Quem lê os jornais, por muito que procure, não conseguirá saber ao certo o que contém o projecto de nova lei da saúde, nem qual a necessidade de abolir uma outra que vinha, há vinte anos, dando conta do recado (o que não dá conta do recado é o chamado governo, não a lei). Que acrescentará a nova de tão importante que a justifique? Que modificações de fundo a tornam indispensável? O que determina a necessidade de uma lei nova? Ninguém o saberá.
Mas, no entanto, ela é “precisa”. Porquê?
Primeiro, porque, enquanto o pagode andar entretido com ela, não pensa no estado miserável em que a saúde foi metida pela geringonça, no criminoso abandono a que foi votada, nas consequências que tantos sofrem por causa disso. Talvez o “raciocínio” do PS esteja certo: como a maioria dos portugueses está de boa saúde, que interessa andar a gastar dinheiro com os doentes, que são minoritários?
Segundo, porque é uma oportunidade de ouro para os partidos comunistas darem (mais) uma machadada no que é privado. Não esqueçam que a abolição da propriedade, do lucro, da iniciativa, da economia em geral, é, sejam quais forem as consequências, o imo da sua ideologia. Os amanhãs que cantam, isto é, choram, dependem disso. A lei da saúde pode ser um passo para tal. Há que aproveitar.
O PS, com as migalhas de social democracia que lhe restam, resiste à oportunísta avançada dos colegas da geringonça. Suficientemente esquerdalho para nem sequer considerar que as propostas vindas da direita merecem discussão ou que, sequer, existem, o PS prefere uma derrota parlamentar a trocar por outrem os seus bem-amados comunas do BE e do PC.
O sucesso das PPP da saúde, a realização de mais actos médicos, a sua prontidão quando comparada com os hospitais de gestão pública, a poupança que representam para o Estado, nada disso interessa. Preciso é realçar os seus falhanços, a fim de tudo dominar. Por outras palavras, o que menos interessa é a saúde, preciso é que se morra dentro dos prazos estabelecidos por uma doida varrida que se diz ministra, com o elogioso aval do chamado primeiro-ministro e dos restantes amigos do Sócrates.
Votos são votos, a saúde que se lixe.
12.6.19

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