IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • DIFERENÇAS

    Você anda nervoso, chateado, apetece-lhe matar a sogra, está farto de aturar os miúdos, a conta do banco anda aos bordos. A meio da noite, estremunhado, depois de fazer xixi senta-se na sacada da casa de jantar. A lua vai alta, é verão, uma doce brisa parece sair dos requebros das árvores do jardim. Tudo à sua volta é silêncio, paz, harmonia. Só você está triste. Sente que precisa de qualquer coisa que o anime, que se junte à noite para o ajudar a sair das suas iras e inquietações. Lembra-se de ouvir música. Boa ideia. Vai lá dentro e escolhe. Uns nocturnos de Chopin ou uma coisa mais alegre, talvez Mozart. Põe a tocar o que escolheu e, meia hora depois, está recomposto ou, pelo menos, melhor.

    Mas isto é você. Há gente muito diferente neste mundo – é a diversidade genética, como se diz em ecologuês.

    Por exemplo, há uma fulana de quarenta e cinco anos, que parece ter cinquenta e quatro (do tempo em que as pessoas não iam ao dentista), com melenas oxigenadas penteadas à garçonne, toda serigaita, a quem chamam ministra da saúde, a qual, quando está chateada (ela é que o disse!) ouve a “Internacional”, e fica logo boa.

    Veja bem a diferença entre si, meu caro, e a gente que diz governá-lo! 

     

    13.5.19

  • PORTUGALHÊS

     

    Uma senhora, especialista em “educação,” Bárbra Wong de seu nome, publicou um artigo sobre uma coisa qualquer, tendo, do seu certamente brilhante texto, extraído o seguinte lead:

    “A época de exames, a mim, dá-me para engordar.” Para ficar mais completo, em perfeito “eduquês”, podia ter escrito: eu, a mim, pessoalmente, dá-me para engordar. Ficava melhor, não acham?

    Para nos esclarecer, concluiu: “Tenho o fígado feito num oito, sei-o hoje porquê”.

    A mim, IRRITADO, o que põe o fígado num oito é ler bojardas deste calibre. O português, na mão de gente desta, é que já nem fígado tem, só umas tripas ordinárias.

     

    12.5.19

  • FOGE CÃO, QUE NINGUÉM TE FAZ BARÃO

    Num jornal qualquer apareceu escrito que o camarada Costa, tido por legítimo primeiro-ministro de Portugal, estava na corrida para substituir o senhor Tusk como presidente do conselho europeu. Muitas almas, nesta aldeia, reagiram a tal notícia, umas com júbilo (é o meu caso, vê-lo fora daqui seria um descanso), outras com acrescida inquietação sobre o futuro da Europa. Haverá também aqueles, membros da filarmónica dos idiotas, que se sentiram orgulhosos por ver tal figura com hipóteses de subir tão alto.

    Estas coisas não acontecem por acaso. Se a notícia apareceu é de presumir que alguma diligência terá sido feita para sondar as chances de tal promoção. O resultado terá sido negativo, isto é, entre quem manda nessas coisas o pânico deve ter sido avassalador. A Europa anda mal, mas não tão mal que se sujeitasse a ser presidida por tal pessoa. O homem é bom para enganar a plebe cá da terrinha, mas, que diabo, há que poupar os outros à nossa triste sorte.

    O camarada Costa deve ter sido informado disto, quer dizer, que não tinha “eleitorado” para alimentar ilusões. Daí, fugiu a qualquer maluquice do género. Bom contador de news, voltou atrás com o rabinho entre as pernas e narrou, “patrioticamente”, que não é, nem foi, candidato a nada. É mentira mas fica bem. O seu já designado sucessor, camarada Pedro N. Santos, terá que esperar mais uns tempos, para tristeza das esquerdoidas e do Jerónimo, que sonham com o dia em que verão o Costa ser substituído por outro ainda pior.

    Verdade é que o diabo não apareceu. Já cá estava, e bem instalado. O problema é nosso, não há quem o queira ver exportado.

     

    10.5.19

  • DO NACIONAL-MAMARRACHISMO

    Vemos e lemos, a intervalos regulares, as queixas dos arquitectos (arquitetos e arquitetas, em neo-português) contra os engenheiros que assinam projectos de arquitectura. Por mim, acho bem. Cada macaco no seu galho.

    O problema é quantidade de mamarrachos já construídos e a construir, saídos dos computadores e da mente privilegiada dos arquitectos. Ainda não está acabado o horrível pralelipípedo da Fontes Pereira de Melo, e já anda nos jornais a maquete de outro, ainda pior, a edificar na Almirante Reis. E o monstro do Estoril? E o prédio da polícia de Cascais? E por aí fora, quem acode?

    Parece justo e legítimo que os arquitectos se arroguem o exclusivo da arquitectura. Mas, ó gente, há casos em que as dúvidas também são justas e legítimas.

     

    10.5.19

  • DE PROFUNDIS

    Anda por aí, há vários dias, esta notícia, não desmentida: A ministra da Saúde veio dizer que dos 2.600 portugueses que morreram em 2018 à espera de uma cirurgia no âmbito do SNS, 70% morreram dentro do “prazo de espera”. Este prazo é o período de tempo que o próptio governo define como normal para a execução da cirurgia.

    Portanto, morrer dentro do prazo é óptimo. Vistas as coisas assim, só uma minoria de 30%, ou seja, 780 doentes é que violaram as regras e foram morrer fora do prazo. Boas notícias…

    Dir-se-ia que se trata de coisa normal, dado que a tal senhora, dita ministra, é especialista em bocas ordinárias, irritações fáceis, palavrões ideológicos, socialismo radical, pacotilha vária. Não: este tipo de novidades é prática política do governo, inúmeras vezes reiterada. Os desgraçados que pedem a reforma também são beneficiados pelos prazos do governo: deixem-se estar por aí que, com sorte, talvez cheguem vivos ao luminoso dia em que o governo despachará o assunto. Não estão ainda devidamente contabilizados os que morrem sem ver um chavo. Espera-se que o chamado ministro que tutela a coisa venha a público, seguindo o exemplo da sua colega da saúde, gabar-se de mais esta geringoncesca maravilha. E os que tiveram acoragem de ir contra as finanças nos tribunais, e ganharam? Esses, muitos, uns dois ou três anos depois verão o trânsito em julgado da sua “vitória”. Condenado, o governo leva pelo menos mais uns dois aninhos para cumprir a sentença e pagar o que deve. Sem juros, que isso de pagar com juros é exclusivo do cidadão. Mais uma vez, em muitos casos, devem ser os herdeiros a receber a massa.

    É nisto que se vive, graças à maravilhosa gestão, elogiada urbi et orbe, dos camaradas Centeno, Silva, Temido, e outros mais.

    Se os gritos clamados de profundis se ouvissem nesta terra, talvez as eleições servissem para alguma coisa.

     

    10.5.19

  • ABSTENÇÃO!

     

    Tendo em vista as monumentais trapalhadas em que os partidos – todos os partidos sem excepção – se envolveram a propósito da ridícula história dos professores, assim como o tão celebrado pinote do Costa, vem-me à cabeça a solução dos problemas, excluindo, é claro, os do xarroco Nogueira e os dos professores.

    Assim: partamos do princípio que todas as soluções são más. O mal está feito, cada um interpretá-lo-á como entender, mas o que é preciso é acabar com as farsas, as pantominas, o ridículo, e pôr os cavalinhos nas baias.

    O Rio e Cristas já disseram que, se não houver certos limites ao imerecido bodo (mandando a coisa para o dia de São Nunca), voltarão a votar com a comunagem, coisa que os respectivos eleitorados, como é evidente, não perdoarão. E mais uma monstruosa asneira: diz o Rio que porá os 9 anos e tal no seu programa eleitoral. A estupidez é tanta que o xarroco já a veio agradecer!

    Postas as coisas nestes termos, a única solução minimamente aceitável, e que resolve o problema, será a abstenção. Assim, passará o projecto do PS, sem comprometer a direita, que se quiser, terá tempo para resolver o problema, ou mandá-lo às urtigas como bem merece.

    Eis um modesto contributo do IRRITADO para a salvação dos partidos. Além de tudo mais, está na linha da generalidade dos portugueses, que têm por hábito abster-se.

     

    7.5.19      

  • ESTIMO AS MELHORAS

     

    Não tenho o hábito de falar de futebol, nem este post é sobre o assunto.

    Estou muito contente por causa do Casilhas. O rapaz é novo, bem merece ter-se safo. Desejo-lhe as maiores felicidades enquanto pessoa, bem como os maiores insucessos se voltar à baliza do Fê Cê Pê.

    Facto é que, ontem, ouvi o ilustre futebolista a publicitar umas bocas sobre a sua saúde. Muito bem, quer dizer, muito mal. É que o tipo, que já vive por cá há uns anos, e por cá ganha a vidinha, fazendo lembrar a harpia viúva do Saramago, exprimiu-se em castelhano. Eu sei que os falantes de castelhano têm sérios problemas para falar outras línguas. Também sei que burro velho não aprende línguas. Mas um tipo destes andar por cá às eras sem fazer o mínimo esforço para dizer umas coisas em português, é demais. De uma arrogância e de uma antipatia a toda a prova. Ao menos podia ter pedido ao Pinto da Costa para o ajudar, nem que fosse em dialecto morcão.

    Bom dia e as melhoras.

     

     7.5.19

  • A GRANDE ALGAZARRA

    Andava o senhor Rio às compras na Rua de Santa Catarina enquanto, lá na mourisca Lisboa, as suas meninas, de braço dado com as esquerdoidas e as bolchevistas, cozinhavam o seu fim. Seis deputadas, a relatora do PC, a inspiradora do BE, uma desconhecida do PSD, outra do CDS, mais duas que não sei donde, sob o olhar embevecido de dois desconhecidos, selavam a certidão óbito dessa coisa parva em que o Rio transformou o PSD. Parece que, numa cadeirinha que não ficou na fotografia, estava o xarroco Nogueira, a lamber os beiços e a palitar os dentes.

    Ao mesmo tempo, dona Assumpção (não sei se com “p” se sem ele, mas mais vale errar por excesso que por defeito)  estava a escolher guardanapos no Paris em Lisboa.

    Depois, foi a grande farra.

    Os partidos comunistas, a correr, vieram gritar que a geringonça estava firme e de boa saúde, não fosse o Costa repreendê-los. A culpa era da direita, e tinham razão.

    O PS fez o mesmo, a culpa é da direita, como reza o vademecum do Rato em relação a tudo e mais alguma coisa. Nada de novo, a confirmar que a geringonça está de boa saúde.

    O Rio apareceu, não se sabe onde, a dizer que, primeiro, ninguém sabia ao certo o que tinha sido votado e que, segundo, não havia problema nenhum, há dinheiro para pagar ao xarroco, ainda que não se saiba nem quando nem como.

    Dona Assumpção atacou em força, sem perceber que ninguém a percebia.

    Salta o Costa e, agradecido, diz que se vai embora se a pessegada atingir os seus objectivos. Mentira. É evidente que não se vai embora: faz um brilharete sem dizer que ficará em gestão, sem responsabilidades, até depois das eleições, as quais serão mais ou menos na mesma data que seriam se não houvesse “demissão”.

    O Marques, esse, mandou uma garrafa de tinto ao Rio e um ramo de rosas à Asssumpção, agradecendo a acção de campanha que tanta falta lhe fazia.

    Consta que o senhor de Belém, com os seus assessores, prepara com todo o cuidado mais umas sessões de beijocas.

    Não há quem saiba quanto custará a tão famosa lei. Dou um doce a cada português que tenha percebido a catadupa de milhões: são cem, mil, cinco, quatrocentos e trinta e dois, ou o que der na cabeça de cada um. O melhor é desistir: todas as opiniões são da maior confiança, a começar na do Centeno, a acabar na do Zé Quitolas.

    A Pátria segue o seu caminho nos doces braços da esquerda radical e das mariquices da direita. Tudo nos conformes.

     

    4.5.19

  • QUAL CRISE?, DISSE ELA

    O chamado governo, muito indignado com a contagem do tempo dos professores determinada pela Assembleia, desatou a sugerir a sua própria demissão. Parece que estes ventos de crise política assustaram muita gente. O IRRITADO ficou esperançoso como há muito não estava. Isto, é claro,mais não é que wishful thinking, sem importância nenhuma.

    Importante foi o terror imediatamente manifestado pela chefe das esquerdoidas. Tremebunda, aflita, veio declarar que não haveria crise nenhuma, que a geringonça não tremia, que esta arrancada “da direita” não tinha significado nenhum que não fosse isso mesmo. Coitado, o PS caiu na armadilha. A esquerdoida–mor assegura que jamais, jamais, abdicará do seu lugarzinho dentro do poder, almejando, com toda a justiça, continuar nele depois das eleições, quem sabe se com um ministeriozinho, que bem merece.

    Declaração de desinteresses: na opinião do IRRITADO, o parlamento fez asneira. Os professores, como têm demonstrado à saciedade, não merecem a distinção oferecida, e esta, formulada em esconços termos, é virtualmente irrealizável. Valha-nos isso. Rezam as estatísticas que são dos mais bem pagos da União Europeia, e dos menos bons. Deixando-se guiar por um bolchevista demagogo, irresponsável e trambiqueiro, em pouco ou nada deveriam ser distinguidos dos demais.

     

    3.5.19

  • CDS/LGBetc.

    Uma coisa é não ter nada de especial contra as múltiplas disfunções sexuais que por aí vicejam. Aceite-se. Outra, totalmente diferente, é pressionar a sociedade para a louvaminha, a propaganda, o endeusamento, o engordar  do número de atingidos por tais disfunções, passando elas, saídas de erros da da natureza ou de perversas opções, a ser farol de cidadania a preservar e propagar.

    Tratando-se de matéria dita fracturante – porque destinada a “partir” ou desmoralizar a sociedade – é natural que gente do calibre das esquerdoidas do BE se assanhe na nobre tarefa de erigir tais disfunções em exemplo social a seguir e admirar.

    Mas, quando vemos o CDS, na sua versão “maluquinhas de Arroios”, propor transformar a cidade, via passadeiras de peões, em outdoors do LGBetc., riremos da maluquice ou diremos que, no paninho oportunista e parvoide das autárquicas vestes do CDS, caiu o mau cheiro da nódoa LGetc.?  Pararemos estupefactos ante a estupidez centrista em vigor em Arroios, ou diremos à dona Cristas que baixe a crista?

    Difíceis opções. Ou não?

     

    2.5.19   

  • DA GERINGONCIAL PENÍNSULA

    O super ambicioso Pedro Sanchez, indivíduo capaz de todas as traições como reza quem sabe e o conhece, vai fundar a geringonça espanhola, onde só vai faltar o partido comunista que, dando prova de alguma superioridade civilizacional, deixou de existir lá na terra. Em relação ao seu camarada peninsular, um certo Costa, tem a vantagem moral de ter sido o mais votado, coisa de que o dito não precisa para nada, já que isso de votos é secundário, substitui-se por arranjinhos.

    Como é próprio de um tipo sem escrúpulos, para formar maioria parlamentar vai o Sanchez arranjar uns marginais que substituam o nosso PC. O BE local, chamado Podemos, estará, como o nosso, na governamental catraca.

    Por cá, deve haver muita gente feliz com a nova parceria ibérica, um exemplo para toda a Europa de (mais) um ciclo claramente iliberal. Não faltarão, por Portugal fora, garrafas de burguesíssimo champanhe, abertas nas alfurjas da esquerda mais reaccionária que se conhece nos nossos dias e no nosso continente.

    Uma pequena observação para marcar diferenças. A entrada nos governos, ou nas maiorias formais,  de partidos do calibre do BE, do PC, ou do Podemos, não provoca qualquer erisipela nas mentes intelectualmente bem formatadas por décadas de mau ensino. Mas, quando se pôs a hipótese de uma improvável ascenção do VOX ao cadeiral, ó da guarda, que horror, pobre Espanha! Por outras palavras, se os partidos claramente anti-democráticos forem de esquerda, são benvindos. Se forem de direita, são péssimos.

    Para o IRRITADO, é desejável que nem uns nem outros lá cheguem. Dos extremistas de direita estamos livres, dos de esquerda estamos fartos.    

     

    29.4.19

  • SÓCRATES, FAMA E GLÓRIA

    Em mais uma poderosa invectiva, o inocentíssimo Sócrates veio declarar, todo contente, que tem toda a confiança no juiz Ivo Rosa. Não podia ser mais claro, mais directo, mais sincero.

    Que farão agora as autoridades competentes nestas jurisdicionais matérias? Manter um juiz que é, publicamente, amado pelo arguido? Diz o bom senso que seria preciso arranjar outro, um que não fosse objeco dos amores (ou dos desamores) do acusado. Parece que sim.

    Mas, sabendo do que a casa gasta…

     

    Já agora, a verdade é que o Pinto de Sousa tem palco de sobra para os seu protestos, as suas desvergonhas, as sua mentirolas, as suas indignações, até as suas declarações de amor.

    A nossa “informação” está sedenta das diatribes do fulano, dá-lhe tudo o que ele pede, faz-se eco das suas trapalhadas, dá-lhe cavalaria… é a comunicação anti-social no seu mais criterioso rigor!

     

    26.4.19

     

  • POBRE BLOCO

    Não posso deixar de reconhecer e elogiar a legítima indignação do Bloco de Esquerda no espantoso caso da chamada Lei de Bases da Saúde. O homenzinho que mandaram ontem à TV declarou, cheio de razão, que o Costa o traíu da forma mais vil que imaginar se possa. Então não é que os bloquistas chegaram a acordo com sua irmã da saúde, indivídua que participa activamente na nobre luta contra os privados na saúde – passo indispensável na na luta geral contra propriedade privada -, e que veio o Costa, inspirado pelo Marcelo, infirmar o solene compromisso da mulher? Isto admite-se? É claro que não.

    Parece que os bloquistas ainda não perceberam o que vale a palavra de Costa, dos seus admiradores, áulicos e adeptos, grupo social em que a chamada tonta, perdão, ministra da saúde, tem proeminente posição. Que diabo, afinal o homem não está tão domesticado como, ao longo dos últimos anos vinha demonstrando, lambendo-se os petiscos que o P.N. Santos ia fornecendo em representação do BE. Um dramático erro de avaliação.

    Ou talvez não. Facto é que a procissão ainda vai no adro. Daqui até ao fim ainda vai correr muita tinta, muito paleio, muito protesto, muita conversação com o P.N. Santos. Sendo sabido do que a casa gasta, nada será de espantar. O Costa é homem para virar, mais uma vez, o bico ao prego.

    Por isso, ó gentes do Bloco, lembrai-vos que a esperança é a útima a morrer. Ânimo! O IRRITADO augura-lhes a pior sorte.

     

    26.4.19

  • MALES DO EIXO

    Há muito tempo que o “Eixo do mal” não me calhava na telerrifa. Calhou ontem, e juro que aguentei a coisa durante quase quatro minutos.

    Para a dona Clara Ferreira Alves, ilustríssima, intelectualíssima e convencidíssima comentadora desportiva, perdão, político-generalista da nossa tele-opiniosíssima classe, aqui vai uma sugestão: deixe crescer a barba ou, na falta dela, arranje uma peruca para os queixos.

    Justifico: a importantíssima senhora anda rodeada de barbudos, quatro, nem menos. Vejam o Oliveira, ameaçador, barbuça negra, qual talibã, qual Adamastor a assustar os navegantes. Vejam a hipotética e rala barbíola do Lopes. Vejam a perinha do mais decente da trupe, cujo nome me escapa. Vejam a mini pilosa excrecência do tapaz da têvê!

    Em matéria de igualdade, isto é um assalto aos direitos da mulher em geral, e desta em particular. Se tudo o que é macho, televisível e não só, passou a andar de barbas, por alma de quem é que as mulheres não hão-de fazer o mesmo? A verdade é que o #metoo ainda não se lembrou desta, pelo que o IRRITADO não quer deixar de colaborar.

     

    A trupe estava prenhe de indignação. Um tal Moro disse que a justiça portuguesa nunca mais se desenrasca no caso Sócrates? Canalha, aldrabão! E que, lá nos brasis, o mesmo indivíduo teve o desplante de sugerir que o dito Sócrates era um criminoso? Então e o Estado de direito, a rule of law, a presunção da inocência?  Então um jurista, ministro da justiça ainda por cima , confunde arguido com criminoso? Onde vamos parar? Como é possível tolerar gente desta? O senhor Moro é culpado de ter acusado o impecável Lula, com o pretexto da corrupção – que diabo, só um andarzinho! Como se atreve a tocar a fímbria das vestes do senhor Pinto de Sousa? Então ele não sabe que isso de perseguir corruptos é óptimo desde que os perseguidos não sejam da esquerda? Que horror! Estes fascistas são intoleráveis.

    A crónica acaba aqui sem mais comentários. É que, passados os quatro minutos que acima referi, fui ver “Os Pequenos Assassinatos de Ágatha Christy”, coisa bem mais interessante que maléfico Eixo.

    Como sempre, o IRRITADO anda fora dos eixos. Pelo menos, dos eixos da modernidade, do politicamente correcto e do que está a dar.

     

    26.4.19

  • NOVAS INCOMPETENTES COMPETÊNCIAS

     

    Francamente, não sei o que diga disto: o nosso admirável parlamento dedicou-se, como é do saber público, a legislar sobre vacinas! Não sobre a obrigatriedade, ou não, de as tomar, mas sobre quais as vacinas que são necessárias à saúde pública. Francamente!

    Não sei se há algum deputado, algum partido, algum adjunto, alguma comissão, alguém naquela casa que saiba de vacinas, ainda menos que tenha competência, legislativa ou outra (qual?), para determinar que vacinas devem os portugueses tomar. Deve ter sido para mostrar serviço, para mostrar que existe, ou não sei para quê.

    Pior ainda. Quem sabe da matéria opinou que as vacinas dos deputados não são precisas para nada. Julgo que o Infarmed, passado o pesadelo da mudança para o Porto, resolveu mostrar mostrar serviço. E, como não pode vacinar-se contra os pais da Pátria, declarou a evidente incompetência deles em matéria de vacinas.

    No fundo, é um sinal da forma como somos governados, isto é, a reboque dos acontecimentos. Como havia por aí sarampo, e tardavam as vacinas, Suas Excelências vieram a correr, com um ataque de vacinite aguda.

    Cá no burgo, é assim com tudo. Depois do fogo, tomam-se medidas contra o fogo, com grande fogo de governamental artifício. Ardem os pinheiros do Estado, mas a culpa é dos eucaliptos dos privados. Rebenta a bronca dos primos, das tias e dos cunhados da geringonça, arranje-se um bode expiatóro e publique-se um código qualquer. E assim por diante. Não há projectos, programas, nada. Ou há, e ninguém liga. Legisle-se a reboque dos acontecimentos, que é a técnica preferida da geringonça, a que dá nas vistas, mesmo que não sirva para nada. Os outros acabam por ir atrás para não ser acusados de ser contra as vacinas, de proteger os incendiários, de defender o nepotismo, de querer acabar com serviço nacional de saúde, ou do que calhar.

    Não sei se algum dia se sairá disto. Não há vacinas, nem para a estupidez nem para o oportunismo.

     

    22.4.19

  • APANHADA NAS CURVAS

     

    A inacreditável rapariga que dá por ministra da saúde, praticante da ideologia do PS em versão radical – o que, aliás, não perde ocasião para afirmar -, feroz inimiga da sociedade civil , ódio que estende a membros do seu próprio partido (dona Maria de Belém que o diga), fabricante de inúmeras boutades ideológicas, “errro de casting” como diz o “Espresso”, parece que já vinha dando uns ares da sua graça antes de ir para o governo.

    É que era presidente de uma coisa qualquer conhecida por “Administração do Sistema de Saúde” e, nessa capacidade, passo a citar, ‘limpou’ doentes das listas de espera e falsificou datas de inscrição para cirurgias. Foi o Tribunal de Contas que levantou esta linda lebre, obrigando a geringonça a investigar mais este viçoso procedimento do verdadeiro socialismo.

    Facto é, e continuará a ser, que a pespineta em causa continua no governo, não constando que tenha sido chateada com o assunto.

    Que fique dito, para prestígio do camarada Costa.     

     

    22.4.19

  • O GRANDE DIPLOMATA

    Pilar de excelência da geringoncial organização, um tal Pedro Nuno Santos tem sido incensado pelos pataratas da “informação” como admirável negociador, o homem que constroi os necessários consensos com uma extrema esquerda sedenta de sangue, o fantástico equlibrador de tendências divergentes, a maravilha do século.

    “Mentira, tudo mentira”, como rezava uma velha canção. O que o tipo fez foi comer, sem batatas, as vontadinhas das taradas do BE e dos bolchevistas do PC. Não impôs um mínimo de civilização aos sócios, não os contrariou mais que naquilo que aceitaram de bom grado fingir-se contrariados, a fim de continuar no poder sem chatices. Em causa estão uns lugarzinhos no governo, depois das eleições, que diabo, vale bem a pena aceitar que o tal Santos se possa gabar ou ser gabado. Aliás, entre o Santos e as patroas do BE a comunhão é de uma evidência a toda a prova. O Jerónimo ainda se atreve, de vez em quando, a saracotear-se, mas pouco mais que a benefício do fogo de vista. Para complemento da areia que atira à cara da infeliz plebe, a criatura até deixou de andar de Porsche, tendo, segundo consta, passado a andar no Maserati do papá.

    Tudo corria pelo melhor. Eis senão quando, o chefe Costa, que não tinha, como é costume, dado pelo pelo que se passava, pôs a malta à míngua da gasolina, coisa que qualquer indivíduo provido de um mínimo da inteligência já sabia há quinze dias que ia acontecer. Não previu nada, não tomou providência nenhuma. O Costa é tão optimista tão optimista, que achou que isso da ausência de combustíveis era como a falta de beterrabas no supermercado, não fazia mal a ninguém. Quando acordou, desatou a fazer asneiras, ao ponto de “engraxar o eleitorado”, isto é, arranjou umas litradas para onde estão os votos e deixou apeados os pacóvios do interior, aqueles que passa a vida a dizer que protege. E mais: declarou que que aquilo era um problema “entre privados” (os maus da fita) e que o governo não tinha nada com isso. Se o país parasse… bom, nem sequer percebeu que o problema era público. Quando, finalmente, descobriu o que estava à vista, pensou, pensou, e mandou o Santos avançar com a sua “diplomacia”. O Santos, como é seu timbre, não fez nada, foram os tais horríveis privados quem arranjou uma saída, sem precisar para nada, nem do Santos, nem do Silva, nem geringonça. Se fosse uma greve da função pública, como a dos professores, talvez pagássemos as madurezas (literalmente) do Costa e companhia por muitos meses e maus.

    Assim vão as coisas cá na terrinha. Esmagados em aldrabices, lixados pela incompetência, afogados em propaganda, manietados pelo Estado geringôncico, desiludidos, pasmados, sem solução à vista. O “grande diplomata” ainda acaba em vice-primeiro-ministro, nem que tenha que vender o Maserati.

     

    19.4.19

  • UM ZERO

     

    Não há quem não tenha percebido – é opinião generalizada – que o senhor Pedro Marques é um zero à esquerda, um tipo patético e sem qualquer espécie de préstimo, um parlapatão do pior, um inventor de grandes obras para daqui a dez anos “inauguradas” por mágica antecipação, tudo excelsas qualidades que, com todo o mérito, lhe granjearam a fama e a glória de ter sido um adequado “ministro” da geringoça. Em suma, trata-se de um óptimo candidato para aqueles que gostam tanto do PS como eu.

    Não me atrevo a tentar imaginar a lógica da sua nomeação pelo manda chuva do Rato. Será para o mandar para longe, um pontapé pela escada acima a evitar que, por cá, o ridículo de tal personalidade continue a fazer rir? Para pagar algum favor? Para se vingar do Assis, fulano que nunca suportou a geringonça? Será só porque acha que os eleitores são estúpidos ao ponto de ir votar no PS apesar de tal criatura?

    De todas estas hipóteses, se tivesse que escolher, escolhia a última. O socialista-mor está tão habituado a enganar as pessoas, e as pessoas são tão crédulas, ou burras, que, com umas pinceladas de parlapié, comem o que lhes derem.  

    O candidato já deve andar a tratar da vidinha, já deve ter apartamento em Estrasburgo e um pied-a-terre em Bruxelas, conta aberta no Credit Lyonnais, um filipino-a-dias para os engomados, já deve ter pedido à dona Ana Gomes umas instruções persecutórias tipo KGB, enfim, um mínimo, ou um máximo, de preparação para um ridente futuro.

    Mas não é só isso. Dedica-se, sob o patrocínio do “Público”, a tecer insultos forçados, mal pensados e mal escritos (deficiências de literacia) contra o adversário, ao mesmo tempo que foge a sete pés a debater com ele seja o que for.

    Onde pode chegar a pesporrência socialista?

     

    18.4.19

  • UMA MAÇADA

    No dia 28 de Março de 2019, um novo sindicato apresentou, nos termos legais, um pré aviso de greve.  Vinte dias passaram. O chamado primeiro-ministro, o barbaças do ambiente, bem como o intragável quão energético Caramba, todo engravatado, não deram por nada. Na sua monumental incompetência, nenhum deles percebeu que a coisa podia dar mau resultado, não previu, não tomou medidas, não ligou pevas. Um assobiou para o ar, outro foi ao cinema, o terceiro estava muito ocupado com a liga dos campeões.

    Quando a bronca estalou, os aviões desviados, a malta apeada, uma maçada. Reunido o conselho de ministros e, após acesa discussão, concluiu-se que a culpa era do Passos Coelho, um canalha que se esqueceu de fazer um pipeline para o aeroporto. A culpa é do gajo, regougou o barbaças. Sem dúvida, apoiou o Galamba. Incontroverso, monhéou o chefe.

    Postas as coisas no seu devido sítio, havia que procurar uma solução. O primeiro, solene, tomou a palavra: trata-se de um problema de privados, o Estado (nós) não tem nada com isso, bem dizem a Catarina e o Jerónimo, nossos tão amados sócios, que, se os transportes fossem do Estado, não havia problema nenhum. Evidentemente, respondeu o barabaças com voz cava. O caramba disse que sim com a cabeça.

    Telefonou o Arménio: meus caros, eu não tenho nada com isto, eu até tinha feito um acordo, um brilhantíssimo contrato colectivo, estes gajos andam a urinar fora do recipiente, caraças!

    Pois é pá, respondeu o chefe, nada porreiro pá, vê lá se te reformas, estás a perder o comboio, vou fazer queixa ao Jerónimo. Por este andar acabas expulso!

    O Arménio desligou, a pensar que nunca mais chega a ditadura do proletariado.

     

    Postas as coisas no seu devido lugar, o governo não previu nada, não percebeu nada, anda para aí a meter os pés pelas mãos, fiel a si próprio e à sua irremediável incompetência, a segurança do país nas mãos de um bando desalinhado e ambicioso, tudo disfuncional como nos incêndios, entregues que estamos à estupidez e à propaganda. O resto é conversa.

     

    18.4.19     

  • #OOUTROLADO

     

    Um tipo da TV anunciou que, a próxima sessão do programa “Do outro lado” (qual lado?)  terá como participante o senhor de Belém.

    A sua augusta presença, é de presumir, não será contemplada com senha, isto é, Sua Excelência não será remunerada pelo trabalhinho. Acredito.

    Consta que, no palácio, se discutiram várias alternativas, havendo quem defendesse que, para não ficar para trás, deveria o senhor ir fazer uns pèzinhos de coentrada no programa da Clementina, ou Cristina, ou lá o que é, acabado em ina. Ou então ir dar umas lições de arbitragem num dos cento e cinquenta programas diários dedicados à nacional futebolice. O “Preço Certo” também terá sido alvitrado, dada a sua popularidade e não descurando, é claro, a hipótese de Sexa ganhar uma torradeira, um espremedor de citrinos e uns pastéis de Tentugal. A escolha recaíu, porém, num programa da TV do Estado, por óbvias considerações institucionais. Bem escolhido. Ainda que com sacrifício das audiências foi preservada uma certa dignidade.

    Aguarda-se ansiosamente o tal programa, pelo menos para saber que “outro lado” escolherá o ilustre convidado. É que, até ver, o único lado escolhido pelo senhor é, com pequenos intervalos, o da geringonça.

     

    17.4.19