IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


UM ATAQUINHO DE “ÉTICA REPUBLICANA”

Depois de ter nomeado dúzias de mulheres e maridos, pais e filhos, boys de todos os tamanhos e feitios, para tudo o que é lugar no chamado governo e nas suas adjacências, depois de o sapo César, mestre nestas matérias, ter achado tudo muito bem, depois o conhecido como primeiro-ministro e chefe incontestado do PS se ter indignado com aquilo a que, à boa maneira do seu antecessor, chama conspiração da direita e de certa imprensa, o PS foi atacado por súbita moralidade. É de estalo.

A prová-lo, a mui desagradável secretária adjunta Ana Catarina, cheia de novíssima consciência, declarou que a nomeação para o lugar de adjunto de um primo de um secretário de Estado foi coisa “profundamente errada e inadequada”.

O IRRITADO, como sempre, sente-se na obrigação de louvar o PS, desta vez na pessoa de tal e tão extraordinária senhora, bem como na reacção rápida do nomeante, que tratou de mandar o primo às urtigas, ficando ele na mesma. Formidável!

Assim, daqui fazemos um apelo à consciência, à indesmentível honestidade e à soberana coragem do PS e da sua secretária geral adjunta, para que, em límpida coerência, aplique o mesmo escrúpulo às restantes dúzias de nomeados desde há quase quatro anos a esta parte: mande-os também às urtigas! Tudo para a rua, que a moral republicana assim o exige! Bem sei que ficávamos quase sem governo, mas não viria daí mal ao mundo.

 

8.4.19

 

Obs. Tenho muita pena do tal adjunto que já não é adjunto. Não passa de isolada e inocente vítima da repentina descoberta do PS.



7 respostas a “UM ATAQUINHO DE “ÉTICA REPUBLICANA””

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Sim, sim, Irritado, mas ainda não explicou: qual o problema do critério familiar para escolher governantes? Então não era esse o melhor critério, o que nos fazia falta, como naqueles países bonitos e avançados e tal? Se um tipo ou tipa pode chegar a soberano de um país, por toda a vida, apenas por nascer em certa família, porque não a um tachito de Ministro ou Sec. Estado durante uns meses? Desculpe lá se faço perguntas difíceis…

    1. Faça as perguntas que lhe apetecer, dentro dos seus respeitáveis critérios. Esta não é das difíceis . Veja o que acontece nos países Europeus que escolheram manter a Instituição. Têm o que é permanente permanentemente representado, bem representado, e estimado pela esmagadora maioria dos cidadãos, sem prejuízo (pelo contrário) dos direitos de cada um. Quer melhor?Eu sei que por cá, a coisa não tem futuro. Mas nada impede que a admire, e que o diga.

      1. Avatar de o censurado - XXI
        o censurado – XXI

        sr antónio, o meu sogro era Barão, por herança de seu pai. Acha que poderei ser “duque”?

  2. Como escrevi há pouco no blog Blasfêmias, só quando forem corrigidas as disfunções do regime, o país poderá inverter o sentido da sua caminhada para a cauda da Europa.Referia-me a duas instituições que são traves do sistema político: o parlamento e a justiça. Nao entendo como pode levar-se a sério uma AR integralmente constituída por amigos ( e familiares, quem sabe? ) dos chefes dos partidos? Que, ainda por cima, não conseguiu obter mais de 45% dos votos de todos os eleitores do país? Para mim é evidente a necessidade de alterar a lei eleitoral. Como é evidente a necessidade de aprovar a lei de criminalização do enriquecimento ilícito, referida recentemente, na AR, pelo dr. Álvaro Santos Pereira. Sempre ouvi os especialistas de países civilizados afirmarem que, sem uma lei nesse sentido, é impossível combater eficazmente o crime organizado e a corrupção. Muito mais haverá a fazer para melhorar o sistema político ( e estou a pensar, concretamente, na CS ). Porém, cada uma das duas alterações legislativas apontadas já seria um bom começo.

    1. Avatar de Filipe Bastos
      Filipe Bastos

      Carradas de razão, Isabel. Mas há zero hipóteses de passar tais alterações. É o que os americanos chamam ‘catch 22’, uma pescadinha de rabo na boca: só a classe política pode regulamentar, escrutinar e responsabilizar… a classe política. Daí a necessidade de uma democracia mais directa. Quem deve tomar as decisões é quem as paga. Até que isso aconteça, nada vai mudar. Continuamos a ser chulados, roubados e gozados pela escumalha dos partidos.

      1. Tem toda a razão quando diz que a classe política não vai mudar um sistema que lhe garante, no país, o exclusivo do poder com irresponsabilidade quase total. Porém, a história mostra que estas situações acabam sempre por cair.O que me surpreende é o domínio, também na internet, dos temas que a CS escolhe e do nível mais ou menos superficial do debate. A maioria dos blogs que leio criticam, e muito bem, as situações perversas de que se vai tendo conhecimento. Mas não vão mais longe. Dou 2 exemplos de questões que normalmente não interessam: – como é possível que se chegue ao nível de nepotismo que se observa? Como é possível que políticos de todos os partidos tentem desvalorizar o abuso de poder que ele representa? Porque não tem o sistema um mecanismo que evite, automaticamente, que se chegue a este ponto? Será preciso alterar o sistema? – como é possível que o país tenha registado três falências do Estado em menos de 40 anos? Porque não tem o sistema um mecanismo…etc etcPodíamos continuar a formular a mesma questão a propósito das falências de toda a banca, do nível da corrupção, dos processos judiciais intermináveis e por aí adiante. Tão numerosos problemas funcionais já deveriam ter originado profunda reorganização do sistema político. E, se a CS não fala destes temas, ou só os aborda muito esporadicamente, terão de ser os internautas a dedicar-lhe uma atenção crescente.

      2. Deve ser por isso que os britânicos vão pagar o brexit.

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