Uma rapariga zanaga, ao que dizem muito honrada e reconhecidamente meia tonta, fez uma das suas cenas da treta no parlamento, dizendo por palavras cruas que o chamado primeiro-ministro, ao contrário do que proclama, não tem palavra honrada, honra na palavra ou palavra de honra. A coisa deu brado. O atacado insurgiu-se, rapou das divisas de 1º cabo, e vai de resgatar a honra ofendida mediante inflamada oração de ignorância, a qual consistiu na já nauseabunda reprodução da sua habitual cassete, genialmente programada para se opor à oposição, feita de reversões, cativações, donativos e estagnação.
Ofendida porque o PS e o seu cabo tinham dito o dito por não dito, dado uma cambalhota à rectaguarda e faltado à tal palavra, a rapariga descobriu o que toda a gente já sabe: que a palavra do cabo, ou não presta, ou há muito é vã. Acordou tarde. Se queria alegar como alegou, podia ter começado mais cedo. Bastava-lhe ter andado uma semana para trás para perceber o que é isso de palavra em acepção do poder costista. Em dois dias, sobre o caso dos professores, o homem tinha dito tudo de pernas para cima, de pernas para baixo, de pernas fechadas, de pernas abertas, numa multiplicação de palavras honradas, tantas que ninguém poderá dizer quantas o homem não honrou, e que só pararam após o nosso cabo ter prestado fidelidade e vassalagem ao general Nogueira. Se mais para trás fosse, a pequena teria encontrado quilos e quilos de material para se pronunciar. Mas não. Só o fez quando a palavra desonrada lhe tocou a fímbria das vestes e lhe retirou uso de mais uns “slogans” populistas. As outras não lhe dizem respeito.
A fechar este post, cito uma das últimas frases, em breve célebres, do chamado primeiro-ministro, bem demonstrativa da sua alta cultura, da sua argúcia, da sua inigualável inteligência e do seu distinto génio como cultor da língua portuguesa: Mesmo quando chegamos ao fim da estrada, vamos continuar a abrir a estrada, porque a nossa estrada não tem fim.
Fique-se com esta e, em abono da sua saúde mental, não tente pô-la a fazer sentido.
29.11.17

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