Percebo as críticas de muitos opinion makers cá do sítio que vociferam contra a chamada partidarite, coisa que leva os adeptos de uns a pôr as culpas de tudo o que é mau para as costas de terceiros, contabilizando o que acham bom a crédito de si mesmos. É o evidente caso do Costa. Há dois anos não faz outra coisa, não se cansando de bater na oposição, raiz e fonte de todos os males reais e imaginários. Assim transformando o PS em particular e a geringonça em geral não num governo mas numa aguerrida e insultante oposição à oposição.
Porém, nos últimos tempos, os tiros desta espingarda passaram ser de pólvora seca ou a acertar nos pés do caçador, com inúmeras trapalhadas, mentidos e desmentidos, faltas evidentes à famosa “palavra honrada”, inúmeras pessegadas de tipos tidos por ministros, etc. e tal. É o “novo ciclo”, por aí tão propalado, a provocar ataques de histerismo às malucas do BE, crises de sovietismo primário ao Jerónimo e, imagine-se, uns tímidos estremeções nalguns fulanos do PS, já prontamente perseguidos pela “justiça” partidária. Até o camarada socialista revolucionário e arcebispo primaz do BE, senhor Louça, já tratou de anunciar a possibilidade de estar em preparação um novo resgate. Será que o diabo está à solta?
Neste brilhante estado de coisas, temeroso, o PS dá sinais de procurar uma tábua de salvação destinada a substituir os comunistas por quem estiver à mão, a fim de, no novo ciclo, manter o poder costita. Até o esquerdista dos Porsches e dos Maseratis, um tal Santos, já veio insinuar que, daqui por diante, será o tempo dos “consensos” à direita. Quem havia de dizer? Numa explicação simples mas certeira, é o poder do cagaço a funcionar.
Apesar destas circunstâncias, do lado do PSD há quem dê uma ajudinha. O senhor Rio, aqui há tempos, deu o mote. Depois, disse que era mentira, mas, para muita gente, como o primeiro amor é que é bom, fica o que à partida foi dito. O estranho mandatário do homem, Sarmento de seu nome, leva as coisas mais longe. Sem papas na língua, denuncia-se como indefectível admirador do camarada Costa, em quem votará se, na sua pitoresca opinião “tudo ficar na mesma”, isto é, se Santana ganhar a liderança do partido que o Sarmento tenta afirmar como ainda seu. Acrescenta que jamais ouviu, de Santana, uma ideia que se veja. Lapidar. E, logo a seguir, afirma, com indiscutível amor à verdade e à coerência, que nunca disse nem dirá mal dele.
Tudo de pernas para o ar nesta mirabolante candidatura aquícola. Em vez de atacar, ou criticar, os adversários do partido, o mais notório apoiante de Sarmento confessa a sua admiração por eles, dá pancada no concorrente interno e, depois, diz que é mentira.
Tudo somado, temos homens for all seasons. Passaram do oitenta para o menos oito.
11.12.17

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