado, ou Delgado, existiam. Se eu fosse como o Bastos, diria: estão a ver, estão a ver, o Filipe conhecia a coisa há anos, mas estava caladinho como um rato, assim colaborando com pulhas e mamões… Se no seu saco cabe toda a gente…

      1. E seria justo dizer isso! Teria razão. Vê, é mesmo assim que funciona. Realmente, aqui podia – provavelmente devia – ter feito mais. Também me debato com o seu conceito de “bufo”: acho que ninguém de bem se sente bem a denunciar outrém. Mas não é racional. Se presenciar um roubo, não o denuncia à polícia? Isso faz de si bufo? Então qual a diferença? Neste caso tinha a atenuante da instituição, que até ajuda pessoas. A questão é a mama paralela a essa ajuda. Optei por ignorar o assunto, passei a lidar com ele o mínimo possível. É confortável, mas não é correcto.

        1. Parabéns. É assim mesmo. O horror aos bufos vem da juventude, da PIDE e de outras porcarias afins. Não se perde com o tempo.

          1. Creio que não leu esta parte… Mas não é racional. Se presenciar um roubo, não o denuncia à polícia? Isso faz de si bufo? Então qual a diferença?

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