IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


O QUE É DEMAIS PASSA DA CONTA

Há quem diga que foi Caracala quem disse que “aos mortos se deve sempre a maior das homenagens, desde que tenhamos a certeza de que estão bem mortos”.

Não sei se foi por isso que o senhor de Belém, em ditirâmbicas declarações, e seguindo a opinião generalizada da nacional-bempensância, resolveu dizer que o camarada Arnaldo Matos era um “defensor ardente da liberdade”, coisa que nunca foi. O senhor de Belém quis aproveitar a morte do “grande educador da classe operária” para fazer mais uma das suas abrangentes rábulas. É tudo. Sabe, como todos nós, que Arnaldo Matos podia ser muito boa pessoa mas jamais defendeu qualquer espécie de liberdade.

Uma larga série de antigos jovens seguidores deste empedernido maoísta, alguns de larga projecção política, tiveram rebates de consciência e perceberam onde andavam metidos. O senhor de Belém não percebeu? Arnaldo Matos nunca saiu da sua. Pode elogiar-se-lhe a coerência, como pode elogiar-se a de Mao, Fidel, Cunhal, Kim e outros figadais inimigos da liberdade.

Mas, convenhamos, o Presidente de uma república que se diz amiga da liberdade, do Estado de Direito e de outras coisas do género, tecer encómios a um dos mais ferozes e persistentes inimigos destes valores, ultrapassa o perdoável, mesmo que se siga a máxima de Caracala.

 

25.2.19



3 respostas a “O QUE É DEMAIS PASSA DA CONTA”

  1. Foi com tristeza que soube da morte do Arnaldo Matos. Fazia certa falta. Não pela sua ‘defesa ardente da liberdade’, mas por ser das poucas excepções a tretas politicamente correctas como essa, e aos pulhíticos que as inventam e declamam, como o Prof. Martelo ou o António Bosta, em sound bites de circunstância. Recordo com particular saudade o seu editorial de Outubro 2015, no “Luta Popular”: ——————Já se passaram oito dias, e o palonço que temos em Belém (…) se calhar julga poder (…) juntar na mesma cama Passos, Portas e Costa, o que, diga-se de passagem e sem réstia de homofobia, é pouca mulher para tanto homem.Como é que o PCP e o Bloco podem apoiar um governo desta natureza? E que diferença existe entre o governo da Tróica, conduzido por Costa ou pela coligação de direita e de extrema-direita? Política de esquerda esta? Isto não é política de esquerda. Isto é tudo um putedo!

  2. As palavras importam. É por elas que começa a apatia, a servidão, a aceitação da iniquidade e da injustiça. O respeito parolo por esta canalha – visível em qualquer artigo, debate ou entrevista, no inevitável Sr. Doutor ou Engenheiro, na reverência pelo ‘bom nome’ que esta canalha nunca teve – é o 1º passo para tolerar a canalhice e a impunidade. Temos de questionar, desafiar, demolir esse pedestal de respeitinho da canalha. Temos de desrespeitar a canalha. É por isso que escrevo paralamento, pulhíticos, António Bosta, Chulares, Múmia Cavaca, etc. Não é só o prazer pueril de lhes chamar nomes; é uma forma lepidamente subversiva de recusar-lhes o respeito que querem ter sem merecer. É levar quem lê, talvez pela primeira vez, a vê-los não como senhores, mas como bandalhos. Neste sentido, talvez o comuna Arnaldo fosse afinal uma força ao serviço da liberdade. Mais que não fosse, nisto tinha razão: é mesmo tudo um putedo. Bravo, Matos!

    1. Na sua raiva anti-sistema, nada nem ninguém se safa. Se nada nem ninguém se safa, para quê esbracejar? Se não forem estes, outros serão.

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