IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • O INSTRUMENTO

    Quem vem acompanhando os episódios do caso Berardo, com olhos de ver/ler e ouvidos de ouvir, já tem dados que cheguem para perceber que o homem mais não foi que o instrumento de uma política que o ultrapassava, mas lhe convinha. É hoje para muitos o bode expiatório ideal dos males da CGD.

    O caso CGD/Berardo não passa de um dos muitos da grande manobra socialista para dominar a banca, as comunicações, os media, tudo o que mexesse. Não se sabe, sequer, se foi o mais grave, ou o mais caro. Sabe-se que, com os dois maiores bancos na mão, com a TVI no papo, a PT no bolso, etc., o PS ficaria a abarrotar de poder e a proporcionar aos seus donos inúmeros potes de poder financeiro (chamemos-lhes só isto).

    Algo falhou. É que o Berardo pode ser o que quiserem, mas de parvo tem pouco. Querem que me meta no BCP? A ideia agrada-me. Ora digam lá onde vou buscar o cacau para a operação? A máquina socialista resolveu o problema. A administração socialista propôs-se emprestar os hoje célebres 350 milhões sem garantias reais. O governo socialista achou muito bem. O Banco de Portugal socialista também. O Berardo a mesma coisa… desde que a garantia fosse o capital investido sob a forma de acções. Agora, comam-nas com batatas.

    Apanhados na sua própria armadilha, os socialistas tratam de culpar o Berardo. Uns não “estavam lá”, como se não estivessem. Outros “não se lembram”, como se não se lembrassem. Outros, sedentos de prestígio que não merecem, apontam o dedo a terceiros como o Berardo.

    O Berardo ri-se-lhes no focinho. Faz ele muito bem. O feitiço virou-se contra o feiticeiro. O feiticeiro mente, a ver se se safa. Desde há quase quatro anos, a imitar outros seis (ou mais), aculpa nunca foi, nem será, do verdadeiro culpado.

     

     12.6.19

  • A SAÚDE NÃO INTERESSA

    Quem lê os jornais, por muito que procure, não conseguirá saber ao certo o que contém o projecto de nova lei da saúde, nem qual a necessidade de abolir uma outra que vinha, há vinte anos, dando conta do recado (o que não dá conta do recado é o chamado governo, não a lei). Que acrescentará a nova de tão importante que a justifique? Que modificações de fundo a tornam indispensável? O que determina a necessidade de uma lei nova? Ninguém o saberá.

    Mas, no entanto, ela é “precisa”. Porquê?

    Primeiro, porque, enquanto o pagode andar entretido com ela, não pensa no estado miserável em que a saúde foi metida pela geringonça, no criminoso abandono a que foi votada, nas consequências que tantos sofrem por causa disso. Talvez o “raciocínio” do PS esteja certo: como a maioria dos portugueses está de boa saúde, que interessa andar a gastar dinheiro com os doentes, que são minoritários?

    Segundo, porque é uma oportunidade de ouro para os partidos comunistas darem (mais) uma machadada no que é privado. Não esqueçam que a abolição da propriedade, do lucro, da iniciativa, da economia em geral, é, sejam quais forem as consequências, o imo da sua ideologia. Os amanhãs que cantam, isto é, choram, dependem disso. A lei da saúde pode ser um passo para tal. Há que aproveitar.

    O PS, com as migalhas de social democracia que lhe restam, resiste à oportunísta avançada dos colegas da geringonça. Suficientemente esquerdalho para nem sequer considerar que as propostas vindas da direita merecem discussão ou que, sequer, existem, o PS prefere uma derrota parlamentar a trocar por outrem os seus bem-amados comunas do BE e do PC.

    O sucesso das PPP da saúde, a realização de mais actos médicos, a sua prontidão quando comparada com os hospitais de gestão pública, a poupança que representam para o Estado, nada disso interessa. Preciso é realçar os seus falhanços, a fim de tudo dominar. Por outras palavras, o que menos interessa é a saúde, preciso é que se morra dentro dos prazos estabelecidos por uma doida varrida que se diz ministra, com o elogioso aval do chamado primeiro-ministro e dos restantes amigos do Sócrates.

    Votos são votos, a saúde que se lixe.

     

    12.6.19

  • DA CONSCIÊNCIA EM CRISE

    Muito se tem dito e escrito sobre as sabichonas palavras do senhor de Belém acerca da “crise da direita” que vai “durar for ten years”.

    Demos de barato que é verdade, segundo a opinião da esquerda e da direita, que o tal senhor não tem, institucionalmente, o direito de dizer quem está em “crise” e, por óbvia extensão, quem não está. São declarações boas para um Louçã qualquer, não para quem já não é (não será?) comentador político ou propagandista de opções políticas, de direita ou de esquerda.

    Por um lado, é de compreender a coerência do senhor. Desde que foi eleito maioritariamente pelo povo de direita e de esquerda moderada, tem-se dedicado a conviver como irmão com a esquerda mais esquerda que o país conheceu nos últimos quarenta anos.

    Muito para além da “coabitação”, ou da velha “cooperação institucional”, o senhor de Belém tem praticado, com pequenas e mal sucedidas falhas, o que podemos chamar cumplicidade institucional. Por isso, não será de estranhar que venha proclamar a existência de tal crise (existindo ela ou não), o que é uma forma sibilina de dizer aos portugueses que não votem nos que estão em crise (a direita) e, por conseguinte, que votem na “estabilidade” (a esquerda em versão geringoncial ou noutra versão qualquer, a animalesca incluída).

    Danos colaterais da República semi-presidencialista que temos e que tantos e tão tristes sinais de politiquice tem dado.

    Do outro lado, o senhor Rio aproveitou para dizer que não tem nada a ver com a crise que a sua reiterada incompetência política gerou, mas com uma crise do regime em geral, coisa que também haverá, mas que não serve de desculpa.

    É evidente que há uma crise na direita, bem personificada no senhor Rio. Crise de imaginação, de ideias fortes, de oposição a sério, de empatia, de liderança, de carisma. Só que, em vez de encarar as coisas de frente e de ultrapassar as circunstâncias, o senhor Rio dedica-se a proclamar que precisa do PS para fazer as suas reformas. Não percebe que quanto mais forte for o PSD, melhor poderá negociar tais reformas. É certo que, à excepção do horror da regionalização, essas reformas são necessárias. É certo que as mais importantes precisam dos dois terços de votos e, portanto, do PS. Por isso, mandaria a mais elementar inteligência que a atitude do principal partido português fosse a de um ataque feroz ao PS e aos seus camaradas da geringonça. É que, em relação às almejadas reformas, se o senhor Rio as quisesse mesmo, trataria de denunciar o que existe – razões não faltam – e propor alternativas políticas, que também não lhe deveriam faltar. Mas é o contrário. Quanto mais em crise, mais o senhor Rio se põe debaixo do adversário.

     

    De volta a Belém, um novo dado ficou à vista de todos no presidencial  speech. O senhor é capaz de tudo para assegurar os votos da esquerda para a sua reeleição. Parece que os fins justificam os meios, como diria o Vasco Gonçalves.

     

    6.6.19

  • SENSACIONAL DESCOBERTA

    Toda a gente sabe que os transportes públicos (metro, carris, comboios – à excepção dos da Fertagus, que é privada – barcos, etc.) andam pelas ruas da amargura. Os meios estão velhos, sem manutenção há quatro anos, nada foi modernizado e, tirando as inaugurações do Marques, nada foi previsto, planeado ou programado, ainda menos feito, nem huove qualquer providência que se visse para estancar os males.

    Mas, meus amigos, não há mal que sempre dure. Para obviar à falta de composições, o Metro de Lisboa descobriu uma solução a todos os títulos sensacional, para não dizer genial. Vai abolir quantro lugares sentados em todas as composições, a fim de meter uns setenta passageiros bem aconchegados, em pé, em vez de quatro privilegiados sentados. A medida tem, além de tudo o mais, o efeito de poupar no aquecimento de Inverno, uma vez que o calor humano gerado por  esta medida o permitirá. Será também de notar a preocupação igualitária que subjaz ao pensamento social, o que, por certo, estará também na base desta grande descoberta.

    Consta em meios informados que a CP, inspirada pelos mesmos princípios e preocupações, e seguindo a genialidade da solução dos problemas que o Metro inaugurou, vai mandar uma equipa técnica à Índia, a fim de estudar a ocupação dos telhados dos combóios, o que permitirá transportar, em média, duas mil e quinhentas pessoas em cada carruagem.

    Como vêem, as empresas públicas velam por nós. Hossana!

     

    4.6.19                                                         

  • SAÚDE PARA O POVO

    Ninguém sabe ao certo para que serve a nova lei de bases da saúde. Para já, serve para encanar a perna à rã, isto é, para distrair a opinião pública do caos em que o SNS vive, vítima da política de esquerda, com terríveis consequência na vida dos cidadãos.

    Tal caos deve-se à obsolescência da lei em vigor? Não. A evolução das tecnologias da saúde exige alterações? Não. Mas, para além da distração, a nova lei serve para dar largas às tiradas ideológicas das esquerdoidas e adjacentes. É uma oportunidade para atacar a iniciativa privada, cujo saldo de serviços e de despesas na saúde é positivo ao ponto de enrodilhar de raiva as tripas de tal gente. O sacrossanto Estado está em causa! Enquanto houver uma capelista privada, a luta continua.

    Engraçado é que parece ainda haver, em franjas reaccionárias do PS, uns tipos com vícios do passado, que resistem à gloriosa arrancada do BE e do infeliz Jerónimo. Tais franjas têm os dias contados mas, para já, ainda são permeáveis às velhas teorias da social-democracia do extinto Soares. Consta que as listas do PS para as legislativas vão acabar com tal gente, o que já se conseguiu nas das europeias.

    É assim a vida. Precatem-se.

     

    4.6.19

  • MORALIDADES

    Em terras de Sua Majestade, um despenteado – literal e mental – com fortes hipóteses de chegar a  primeiro-ministro, vai ser julgado por ter mentido ao povo durante a campanha do brexit.

    Sempre atento a estas manifestações de uma democracia decente, o IRRITADO pergunta: E cá no sítio, onde as mentiras são diárias e repetidas mil vezes? O Centeno, que mente com quantos dentes tem na boca, que diz que baixou os impostos, que o SNS está de boa saúde, que se meteu num chorrilho de mentiras no caso da administração da CGD? O Costa, que raramente diz uma verdade? O Marques, que inventava, e até inaugurava, projectos malucos que jamais realizaria? A dona Tremida, que manipulava listas?

    E por aí fora, num mar de aldrabices, quantas vezes elogiadas por comentadores e pensadores diversos?

    Vivemos subjugados a mentirosos, sempre ou impunes ou inimputáveis, desavergonhados mas gloriosos na sua moral republicana, coisa que ninguém saberá ao certo o que seja, mas que toda a gente sabe ser imoral.

     

    4.6.19

  • REPOSIÇÃO DA VERDADE DOS FACTOS

     

    Peço desculpa mas vejo-me obrigado a voltar à história da generosa colaboração do fisco com a GNR.

    É que, como consta em vários documentos “a que os media tiveram acesso”, a coisa era prática comum desde há muito. Parece que até iam aos casamentos, constando que estava em curso a preparação de operações nos funerais. Dando largas ao sentido de justiça que anima a geringonça e os seus membros, fez-se constar que a culpa era do Passos Coelho, sendo de pensar que com toda a razão. Quem ficou de fora, como também faz parte das NEP’s do chamado executivo, foi o próprio executivo. O qual, diga-se, declarou oficialmente que a coisa era “benigna”, só tendo acabado com ela por causa dos media e do homem da camioneta dos cavalos.

    À evidência, como tem sido declarado com todo o rigor, a responsabilidade vem de baixo, quem sabe se do cabo da guarda e do amanuense das finanças. A coisa vai subindo a escada pé ante pé, e pára ao nível de subdirector. Daí para cima ninguém, mas mesmo ninguém, sabia fosse o que fosse. Claríssimo, transparente, cristalino, sem lugar a dúvidas. De director para cima, inclusivé, ninguém. O que põe exemplarmente a salvo o magrinho secretário de estado e, evidentemente, o chamado ministro das finanças, homem de uma integridade a toda a prova, personalidade do mais alto nível, comandante do euro, artista muito conhecido, como o seu chefe, por nunca ter mentido.

    O IRRITADO retrata-se por ter sugerido que o governo em peso sabia da coisa e que, mais uma vez, anda a aldrabar toda a gente. Como é do conhecimento geral, jamais, ou, como dizia o outro, jamais, os governos socialistas e os seus membros tiveram, têm ou terão a responsabilidade ou a culpa seja do que for.

    Assim reposta a verdade dos factos, o IRRITADO vai de fim de semana.

     

    1.6.19      

  • NOJO

    Aqui há uns anos, um chamado Jorge Coelho demitiu-se do governo quando caiu uma ponte. Grande homem, disse-se. Não tinha culpa nenhuma, mas assumiu-a politicamente, com a dignidade dos melhores. A Pátria, grata, curvou-se perante tão digno senhor.

    Também há os mal intencionados que dizem que o homem tinha uma jogada na manga (um tacho na administração de uma grande empresa privada), e que mais não fez que aproveitar os mortos da ponte para se pôr ao fresco e ir ganhar dinheirinho a “lobiar”. O que, aliás, se provou à saciedade.

    Interpretações contraditórias mas, uma e outra, com a sua lógica. Talvez o assunto tenha ficado, ontem, esclarecido pelo próprio Coelho. É que, perante a prática reiterada de actos ilegítimos, inconstitucionais, ilegais, criminosos, atentatórios da dignidade dos cidadãos, cometidos à ordem da geringonça pelos empregados da geringonça, o Coelho produziu os mais ditirâmbicos louvores ao chefe dos criminosos. O magrinho das finanças é um tipo do melhor, limpinho, nada tem a ver com o que se passa sob a sua autoridade, merece a gratidão do povo. Até, imgine-se, teve a indómita coragam de mandar fazer um inquérito. Fantástico! Um herói, uma flor do nosso jardim!

    Então ele, Coelho, demite-se por causa de um acontecimento em que não teve qualquer intervenção, e acha muito bem que os directamente responsáveis pelos crimes da AT/GNR – o secretário de Estado, o ministro, o primeiro-ministro – não só fiquem no poleiro como sejam objecto de reconhecimento e de elogios.

    Meteria dó se não metesse nojo.

     

    30.5.19

  • QUEM, EU?

    Foi com inenarrável e espantado gozo que vi, ontem, um senhor magrinho, com ar inocente, dito secretário de Estado, a perorar o que lhe veio à cabeça acerca  do atentado à liberdade, à Justiça, à democracia, ao respeito pelo cidadão, cometido pelas finanças em colaboração com a GNR, a fim de sacar aos incautos uns tostões (mais uns automóveis e uns camiões).

    Assim:

    O militar bate a pala.

    – Bom dia senhor condutor. Faça o favor de me mostrar os seus documentos.

    – Com certeza, senhor guarda.

    O senhor condutor dá a papelada ao senhor guarda. Após consulta pormenorizada, o homem não lhe devolve os papéis. Atrás dele, um representante do sátrapa das finanças, afia um computador. Pega nos papéis e, uns clics depois, declara:

    – Este cidadão deve 243,12 euros às finanças.

    E, para o cidadão:

    – Quer pagar em dinheiro, pelo Multibanco, por paypal, por MBWay ou por cartão de crédito?

    Atónito, o senhor condutor, responde: nem tenho dinheiro para pagar nem quero pagar, .

    O senhor guarda entra de novo em acção e, animado por um sorriso malévolo e triunfante do enviado do déspota, diz :

    – Muito bem, senhor Manuel, vamos então levantar um auto de apreensão do seu veículo.

    – Quê? Está a gozar comigo?

    – É a lei, senhor Manel, é a lei.

    Preenche um formulário no computador, mostra-o ao flibusteiro das finanças a ver se está nos conformes. Tudo em ordem. Entrega uma cópia ao senhor Manel:

    – Prontinho, sor Manel. Pode ir embora, mas a pé. O carrinho fica aqui até que o assunto se resolva.

    E lá vai o Manel, à pata, rabinho entre as pernas, que isto de GNR não é para brincadeiras (amor ao físico ou falta de coragem corporal).

     

    A prática de dezenas de crimes deste tipo, como é evidente, deu lugar a inúmeros clamores nos chamados media, que ainda não tinham percebido do que a casa (as finanças) gasta. Assustado, o senhor magrinho veio a correr dizer de sua “justiça”: que o governo, sim senhor, pois, a prática podia ser discutível, mas o governo não tem nada a ver com o assunto. Dei comigo a pensar que as finanças e a GNR não estão sob a alçada do governo, devem ser de algum privado, um bandido como todos os privados. Mas não era assim. Segundo o magrinho, aquilo não passava de uma coisa espontânea, uma iniciativa do sargento da guarda e do chefe da repartição de finanças lá do sítio.  Assim, sem mais nem menos, tirou o burro da chuva. Mas não disse que a “operação” tinha sido ilegítima, ou coisa que o valha. Na filosofia do homem, aprendida nalguma madrassa do Terreiro do Paço, a legitimidade não estava em causa.

    Num país com cabeça tronco e membros, o magrinho, o chefe do magrinho e o chefe do chefe do magrinho teriam ido à vida. Mas isto, meus amigos, é um país socialista. Ficam todos no poleiro e, se os acusarem, dirão como sempre: quem, eu?

    Como se alguém acreditasse que a ordem de batalha não viesse de cima!

     

    30.5.19

  • PENSAMENTO SOCIALISTA

     

    Segundo a dona Ana Drago, os problemas da banca só se resolveriam se toda ela fosse pública, assim cumprindo os desígnios da “revolução”.

    É claro que, a salvo dos dinheiros “dados” ao sistema financeiro, só os milhares de milhões em boa hora entregues à CGD foram legítimos, e ninguém terá que os pagar. Não foram empréstimo, nem ajuda do Estado, mas aumento de capital e tramoias do estilo que a UE aceitou!  

    Não interessa nada que os empréstimos aos bancos privados que recorreram aos dinheiros da troica já estejam pagos, com altos lucros para o Estado. Quanto ao dinheiro que se pode dar por perdido, algum ainda é capaz de voltar. Mas, se fossem todos do Estado, nem tostão voltava. A filosofia do socialismo é assim.

    Por outras palavras: dona Ana, saída, ao que se diz, do BE, mas continua fiel à cartilha.

     

    30.5.19

  • SURPRESAS?

     

    As eleições para o Parlamento Europeu foram férteis em novidades, não em surprezas.  O PE continua o maior, mas mais pequeno, os socialistas levaram na tola, os populistas (ecologistas, nacionalistas, demagogos de várias famílias) subiram. Ninguém sabe no que isto resultará em termos de poder. O mais provável é que fique tudo na mesma, com mudanças de nomes que acabarão por dar em nada, e ainda bem. O poder não está em Estrasburgo, mas em Bruxelas.

    Por cá, a pior de todas as surpresas (não novidades) foi o discurso do senhor Rio. Perante a evidência gritante do resultado da sua “liderança”, ao contrário do que alguém pensaria, o homem não caiu em si. Fingiu que o derrotado não era ele, já que reafirma a política suicida que tem caracterizado o seu desgraçado mandato. O sonho do homem é o de realizar o impossível: democratizar o PS, e unir-se a ele para, diz, fazer as grandes reformas que lhe vão na cabeça.

    O Costa deve ter dado saltos de alegria com a perspectiva de vir a dar-lhe com os pés quando lhe apetecer, ou a servir-se dele quando lhe convier.

    Rio é casmurro como um asno. Não é capaz de sair da sua paróquia, não tem sombra de rasgo, de carisma, de ideia inovadora, não percebe o que é ser oposição, faz asneiras atrás de asneiras, devastou o PSD. Faz política de pernas para o ar.

    Quem acode?

     

    28.5.19   

  • DIA DE REFLEXÃO

     

    Mal ou bem, é obrigatório não haver propaganda eleitoral no dia anterior à eleição. Compagine-se o cumprimento desta norma com a primeira página do “Expresso” desse dia. A manchete escrita não ficou na cabeça de ninguém. A verdadeira manchete era uma fotografia em que, com triunfante riso, os donos do governo (Costa e Centeno) confraternizavam com o invendável Marques, sinal claro de propaganda triunfalista Logo abaixo, outra fotografia: o Rangel, sozinho, de costas, na última fila de uma igreja deserta, a comunicar a ideia de que só um milagre o safaria.

    Assim se faz “reflexão” num jornal dito “de referência”.

    Fiquei contente quando o director do Expresso, um tipo desinteressantre e palavroso, foi substituído por outro, que costumava escrever coisas com pés e cabeça. Parece que me enganei.

     

    28.5.19

  • BESTIALIDADE DEMOCRÁTICA

     

    Quem ainda tiver a ilusão que em democracia há votos fúteis, que pense como  viveríamos se o povo português não tivesse democraticamente derrotado Passos Coelho em 2015”.

    Assim zurrava o Zorrinho, dias antes das eleições. Em homenagem à sabedoria popular, o IRRITADO responde: se a minha avó tivesse rodas era um carro eléctrico. Fora de brincadeiras: primeiro, não houve “democraticamente” nenhum, Passos Coelho ganhou as eleições em 2015, o Costa perdeu – Democraticamente, pela cabeça de quantos eleitores terá passado a aldrabice inventada pelo Costa?; segundo, Costa não foi legitimado para (nem jamais propôs) criar a aliança com os partidos anti-democráticos (como diria Mário Soares antes da fase Xéxé) que veio a fundar; terceiro, a Constituição establece que se deve atender aos resultados eleitorais para formar governo, e a interpretação desta determinação foi, SEMPRE, a de que o partido mais votado deve ser governo, por isso, os governos minoritários  gozaram SEMPRE, democraticamente, da “licença” democrática da AR para governar.

    Já agora, seguindo a doutrina da avó do Zorrinho, digamos que, cumprida a vontade do povo, estaríamos a colossal distância, para melhor, se Passos Coelho tivesse continuado a governar. Democraticamente.

    Concluindo, digamos que o Zorrinho, democraticamente, é uma besta. O que, aliás, já era do conhecimento geral.

     

    28.5.19

  • ESTOU A REFLECTIR

     

    Estas eleições, ditas europeias, têm, para o IRRITADO, uma interessante característica. É que, desde tempos imemoriais, nunca tive hesitações sobre em quem votar. Desta vez, tenho.

    Olhando os candidatos e as circunstâncias, que decisão tomar? Feita cuidada selecção, deitei fora uma data deles, e cheguei a três: Arroja, Sande e Rangel. E agora? Agora, não sei que fazer.

    Se votar de acordo com o que penso, voto Arroja, voto na coragem da arrojar com o politicamente correcto, de assumir a tão amaldiçoada ideologia liberal, a crença na liberdade propriamente dita.

    Se achar que devo privilegiar a “sabedoria europeia”, voto Sande. Além de não ser socialista, Sande conhece por dentro a máquina de Bruxelas, seus defeitos e virtudes, as hipóteses de melhorar o sistema numa perspectiva de direita. E, diz-me o mindinho, aproveitou esta oportunidade para se livrar do senhor de Belém, o que muito o honra.

    Se votar em quem tenha garantida a eleição, voto Rangel. O tipo é bom, tem prestígio europeu, sabe o que quer, puxa bem os cordelinhos da política. É claro que esse voto tem o terrível defeito de poder “ajudar” o Rio, desgraça em figura humana que se abateu sobre nós.

    A outra solução será borrifar nas eleições, coisa que está fora dos meus hábitos.

    Não peço ajuda, porque estou “em reflexão”.

    Votem bem. Votem contra a mentira, o oportunismo, a moral republicaba em versão geringoncial. Contra o populismo que temos, todo ele de esquerda, e de toda a esquerda.

     

    25.5.19

  • POPULISMO

    Anda meio mundo cheio de medo dos populismos, dos euro-cepticismos e de outros ismos. Muito bem. Engraçado é verificar que todos os populismos são de direita, proto fascistas ou fascistas mesmo, nacionalistas, isolacionistas. À esquerda, segundo as opiniões “correctas”, só há altos democratas, gente finíssima, a quem a humanidade muito deve.

    Por cá, a coisa vai mais longe: segundo o politicamente correcto, somos o único país da UE que não tem populismos, leia-se, não tem extrema-direita. É verdade que não a temos, e ainda bem. Há uns grupelhos, de malfeitores ou de abstrusos, é tudo. Mas não é verdade que não haja populismos em Portugal. Há-os, e em quantidades industriais, só que de extrema-esquerda e até de esquerda dita “moderada”.

    De extrema-esquerda, temos 20% no parlamento, e mais uns, poucos, em geral pataratas sem expressão. O que são as promessas mirabolantes do PC? Populismo ideo-demagógico. O que é o soberanismo do PC? Populismo, tão nacionalista como, por exemplo, o do Vox. O que são as ideias das esquerdoidas do BE que, por hábito, votam com a madame Le Pen? Populismo. O que é a luta contra o euro, de um e de outro? Populismo pouco esperto ou acanalhado.

    Se sairmos da zona comunista, o que vemos quando o chamado primeiro-ministro atira à cara das pessoas as maiores aldrabices, o fim da austeridade, o progresso da economia, a felicidade a rodos que espalha por aí? Populismo baratucho, mas que funciona, como o do senhor Salvini.

    Cereja no alto do bolo, o popularuchismo do senhor que direita pôs em Belém e que anda há anos com a esquerda ao colo. O que será? O que será a “politica dos beijinhos”?

    Pensem nisto, não vão em cantigas.

     

    23.5.19

  • EFICIÊNCIA PÚBLICA

     

    Um conselho do IRRITADO: se você quiser saber onde vai votar, o último site a consultar é a o da Comissão Nacional de Eleições. Este serviço estatal está no estado dos demais serviços do Estado, ou seja, não presta.

    Experimente. Vá ao site da coisa, ande nele para diante e para trás, perca um bom quarto de hora. Pode ficar descansado que, por mais voltas que dê, não resolve o seu problema. Vá ao Google e, num instante, fica a saber como é. Basta fazer a mesma pergunta que fez à CNE.

     

    22.5.19

  • O IRRITADO ERROU

     

    O IRRITADO pode ser muito irritante. Mas não tem o hábito de inventar notícias ou de as falsificar.

    Foi induzido em erro por uma local que referia que a demissão do director do moribundo Museu Nacional de Arte Antiga fora provocada por declarações dele, em que dizia a verdade sobre o caos que se vive na instituição. Parece, no entanto, que não foi assim. O tal director já estava de partida. A data de demissão é que foi mal escolhida.

    Por isso, o artigo sobre o assunto foi apagado. Pela incorrecção, as minhas desculpas aos leitores.

    Posto isto, haverá que dizer que a opinião do IRRITADO sobre a dona ministra não se alterou. Nem que o museu, como o património em geral, está em boas mãos.

     

    22.5.19

  • A DESGRAÇA CONTINUA

    Dizem línguas tidas por péssimas no Largo do Rato, que os anos em que, em média, o Estado mais investiu, foram os do consulado Durão/Santana. Dizem também que, no auge da crise que o PS criou e cumprindo o contrato que o PS celebrou com a troica, o governo Passos Coelho investiu mais que o do usurpador nos anos do “fim da austeridade”, da “página virada”, “da devolução de rendimentos” a que submeteu o país. Segundo o “Expresso”, Costa investe menos um milhão (por dia!) que Passos Coelho. Mais: nos anos da frente de esquerda, o PIB per capita estagnou, isto é, a produtividade desceu, e nunca mais subiu.

    Mas as contas estão certas!

    Salazar, a quem chamavam, com razão, “o contabilista”, encontrou um sucessor à altura. Com uma pequena diferença. No tempo dele, apesar da modéstia em vigor, o que, hoje, poderia chamar-se Estado Social, ia dando uns passinhos para a frente. Com o contabilista Centeno, o Estado Social, tão propagandeado como jóia do nacional-esquerdismo, está cada vez pior. O sacrossanto Serviço Nacional de Saúde está doente como jamais tinha estado durante a III República. Nesta matéria, mais do que à altura de Salazar, Centeno bate-o aos pontos.

    O que aí vem, não se sabe. Mas sabe-se que a desgraça vai continuar.

     

    21.5.19

  • SALAZAR ESTÁ VIVO

    Diz-se, com foros de verdade, que Oliveira Salazar, quando lhe disseram que devia haver petróleo em Portugal, comentou: “Só me faltava mais essa!”

    Uma pequena frase que bem ilustrava a filosofia do “pobrezinhos mas honradinhos” ou do “produzir e poupar”, tão caros à II República.

    De petróleo, nem falar!

    A central nuclear de Ferrel foi abandonada, julgo que já durante o consulado de Marcelo Caetano.

    É certo que a II República nos livrou da guerra e do comunismo que assolava a Espanha, com as consequências que se sabe. Mas “livrou-nos” também da modernidade, da riqueza que alastrou na Europa democrática depois da II Guerra. Manteve-nos em apagada modéstia, sequestrando-nos com isso as liberdades e mantendo-nos imóveis em relação à necessidade de resolver a questão do Império em condições aceitáveis.

    Passados mais de quarenta anos da III República, a filosofia do imobilismo salazarista continua, triunfante e barulhenta.

    A barragem de Foz-Coa, por obra e graça do doce imobilista chamado Guterres, foi sacrificada à “cultura”: em vez de retirados os bonecos para um museu, deitou-se fora muitos milhões de contos e arranjou-se lá no sítio uma imponente máquina de sorver dinheiro dos impostos.

    O nuclear, fonte de energia barata, não poluente e segura, foi definitivamente posto de lado por douta decisão do senhor Pinto de Sousa, dito engenheiro Sócrates.

    A prospecção de petróleo – a 40 quilómetros da costa!!! – foi vítima de hordas de eco-estúpidos em fúria.

    A procura de gás de xisto parece já estar posta de lado, arredada pelo politicamente correcto, que diz poder ser prejudicial a “eventuais(!) estações arqueológicas que possam existir no trajecto”.

    A somar a isto, leiam no “Publico” a parangona de hoje: Minas de lítio enfrentam movimento nacional de protesto. Lá se vai mais uma maneira de fazer crescer a economia, sacrificada esta às arrancadas de gente convencida que vai arrefecer o planeta, coitado, que se está borrifando para ela, ou a outra coisa qualquer, ilusória ou aldrabófona, veiculada pelas modas em vigor.

     

    Salazar está vivo e de boa saúde!  

     

    14.5.19

  • VIVÓ BERARDO!

    Como julgo já ter escrito nestas arengas, sempre achei piada ao senhor Berardo. Lembro-me dos ditos do fulano quando se pronunciava sobre os problemas do BCP. Em matéria de piada, mete o Araújo Pereira num chinelo. E não tem papas na língua quando se põe a gozar sem olhar a quem.

    A “performance” berardiana na comissão não-sei-de-quê veio confirmar as minhas convicções a este respeito.

    Perguntar-se-á: Quem é o mau da fita? O Berardo, ou quem lhe adiantou o dinheirinho? Não sei ao certo, mas mon coeur balance. É que, como diz o devedor, não há dúvida que convinha aos segundos que aparecesse um accionista novo no BCP, um que ficasse devidamente controlado. Nas palavras do humorista Berardo, ao aceitar os milhões, ele até estava a fazer um favor aos bancos. Pelo menos em parte, ou em grande parte, é verdade.

    Outra coisa que não percebo é esta:

    Se um teso qualquer comprar uma casa, dando-a como garantia do financiamento, que lhe acontece se não pagar? O banco vai-lhe à casinha, o nosso teso fica sem ela e sem o dinheiro, o mais que pode fazer é ir queixar-se à DECO, o que equivale, mais ou menos, a ir queixar-se ao Barbosa du Bocage. Por seu lado, o banco, se avaliou mal a casa, ou se o mercado abanou, vendê-la-á com prejuízo, meterá a viola no saco e contabilizará diferença em perdas operacionais. O que acontecerá se o Berardo, que deu as acções do BCP como garantia do empréstimo – o que foi aceite – as der de volta ao banco em pagamento? Fica a conta saldada, não é?  É o mesmo que com a casota do teso. Ou não? O teso não tem que pagar, mas o Berardo, coitadinho, é perseguido? Que raio de justiça é esta? E a igualdade? E o direitos humanos?

    Os tipos que lhe emprestaram a massa, e até foram administradores do BCP até à miséria final, parecem ser quem devia estar na berlinda. Quem deve o dinheiro é quem o desperdiçou, não quem acreditou em tal gente, ao ponto de se endividar daquela maneira, não é, ó Joe?

    Muito bem faz o Berardo em transformar a comissão de inquérito num programa humorístico. Os deputados que se cuidem, se forem capazes.

     

    13.5.19