IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • INOVAÇÃO

    Uma pequena curiosidade sobre a história dos serviços mínimos. Ontem, gloriosamente, um ministro qualquer disse que os serviços mínimos seriam assegurados por motoristas da guarda republicana.

    Ou seja: os motroristas propriamente ditos borrifam no governo, nos serviços mínimos, no alegado “respeito pela legalidade”. O governo manda avançar a guarda, e declara mais um retumbante triunfo: um novo conceito de serviços mínimos genialmente criado pela geringonça.

    Uma dica para um bom negócio: pegue na carrinha, vá a Badajoz. Leve umas latas. Volte com elas cheias, monte uma banca no Martim Moniz e fará fortuna.

     

    17.4.19

  • A GRANDE PANACEIA

    O estilo da geringonça são três, passe a bojarda: o do tesoureio, chamado Centeno, o do secretário, de nome Costa, e o do presidente, conhecido por Marcelo.

    O tesoureiro entesoura, como é seu mister, tem medo dos credores, usa os meios mais práticos e eficazes para que os eles não chateiem e a clientela se mantenha, custe isso o que custar, doa a quem doer.

    O secretário, por um lado, verga-se ao tesoureiro, por outro aos colegas que o aguentam no poder, pratica desbragada lábia, nada de escrúpulos ou de amor à verdade. Um verdadeiro compincha.

    O presidente, aliás incontestável chairman da organização, vai acalmando hostes menos favoráveis com a sua tão apreciada política de ósculos, pratica sem parança a verborreia, raramente se atrevendo a dar uma bicada, isto em favor da “estabilidade” ou da simpatia.

    Dos trabalhos desta trempe, é de realçar a confiança dos credores, coisa que, com Passos Coelho – que a conquistou – era, para os actuais geringonços, um horror,uma submissão, uma desgraça. Hoje, é um título de glória. Resultados, por exemplo: temos o chamado serviço nacional de saúde a cair de podre, a malta a fugir para o privado, os médicos e os enfermeiros a dar à sola assim que podem, a nacionalização dos prejuízos da TAP, a absurda entrada a quatro patas na Casa do Douro, o crescimento miserável, a educação de rastos, a luta sem tréguas contra os “privados”, as políticas “de género”, a estatização de tudo o que se põe a jeito, a sociedade cada dia mais amorfa, a poupança inexistente, as bolhas a espreitar…

    Segundo esta gente, uns abertamente outros ainda com alguma vergonha, a grande solução para tudo é o Estado. O omnipresente, o omnipotente, o maravilhoso Estado. A panaceia universal das esquerdoidas, dos bolchevistas e dos pedros nunos santos & Cª ilimitada. Quando os bancos privados se arruinam, por importação de crises, incompetência ou aldrabice, ó da guarda que é preciso deixá-los cair, não meter neles um chavo. Mas, se for a sacrossanta CGD – 100% do Estado – tão arruinada como os outros, então tudo bem, é “nossa”! Se a medicina privada sai mais barata ao Estado que a pública, é preciso nacionalizá-la, ou pô-la fora de combate. Os colégios privados, esses, produtivos ou não, são para acabar. Tudo exemplos claríssimos de que “a luta continua”, agora com um grande cúmplice, o PS.

    Entretanto, a sociedade definha, encostada a ilusões e a imediatismos sem sentido nem futuro.

    Ou com o futuro previsível: a miséria socialista, venha ela dos “moderados”, dos radicais ou dos extremistas.

     

    14.4.19

  • UM MUNDO PSICOPATA

     

    Anda meio mundo afogado em elogios ao senhor Assange, um psicopata, um esquizofrénico sem ponta de moral, um tipo que se mascara de velhinho e se atira para o chão quando a polícia o vai buscar, um exibicionista inveterado, um tarado sexual, uma porcaria humana.

    O bandido é o orago de muita gente, consoante os interesses de cada um. Por exemplo, um outro psicopata, um tal Trump, que lhe teceu elogios quando lhe convinha, agora odeia-o porque terá cuspido alguma coisa menos conveniente.

    Modernamente, os fins passaram a justificar os meios, na medida em que os vícios persecutórios passaram a ser o pão nosso de cada dia, potenciados pelas redes sociais e cultivados por accéfalos media.

    O senhor Assange é, com uma brutalidade evidente, um sinal da ruína de valores cujos substitutos ainda ninguém concebeu. Os nossos dias são os do fim de referências, princípios valores que se julgaria importantes e que “guiavam” as pessoas decentes. O problema é que, em vez de, no seu lugar, alguma coisa de melhor ou de mais válido surgisse, vivemos no vazio. Não há novos filósofos, nada de fundo, vivemos de comentários, tudo se passa ao correr do mais imediato.

    Como a esperança é a última a morrer, digamos que, com o tempo, talvez se saia disto sem sofrer as consequências que, hoje, são previsíveis.

     

    14.4.19    

  • OS CUCOS

    Anos atrás, os estaleiros de Viana do Castelo, empresa pública, entraram em crise. Muitas razões terá havido para tal, mas a grande machadada, a finaL, a letal, fou vibrada por um indivíduo que, hoje, é presidente do Partido Socialista, chefe do seu grupo parlamentar e, diga-se com inteira justiça e em abono da verdade, o mais “endogâmico” de todos os portugueses.

    Era ele chefe do governo dos Açores. A região tinha encomendado um importante navio aos estaleiros, para transportes inter-ilhas. Estava o navio pronto, mas descobriu-se, talvez com razão, que a velocidade de ponta era um nó abaixo do combinado. O “dono da obra” ficou de tal maneira agastado, e não houve meio termo: cancelou a encomenda, recebeu de volta o que já tinha pago, foi alugar (por fortunas) embarcções à Grécia, e deu cabo dos estaleiros de uma penada.

    Centenas de trabalhadores sem trabalho, um buraco financeiro dos diabos, o navio vendido ao preço da chuva. O açoriano veio para o continente e, em reconhecimentos dos altos serviços que prestara à Pátria e a Viana do Castelo, acabou por ser levado em ombros à presidência do Partido Socialista. Tem a sua lógica, não tem?

    Chegou, entretanto, um governo decente. A desgraça socialista tinha chegado ao fim. Esse governo concedeu a exploração dos estaleiros dos estaleiros a uma empresa privada. O clamor foi geral. Canalhas, malandros, querem privatizar o que é do Estado, nosso, de todos os portugueses! Neoliberais, proto fascistas!

    O tempo foi passando. Os estaleiros sairam da fossa, os empregos foram recuperados, sendo realista pensar que tudo continuará em boa senda.

    O lançamento de uma nova embarcação foi realizado com pompa. Muito bem. A geringonça apareceu em peso, apropriando-se de mais este “feito”. Não sei se lá estava o açoriano. Quem não estava de certeza – não era bem vindo – foi quem cometeu o “crime” de salvar os estaleiros, ou seja Passos Coelho e Aguiar Branco, por exemplo.

    Os cucos estão no poder.

     

    14.4.19   

  • DA MORAL DA BANANEIRA

    Descobri uma coisa em que estou de acordo com Rui Rio. Alvíssaras.

    Nos tempos que correm, é preciso coragem para declarar que a “lei da moral republicana” é uma manifestação da mais rematada hipocrisia. Ser, simultaneamente, contra o senhor de Belém, contra a filarmónica da geringoça, contra a opinião pública envenenada por professores, comentadores e outros senhores, é de homem.

    A miséria moral da geringonça começou por achar muito bem que se desse emprego aos primos, aos sobrinhos, aos amigos, a quem se quisesse. Depois, a bronca inchou, o Costa disse umas asneiras, engasgou-se, não respondeu a nada, fez perguntas, tergiversou. Como a história se manteve e até inchou, fugiu em frente, pôs-se a falar de “legislação”, como se tal coisa não fosse uma fábrica de alçapões e de manigâncias. Como se o que interessa, se é que interessa, é limitar os afilhados, e se a solução não fosse limitá-los mesmo. A seguir, não sei por puro cinismo se por falta de sentido do ridículo, arranjou um bode expiatório. E lá foram dois tipos para a rua quando, a ser verdade que mereciam ir para a rua, tinham que ir mais uns cinquenta.

    Surge então, do alto do assento onde subiu, o senhor de Belém. Propõe uma lei brutal: até ao 6º grau, seja ele colateral ou não, nem pensar, ninguém pode ser admitido, nem que seja para limpar as retretes da presidência! Força camarada, é assim mesmo. Grande jurista, o resto é conversa. O secretário da geringonça agradece.

    Postas as coisas no seu sítio, isto é tudo uma patética vergonha, um ridículo astronómico, a respladecente moral das bananas republicanas.

     

    14.4.19

  • JUNTINHOS

     

    A negação da ciência é uma arma política da extrema-direita, apostada em impor a sua nefasta ideologia.

    Isto diz o chevalier servant da dona Catarina, aquele carequinha assutado e hiper marxista que, diz-se, é presidente dos deputados do BE.

    De acordo: há ideologias nefastas. Legítimas, porque há liberdade de pensamento e da respectiva expressão. Nefastas, as dos extremos, ou seja, tanto a do BE, do PC, do Maduro e do Kim (“ciência” marxista), como a do Salvini ou da Le Pen (“ciência” nacional), e respectivas adjacências de um lado e de outro, cá e onde as haja.

    Pois é. O comunismo virou ferozmente nacionalista, isolacionista, euro ceptico. O nacionalismo virou soberanista à moda do princípio do Séc. XX. A mentalidade é a mesma. Sabe-se, de ciência certa e experimentada, que conduz à miséria, à “democracia iliberal”, à guerra. Veja-se, por exemplo, o pensamento desse velhíssimo jovem que encabeça a lista do PC, numa entrevista dada a um jornal qualquer.

    Les bons esprits se rencontrent, por exemplo no parlamento europeu, onde os votos propostos pelos extremos são, quase sem excepção, aprovados ou reprovados pelo BE e pelo PC. Veja-se o currículo parlamentar da dona Mariza.

    Ao mesmo tempo que se guerreiam e insultam, neo fascistas, neo comunistas, mais os puros, os não “neo”, vivem dos mesmos sentimentos, de opções simétricas mas de equivalentes resultados e objectivos, que isto de ideologias não é uma linha recta, é um círculo em que os extremismos estão juntinhos no arco, por oposição ao centro.

    Tudo boa gente, tudo muito científico.

    O Costa atura, e gosta, que isto do poder…

     

    12.4.19

  • VIOLENTAR A JUVENTUDE

    Empurradas pela “ciência” do século, uns milhares de meninos e meninas, universalmente elogiados, anunciaram repetir uma greve às aulas, em defesa do planeta. Ou se trata de uma questão de oportunismo – para os que não perdem uma boa oportunidade para fazer gazeta – ou do convencimento, induzido pela propaganda, de que é indispensável sensibilizar o orbe para a magna questão da salvação do terráquio futuro.

    Uma espécie que não tem qualquer tipo de influência nos planetários espirros, que não sabe como evitar a chuva ou domesticar o vento, que não é capaz de tamponar um vulcão ou de prever as suas fúrias, que não tem ponta de domínio sobre o comportamento do sol, sobre a altura das marés ou das ondas, acredita que é capaz de evitar que o clima mude, que o planeta aqueça, como já aqueceu e arrefeceu milhares de vezes, sempre olimpicamente ignorando a presença ou não presença da humanidade à superfície.

    O imoral pecado de orgulho em vigor no mundo inteiro, o pretensioso e inatingível objectivo de domar elementos indomáveis, tem por perverso efeito transformar a necessidade de preparar a humanidade para um futuro dito mais quente, de tomar medidas em relação à eventual escassez de água, de criar ambientes urbanos mais resistentes às intempéries, de limpar rios e mares, de criar novos alimentos e de todo um leque de medidas preventivas de um futuro incerto, de estudar a ecologia humana e criar novos habitats, de tratar de coisas reais e importantes, não de imaginar-se influente na mudança de determinismos cósmicos de que pouco percebe e não domina.

    Por um lado, as meninas e os meninos, ou se deixam instrumentalizar e violentar pela universal aldrabice, ou não gostam de ir às aulas. Por outro, os adultos, armados em parvos, acham muito bem. Contra isto, batatas.

     

    8.4.19

  • DESCULPEM VOLTAR AO ASSUNTO

    “A decisão de Carlos Martins (secertário do ambiente) é digna, como é digna a aceitação pelo governo dessa decisão. O que se passou foi feio. Mais feio ainda seria o governo fechar-se numa pose esfíngica, indiferente à pressão da imprensa e alheio à sensibilidade dos cidadãos.”

    Estas frases sintetizam, em particular, a posição de quem as escreveu -o novo e proto-geringoncial director do “Público”, senhor Manuel Carvalho, e, em geral, a posição comum da chamada comunicação social.

    De acordo, até à primeira vírgula da citação supra. O resto é tudo miséria. Como é possível considerar digna a posição do governo, se tem lá uma dúzias de “primos”, e só este é que fez bem em ir-se embora? Se o governo fosse digno, ou fazia como o César (“sapo”, para alguns amigos), e achava que tudo estava no maior dos “conformes”, ou teria que, em boa coerência, demitir dezenas de afilhados.

    Devo dizer que não estranho que, para cargos de confiança pessoal, a caducar com o governo, se nomeie primos, nem tão-pouco acho que tal nomeação seja um mal por aí além. Já no caso da administração pública a coisa fia mais fino, e aí a geringonça devia ser escrupulosa, em vez de pôr a CRESAP na prateleira. E também acho que, na nomeação de membros do governo, devia haver uma boa dose da bom senso. Mas não há.

    O que é verdadeiramente nojento é o chamado governo ter legiões de primos no seu entourage, e vir cá para fora dizer que acha muito mal. O que é verdadeiramente nojento, é que arranje um bode expiatório para se “justrificar”. O que é verdadeiramente nojento é que o senhor Carvalho em particular, e a imprensa em geral, achem isto maravilhoso, digno, sensível, louvável, e cheio de respeito pela “sensibilidade dos cidadãos”.

    Enfim, é o esplendor da moral republicana.

     

    8.4.19

  • OPERA BUFA

     

    Estou espantado. O ataque de moral republicana que assolou o governo fez uma vítima! Tenho uma enorme pena do fulano que foi demitido por contratar um primo para adjunto. Em boa verdade, acho que este caso não tem mal de maior. Sobretudo porque, como os factos demonstram, se trata de prática habitual do PS. Não se percebe a diferença entre este caso e os mais de trinta que andam aí nas bocas do mundo. Porquê este, e não os outros todos? Porque não se demite o governo em bloco, se está, como diz agora, contra estas manigâncias? Sacrifica uns desgraçadinhos e ignora o peixe graúdo.

    O chamado primeiro-ministro já arrancou para a costumeira fuga em frente. Ele, coitadinho, que até é um tipo cheio de pruridos morais, que jamais praticou a teoria dos jobs for the boys, e até teve a carinhosa atitude de a transformar em jobs for the siblings, está preocupadíssimo com o assunto. A prová-lo, vai de propor uma nova lei de incompatibilidades que evite a continuação dos hábitos da casa! Como se tais casos, se forem de evitar, se evitem com leis! É de um cinismo, ou de uma hipocrisia a toda a prova. Fogo de vista, areia para os nossos olhos, já que é praxis socialista achar que somos todos burros, e que os burros merecem ser, todos os dias, albardados com patranhas.

    Pior ainda é que o senhor de Belém tenha vindo a correr, como é seu indesmentível hábito, apoiar a brilhante proposta do amigo Costa. Em vez de se calar, ou denunciar, veio bater palmas. Pois, mais um “código de contuta” para entreter os burros, safar o insafável, e esquecer no dia seguinte à sua entrada em vigor. Estes factos, ou se esquecem ou se assumem, não há meio termo.

    Nós, que assistimos, com espanto e nojo, a esta desafinada ópera bufa, por aqui ficamos à espera do quinquagéssimo acto, e a pagar os bilhetes.  

     

    5.4.19

  • UM ATAQUINHO DE “ÉTICA REPUBLICANA”

    Depois de ter nomeado dúzias de mulheres e maridos, pais e filhos, boys de todos os tamanhos e feitios, para tudo o que é lugar no chamado governo e nas suas adjacências, depois de o sapo César, mestre nestas matérias, ter achado tudo muito bem, depois o conhecido como primeiro-ministro e chefe incontestado do PS se ter indignado com aquilo a que, à boa maneira do seu antecessor, chama conspiração da direita e de certa imprensa, o PS foi atacado por súbita moralidade. É de estalo.

    A prová-lo, a mui desagradável secretária adjunta Ana Catarina, cheia de novíssima consciência, declarou que a nomeação para o lugar de adjunto de um primo de um secretário de Estado foi coisa “profundamente errada e inadequada”.

    O IRRITADO, como sempre, sente-se na obrigação de louvar o PS, desta vez na pessoa de tal e tão extraordinária senhora, bem como na reacção rápida do nomeante, que tratou de mandar o primo às urtigas, ficando ele na mesma. Formidável!

    Assim, daqui fazemos um apelo à consciência, à indesmentível honestidade e à soberana coragem do PS e da sua secretária geral adjunta, para que, em límpida coerência, aplique o mesmo escrúpulo às restantes dúzias de nomeados desde há quase quatro anos a esta parte: mande-os também às urtigas! Tudo para a rua, que a moral republicana assim o exige! Bem sei que ficávamos quase sem governo, mas não viria daí mal ao mundo.

     

    8.4.19

     

    Obs. Tenho muita pena do tal adjunto que já não é adjunto. Não passa de isolada e inocente vítima da repentina descoberta do PS.

  • PEIXEIRADA DA FINA

     

    Toda a gente compreende, e até acha graça, às discussões das peixeiras. Têm justa fama pela forma, a linguagem, a casca grossa, os disparates. A tais “diálogos” soe chamar-se peixeiradas.

    Mutatis mutandis, há outras peixeiradas, mas sem piada nenhuma. Aqui há tempos, o Prof. A. C. Silva queixou-se dos exageros do palavreado, “verborreia frenética”, que por aí campeia. Vai daí, sem mais nem menos, o Prof. M. R. de Sousa enfiou a carapuça, deu à casca, e desatou aos gritos contra o colega. Começou a peixeirada, da fina, da universitária, da presidencial. MRS, sem mais nem menos, decretou que CS tinha dado posse a mulher e marido, a pai e filha. É claro que CS não os nomeou, foi um tal Costa; CS, contrarido, deu posse. MRS tripudiou sobre conceitos que bem conhece. CS foi culpado, ele, MRS, mais não fez que aceitar o que ele, CS, tinha feito! Mas, pobre dele, nunca mais aceitou nepotismos, nem “nomeou” ninguém. Pois não, só aceitou promover a ministra a filha de um ministro. Chateado, CS ripostou, com razão, que as suas “nomeações” e a experiência internacional  não têm nada de comparável com o que se passa com o governo da geringonça. Caso arrumado? Não. A peixeirada está, ou já estava, instalada. MRS veio declarar que CS não tinha “sentido de Estado” (caso PGR). Toma! O CS não tem nada a ver com a nomeação da nova PGR, só eu, só eu, eu é que sou Presidente, ha ha! Acrescentou então que não comenta ex-presidentes, uma questão de cortesia, sentido de Estado e respeito pela função. Coerentemente… comentou mesmo, e de que maneira! E não perde ocasião para comentar mais ainda. Coerentemente, pediu “contenção”, “bom senso”, “educação”, “equilíbrio”, “respeito”, tudo “pelo prestígio da democracia”. Tudo, entenda-se, virtudes que CS não tem. Por outras palavras, MRS auto-atribui-se o direito de comentar o que lhe vier à cabeça, de enfiar as carapuças que entender, de dar à casca quando lhe apetecer, mas nega a CS tais direitos.

     

    E aqui temos, ao mais alto nível, uma vergonhosa peixeirada.

         

    2.4.19

  • EU NÃO DIZIA?

    O meu post  de há três dias ( TRANSPORTES PARA O POVO) acabava assim: “Algo me diz que, a curto prazo, as broncas vão começar”.

    Já me tenho enganado algumas vezes, mas desta, acertei! O curto prazo foi menos de uma semana. Rezam hoje as notícias que a despesa, brilhantemente calculada, que os novos passes iam custar ao orçamento e, em ridícula percentagem, aos municípios, se cifrariam em 85 milhões. E não é que, em meia dúzia de dias, já vão em 117?

    Não sei nem me interessa saber quem foram os geringonços que fizeram o primeiro cálculo, mas é de pensar que foram os mesmos que fizeram o segundo. Compreendamos: mais 32 milhõezitos (38%), o que é isso? Peanuts! Sim, uma miséria, se estimarmos os cálculos que a seguir virão. Cesteiro que faz um cesto faz um cento, não é? Isto foi só a primeira bronca.

    Imagine-se o que vai acontecer aos outros mirabolantes números que a geringinça cospe por aí: menos 40.000 carros na cidade; mais, pelo menos, 10% de aumento de procura, só no primeiro ano; menos não sei quantas toneladas de CO2; mais investimento; etc., etc., etc., a imaginação e a propaganda não têm limites. A avaliar pelos primeiros cálculos, imagine-se o que virá aí: broncas e mais broncas, é de prever.

    Há uma explicação para isto. A geringonça teve o maior triunfo da sua miserável história. Vai dar votos em barda. Chapeau!  O resto é conversa. Os resultados das medidas medem-se em votos, não em euros. Quando for preciso pagar logo se vê.

    Para já, em termos eleitorais, tudo nos conformes. É claro que andam por aí uns privados a fazer huuummmm… se agora pagam mal, e tardíssimo, o que será a breve prazo? Se eles não sabem quanto vão gastar, nem quando, como podemos contar com eles? Antes de mais, isso de investir fica no tinteiro.

    Estes privados que se ponham a fancos. Se começarem a recalcitrar, as malucas e o Jerónimo desatam a gritar pela nacionalização: os transportes são do povo, nossos, não são um negócio, etc.. Por outras palavras, são um buraco, esse sim, de todos nós, como é costume.

     

    1.4.19

    PS.1. Quando li as notícias sobre esta história, palavra de honra (minha, boa, não a do Costa) que pensei que seria um poisson d’avril. Mas não era. O que quer dizer que ainda dou benefício da dúvida a esta gente. Burro!

    PS.2. Vejam bem a grande capacidade do PS para as contas: a lista dos familiares no poleiro foi de “um ou dois”, subiu para “quatro”, depois para “seis”, chegou à “dúzia”, depois a “duas ou três dúzias”, sempre nas palavras dos mais bem informados e responsáveis militantes. O “Expresso” elevou para “mais de quarenta”. Cambada de aldrabões ou milagre da multiplicação dos “cargos”.

  • O POVO AGRADECE

    No uso da sua habitual lata, anda por aí o camarada Centeno a gabar-se de, mais uma vez, ter baixado o défice – é certo que bem menos que Passos Coelho, mas isso, como é natural, não faz parte do discurso. A gabarolice não tem limites. Vale tudo, não só o auto-elogio, são as habituais mentiras, repetidas leninísticamente, sem vergonha de qualquer espécie.

    A carga fiscal não subiu, repete o geringonço. O Estado arrecadou uns 70.000.000.000 de euros, ou seja, qualquer coisa como mais 2.500.000.000 que no ano enterior. Mas os arautos do poder absoluto da esquerda dizem que não senhor, e fazem as contas à sua maneira: o que aumentou foi o consumo, o que aumentou foi o rendimento e o emprego, por isso que, à subida da receita, devam os cidadãos reagir agradecendo ao Centeno!

    É claro que são contas que nem um cigano alquilador teria lata para fazer. As receitas subiram percentualmente em relação ao PIB, isto é, a carga não pode deixar de ter subido. As falácias sucedem-se: o governo criou não sei quantos milhares de postos de trabalho! O governo? O governo arranjou mais uns empregos na função pública, o que quer dizer que aumentou a despesa estrutural. E mais nada. O resto, o que importa, deve-se, em exclusivo, à iniciativa privada e ao boom do turismo. A ver com a geringonça, zero.

    Uma coisa é a verdade, outra a propaganda.

     

    28.3.19

  • TRANSPORTES PARA O POVO

    Esta história dos passes, reconheço, é uma malha de grande alcance para a geringonça. Faz lembrar – que ideia! – as borlas do metro e dos telefones de Moscovo durante os brilhantes tempos da URSS. A coisa vai ter, sem dúvida, vistoso efeito eleitoral, pelo que se pode dizer que, para já, o chamado governo marcou pontos. Também é verdade que o PSD/Rio reagiu ao assunto da forma mais ridícula que se pode imaginar, o que tem o seu quê de natural se atendermos à cretinice que se apoderoiu do partido. Não há dúvida que a medida não podia ser mais popular, nem ter um efeito tão importante na economia de tanta gente. Parabéns.

    Mas… os transportes, como é evidente, não vão ficar mais baratos. Vão custar o mesmo ou, se as promessas forem cumpridas, muito mais. Alguém vai ter que pagar. Com a maior das canduras, dizem por aí que serão as autarquias mais o orçamento do Estado. Ou seja, que pagamos todos, a começar pelos que não têm passe, ou não precisam dele, ou estão a milhas dos privilegiados pela medida. É o costume, estamos habituados; não pagamos já todos os buracos da Carris, para que o senhor Medina se repoltreie nos transportes com uma empresa “limpinha”? E os fornecedores de serviços, que se queixam das voltas e reviravoltas a que as suas facturas têm que se submeter e da caloteirice adjacente? Se o Estado e as câmaras já levam seis meses para pagar, sem satisfações nem juros, como é que, tendo que pagar o dobro ou o triplo, o farão daqui por adiante?

    Algo me diz que, a curto prazo, as broncas vão começar.

     

    26.3.19

  • OS RIDÍCULOS

     

     

     

     

    Estou de acordo com o camarada Francisco Assis – o único socialista que nunca foi à bola com a geringonça – quando diz que não conhece o pensamento do Medina nem o do Pedro Marques. Daqui lanço um apelo a quem conheça coisas tais, ou a quem, ao menos, saiba se existem, para que me esclereçam – e ao Assis. E outro apelo: quem puder, dê um trabalhinho qualquer ao Assis, já que não é difícil perceber que, com o Costa, está irremediavelmente feito ao bife.

    Do Medina, ainda poderemos dizer que tem feito umas obras, boas ou más, mas visíveis.

    Ideias do Marques, zero, obras ainda menos, a não ser que se trate de obras por fazer. Destas, há até muitas que já “inaugurou”, perante assembleias várias de socialistas e outros pategos, com a colaboração atenta e obrigada das televisões e dos jornais. Um aldrabãozito de meia tijela. Ninguém mais adequado, no parecer do camarada Costa, seu colega no mercado das petas, para ser o patrão da candidatura socialista ao Parlamento Europeu, e até – imagine-se o inimaginável – para candidato português a um lugar de topo na lista dos membros da Comissão Europeia.

    Espera-se que haja algum bom senso por parte de quem manda naquela coisa, de forma a não nos sujeitar a ter, na Comissão, um representante deste calibre. Para ridículo já basta o César.

     

    26.3.19

  • SAÚDE PARA O POVO OU PARA A GERINGONÇA?

     

    As chamadas leis quadro costumam ter o efeitos dos raminhos de salsa. Fazem-se para estabelecer princípios vários, mas os seus efeitos são, normalmente, para esquecer. Para ter algum efeito prático, ou aplicabilidade, precisam regulamentações várias, as quais ou nunca verão a luz do dia ou serão rapidamentes esquecidas.

    Atravessamos agora um período em que as pessoas andam a ser entretidas com magnas discussões sobre uma tal nova Lei de Bases da Saúde, como se de tal coisa viesse a resultar mais saúde para cada um.

    A geringonça inventou uma comissão destinada apresentar uma proposta. A chefe de tal comissão, dona Maria de Belém, apesar de socialista e após aturados trabalhos, deu à luz a um projecto com pés e cabeça. Parece que era coisa moderada, ou moderada demais para agradar às esquerdoidas e ao PC. Mas… azar, o ministro da saúde gostava. Há quem diga, julgo que com toda a razão, que foi por isso sem demora mandado para casa. E também foi por isso que o substituiram por uma senhora perita em  declarações tolas e disparates vários, mas de indiscutível e largamente declarada fidelidade à ideologia. Cumpriu a primeira missão de que a geringonça a encarregara: meter no caixote o trabalho da comissão, e condenar dona Maria de Belém ao mais fatal ostracismo: jamais lhe deu qualquer satisfação e até excluiu a sua presença de uma sessão de propaganda que organizou sobre o assunto.

    O CEO da geringonça, um certo Costa, rejubilou e resolveu avançar com a lei da tonta.

    Entretanto, o senhor de Belém, achando que uma dava uma abébia aos que o acusam de ser chairman da geringonça, que mostrava a sua independência e que fazia pirraça ao PS, resolveu declarar que não promulgaria uma lei da saúde que não fosse objecto de acordo alargado das forças políticas. Queria com isto dizer – pelo menos é o que consta entre os sabichões de serviço – que exigia a sua aceitação pelo PSD/Rio e pelo CDS/PP.

    Teve a resposta que, dir-se-á, merecia. O chamado primeiro-ministro saltou-lhe em cima e declarou que a lei passaria como os votos que calhasse, isto é, que não só se está marimbando para o que diz o senhor de Belém como dispõe de maioria para fazer passar o que lhe apetecer sem precisar seja de quem for.

     

    Esclareça-se um ponto que tudo explica: a controvérsia é sobre a situação em que, por causa de tal lei, ficará a saúde privada e a nossa possibilidade de a ela recorrer. É aqui que bate o ponto. A maioria de esquerda borrifa nisso, para ela o que importa é impor a saúde pública a todos os cidadãos, sejam quais forem as opções de cada um. A saúde privada, ou a gestão privada da saúde pública, mesmo que funcionem bem, mesmo dando lucros ou poupando despesas ao Estado, são para acabar. Algo me diz (não é preciso ser muito esperto) que até a ADSE, que tem características de saúde privada, é para acabar, havendo já disso vários sinais. Depois das eleições, veremos. O fim da ADSE, para já, não. Podia afastar eleitores…

    E é nisto que se vive. Importante é “socializar”, alargar o poder socialista seja a que custo social e humano for.

    O húngaro Orban é, com razão, acusado de “fascismo”, ou de falta de respeito pelos princípios da UE. Costa não. É que a UE ainda não se meteu em temas de saúde. Se o fizesse, a geringonça metia o rabo entre as pernas, como costuma fazer sob as ordens do Centeno.

     

    23.3.19

  • O POLVO

    O POLVO

    Já aqui nos manifestámos sobre a nova arrancada da geringonça contra a RTP.

    Há anos sob um regime independente (fundado pelo centro direita), era preciso colocá-la sob a autoridade do governo. A RTP, via um contrato com a Federação de Futebol, deu à geringonça um pèzinho para agravar tal arrancada. O parzinho Catarina Martins/António Costa trataram da saúde à coisa: parece que a RTP não deu satisfações à geringonça, crime de lesa “informação”. Como se a RTP dependesse da opinião do governo! O contrato de concessão diz que não depende. Mas, para geringonça, o contrato não interessa, o que interessa é governamentalizar, instrumentalizar, estatizar, acabr com qualquer resquício de independência. Qual Conselho, qual carapuça! Quem manda é a dupla Catarina/Costa. Nada lhe escapa.

    Mais uma reversão, desta vez de mais uma reversão de princípios, mais uma afirmação de socialismo.

     

    NOTA

    Não sei se o contrato da RTP com a FPF era bom ou mau, nem me interessa lá muito. O que me interessa é denunciar o polvo.

     

     24.3.19

  • LUSO MEDINÊS

     

    Algumas expressões brilhantes em luso medinês (de Medina, ou merdina), pronunciadas ontem, num debate sobre a “mobilidade”:

    “…felizmente, tenho a felicidade…”

    “…as alterações que são necessárias fazer…”

    “…para que consigamos conseguir…”

    Para não ouvir mais bojardas, mudei de canal.

     

    23.3.19

  • LIÇÕES DE UM TAXISTA

     

    Numa viagem do Príncipe Real ao Campo Pequeno, ouvi isto e muito mais:

     

    Trabalho desde os dez anos, ia para o trabalho quando saía da escola;

    Nunca tive falta de trabalho;

    Quando trabalhamos bem, não há quem nos despeça;

    Já me despedi umas vinte vezes (quando arranjava melhor);

    Uma vez, o meu patrão faliu. Fui apanhar azeitonas até arranjar outra coisa;

    Nunca andei no desemprego;

    O esquema agora é o seguinte: quem não gosta de trabalhar, arranja um contrato a prazo, findo o prazo vai-se embora para o desemprego, passa aos biscates, ganha a dois carrinhos, findo o subsídio arranja outro contrato a prazo, volta ao desemprego e aos biscates, e assim sucessivamente;

    A malta gosta é de contratos a prazo, ao contrário do que dizem por aí;

    Empregos há com fartura, o que não há é quem os queira;

    Há um tipo da Câmara que tem duzentos tuktuks;

    Há um deputado quem tem sessenta carros na Uber;

    A Uber não têm tabela, os preços dependem da procura, podem ser dez ou cem para o mesmo percurso;

    A Uber, sem investimento, cobra vinte e cinco por cento de cada corrida.

     

    Vendo estas pelo preço que as comprei. Pense cada um o que quiser.

     

    23.3.19

  • MODAS

    Tenho estado mais ou menos silencioso, parado há uma semana. Sobre o malandrão que foi corrido de Budapeste já me pronunciei. Os novos passes… ando a pensar nisso, ainda não percebi lá muito bem, cheira-me a que há gato mas… Acerca dos horrores de Moçambique, nada me ocorre que não esteja já dito. Desconto as sessões de propaganda do chamado governo e do senhor de Belém à custa da desgraça alheia e curvo-me perante a desgraça que se abateu sobre essa ex-parcela do ultramar português.

    Sobre as almas correctas, ocorre-me dizer umas coisas. Elas, a muito custo, aceitam que a culpa das cheias, desta feita, talvez não seja de Passos Coelho. Inclinam-se mais para o aquecimento global, sendo este, como é evidente, culpa dessa coisa que se chama humanidade, esmagada pelos malefícios do capitalismo. Ainda há dias, vimos, por esse mundo fora, milhões de criancinhas aterrorizadas a protestar nas ruas contra a sua própria espécie e a favor não se percebe bem de quê. Mergulhadas em universais slogans, vão para onde as empurram.

    A terra já aqueceu e já arrefeceu milhares de vezes ao longo dos muitos milhões de milhões de giros que vem dando à volta do sol, sem ter nada a ver com a humanidade, que só existe há poucas dezenas de milhar de anos – grão de areia na praia do tempo cósmico. Parece que, agora, o planeta está a aquecer aos poucos, tal como, em tempos nada longínquos, arrefeceu, como tinha aquecido antes e arrefecerá depois.

    Pensar-se-ia, com elementar lógica, que teremos que nos preparar para o tal aquecimento. Se vai haver menos água, que fazer? Se vai haver mais desastres naturais, que providências tomar? Se as espécies de que nos alimentamos vão sofrer, quais as alternativas?

    Dessalinizar águas do mar, com certeza. Aplicar novas técnicas urbanísticas, sem dúvlda. Criar novos habitats, é evidente. Usar os mares com mais vigor e inteligência, indispensável.

    Andar às voltas com o CO2, bullshit. Acabar com os hidrocarbonetos, crap. Usar energias caríssimas – “limpas” dizem eles – em vez de nucleares, asneira. E por aí fora. O que interessa ao mundo correcto é o CO2, não o CO2 que a natureza produz – muito mais do que o que o homem em algum tempo produziu ou produzirá –  mas o que nós e as vacas fabricamos. Se já houve não poucas eras da terra em que havia mais CO2 do que hoje, com e sem humanidade, não interessa.

    No fundo, o que interessa é o medo. Aterrorizar crianças e adultos com histórias que o mais que fazem é mudar os destinos do dinheiro, dar território a novas tecnologias, úteis ou não, ou abrir caminho aos candidatos a big brother .

    Entretanto, por exemplo em Portugal, não se dessaliniza água nenhuma, não se trata dos recursos hídricos, toda a gente treme a pensar nos limites do Alqueva, mas isso de fazer mais barragens pode modificar a paisagem!  O nuclear está “fora da agenda”, como dizia esse luminar do “ambiente” que se chamava Pinto de Sousa e se declarava engenheiro Sócrates.

    Os correctos, os néscios, os activistas, acham que fazer furos no mar a 40 quilómetros da Aljezur dá cabo do turismo no Algarve. Procurar gás de xisto, nem pensar, podem maltratar algum pedregulho pré-histórico. O chamado governo acha bem.

    Portugal, nos braços do esquerdismo, nada prevê nem prepara. Entretem-se e é entretido com modas. Estúpido, mas à la page.

     

    22.3.19