IRRITADO

Um blogue de António Borges de Carvalho

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • ABERRAÇÕES

    Aquela rapariga muito peculiar que dá pelo nome de ministra da cultura descobriu, não se sabe onde, embora se possa calcular porquê, uma artista, muito conhecida lá em casa, a quem, pletórica de admiração, nomeou oficilamente nada mais nada menos que representante de Portugal numa exposição internacional de arte, nada mais nada menos que a Bienal de Veneza.

    Era desconhecido de toda a gente, incluindo os conhecedores destes assuntos, qual o critério que presidiu a tal nomeação. Até que… até que a fulana, orgulhosamente, se confessou: aceita, honradíssima, a justa nomeação de que foi alvo, porque o convite veio da geringonça. Se de outro lado viesse, de nojo, não aceitava. Trocado o assunto por miúdos, a mulher vai à tal exposição em representação, não de Portugal e dos seus interesses artísticos, se é que os há, mas da geringonça. Representa o socialismo, e mais nada. Grande cidadã, grande democrata!

    Faz lembrar o inacreditável Vasco Lourenço, coronel de aviário, que fez o 25 de Abril, não pelo amor à democracia, mas pela fé socialista. De tal maneira que não vai às comemorações da data se o governo não for dessa cor. A Pátria, a República, a Nação, são propriedade do socialismo, mesmo que os cidadãos não votem em tal aberração.

    Aberrações, como o socialismo, são também a chamada ministra e a sua muito querida amiga, o que está provado por diversas formas, expressões e acontecimentos, incluindo a nomeação em apreço.

     

    A vergonha morreu às mãos da geringonça.

     

    16.3.19   

  • DA NACIONAL PORCARIA

    Voltando ao tema de anteontem, não posso deixar de exarar um elogio ao deputado do PSD que classificou de porcaria os ensinamentos prestados por missionários da pedereastia e afins às criancinhas de dez anos, em escolas do Estado.

    Posto isto, há que admitir que há porcarias ainda mais porcas.

    A pior de todas: perante o facto em si e a polémica que motivou, o chamado governo ficou calado como um rato: nem um guincho se lhe ouve.

    A seguir, temos a porcaria da directora de uma escola, dona Arlete, que veio para os jornais defender as suas liberalidades: por palavras dela, “trata-se de actividades inscritas no plano curricular e aprovadas pelo Conselho Pedagógico”.

    Outra porcaria, o tal Conselho Pedagógico.

    E outra ainda, desta feita sem surpresa: a queixa que duas das esquerdoidas do costume apresentaram a uma organização qualquer encarregada da “igualdade” que o que faz é promover as desigualdades, desde que tais desigualdades tenham a ver com as partes de cada um, isto é, ditas “de género”.

    Diz a dona Arlete que não houve pais a protestar: a ser verdade (não acredito), parece que a porcaria bateu à porta de certas famílias, e que a porta se abriu.

    Siga o préstito.

     

    16.3.19

  • MISSIONAÇÃO PEDERASTA

    Sabe-se que, nos nossos dias, a pederastia e afins passou de coisa discreta e em geral  tolerada para uma espécie de nova religião, com os seus oficiantes e propagandistas, incensada, elevada à categoria de classe, ou “género”, a admirar e imitar. É dado aos seus seguidores o estatuto de exemplo social. Aos respectivos prosélitos confere-se a categoria de de casta superior. As autoridades camarárias dão-lhes moradias e palacetes, verbas e projecção social, os poderes públicos consagram-lhes os mais diversos meios, apoiam-lhes a exibição pública dos seus hábitos, deficiências e orgulhos.

    Passou-se do oito para o oitenta. De tolerados, ou compreendidos, os pederastas e afins passaram a cidadãos de excelência.

    Num dos mais chocantes sinais dos tempos e da trafulhice moral a que estamos sujeitos, umas organizações afectas à classe organizam uma espécie de madrassas com vista à educação LGBTIXVO3+69 (não sei se o menu está completo) das criancinhas das escolas. Não contentes com isso cobram-lhes um contributo “voluntário” para o financiamento das suas actividades. E, ainda pior, há escolas PXV4+5,3 (o menu não é este, mas é parecido) que autorizam a macacada e até acham muito bem a cobrança.

    Não contesto que esta malta tenha o direito a ser considerada normal. Mas, com estas manifestações, não se admirem se passarem a anormais, e a anormais perigosos. Que os tiros lhes saiam pela culatra são os votos do IRRITADO, certamente com o apoio dos pederastas e afins a quem assista algum bom senso, dignidade e noção da responsabilidade.

     

    11.3.19

  • DOS VALORES DA DELAÇÃO

     

    Em tempos que já lá vão, um delator era um delator, também conhecido por bufo e por outras pejorativas designações. Era o colaborador ideal das polícias políticas, dos espiões industriais e sociais,  a “testemunha secreta” dos jornalistas baratos e de gente dessa igualha. Provocavam o merecido desprezo por parte das pessoas normais e também da justiça, salvo casos de carácter pidesco. Era uma “profissão” discreta, escondida de todos os que não fossem mais próximos capangas dos seus clientes.

    Os bufos de hoje são mais sofisticados, sabem de informática e, em vez de andar a ouvir conversas no café ou atrás das portas, em vez de penetrar nos escritórios ou casas de cada um, entram na correspondência alheia sem cuidar de quaisquer direitos, penetram em contas bancárias sem mandato, alimentam a intrigalhada política e mais o que lhes der na gana. Ganham a vida com isso e têm os favores da opinião pública, hoje educada para o imediatismo do ódio e para os julgamentos sem intervenção policial e sem legitimidade investigatória ou judicial.

    O Estado de Direito, o Primado da Lei, foram para o caixote do lixo, ou foi a sociedade que adoptou fundamentos “morais” que não constam de nenhuma declaração de direitos? Ou uma mistura dos dois? Quem souber que o diga.

    Os maiores bufos deste mundo são incensados, elogiados, postos nos altares do ódio e, se perseguidos pela Lei, são  perdoados, amnistiados, desculpados. Os poderes públicos, quando lhes convém, cooperam activamente com a sociedade. Há até penetrações em segredos militares internos de um país que deixaram de ser levados à conta de traição ou de espionagem. Sobre um tal Pinto, espião informático por conta própria que, perseguido pelo que resta das autoridades portuguesas, se diverte a dizer do seu país o que mafoma não diz do porco, a nossa opinião pública, tão afoita a condenar o que lhe vier à mão, nada opina, ou até aprova. Um alarve do mais radical, um pide de alma e coração, um ladrão de correspondência privada sem mandato outro que não seja o do próprio, não merece críticas sociais ou condenações dos nossos opiniosos e exigentes comunicadores. O senhor Pinto pode caluniar ou acusar quem muito bem lhe apetecer sem que ninguém ponha a nu a ignomínia da sua vida nem ponha em causa as suas acusações ou meio que utiliza.        

    Pois é. Vão dizer que vivo no século passado, que os meus valores caíram em desuso, que sou um velho do Restelo que não acredita nas descobertas do senhor Pinto. Não têm razão. Não vivo no século passado. Para ser verdadeitamente moderno vivo vários séculos mais atrás, quando bastava um sopro de denúncia para um tipo ir parar à fogueira. É, mutatis mutandis, o que a nova moral estabelece, com o incondicional apoio da forças “progressitas” e dos ódios primários que animam a vilanagem.

     

    10.3.19

  • RTPC

    Há uns anos, durante o governo legítimo, o ministro Poiares Maduro lançou um novo esquema de supervisão da RTP, através dum Conselho Geral Independente. Alinhado este novo sistema com uma diferente administração, a RTP conheceu uns anos de melhores serviços e de aceitável independência.

    Por razões óbvias, o sistema nunca agradou aos partidos comunistas, como nada do que é independente lhe pode algum dia agradar. A RTP é propriedade do governo, ainda que pelo menos parcialmente, seja sustentada pelas contribuições obrigatórias do Zé povinho. Há que, acham os comunistas, que deve ser o Estado a tomar conta daquilo, designadamente da informação e da opinião.

    Outra coisa não seria de esperar. Mas a lata daquela gente ultrapassa tudo o que o mais ousado imaginaria: o conselho independente deve simplesmente acabar e ser substituído por uma nova organização, onde imperarão os políticos, com óbvia maioria dos da geringonça. Entre políticos, trabalhadores, tipos do governo e mais dois do “conselho de opinião”, haverá duas personalidades de “reconhecido mérito” cooptados pelos demais, isto é, pela geringonça. Isso de independência não rima com socialismo! A rematar a proposta de forma pelo menos populista, propõem também que o Estado tome conta do integral financiamento da organização, o que garantirá a total ausência de independência.

    A ver vamos qual o destino da proposta dos “democratas” do PC. O BE certamente achará que não é suficiente, havendo que a reforçar com mais uns apaniguados seus, a título de independentes. O PSD/RIO é capaz de achar bem, o CDS nem tanto, o PS vai na conversa, salvo um ou outro tipo – a descartar em breve – que ainda tem uns restos de memória dos tempos do “socialismo democrático”.

    Enfim, o IRRITADO é um pessimista inveterado, como toda a gente sabe…

     

    10.3.19

    ET. Declaração de interesses: como se lembrará quem o lê, o IRRITADO sempre foi, e continua a ser, contra a mera existência de órgãos de comunicação do Estado outros que não o chamado Diário da República. Mas já que a RTP “tem que existir”… do mal o menos. E é o mal quem está em movimento.

  • FUNÇÕES PÚBLICAS

    Segundo os jornais, 10% dos “auxiliares” – vulgo contínuos, pessoal de limpeza e coisas do género – então de baixa de longo prazo. Admitamos, por defeito, que outros 10% estarão de baixa de curto e médio prazo. Além disso, dizem os directores das escolas, que os “assistentes técnicos” – seja lá isso o que for, têm falta de “qualificações”. Por outras palavras, do pessoal “não docente”, só vão ao trabalho 8 em cada dez, e grande parte dos que vão não têm “qualificações”.

    Donde, temos dois problemas.

    O primeiro é o do nacional-porreirismo da classe médica que, para que não a chateiem, dá baixas a torto e a direito a gente que acha que trabalhar faz calos ou que, em criminosa atitude racista, opina que o trabalho é bom pó preto. Em casa é que se está bem, a ver a Cristina e o Costa a fazer caldeiradas. É o bom povo português no seu característico melhor, como usava dizer o camarada Sócrates em relação a si próprio.

    Segundo organizações próximas da geringonça, impõe-se admitir uns 350 especialistas, psicólogos, sociólogos, politólogos, etc., com vínculo à função pública, a fim de educar, tanto os médicos como os funcionários não docentes no sentido de que as baixas sejam melhor justificadas pelos primeiros e de que os segundos adquiram brio profissional e amor ao trabalho. Estudos já publicados por quatro universidades e duas ONG’s garantem que, por acção destes especialistas, será possível, dentro de 14 anos, baixar o número das baixas em mais de 1%.

    O segundo problema tem a ver com a falta de qualificações dos funcionários não docentes. Fontes governamentais garantem que vão ser criadas pelos menos 22 novas licenciaturas em técnicas de lavagem de vidros, limpezas gerais, ir comprar o jornal para o senhor director e outras especiosas e difíceis matérias de tecnologia avançada.

    A sugestão foi  muita aplaudida pelo BE e pelo PC, na condição de que os cursos a criar sejam exclusivo de universidades públicas, com expressa exclusão da Católica.

     

    10.3.19

  • DA SINDICAL BASTONÁRIA

    A inacreditável “bastonária” dos enfermeiros não faz outra coisa que não seja apoiar os sindicatos, é a figura número um das suas reivindicações, nunca seja quem for a ouviu falar de matérias da sua competência, transformou a “Ordem” num saco de exigências meramente sindicais, passa a vida a perorar para gáudio dos media, enfim, é uma demagoga consumada, palavrosa, espernéfica e gritadora.

    Hoje há mais uma farra dos enfermeiros em Lisboa. Vão andar para aí aos gritos, a chatear meio mundo. Estarão no seu sindical direito. O que me trás é que a tal “bastonária” alugou 70 autocarros para trazer milhares de enfermeiros de todo o país. Pagou-os com dinheiro da “Ordem”. Vale a pena procurar nos jornais as “justificações” da paspalhona. Diz ela que a “reunião” de hoje nada tem de sindical – está mesmo a ver-se, não está? – e que, por isso, é legítimo pagar assim os autocarros. Acrescentemos que haverá greves dos enfermeiros por toda a parte. Não são greves, diz ela, tão só uma froma de mostrar a união da classe.

    Vale tudo, meus amigos. No país da geringonça vale tudo.  

     

    8.3.19

  • POLÍTICA DE MOBILIDADE

    Em coerência com as suas magníficas ideias, em obediência ás universais políticas de “descarbonização” da nossa vida, e no seguimentos das suas salvíficas normas sobre o gasóleo, o maravilhoso ministro do ambiente que a geringonça nos deu anunciou aos portugueses e aos metecos que o Estado a que chegámos vai comprar carros eléctricos aos pontapés. Viaturas com motores de explosão ou de combustão interna, nunca mais!

    Mas, atenção, com certeza por causa da demora nos carregamentos e da falta de autonomia, aos ministros e outras altas individualidades (gente que, no serviço à Pátria, não pode perder tempo nem ficar pelo caminho) sua excelência concederá o privilégio da compra de híbridos, de preferência auto-carregáveis. Mais vale prevenir que remediar. Grande político!

    Resta saber onde irá a geringonça buscar o dinheiro para este tão volumoso investimento: à saúde ou à educação? As necessárias cativações já devem estar a ser estudadas.

     

    8.3.19

  • FAKE NEWS

    Sempre, sempre ao lado do povo e da verdade, o nosso admirável PS vai lançar uma campanha de combate às fake news. O respectivo grupo parlamentar, via proposta da autoria do seu impecável presidente, lança hoje uma “recomendação ao governo” para combater tal flagelo.

    Muito bem!

    Estamos todos de acordo com esta fenomenal auto-crítica. Será que o PS está disposto a denunciar as notícias falsas quer por aí têm feito o seu caminho, ou será que não tem dado por elas?

    Meia dúzia de evidentes exemplos, a denunciar com urgência:

    – Acabou a austeridade

    – Os impostos desceram

    – Os professores e os enfermeiros vão recuperar tudo o que lhes der na gana

    – O desemprego baixou por acção do governo

    – Vai ser construido um sem-número de vias férreas

    – A injecção de dinheiro no Novo Banco não terá qualquer influência nas contas do Estado

    – O governo não tem qualquer responsabilidade no fogos, na aplicação dos donativos, nem seja no que for que corra mal, ou menos bem

    – A família do chamado primeiro ministro anda de autocarro

    – As trinta e cinco horas foram uma medida inteligentíssima

    – Palavra dada pelo governo é sempre respeitada

    E assim por diante. A “resolução” do César vai ser aprovada por unanimidade. A Pátria continuará a comer notícias falsas todos os dias. Como já está habituada, não há probema.   

    Muito bem!

     

    6.3.19

  • NÃO AVISAR A MALTA

    Não há dúvida de que o chamado governo, o seu impoluto líder e os seus impecáveis parceiros, com a prestimosa colaboração da “comunicação social”, têm uma sorte fantástica.

    Todos os dias se arranja uma nova para ocupar a cabeça da plebe. A última, que vai dar para meses, é a do ladrão conhecido por hacker, que andava a fazer das suas em Paris e Budapeste. Preciso é distrair os infelizes, a fim de que se não dê pelas caldeiradas (literais ou não) das geringonciais estruturas e decisões. Andámos semanas ocupados com a violência doméstica, a que se seguiu a titânica luta das forças do progresso contra o juiz Moura. Outras virão para ocupar os jornais.

    Exemplificando:

    Mimosamente, o senhor Pereira, que às vezes tem piada, manda o tal juiz “meter as sentenças no rabo”. Um tal Nogueira, que nunca teve piada de espécie nenhuma, diz que o homem “é um animal irracional” que “anda à solta” e que “precisa de uma coleira, uma trela e um açaime”. A dona Joana Dias afirma que “este juiz tem que ir para a rua”. E é já!”, porque “é um perigo para a segurança pública”. Um tal Seixas vocifera que as sentenças do homem são “parvas”.

    O que fica disto tudo, pior que as ideias pouco canónicas do senhor Moura, é esta porcaria. Mas, que diabo, o que é preciso é entreter a malta.

    Enquanto se entretem a malta não se avisa a malta, não é?

     

    6.3.19

  • DESGRAÇA CARA

    Grande vitória a do Cravinho pai. Não, não é como a proposta de envio de tropas para a Venezuela que o Cravinho filho queria. Essa foi derrotada. O pai, pelo contrário, averbou retumbante vitória: vai buscar ao orçamento do camarada Ferro Rodrigues nada menos que uns 480.000 euritos para pagar os “estudos” encomendados pelos “sábios” – ou aos “sábios” – que fazem parte de uma distinta comissão que, com mandato de “justificar” a regionalização, tem o nome aldrabófono de CID – Comissão Independente para a Descentralização. Segundo o próprio Cravinho pai, o dinheirinho destina-se a encomendar estudos sobre a reginalização a “reputados especialistas”. Só para o camarada Freitas do Amaral são mais de 100.000, uma miséria. Para os outros não se sabe, ou não vem nos jornais.

    Foi uma luta sem tréguas. Os administradores da Assembleia não lhe davam mais que 190.000 moedinhas. Indignado, o Cravinho pai desatou a espadanar. Depois de muitas voltas, lá conseguiu o que queria, com o apoio dos partidos regionalizadores, o PS e o PSD/Rio – extinto que parece estar o antigo PPD/PSD. O CDS e o PC votaram contra. O BE, por causa das moscas, ficou de fora. Honra ao Pedro Pinto (PSD) e a uma Eurídice Pereira, do PS, que manifestaram a sua discordância.

    Cinicamente disfarçado de descentralização, o projecto de esfrangalhamento do país vai de vento em popa. Os “estudos” têm conclusão pré-determinada e obrigatória: a regionalização é óptima e a opinião pública deve ser devidamente “trabalhada” a fim de que o futuro referendo que querem provocar tenha o resultado que pretendem, ou seja, o contrário do anterior. Bem visto, não é?

    Portugal existe porque o poder político nunca deixou que o país se dividisse. Foi esse o “segredo” da unidade e da coesão nacional, exemplarmente conseguida. Quando os poderes regionais (fácticos ou institucionais, da nobreza ou do clero) se tornavam demasiado poderosos, o poder (o Rei) recorreu sempre aos tradicionais municípios ou ao povo para os limitar. As duas primeiras Repúblicas não contradisseram a tradição.

    Transformar um pequeno país na manta de retalhos de pequenas regiões, querer comparar-se ao “Império Castelhano”, criar uma multidão de novos políticos, complicar ainda mais a teia de poderes, gastar milhões com isso, criar rivalidades que só existem na cabeça paroquial de certos mini-líderes locais, talvez não seja uma traição à pátria e à História, mas será com certeza um acto estúpido, perigoso, contraproducente e pouco português.

    Mas os “estudos” vão prosseguir, principescamente pagos e cheios de cravinhal importância.

     

    5.3.19

  • FRASES

    FRASES

    “O mais interessante é que a polémica acerca da música do Conan Osíris já estava contida dentro da música do Conan Osíris”.

    Rui Tavares, “historiador e fundador do “Livre”.

    Não vale a pena explicitar o inexplicitável “pensamento” acima reproduzido. Mas, ao menos, ficamos a saber que há coisas “contidas dentro”, o que implica que também haverá outras contidas fora, contidas ao lado, ou por baixo ou por cima. Pobre língua a nossa, nas mãos destes tipos.

     

    5.3.19

  • DO ÓDIO E SUA PROPAGANDA

    Como é do conhecimento público, funciona na Universidade de Coimbra uma secção especializada em propaganda marxista leninista conhecida por “centro de estudos sociais” ou coisa que o valha, a qual, sob a alta chefia do ultra-mega-hiper esquerdoido Boaventura Sousa Santos, se dedica a produzir, com rótulo “científico”, as mais desbragadas, e taradas, diatribes contra tudo o que é a nossa civilização e a democracia enquanto tal, e a tecer os maiores encómios, loas e saudações a tudo o que é ditadura ou ditador, como Cuba, Maduro e outras pessoas, regimes, gentes e agentes da mesma esquerdocrática igualha.

    Com a pompa das instalações da vetusta academia coimbrã reuniu esta organização uma ínclita cáfila (o dito Boaventura, o racista negro do bairro Jamaica e do BE, a hedionda espanhola que anda por aí armada em viúva à pendura do Estado e da CML, mais uma criatura que, como o chefe Santos, é muito querida do “Público”) que presidiu à apresentação de um homossexual brasileiro de horroso aspecto que, por iniciativa das autoridades do seu país, goza de protecção policial contra a malandragem que, diz ele, o ameaça. Dada a gigantesca importância da personalidade em apreço, tal protecção não lhe chega. Por isso, decidiu dar de frosques para a Europa, mais concretamente para a Alemanha, onde, opina, ninguém o chateia (ainda não deve ter tido notícia do carinho com que o AfD tem por uso tratar os tipos como ele).

    A viagem do artista à Europa tem prosélitas intenções, todas elas eivadas de socialismo moderno. Faz propaganda às disfunções sexuais de que  padece, orgulha-se delas e acha que deverão ser elevadas à categoria de exemplo e de objecto da maior admiração, com vista à sua propagação. Aproveita também para se gabar de ter cuspido na cara do Bolsonaro e de ter o apoio da Gilma e do Lula.

    A prelecção do homem, sob o alto patrocínio da Universidade de Coimbra, não passou de uma explosão do mais repenicado ódio, a fazer inveja a todos os ódios por aí vigentes e mesmo aos ódios de que Bolsonaro tanto gosta.

    Antes que me esqueça: é de realçar o apoio dado pela extrema direita nacional à realização deste evento, via meia dúzia de ovos e de fulanos, como sempre muito apreciados pelos media.

    Declaração de interesses: o IRRITADO compreende o asco que muita gente, no Brasil e não só, tem ao presidente que por lá foi eleito, desde que não caia em lulismos bacocos nem em esquerdismos bafientos.

     

    1.3.19

  • PARLAPATICES

    Esta malta da geringonça não é modesta, bem pelo contrário, é grandiosa, ambiciosa, orgulhosa, tem essa grande qualidade de saber comunicar ao povo as suas qualidades, os seus grandes projectos, cheios de ambição e de certezas.

    Foi com enorme desgosto que os crentes viram o senhor Marques ser exportado. Mas foram logo animados por um novo parlapatão, cujo nome desconheço, mas que está à altura da nobre missão dos anúncios milionários.

    Segundo um “plano” especial, já oficialmente publicado em letra de forma no jornal do governo, e anunciado pelo dito, vai haver em Portugal mais 11.500 camas para estudantes universitários desterrados em diversas localidades. Sim, meus senhores, onze mil e quinhentas! É obra. Por exemplo, em Almada serão 1259, sim, não serão 1260 nem 1258, vejam o pormenor, o cuidado, a precisão. Oeiras vai ter só 148, sim, não serão 149 nem 147. Vejam o bem génio criador da geringonça. Lisboa será contemplada com 4.720. Assim, certinho. Parece que o tipo do Porto vai desatar aos gritos, porque só terá 613, um escândalo.

    E por aí adiante, em 42 concelhos. Sim, 42. É de calcular que, nuns 30, serão criadas novas universidades para educar tantos dorminhocos.

    Mas há mais: 2.964 (mais uma vez, admire-se a precisão) camas já existentes serão objeto de “melhorias”, já que apresentam “falhas estruturais” presumindo-se além disso que precisem de colchões em segunda mão, lencóis novos e penicos  de porcelana.

    Serão recuperados nada menos 263 imóveis, dos quais até já há uma lista. Não será por falta de listas que o projecto falhará.

    Finalmente, é de realçar o sistema. As obras, no caso de seram começadas até 31 de Julho, serão dispensadas de licenças, concursos e outras chatices. Consta que o SEMOGGS (Sindicato dos Empreiteiros, Mestres de Obras, Ganchistas, Gaioleiros e Similares) vai fazer um jantar de homenagem ao nóvel parlapatão.

    Resta uma pinguinha de realismo – ou de cautela para se alguma coisinha correr mal. Não haverá camas novas durante o próximo ano lectivo; os trabalhos prolongar-se-ão durante quatro anos.

    Como é costume, não temos a certeza de que seja o que for deste formidável plano venha a ser realizado. Mas temos a certeza absoluta de que, se a geringonça for contemplada com mais uma legislatura, daqui a quatro anos talvez haja mais umas vinte camas.

     

    27.2.19  

  • ALEGRAI-VOS!

    Foi com esperançosa alegria que os portugueses em geral e as crianças doentes e seus pais em particular ouviram as auspiciosas e doutas declarações dessa grandessíssima figura da política nacional que se ocupa da pasta da saúde por atempada e judiciosa escolha de sua excelência o chamado primeiro-ministro.

    Disse ela: estão em curso as diligências necessárias para a futura aprovação do projecto das novas instalações da ala pediátrica do hospital que tanto vêm preocupando a grei. Hossana! Depois, disse a mesma criatura que, logo que aprovado o referido projecto, se procederá à elaboração do caderno de encargos da respectiva empreitada, a pós o que será lançado o concurso público para a construção desta tão urgente obra do Estado. Uma vez aprovado o resultado do concurso pelo Tribunal de Contas, bem como o estudo de impacto ambiental pela agência competente, poderá ser dado início às obras.

    Feitas umas contas e, mais uma vez, dada a urgência do assunto, poderemos ficar convictos que, se tudo correr pelo melhor, dentro de uns cinco ou seis anos, em princípio, será possível que se mude a ala pediátrica para as novas instalações. A não ser, claro, que as declarações da ministra da ideologia sanitário-bolchevista sejam tão credíveis como as de Marques, o parlapatão: dada a consistência  e a credibilidade das promessas da geringonça, é o mais provável.

    Esperemos, sentados e alegres para não cansar as pernas, por mais esta grande realização. Traz a marca de água do PS e, por isso, tem todas as caracteríticas do fogo fátuo. Consta que, como o Marques, a dona Temido fará em breve uma pomposa sessão inaugural, de preferência com a ubíqua presença do senhor de Belém. Uma alegria!

     

    25.2.19

  • O QUE É DEMAIS PASSA DA CONTA

    Há quem diga que foi Caracala quem disse que “aos mortos se deve sempre a maior das homenagens, desde que tenhamos a certeza de que estão bem mortos”.

    Não sei se foi por isso que o senhor de Belém, em ditirâmbicas declarações, e seguindo a opinião generalizada da nacional-bempensância, resolveu dizer que o camarada Arnaldo Matos era um “defensor ardente da liberdade”, coisa que nunca foi. O senhor de Belém quis aproveitar a morte do “grande educador da classe operária” para fazer mais uma das suas abrangentes rábulas. É tudo. Sabe, como todos nós, que Arnaldo Matos podia ser muito boa pessoa mas jamais defendeu qualquer espécie de liberdade.

    Uma larga série de antigos jovens seguidores deste empedernido maoísta, alguns de larga projecção política, tiveram rebates de consciência e perceberam onde andavam metidos. O senhor de Belém não percebeu? Arnaldo Matos nunca saiu da sua. Pode elogiar-se-lhe a coerência, como pode elogiar-se a de Mao, Fidel, Cunhal, Kim e outros figadais inimigos da liberdade.

    Mas, convenhamos, o Presidente de uma república que se diz amiga da liberdade, do Estado de Direito e de outras coisas do género, tecer encómios a um dos mais ferozes e persistentes inimigos destes valores, ultrapassa o perdoável, mesmo que se siga a máxima de Caracala.

     

    25.2.19

  • REMODELAÇÃO “A LA MANIÈRE”

     

    A dança dos cargos dos familiares do chamado primeiro-ministro teve o destino que merecia: um coro de bem merecida chacota. E de justificada indignação.

    O parlapatão (suave classificação que lhe foi atribuída pelo insuspeito Vicente Jorge Silva) foi para o PE. Uma senhora que, diz-se, fazia sombra por cá, teve o mesmo destino.

    De resto, se o ridículo, ou a lata, fossem música, este carnaval político era um festival de heavy metal.

    Para além do risível da situação, há a sua gravidade. O chamado primeiro-ministro, ainda há pouco, tinha substituído um ministro moderado por uma doidinha cheia de vento, que acha (e confessa!) que os prolemas da saúde se resolvem com ideologia. Qual a adequação da garota? Visível, só o esquerdismo. Deve ter sido esse o critério de quem a escolheu.

    Depois, há a promoção do conhecido Pedro Nuno, a mais evidente flor do canteiro da Catarina, perito em asneiras no tempo da troica e em cedências ao BE e ao PC no da geringonça. Adequação? A do esquerdismo militante e primário. Com o pelouro da habitação! E a do fulano que era representante da ala Pedro Nuno na Câmara de Lisboa? Precatem-se, ó gentes, que, para o Pedro Nuno, propriedade privada só a da família (de sangue, a que lhe dá Porsches)!

    Perante isto (e mais, que não vale a pena elencar), o que se passou não foi só a dança dos maridos e das mulheres, dos pais e dos filhos, dos amigos do peito e de quejandos. Foi o exponencial crescimento do esquerdismo no PS. Vamos de mal a pior.

     

    25.2.19  

     

    ET. É de inteira justiça sublinhar que a remodelação em apreço foi largamente elogiada por sua excelência do costume, ao contrário do que se passou com a canalha.

  • INTROMISSÃO EM CORRESPONDÊNCIA ALHEIA

    Um hacker, contratado pelo IRRITADO, encontrou na net a mensagem que abaixo transcrevemos.

     

    Sua Excelência Sec. Geral, Exmº Senhor Gurria

    OCDE

    Lisboa, 12.2.19

    Caro amigo

    Tenho presente a proposta de relatório da sua estimada organização sobre a situação em Portugal.

    Devo, antes de mais, confessar que não me parece justo, nem normal, que o chefe dos relatores da OCDE seja um tal Álvaro, indivíduo comprometido com o governo anterior e, por conseguinte, um neoliberal a que os meus associados comunistas chamarão fascista. Não irei tão longe, mas a figura em causa não deixa, por isso, de ser duvidosa.

    Como VExa bem sabe, Portugal é um país socialista onde, naturalmente, os álvaros não são bemquistos. Os limites da nossa democracia são os do lado direito do PS, ainda que o meu amigo Rui Rio e o seu sequaz Rangel queiram passar-se para o lado de cá. Não passarão.

    Pedindo desculpa por estas considerações introdutórias, venho sugerir algumas alterações ao relatório proposto pela OCDE. É que há matérias por demais delicadas que esse tal Álvaro nele incluiu. Como VExa bem sabe, não é conveniente citar os problemas levantados pela triste situação em que se encontra o meu ilustre camarada Sócrates, ínclito primeiro-ministro dos governos em que tive a honra de participar. Não posso dizê-lo publicamente, mas trata-se de uma perseguição movida pelos restos da direita portuguesa a que o poder judicial foi sensível, sabe-se lá porquê. Assim, as considerações sobre o estado da justiça em Portugal estão certas quanto ao seu mau funcionamento, mas têm fundamentos errados, uma vez que, ao contrário do que o relatório refere, não é líquido que haja por cá corrupção. Há-de VExa concordar que não se pode confundir corrupção com as cabalas que por aí se inventam contra nós. Portugal, a democracia e o PS são uma e a mesma coisa. A corrupção é um resquício do poder da direita, há muito derrotado pela moral republicana que o PS corporiza. Não é por issso aceitável que a justiça  ataque o meu partido, o meu governo e, com eles, a coligação de esquerda, forças que são a condição basilar e sine qua non da existência da democracia, ou seja, do socialismo. Está a perceber? Trata-se de uma imposição de consciência a que VExa não deixará de corresponder, emendando o relatório em boa conformidade.

    Permita-me igualmente protestar, com a veemência que o caso merece, contra a inclusão do tal Álvaro na apresentação do relatório em Lisboa. Tarta-se de personna non grata para o meu governo, como VExa compreenderá. Solicito ainda que, como é diplomaticamente correcto, a exclusão deste indesejável indivíduo seja assumida por VExa, a fim de evitar as cabalas que, a tal respeito, não deixarão de ser fabricadas pela direita reaccionária.

     

    Sem mais, sou, de VExa, atento venerador e obrigado  

     

    António Corta 

  • COISAS DE FAMÍLIA

     

    Não fazia ideia de que o senhor Louçã, conselheiro de Estado, figura grada do Banco de Portugal, fundador da secção portuguesa do socialismo revolucionário inspirado no orago Trotsky, patriarca da extrema esquerda, tinha irmãos.

    Mas tem, e parece que a mesma cepa deu uvas da mesma cor. Os manos, porém, são, ou acham que são, mais loucistas que o Louçã. De tal forma que, acompanhados por duas dúzias de marxistas ortodoxos, dos puros, dos bons, mandaram às urtigas as pupilas do mano, raparigas modernas, de alto sentido das conveniências, acusando-as de desviacionismos e revisionismos de vária ordem, para além de ambições burguesas, impróprias da classe operária do antigamente. É que, pode ler-se na carta de despedida, a malta do Beco de Esquerda fiel às esquerdoidas, sendo sem excepção burguesa, passou a fazer jus, não direi ao caviar, mas a uns tremoços e umas imperiais, de preferência seguidos de bife do lombo. No entanto, é gente que, apesar disso, insiste em dizer fez a sua “opção de classe” (é assim que se diz, não é?), sem ter percebido que tal classe é chão que desapareceu e já não dá uvas.

    A primeira inquietação que me invade tem a ver com a paz na família – de sangue – dos Anacletos Louçã (conheci o tio Anacleto, que era um reviralhista assanhado dos tempos da II República, mas que não consta fosse de inspiração chinesa ou soviética). Irmãos zangados é um tristeza, não acham? Por isso, é de pôr a hipótese contrária, isto é, continuam fraternalmente unidos, não sendo o patriarca mais nem menos que um infiltrado nas hostes bancárias e no conselho do senhor de Belém, a fim de, por dentro, destruir a burguesia, assim mantendo a fidelidade à ortodoxia. Nesta hipótese, a saída dos manos não será mais que uma encenação, a fazer inveja ao John Le Carré ou, mais propriamente, ao velho Béria. Veremos qual o seu destino.

    No caso da outra família – a política – parece que, infelizmente, a cizânia se instalou, deixando o observador externo um tanto perplexo. O Beco de Esquerda tem cromossomas diversos, os do pai e os da mãe, como manda a genética. Lembro-me de ver, com estes que a terra há-de comer, os ultra-comunistas da UDP aos gritos PTA!, PTA!, sendo PTA o Partido dos Trabalhadores da Albânia. Isto no tempo do camarada Enver Hoxa. Um caso de fé inabalável e de cegueira estrutural. Lembro-me que até arranjaram um deputado completamente tarado (já me esqueci do nome), a que outro se seguiu, um militar que tinha a particularidade de ter sido ajudante de campo do General Kaulza de Arriaga em Moçambique mas que, em boa hora, tinha feito a sua opção de classe. Esta extremíssima esquerdíssima, a UDP, é, digamos, a mãe do BE. O pai, indiscutivelmente, é o conselheiro de Estado acima referido, oriundo de comunismos menos fundamentalistas mas igualmente dotados de inabaláveis convicções.

    UDPês e Socialistas Revolucionários juntaram os trapinhos e pariram o Bloco, ou Beco de Esquerda, como carinhosamente é hoje conhecido nestas linhas. Diga-se que têm tido notável êxito, já que a cultura política e a consciência social do país deixam muito a desejar.

    Mas, como dizem os desalinhados manos Louçã, o vírus burguês entrou nas hostes, sobretudo desde que umas esquerdoidas atrevidas tomaram conta do rebanho. Trata-se de umas tipas que, como os skin heads, andam de moto de alta cilindrada, têm uns empreendimentos turísticos lá para as berças, são assessoradas por um careca mais ou menos parvo e por um artista de altíssima craveira que deu em especulador imobiliário. Muita coisa mais haverá de que ainda não se sabe.

    Mas sabe-se, desgraça das desgraças, que as esquerdoidas querem poleiro. Não, não é o poleiro no partido, que esse já têm, é o poleiro propriamente dito. Querem mandar também cá por fora, querem ser ministras, secretárias de Estado, directoras gerais, presidentes de empresas públicas, altas dirigentes das futuras regiões… A tudo se acham com direito e para tudo contam com o padrinho Costa, em quem, aqui e ali, vão batendo: ele não liga, quanto mais lhe batem mais gosta delas.

    Os puros, os bons, ou os que perceberam que iam ficar de fora, não aguentaram as justas ambições das esquerdoidas, nem, por inconsequente, a violência doméstica que exercem sobre o Costa. Vai daí passam à peluda e, das catacumbas do comunismo, denunciam, com toda a razão, os vícios burgueses em que as camaradas cairam, e com elas o partido.

    O chamamento da revolução foi mais forte.

    E assim, o triste Beco vê-se privado da sua ligação à pureza ideológica e aos verdadeiros caminhos do proletariado internacionalista. Um horror.

     

    21.2.19

  • VOTOS

     

    Digam o que disserem, a moção do CDS não é tão parva como pode parecer. Não está escrito em parte nenhuma que uma moção de censura só pode ser apresentada se tiver garantia de sucesso, ou se, como há quem advogue, se fundar numa maioria parlamentar capaz de substituir a existente. A moção de censura, apresentada nos termos legais e regimentais, tem a ver com o facto de haver quem ache censurável a política do governo, e mais nada.

    Daí que baste que o CDS seja capaz de demonstrar (o que não é difícil) as profundas lesões políticas, sociais, económicas e culturais que a geringonça vem provocando, a permanente ausência de qualquer preparação do Estado para os dias que aí vêm e, acima de tudo,  esquerdização radical da política e dos seus agentes, a estatização galopante que, para além dos eleitores da extrema esquerda, ninguém sufragou, o olímpico desprezo pela sociedade, a diabolização dos agentes económicos, os assaltos ao direito de propriedade, a erosão da dignidade do Estado, a miséria da justiça, o falhanço brutal do Estado Social…

    Se o CDS não se meter em guerrinhas do dia-a-dia nem se deixar embrulhar nas teias e acusações hipócritas com que PS não deixará de esgrimir, talvez a moção seja útil, pelo menos na medida em que contribuirá para o esclarecimento popular sobre o que na verdade se passa em Portugal.

    E, se os deputados do PSD forem capazes, mesmo à revelia do chefe que arranjaram, de fazer o mesmo, os portugueses só terão a ganhar com esta iniciativa do CDS.

    Aqui ficam os votos do IRRITADO.

     

    20.2.19