Em Abril, o senhor de Belém declarou que a eleição do Centeno para o Eurogrupo era má porque Portugal precisava de ter por cá o ministro das finanças. Aqui há dias, disse que era boa. Coerência e firmeza de opiniões. Conclui-se que, sem margem para dúvidas e segundo a actual opinião de Sexa, o Centeno já não faz cá falta nenhuma.
O IRRITADO não faz a menor ideia se, para Portugal, será bom ou mau – o mais provável é ser igual ao litro. Mas, para a Europa do Euro será uma maravilha. Todos os ministros da finanças aprenderão a tirar macacos do nariz e, mais importante ainda, a comê-los, o que constitui uma inigualável mensagem para os nutricionistas da zona que tanto lutam pela higiene alimentar dos europeus. É certo que o facto ficará conhecido como o ponto mais alto do eventual mandato do ilustre português. Alegremo-nos.
Para além da importantíssima gestão dos macacos do nariz, Centeno ensinará aos seus pares a quadratura do círculo em versão geringôncica, isto é, o remédio para todos os males, a euro-panaceia: se faltar dinheiro para pagar votos, não há problema, corta-se na saúde, na educação e noutras miudezas do género, mais umas cativaçõezinhas, uma reversões à la carte, e está o problema resolvido. Se bem seguida esta doutrina, todos precisarão de resgates, o que levará à igualdade, deixará de haver Europa do Sul e Europa do Norte, continentais e periféricos, uns a uma velocidade outros a outra. Tudo teso e feliz, como no tempo do doutor Salazar.
Soube agora que, à primeira contagem, o homem não passou. Se, em definitivo, não passar, ganhará juízo. Se passar, perderá o juízo que lhe resta.
4.12.17

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