IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


SAÚDE PARA O POVO OU PARA A GERINGONÇA?

 

As chamadas leis quadro costumam ter o efeitos dos raminhos de salsa. Fazem-se para estabelecer princípios vários, mas os seus efeitos são, normalmente, para esquecer. Para ter algum efeito prático, ou aplicabilidade, precisam regulamentações várias, as quais ou nunca verão a luz do dia ou serão rapidamentes esquecidas.

Atravessamos agora um período em que as pessoas andam a ser entretidas com magnas discussões sobre uma tal nova Lei de Bases da Saúde, como se de tal coisa viesse a resultar mais saúde para cada um.

A geringonça inventou uma comissão destinada apresentar uma proposta. A chefe de tal comissão, dona Maria de Belém, apesar de socialista e após aturados trabalhos, deu à luz a um projecto com pés e cabeça. Parece que era coisa moderada, ou moderada demais para agradar às esquerdoidas e ao PC. Mas… azar, o ministro da saúde gostava. Há quem diga, julgo que com toda a razão, que foi por isso sem demora mandado para casa. E também foi por isso que o substituiram por uma senhora perita em  declarações tolas e disparates vários, mas de indiscutível e largamente declarada fidelidade à ideologia. Cumpriu a primeira missão de que a geringonça a encarregara: meter no caixote o trabalho da comissão, e condenar dona Maria de Belém ao mais fatal ostracismo: jamais lhe deu qualquer satisfação e até excluiu a sua presença de uma sessão de propaganda que organizou sobre o assunto.

O CEO da geringonça, um certo Costa, rejubilou e resolveu avançar com a lei da tonta.

Entretanto, o senhor de Belém, achando que uma dava uma abébia aos que o acusam de ser chairman da geringonça, que mostrava a sua independência e que fazia pirraça ao PS, resolveu declarar que não promulgaria uma lei da saúde que não fosse objecto de acordo alargado das forças políticas. Queria com isto dizer – pelo menos é o que consta entre os sabichões de serviço – que exigia a sua aceitação pelo PSD/Rio e pelo CDS/PP.

Teve a resposta que, dir-se-á, merecia. O chamado primeiro-ministro saltou-lhe em cima e declarou que a lei passaria como os votos que calhasse, isto é, que não só se está marimbando para o que diz o senhor de Belém como dispõe de maioria para fazer passar o que lhe apetecer sem precisar seja de quem for.

 

Esclareça-se um ponto que tudo explica: a controvérsia é sobre a situação em que, por causa de tal lei, ficará a saúde privada e a nossa possibilidade de a ela recorrer. É aqui que bate o ponto. A maioria de esquerda borrifa nisso, para ela o que importa é impor a saúde pública a todos os cidadãos, sejam quais forem as opções de cada um. A saúde privada, ou a gestão privada da saúde pública, mesmo que funcionem bem, mesmo dando lucros ou poupando despesas ao Estado, são para acabar. Algo me diz (não é preciso ser muito esperto) que até a ADSE, que tem características de saúde privada, é para acabar, havendo já disso vários sinais. Depois das eleições, veremos. O fim da ADSE, para já, não. Podia afastar eleitores…

E é nisto que se vive. Importante é “socializar”, alargar o poder socialista seja a que custo social e humano for.

O húngaro Orban é, com razão, acusado de “fascismo”, ou de falta de respeito pelos princípios da UE. Costa não. É que a UE ainda não se meteu em temas de saúde. Se o fizesse, a geringonça metia o rabo entre as pernas, como costuma fazer sob as ordens do Centeno.

 

23.3.19



5 respostas a “SAÚDE PARA O POVO OU PARA A GERINGONÇA?”

  1. Não li a tal lei, mas não preciso de ler: se o Irritado a elogia – e até vem da Maria da Laca – então é porque mantém o negócio da Saúde nos privados. E como todos os direitistas, continua incapaz de ver o problema disto. A Saúde não é um negócio. Tanto faz ser os xuxas como os comunas a dizê-lo, tanto faz ser o Obama, o badocha da Coreia ou o trapezista do Circo Chen: a saúde não é, não pode ser um negócio. Se o é, então está mal. Tem de mudar. A Saúde não deve dar lucro. Se o dá, então é porque se podia ter feito mais, se podia ter ido mais longe. Um hospital, uma clínica ou um laboratório não são uma mercearia: são a diferença entre a vida e a morte, entre uma vida tolerável ou sofrimento constante, entre uma sociedade civilizada ou a selva do capitalismo dog-eat-dog. Saúde privada faz tanto sentido como um governo privado. Se é de alguns, então não é de todos.

    1. Bem dito

    2. Desculpe que lhe diga, mas acho que se a Catarina o ler convida-o para secretário de estado no próximo governo da geringonça. O paleio do BE, os slogans do BE, tudo no sítio, e bem dito, a filosofia do que “é de todos”, ou seja que é de ninguém, só dos burocratas. A prova está aí, perante todos. Não fora a “concorrência” dos grupos privados, calcule o estado em que estaria a saúde pública! A “saúde de todos”, na sua acepção e na do BE/PC, é, por definição, de borla; é por definição, bem gerida e sustentável, como se tudo o que é público o fosse: uma espécie de panaceia, que a realidade contradiz. Para além de uma caríssima ilusão, há nisto uma contradição insanável. Porque é que aqueles “que acumulam dinheiro” (os verdadeiros ricos, você, eu, os almeidas da câmara…) devem pagar mais impostos que os outros, por que carga de água devem ter saúde de borla, como os outros? Os teóricos da saúde única, a pública, mais não fazem que dar cabo dela. Na minha visão das coisas (reais, não imaginárias), cada um devia ser responsável pela sua saúde, pagando-a (ou não) segundo o seu rendimento. Saúde gratuita, com certeza, para quem a ela tenha direito, seja ela prestada por públicos ou privados. O negregado “lucro” é mais fruto de boa gestão que de privilégio. Se quem pode tratasse de si em vez de se pendurar nos impostos, talvez quem não pudesse pagar tivesse melhor saúde. Olhe o que se passa à nossa volta e deixe-se de ilusões.

      1. Sr antónio, oxalá a Catarina leia o Filipe e o convide «para secretário de estado no próximo governo». Na verdae, precisamos de mais “Filipes” e de menos “antónios”.

      2. Não consegue mesmo ver a diferença entre a Saúde e outro serviço qualquer? Imagine que, três pancadas na madeira, um seu filho tem uma maleita terrível. O tratamento, só viável no privado, é caro. V. gasta tudo o que tem. Não chega. Exaurido o dinheiro, vê o seu filho condenado. Pense nisto um segundo. Ele não estará condenado por falta de ciência, de médicos ou de remédios; estará condenado porque quem poderia tratá-lo não abdica de certo lucro. Isto não lhe é obsceno? Pois é esta a realidade de milhões de americanos. Sei que fala do privado em complemento ao público; mas o facto é que a saúde está cada vez mais privada. E é o princípio em causa. Foi para isto que saímos das cavernas, é isto o melhor que conseguimos? Sermos clientes em hospitais? Fazer da saúde pública um negócio? Segundo a lei, não há valor mais alto que a vida. Matar o pior dos criminosos é crime. Não ajudar alguém em perigo de vida é crime. Mas é aceite e legal deixar milhares sofrer ou morrer por dinheiro – por falta de dinheiro. Este egoísmo, esta ganância parece-lhe normal e decente? Dirá que, a ser assim, outras coisas necessárias à vida seriam grátis: comida, água, roupa, casa. E sim, a sociedade deve ter algo para quem as não possa pagar. Mas a Saúde vai até além disso; sem ela para quê tudo isto? Como no exemplo do seu filho: que valor teria o dinheiro em tais circunstâncias? Que tristeza ver no dinheiro, na economia, no ‘mercado’, na riqueza ou na falta dela, neste placard vaidoso de quem tem menos e quem tem mais, a derradeira medida da nossa vida, da nossa existência.

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