IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


DA CONSCIÊNCIA EM CRISE

Muito se tem dito e escrito sobre as sabichonas palavras do senhor de Belém acerca da “crise da direita” que vai “durar for ten years”.

Demos de barato que é verdade, segundo a opinião da esquerda e da direita, que o tal senhor não tem, institucionalmente, o direito de dizer quem está em “crise” e, por óbvia extensão, quem não está. São declarações boas para um Louçã qualquer, não para quem já não é (não será?) comentador político ou propagandista de opções políticas, de direita ou de esquerda.

Por um lado, é de compreender a coerência do senhor. Desde que foi eleito maioritariamente pelo povo de direita e de esquerda moderada, tem-se dedicado a conviver como irmão com a esquerda mais esquerda que o país conheceu nos últimos quarenta anos.

Muito para além da “coabitação”, ou da velha “cooperação institucional”, o senhor de Belém tem praticado, com pequenas e mal sucedidas falhas, o que podemos chamar cumplicidade institucional. Por isso, não será de estranhar que venha proclamar a existência de tal crise (existindo ela ou não), o que é uma forma sibilina de dizer aos portugueses que não votem nos que estão em crise (a direita) e, por conseguinte, que votem na “estabilidade” (a esquerda em versão geringoncial ou noutra versão qualquer, a animalesca incluída).

Danos colaterais da República semi-presidencialista que temos e que tantos e tão tristes sinais de politiquice tem dado.

Do outro lado, o senhor Rio aproveitou para dizer que não tem nada a ver com a crise que a sua reiterada incompetência política gerou, mas com uma crise do regime em geral, coisa que também haverá, mas que não serve de desculpa.

É evidente que há uma crise na direita, bem personificada no senhor Rio. Crise de imaginação, de ideias fortes, de oposição a sério, de empatia, de liderança, de carisma. Só que, em vez de encarar as coisas de frente e de ultrapassar as circunstâncias, o senhor Rio dedica-se a proclamar que precisa do PS para fazer as suas reformas. Não percebe que quanto mais forte for o PSD, melhor poderá negociar tais reformas. É certo que, à excepção do horror da regionalização, essas reformas são necessárias. É certo que as mais importantes precisam dos dois terços de votos e, portanto, do PS. Por isso, mandaria a mais elementar inteligência que a atitude do principal partido português fosse a de um ataque feroz ao PS e aos seus camaradas da geringonça. É que, em relação às almejadas reformas, se o senhor Rio as quisesse mesmo, trataria de denunciar o que existe – razões não faltam – e propor alternativas políticas, que também não lhe deveriam faltar. Mas é o contrário. Quanto mais em crise, mais o senhor Rio se põe debaixo do adversário.

 

De volta a Belém, um novo dado ficou à vista de todos no presidencial  speech. O senhor é capaz de tudo para assegurar os votos da esquerda para a sua reeleição. Parece que os fins justificam os meios, como diria o Vasco Gonçalves.

 

6.6.19



9 respostas a “DA CONSCIÊNCIA EM CRISE”

  1. Hoje vou alinhar no ‘comentário político’. Perdoe a extensão. DIz que falta ao Rio imaginação, ideias, empatia, liderança, carisma. É uma boa lista, embora não exaustiva, mas o problema do PSD vai além de Rio. O resto do PSD, hoje como antes, são barões e chulos de vários graus que não convencem ninguém. O PS sempre foi mais eficaz. Os comentadeiros dizem que o PS é o ‘partido charneira’ do sistema. É mais o ralo do sistema: toda a trampa desagua lá, e como os seus únicos princípios são mama e tacho, tudo lhes serve. Repare que depois de Cavaco, o carismático Vacão de Boliqueime, o PSD só cheirou o poleiro graças a desastres do PS: – o Mordomo Burroso na ressaca do pântano guterrista; – o Santana nem foi eleito, quando foi a votos levou na pá; – o Passos na bancarrota do Trafulha, tão grande e tão penosa que rendeu a Passos duas vitórias. Fora tais desastres, a carneirada prefere geralmente o PS. Este é uma máquina bem oleada: depois do popularucho Chulares, o Guterres inaugurou a modernidade do marketing pulhítico, mais o publicitário brasuca e a música do Vangelis. Depois veio o Trafulha e os seus autocarros cheios de indianos, o seu polvo mediático e bloggers a soldo. O Costa manteve a evolução. Ele lê bem a carneirada. Sabe-a emotiva e volúvel, mas também apática e fácil de levar. Sabe sobretudo que tem memória curta, e que basta ir gerindo a imagem para continuar a passar entre os pingos da chuva. Quando afastou o Seguro, o verdadeiro motivo foi óbvio a todos os xuxas: o Seguro era uma espécie de reacção moral à calamidade do Trafulha; mas jamais traria tachos na quantidade desejada. Sem tachos, muitos tachos, não há PS.

  2. Com cada um destes gangues, eufemisticamente chamados governos, vem uma maré de boys que ocupa o país. Nem a Laranja Podre faz igual. Após cada vitória PS, quase se ouve um eco de norte a sul: “isto é tudo nosso”! Têm razão. É tudo deles. Nota-se claramente no Bosta, no sapo César, no Ferro, tal como se notava no Coelhone, no Chulares ou no Almeida Mamão, aquela arrogância do Capo siciliano que joga em casa. Compare esta máfia pulhítica, organizada e profissional, para mais embrulhada na bandeira da ‘esquerda’, com a rebaldaria do PSD. Parece o Benfica contra o Barreirense. Havendo massa e não havendo desastre, não se vê como poderia ganhar. Só com um líder muito apelativo, com um circo de marketing estrondoso… mas há muito que só lá há palhaços tristes. E que tal, Irritado, o comentário político? Acha que eu tinha futuro na TV?

    1. O comentário, por comprido, não precisa de desculpas. Pelo contrário, é bem vindo. Na TV, acho que não. Falta-lhe “independência…”

  3. Duas sugestões de leitura, Irritado. A primeira: https://theguardian.com/inequality/2019/jun/06/socialism-for-the-rich-the-evils-of-bad-economics There is an entire cultural ecosystem that has evolved around the idea of TAX-AS-THEFT, recognisable in politicians’ talk about “spending taxpayers’ money”, or campaigners celebrating “tax freedom day”… or the so-called “tax burden”. But the idea that you own your pre-tax income, while obvious, is false. To begin with, there are no ownership rights independent from taxation. Ownership is a legal right. Laws require institutions, including police and a legal system, financed through taxation. The tax and the ownership rights are effectively created simultaneously. We cannot have one without the other. Talk of taxation as theft turns out to be a variation on the egotistical tendency to see one’s success in splendid isolation, ignoring the contribution of past generations, current colleagues and government [and society at large]. This leads to the belief that if you are smart and hard-working, the high taxes you endure, paying for often wasteful government, are not a good deal. You would be better off in a minimal-state, low-tax society. The most entrenched, self-deluding and self-perpetuating justifications for inequality are about morality, not economy. John Kenneth Galbraith summarised the problem: “One of man’s oldest exercises in moral philosophy … is the search for a superior MORAL JUSTIFICATION FOR SELFISHNESS. This always involves certain internal contradictions and even a few absurdities. The conspicuously wealthy turn up urging the character-building value of privation for the poor.”

  4. A segunda é mais breve: «A farmacêutica norte-americana Pfizer descobriu que um dos seus medicamentos poderia reduzir os riscos de sofrer Alzheimer em 64%, mas ocultou a informação do público e não investiu na pesquisa devido aos custos que envolveria. O Washington Post diz que, do ponto de vista do mercado, os efeitos positivos do medicamento no Alzheimer não significariam um aumento do lucro da empresa.» E aqui tem, Irritado, mais uma demonstração cabal de como saúde, lucros e privados são intrinsecamente incompatíveis; algo que qualquer pessoa, desde que não ideologicamente tão cega como o Stevie Wonder, sabe desde sempre. A menos que consiga explicar como não é isto um crime lesa-Humanidade; e como podem os mamões da Pfizer continuar à solta.

  5. Ah! Que exemplo perfeito para a minha dúvida… será este blogue do Irritado ou do Bastos? Para já o que é de um e o que é de outro está convenientemente separado e ainda é fácil escolher o tipo de leitura pretendida: a de um irritado ou a de um enjoado. Suponho que tudo dependa dos gostos e preferências de cada um, lá haverá quem prefira leituras irritativas e, por outro lado, quem prefira leituras enjoativas! Ou, quem sabe, até ambas… Chamar-se-á a isto “blogodiversidade auto-inclusiva abrangente na sua repulsa”. Entre um(a) ou outro(a) mais ou menos moderado(a), tornou-se este um blogue tão atraente para vulgares radicalismos e intolerâncias de uns poucos indefectíveis fãs e aficionados da rabugice que, impregnados da sua importância, não hesitam ou mesmo anseiam pela vaidade do seu contributo. Até eu, contagiado pelo ambiente, me sinto particularmente vaidoso. Excelente!

  6. Eis o que não entendo, anónimo. Os fãs do Irritado podem ler apenas os posts. Ao contrário de outros blogs, o conteúdo está todo disponível na página inicial. Para ler os comentários é preciso clicar nos posts. Só os vai ler quem quer mesmo lê-los. Frequento o blog há uns dez anos. Será a 3ª ou 4ª vez que um anónimo escreve algo deste tipo, mas nunca indica o que quer: comentários mais breves? Menos comentários? Nenhuns comentários? Estive quase todo o ano passado sem cá escrever. Parece ter feito pouca diferença. O Irritado postou o mesmo, as mesmas pessoas comentaram, tudo igual menos as minhas diatribes. É assim que quer, anónimo? Admito que abuse do espaço que me é generosamente concedido; mas fica tanto, tanto por dizer. Tento ao menos ser informativo e honesto. Escrevo ao Irritado como quem se corresponde com um amigo de quem se discorda: meio por partilha, meio por pirraça. E o anónimo, lê-me porquê, para quê?

    1. O início deste seu comentário alinha-se perfeitamente com o início do meu comentário. Palavras bastante diferentes é certo mas a mesma ideia, caso tenha reparado! O que eu quero? Não me cabe a mim, mero anónimo entre tantos outros, fazer pedidos. Cada um sabe de si, o que lhe vai na alma, os desabafos que quer fazer e até o modo como o pretende fazer. E se tal é feito em casa alheia com total permissão, apoio ou mesmo bênção do dono então, neste caso, isso é lá convosco e mais ninguém tem nada a ver com isso. Quanto a mim, fazendo os possíveis por ter algum cuidado com as palavras que escolho, quanto muito comento situações como agora esta: a de se confirmar com este seu comentário ao qual estou a responder que afinal o Bastos ainda sabe escrever textos sem insultar tudo e todos a torto e a direito ao ponto de, do alto da sua insolência, ser estupidamente escatológico… de se confirmar que afinal o Bastos ainda sabe escrever textos que se conseguem ler até ao fim sem qualquer sinal de provocarem aversão logo nas primeiras linhas ou mesmo náuseas com a continuação da leitura. Mas isto é de certeza problema meu já que mesmo pertencendo à “carneirada” do costume não aceito tanta ofensa junta mesmo que também feita a terceiros eventualmente merecedores de sérios reparos. Diz que tenta ser “informativo e honesto”. Parece-me extraordinária a ideia que tem dos seus textos! Bem… pessoalmente não confundo indignidade com honestidade mas posso sempre supor que depois de raspadas todas as espessas camadas de impurezas se encontre bem lá no fundo das entrelinhas uns resquícios remotamente semelhantes a “informação” num ou outro comentário seu que eu tenha conseguido ler mais do que as primeiras linhas. Já agora, do que me pude aperceber, no seu tempo de “férias” da escrita, esta secção de comentários, a determinada altura e durante breves momentos, até atraiu várias outras pessoas que não tinham o costume de comentar. De um momento para o outro isto até pareceu um local frequentável… Mais uma vez quanto a mim, lá continuarei a escolher quem quem quero ou não ler.

      1. Se entendi bem, incomoda-o/a a maneira como escrevo: é tudo muito mau, muito ofensivo e assim. É uma crítica legítima; gosto de malhar na canalha. Desprezo falinhas mansas. Para isso já há muitos jornais e comentadeiros e ‘opiniões’. Muito respeitinho. Eu não; não aqui. Aqui fala-se claro. Claro clarinho. Claro que isso aliena algumas pessoas. Talvez deteste o meu tom, as minhas ideias, até as minhas sugestões de leitura. É normal; não se pode agradar a todos, etc. Também não gosto especialmente de o/a ler. Gosto de ler o Irritado. Gostava muito de ler o Manuel B, que desapareceu. Gosto de alguns comentários que de vez em quando aparecem. Gosto de discutir ideias, conceitos; mas é raro isso acontecer. Talvez seja eu que esteja a mais, não o anónimo. Já me fui embora, depois voltei. Por agora estou. Disponha sempre.

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