Vamos lá a ver se percebi. O camarada Centeno resolveu retirar uns territórios da lista negra dos “paraísos fiscais”, não sei se por terem deixado de ser paraísos se por alto critério do fulano. O resultado prático da douta decisão é o de que os tais territórios passam a ter que declarar todos os carcanhóis que os residentes em Portugal para lá enviaram. Quem, como e quanto.
Dada a justa e tão propalada luta desenvolida pela moral vigente contra tais práticas, legais e ilegais, parece que a decisão tem o resultado positivo, em termos fiscais, de pôr em cima da secretária dos sátrapas da AT os elementos necessários para a respectiva perseguição. Parece bem, dependendo dos critérios a aplicar.
Para já, parece que já foram arrolados uns quatro mil milhões que os “residentes em Portugal” lá têm a bom recato. Nada mau. Uns serão milhões legítimos, outros não, o que competirá julgar por quem de direito.
Não se percebe o que andam a fazer os “reguladores” que não sabem da saída de tanta massa. Em alternativa, tal massa não tem origem em Portugal, só os seus proprietários. Mas isto é matéria para iluminados, não para mim, que não percebo nada do assunto nem tenho dinheiro para fantasias. (a título de declaração de interesses cabe-me, no entanto, dizer que tenho cerca de 1.500 euros num banco francês inshore, brilhante resultado de uns anitos que por lá andei).
Certo é que, à primeira vista, a decisão do supramencionado camarada não devia merecer crítica. Estulta consideração. O CDS, de braço dado com o BE, opõe-se vigorosamente a ela. Não sei nem me interessa qual e quão especiosa argumentação une as duas formações políticas, ainda que não seja raro que o CDS mostre uma estranha e mui “cristã” tendência para, de vez em quando, escorregar para o socialismo. Desta vez, porém, terá ido longe demais: fez-se, não com um socialismo mais ou menos social democrata, mas com o socialismo maluco.
Espera-se que a estranha coligação, ou comunhão de ideias e objectivos, não faça escola. Ou que dona Cristas tenha a amabilidade de se explicar.
28.11.17

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