IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


NOJO

Aqui há uns anos, um chamado Jorge Coelho demitiu-se do governo quando caiu uma ponte. Grande homem, disse-se. Não tinha culpa nenhuma, mas assumiu-a politicamente, com a dignidade dos melhores. A Pátria, grata, curvou-se perante tão digno senhor.

Também há os mal intencionados que dizem que o homem tinha uma jogada na manga (um tacho na administração de uma grande empresa privada), e que mais não fez que aproveitar os mortos da ponte para se pôr ao fresco e ir ganhar dinheirinho a “lobiar”. O que, aliás, se provou à saciedade.

Interpretações contraditórias mas, uma e outra, com a sua lógica. Talvez o assunto tenha ficado, ontem, esclarecido pelo próprio Coelho. É que, perante a prática reiterada de actos ilegítimos, inconstitucionais, ilegais, criminosos, atentatórios da dignidade dos cidadãos, cometidos à ordem da geringonça pelos empregados da geringonça, o Coelho produziu os mais ditirâmbicos louvores ao chefe dos criminosos. O magrinho das finanças é um tipo do melhor, limpinho, nada tem a ver com o que se passa sob a sua autoridade, merece a gratidão do povo. Até, imgine-se, teve a indómita coragam de mandar fazer um inquérito. Fantástico! Um herói, uma flor do nosso jardim!

Então ele, Coelho, demite-se por causa de um acontecimento em que não teve qualquer intervenção, e acha muito bem que os directamente responsáveis pelos crimes da AT/GNR – o secretário de Estado, o ministro, o primeiro-ministro – não só fiquem no poleiro como sejam objecto de reconhecimento e de elogios.

Meteria dó se não metesse nojo.

 

30.5.19



22 respostas a “NOJO”

  1. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Convenhamos que o nojo do Irritado é algo selectivo. Se só agora o sente pelo Coelhone, um dos maiores mafiosos deste esgoto pulhítico, é também algo atrasado. Após anos de pancadaria no Partido da Sucata (quem se mete com o PS leva) e de mama na Mota-Engil, o refinado pulha voltou com o seu lobby sucateiro à Quadratura dos Chulos, onde semanalmente bate recordes de nojeira. Neste contexto, o elogio ao magrinho das Finanças é quase insignificante: o Coelhone branqueia a máfia xuxa de alto a baixo, a toda a hora, em todos os casos, sejam menos, mais ou muito mais graves. É o piaçaba-mor do PS. Talvez a sua relativa moderação perante tão velho e vil mete-nojo se prenda com certo ditado sobre telhados de vidro. É que alguns compinchas do Irritado também foram mamar e lobbiar à grande para o privado… alguns até saíram direitinhos do governo para Lusopontes e afins, servindo de precedente ao Coelhone. Daí o benefício da dúvida – “interpretações contraditórias”, diz o Irritado… – e o tom leve: prefere manter certa distância respeitosa, a exemplo do seu caro Santana, que vive há 40 anos dentro do bordel da pulhítica, mas nunca viu uma pu…

    1. Protesto. Vá chamar compincha a outro.

      1. Indifirido

  2. Os impolutos socialistas já convocaram a “muralha de aço” para protegerem o Cem Tino e antigo número dois do número 44 .O edil de Santo Tirso mandou dizer que não podia aceder à convocatória e apresentou justificação que foi aceite pelos seus superiores que muito louvaram a atitude do senhor do terço, perdão do Tirso

  3. Avatar de Filipe Bastos
    Filipe Bastos

    Ó Irritado, então diz o Jornal i que o governo anterior fez a mesmíssima coisa? «Entre 2011 e 2012 a PSP levou a cabo diversas ações com o Fisco nas estradas, com o objectivo de recuperar impostos em dívida, quer através do pagamento em dinheiro ou da apreensão de bens, como automóveis.A medida partiu do ministro das Finanças Vítor Gaspar – que já tinha enquadramento legal deixado pelo anterior Executivo – e a parceria foi rapidamente montada entre a DGCI e as forças de segurança, havendo, tal como agora, a possibilidade de os inspectores tributários poderem apreender viaturas e bens de devedores nas estradas.» Ou seja: o enquadramento já vinha do PS, do governo do Trafulha, e o governo Passista chamou-lhe um figo. Então como fica o “atentado à liberdade, à Justiça, à democracia, ao respeito pelo cidadão”, Irritado? Como fica a “prática reiterada de actos ilegítimos, inconstitucionais, ilegais, criminosos, atentatórios da dignidade dos cidadãos”? Como pessoa coerente, fará certamente novo post, desta vez enojado com os primeiros criminosos – a dupla Passos/Gaspar?

    1. Se o irritado for coerente responderá o mesmo que a mim. Ou seja “É preciso ser ultra-geringonço para, perante os despóticos desmandos da organização, descobrir que a culpa é do Passos Coelho!”

    2. Não sei se é completamente verdade ou se há só uma meia verdade.Mas seja como for foi feito e noticiado tal acordo,Estes geringonços, que se dizem esquerdistas, fizeram isso pela calada sem informar nada nem ninguém.Até o chefe da AT do Porto já os mandou às urtigasO Próprio Cem Tino, logo que isso chegou ao conhecimento do povo, reverteu a medidaA agora só falta o geringonço da encosta vir lavar as mãosFarturinha abençoada… em vez de um Pilatos ficamos com dois.

      1. Olha o “primo” do gajo de Gaia a dar lições de moral!Vai lá abelha vai…

      2. Avatar de Filipe Bastos
        Filipe Bastos

        O que está em causa não é o que fizeram os geringonços, isso já se sabe: é a chulice e a trampa do costume. O que está em causa é que o governo anterior, pelo visto, fez o mesmo. O PS e gerimbosta não têm o monopólio da chulice e da trampa. O PSD e a ‘direita’ são a mesma chulice. A mesmíssima trampa. Como mais uma vez se comprova.

    3. Se soubesse à altura, teria o mesmo nojo, e di-lo-ia. Leia abaixo o comentário de Isabel.

    4. É tão nojento feito por um como por outro. A diferença é que a iniciativa do 44, bem como a do seu número dois, foi tomada sem dar satisfações. A do governo legítimo foi anunciada, transparente, é certo que má, mas dela foi, honestamente, apresentada aos interessados. É aquela diferença que v. recusa reconhecer…

      1. Está resposta mete “NOJO”

  4. A 21 de Dezembro de 2012, em plena crise económica e com a troika instalada em Portugal, Vítor Gaspar marcou presença na assinatura de um protocolo entre a AT e GNR que visava “articular as formas concretas de cooperação e coordenação” entre as duas instituições, tendo em vista a obtenção de “um reforço da eficácia no combate à fraude e evasão fiscal e aduaneira.O documento foi assinado pelo secretário-geral da AT da altura, José Pereira, e pelo então comandante geral da GNR, Luís Parreira, e homologado pelo ministro das Finanças, Vítor Gaspar, e pelo da Administração Interna, Miguel Macedo, nas instalações do Ministério das Finanças, em Lisboa.

  5. Está de “NOJO”, Sr António?

  6. Não entendo! Um governo em fim de legislatura, com 4 anos para alterar o que, no seu entendimento, antes era mal feito, não altera nada e depois diz que a culpa não é dele? Onde vai chegar o debate nacional com estas argumentações patéticas?

    1. Cara Isabel queira perdoar ser utilizada tipo Marinho “Pinto versus MPT” (“barriga de aluguel”).Porém tal é necessário como resposta ao Filipe (veja supra), o Irritado utilizou o mesmo método escrevendo «Se soubesse à altura, teria o mesmo nojo, e di-lo-ia. Leia abaixo o comentário de Isabel.»!Assim sendo, o sr antónio (irritadiço e dono deste sítio) demonstra ser um homem “piquinino”, porquanto tendo-me lançado o desafio para «Dizer que, nem nos tempos da troica, a tal “cooperação” foi activada com a imaginativa interpretação da geringonça.» e, após obter a minha resposta, diz «Se soubesse (…), teria o mesmo nojo …».P.S., eis a minha resposta: “Numa audição proposta pelo grupo parlamentar do PS, Miguel Macedo explicou aos deputados da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias qual a base legal que permite à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) aproveitar as operações stop da PSP para penhorar veículos de cidadãos com dívidas ao fisco” – https://www.rtp.pt/noticias/politica/psp-pode-apreender-carros-no-ambito-de-um-protocolo-com-as-financas_n563652

      1. Não conheço o dono deste blog e nem faço a mais pequena ideia de quem é.Também não faço ideia ( e não tem a ver com o tema em discussão ) em que consiste a história do marinho pinto e da referida barriga de aluguer.Está-se a falar de um facto ocorrido agora com um governo de agora. Desviar a discussão para outro facto qualquer chama-se sofismar. Foi só sobre este aspecto da discussão que eu escrevi. Não gosto de ver um chefe, seja ele do que fôr, ser “despojado” das suas responsabilidades. É sempre mau sinal.

        1. Avatar de Filipe Bastos
          Filipe Bastos

          Toda a razão, Isabel, sobre falar-se de outros governos para desviar a atenção deste. É aquilo a que os ingleses chamam ‘whataboutery’ – what about isto, what about aquilo, tudo menos o que interessa aqui e agora. Não obstante, o Irritado e a direita culpam APENAS este governo, como se este e o mítico ‘socialismo’ fossem todo o problema. Tal como não se deve divagar, não se pode branquear quem fez o mesmo, não há cem anos, mas há meia dúzia. Ambos os lados – PS e PSD – fazem a mesma coisa. Porque são a mesma coisa. Nunca é de mais lembrá-lo.

          1. Esse tipo de raciocínio leva-nos a aplicar uma espécie de indução matemática: se se podem invocar factos ocorridos há 6 anos, também se podem invocar factos ocorridos há 6+1anos; e, por conseguinte, também, há 6+1+1 anos; e, assim, sucessivamente. Quem define até quando podemos ir? Não é possível tirar conclusões sobre um qualquer problema quando o debate se perde com referência a questões que não têm qualquer influência na solução do problema em causa.Se calhar, a razão porque estamos cada vez mais na cauda da Europa é que não há o objectivo de resolver problemas mas sim de ganhar discussões. Será?

          2. Avatar de Filipe Bastos
            Filipe Bastos

            Neste caso, sabemos quem criou o enquadramento legal para o saque nas estradas: foi o governo do Trafulha de Sousa. Então começa aí a cadeia de responsabilidade. O governo Passos/Relvas/Gaspar usou a lei e saqueou a malta. O da Gerimbosta também. Temos então responsáveis claros, inequívocos – Trafulha de Sousa; Passos/Relvas/Gaspar; Gerimbosta. Se fossemos buscar o PREC, o Salazar, a I República ou os romanos, concordo: seria whataboutery, onde é que isso já vai, etc. Mas são os últimos três governos. E a bancarrota do Trafulha, como sabe, levará gerações a pagar. Onde começa o pragmatismo de resolver problemas e onde acaba o branqueamento, ainda que não intencional, de quem os criou? É que sem nomear e punir responsáveis, voltamos sempre ao mesmo. Ao mesmo Centrão Podre.

          3. Caro Filipe Bastos, eu só quis chamar a atenção para o absurdo da dimensão que um debate pode atingir se não se cingir aos factos em questão.Em qualquer caso, é suposto que um governo seja constituído por gente que tem uma ideia sobre o que está mal e quer mudar. É para isso que se propõe substituir o governo anterior e é para isso que vai para o poder. Numa lógica séria, implicar anteriores governos, que já não existem, no que hoje acontece é perder tempo…ou criar nuvens de fumo.O recurso a factos passados só interessa quando se discute a perspectiva histórica ou…criminal.

  7. “É sempre mau sinal.”, diz (e bem) a Isabel!Parafraseando o autor do blog: Meteria dó se não metesse nojo.

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