IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DEMOCRACIA FOLCLÓRICA

 

Uma coisa ficamos a dever aos canalhas da Autoeuropa: a descoberta das vantagens da democracia referendária.

Os tipos tinham uma comissão de trabalhadores que, há anos, negociava com o patrão com bons resultados para as partes. Mas a comissão resolveu pôr a votos o seu último acordo de empresa. O Arménio viu a oportunidade. Depois de comunicar com o comité central, pôs a sua mesnada em acção. Referendou-se o acordo. Resultado: com ele, caiu a comissão. Passaram uns meses. Nova comissão foi eleita, negociou outra vez, e chegou a acordo. Mas, apesar de eleita e representativa, considerou, ou foi-lhe imposto pelos arménios lá do sítio, que havia que referendar o novo acordo. Nova oportunidade para o Arménio. Intriga daqui, intriga d’acolá, e o novo acordo também foi chumbado. Dizem que o comité central, sempre justo, lhe vai dar a Ordem de Lenine.

Postas as coisas em termos gerais, o que por duas vezes se passou foi a condenação da democracia representativa, isto é, o pessoal elege representantes, mas não lhes reconhece representatividade: a rua é que é bom, mesmo que isso, mais que prejudicar o patrão, prejudique os que estão na bicha para o emprego (é a solidariedade proletária!) e os que estão empregados, dê cabo dos restos de confiança de investidores atentos e leve o gigante germânico a pôr de lado este jardim em matéria de projectos.

Para alguns ilustres frequentadores deste blogue, aqui temos um exemplo de como funciona a democracia referendária.

 

4.12.17

 



Uma resposta a “DEMOCRACIA FOLCLÓRICA”

  1. Se o que os tais representantes combinaram foi rejeitado pelos trabalhadores que eles supostamente representam, então, conclui-se, eles afinal não representavam grande coisa. De contrário, a votação teria confirmado o acordo. Não é? Isto devia ser uma pergunta retórica, mas consigo é uma pergunta a sério: é ou não é? Democracia é votar, escolher. Até podemos delegar certas escolhas, por razões práticas, mas não podemos delegá-las todas, nem podemos delegá-las incondicionalmente. De contrário, deixa de ser democracia. Qualquer ditador faz também o que lhe dá na gana, e diz também que tem o “acordo do povo”. A nível de escolhas, os regimes de Salazar, Hitler ou Ceausescu perguntavam tanto ao povo como os nossos “representantes”. No caso da Autoeuropa, como em qualquer referendo, o resultado pode ser bom ou mau, pode agradar-nos ou não. Mas é democrático. E quem o escolheu irá pagar ou receber as consequências. Como é normal. Já no caso do país, quem faz as escolhas só recebe tacho, poleiro e mama. E quem nada escolhe é que as paga.

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