IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


QUEM, EU?

Foi com inenarrável e espantado gozo que vi, ontem, um senhor magrinho, com ar inocente, dito secretário de Estado, a perorar o que lhe veio à cabeça acerca  do atentado à liberdade, à Justiça, à democracia, ao respeito pelo cidadão, cometido pelas finanças em colaboração com a GNR, a fim de sacar aos incautos uns tostões (mais uns automóveis e uns camiões).

Assim:

O militar bate a pala.

– Bom dia senhor condutor. Faça o favor de me mostrar os seus documentos.

– Com certeza, senhor guarda.

O senhor condutor dá a papelada ao senhor guarda. Após consulta pormenorizada, o homem não lhe devolve os papéis. Atrás dele, um representante do sátrapa das finanças, afia um computador. Pega nos papéis e, uns clics depois, declara:

– Este cidadão deve 243,12 euros às finanças.

E, para o cidadão:

– Quer pagar em dinheiro, pelo Multibanco, por paypal, por MBWay ou por cartão de crédito?

Atónito, o senhor condutor, responde: nem tenho dinheiro para pagar nem quero pagar, .

O senhor guarda entra de novo em acção e, animado por um sorriso malévolo e triunfante do enviado do déspota, diz :

– Muito bem, senhor Manuel, vamos então levantar um auto de apreensão do seu veículo.

– Quê? Está a gozar comigo?

– É a lei, senhor Manel, é a lei.

Preenche um formulário no computador, mostra-o ao flibusteiro das finanças a ver se está nos conformes. Tudo em ordem. Entrega uma cópia ao senhor Manel:

– Prontinho, sor Manel. Pode ir embora, mas a pé. O carrinho fica aqui até que o assunto se resolva.

E lá vai o Manel, à pata, rabinho entre as pernas, que isto de GNR não é para brincadeiras (amor ao físico ou falta de coragem corporal).

 

A prática de dezenas de crimes deste tipo, como é evidente, deu lugar a inúmeros clamores nos chamados media, que ainda não tinham percebido do que a casa (as finanças) gasta. Assustado, o senhor magrinho veio a correr dizer de sua “justiça”: que o governo, sim senhor, pois, a prática podia ser discutível, mas o governo não tem nada a ver com o assunto. Dei comigo a pensar que as finanças e a GNR não estão sob a alçada do governo, devem ser de algum privado, um bandido como todos os privados. Mas não era assim. Segundo o magrinho, aquilo não passava de uma coisa espontânea, uma iniciativa do sargento da guarda e do chefe da repartição de finanças lá do sítio.  Assim, sem mais nem menos, tirou o burro da chuva. Mas não disse que a “operação” tinha sido ilegítima, ou coisa que o valha. Na filosofia do homem, aprendida nalguma madrassa do Terreiro do Paço, a legitimidade não estava em causa.

Num país com cabeça tronco e membros, o magrinho, o chefe do magrinho e o chefe do chefe do magrinho teriam ido à vida. Mas isto, meus amigos, é um país socialista. Ficam todos no poleiro e, se os acusarem, dirão como sempre: quem, eu?

Como se alguém acreditasse que a ordem de batalha não viesse de cima!

 

30.5.19



10 respostas a “QUEM, EU?”

  1. Boa narrativa, sim senhor.!E o que me dizem ao novo con-k-urso por ajuste directo /será isto pleonasmo?O PAN estará envolvido no caso?

  2. E com pala ou sem pala a verdade é que a Zabelinha Bicho da Seda desapareceu…… ou teria sido levada pela GNR para controlo anti-doping?

  3. Isso de a ordem vir de cima não é líquido: por ex. lembra-se da barraca da ‘lista VIP’, no tempo de Passos? Ou de como o Núncio andou a branquear offshores? E o Passos, coitado, não sabia de nada. Ou de como havia um trafulha encartado, um trafulha universalmente reconhecido como tal – o Relvas – no governo de Passos, e este não tinha culpa nenhuma? Ninguém sabe como o Relvas lá apareceu. Está a ver, Irritado, temos de ter cuidado para não culpar inocentes.

  4. Já isto das cobranças na estrada não é necessariamente mau. Nestes moldes, é como diz: mais uma prepotência dum Estado chulo e desonesto, mal e porcamente disfarçada pelo magrinho e pelo Centeno, esse capacho. Uma vergonha. Por outro lado, em moldes diferentes, pode ser bom. E absolutamente necessário. Todos os veículos acima de certo valor devem ser investigados. Pode-se ir à fonte, às marcas e stands, ou ao registo automóvel, ou pode-se mandá-los parar na estrada. É simples. Como já falámos: nenhum mamão/trafulha/trambiqueiro tuga, sobretudo de médio e alto calibre, prescinde de uma bomba. Este país pobre e pedinte está repleto de Audis, Mercedes, BMWs, Ferraris, brutos jipes… de onde veio a massa? Cada um era verificado na hora. Tudo merecido, tudo em ordem? Fantástico: parabéns e boa viagem. Algo suspeito, por explicar ou mal explicado? A coisa subia para investigação superior. No limite, o popó já nem saía dali.E era assim também com casas, barcos, quadros, todo o luxo bem explicadinho. Era ver os mamões e trafulhas a suar. Claro que o Irritado acha isto uma péssima ideia. Os mamões e trafulhas também acham.

    1. Reinstaurar a PIDE, ou estudar os métodos SS ou KGB, também era uma boa solução, não acha?

  5. Vítor Gaspar, antigo ministro das Finanças do Governo PSD/CDS (2011-2015), foi o “pai” do protocolo assinado em 2012 de combate à evasão fiscal entre a Autoridade Tributária (AT) e a Guarda Nacional Republicana (GNR), que abriu as portas a operação levada a cabo na terça-feira em Valongo. Uma operação entretanto cancelada pelo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, que garantiu que uma fiscalização do género “não se irá repetir” e mandou abrir uma investigação. – https://www.publico.pt/2019/05/29/politica/noticia/vitor-gaspar-pai-protocolo-abriu-portas-gnr-operacoes-fiscais-1874585

    1. Os meus parabéns pela decência deste comentário. Vê-se que já aprendeu alguma coisa com o IRRITADO. É preciso ser ultra-geringonço para, perante os despóticos desmandos da organização, descobrir que a culpa é do Passos Coelho!

      1. Só reproduzi a fonte, que aliás indiquei.

    2. Talvez valesse a pena:- Ler o último parágrafo da notícia. Quem inventou uma coisa do género não foi o Gaspar, foi o Sócrates.- Dizer que, nem nos tempos da troica, a tal “cooperação” foi activada com a imaginativa interpretação da geringonça.

      1. Numa audição proposta pelo grupo parlamentar do PS, Miguel Macedo explicou aos deputados da comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias qual a base legal que permite à Autoridade Tributária e Aduaneira (AT) aproveitar as operações stop da PSP para penhorar veículos de cidadãos com dívidas ao fisco. ler mais em: https://www.rtp.pt/noticias/politica/psp-pode-apreender-carros-no-ambito-de-um-protocolo-com-as-financas_n563652

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