IRRITADO

O SOCIALISMO É A FILOSOFIA DO FRACASSO, A CRENÇA NA IGNORÂNCIA, A PREGAÇÃO DA INVEJA. SEU DEFEITO INERENTE É A DISTRIBUIÇÃO IGUALITÁRIA DA MISÉRIA. Winston Churchill


  • MAIS UMA MINHOCA

     

    É natural e aceitável que o PS queira parlamentarizar ou governamentalizar a Procuradoria da República, na boa tradição socrélfia. Uma posição de perfeita coerência com a moral republicana que pratica desde sempre. Eu sei que Sócrates abusou de governamentalizações: banca, telecomunicações, justiça, informação, etc.. Mas, mudada a chefia da Procuradoria, o tiro (vários tiros) acabou por sair-lhe pela culatra.

    Ciente desta realidade e sonhando com os velhos tempos, o PS regressa à estratégia habitual. Como ainda não sabe do que gasta a actual procuradora geral, antes prevenir que remediar. O melhor é tomar providências e passar a controlá-la. Como? Alterando a relação de forças no órgão de controle da PGR – Conselho Superior do Ministério Público – enchendo-o de políticos e assim abrindo a porta a determinadas “diligências”.

    Tudo normal, previsível, sem surpresas.

    Surpresa foi a cavadela dada por pelo Rio, a fim de libertar mais uma minhoca, sua especialidade preferida. Ao pôr-se ao lado brilhante intenção do PS, também foi coerente. Não com o PSD, mas consigo próprio. Mais não fez que aproveitar a oportunidade para lamber as botas ao Costa, mesmo que, para isso, pisasse sem escrúpulos os bons princípios do seu antecessor.

    Onde irá parar este paspalhão? Não sei, mas espero que o mais longe possível.

     

    27.6.19

  • BONS EXEMPLOS, E BEM SEGUIDOS

     

    Tem frutificado a obra desse grande político socialista que anunciava triliões de obras públicas, estradas, ferrovias, ferries e outras realizações  que jamais realizaria, que inaugurava coisas inexistentes ou já inauguradas e que ficou de tal maneira famoso e admirado que foi premiado com lugar de topo de lista do Parlamento Europeu.

    Olhe-se a nóvel descoberta do governo para nos tratar da saúde, e veja-se se o exemplo do ex-ministro e actual MPE é ou não seguido por ela.

    A espernéfica criatura, de irrepreensível esquerdismo e dentes encavalitados, veio somar às mais inacreditáveis atitudes a declaração de que ia lançar um concurso para a admissão de médicos no SNS, concurso esse que foi lançado há dois meses e já tem candidatos e tudo. Percebe-se a tecnologia política apliacada a mais esta “verdade” do governo. Andava a fulana procupada a pensar que já há uns dias não anunciava nada e, pior ainda, que não tinha nada para anunciar. Lembrou-se então que o tal concurso (o verdadeiro) não tinha sido comunicado à plebe. E resolveu anunciá-lo. Ninguém daria por isso.

    O pior é que alguém deu por isso e que, agora, toda a gente já deu por isso, assim aumentando o merecido prestígio da mulher e do chamado governo a que pertence.

     

    27.6.19

  • DE VENTO EM POPA

     

    Velas enfunadas, aí vai a barca dos impostos. Aumentar é chato, arranje-se mais matéria colectável. A Catarina apoiará sem reservas. O Jerónimo ficará contente. Vão acabar as taxas fixas no IRS. Integre-se, por exemplo, as rendas de casa, que têm taxa de 28%. Englobe-se. Aumenta-se o rendimento, aplica-se a percentagem geral. Genial. Mais uns milhões sacados ao povo. Sem “aumentar” impostos.

    Reveja-se nesta maravilhosa política. A procissão vai no adro. Vêm aí mais umas “englobações”. Você vai pagar mais, mas a geringonça aplica a pastilha sem dizer a ninguém que subiu a carga fiscal. Prepare-se, vá fazendo economias, que geringonça é insaciável.

     

    25.6.19

  • DIÁLOGOS SOCIALISTAS

     

    Desde que perdeu as eleições e ganhou o poder, o PS sempre se recusou a dialogar com o PSD. Foi assim que formou governo, foi assim que tratou a oposição do centro e do centro direita. Todo o poder à esquerda, que “essa gente” não merece conversas.

    Abanada estabilidade da esquerda triunfante, o PS vira-se para a direita, não por ter mudado de atitude, mas porque lhe dá jeito. O sapo dos Açores proclamou que “o PS dialoga com toda a gente”.

    O pior disto não é o oportunismo desavergonhado do socilismo nacional. É a indigna abertura do PSD. Passados quatro anos de desdém, de desconsideração, de profundo desprezo, o PSD/Rio está (sempre esteve!) disposto a “conversar”! A lamber caninamente a mão que o PS lhe estende? Será possível ofender mais quem nele ainda insiste em votar, ou quem vê em acabar com o Costa o verdadeiro “desígnio nacional”?

     

    25.6.19

  • NATALIDADE

     

    Parir no Verão passou a ser um problema: maternidades só por turnos.

    Os casais terão que programar as coisas de forma a não ter filhos a nascer quando as maternidades estão fechadas.

    Os motoristas de táxis terão que ter formação para partos súbitos quando andarem com as parturientes aflitas, a bater a portas fechadas.

    A doida da saúde recomendará estas medidas e, como acontece nas bichas dos serviços, dirá que se houver azar a culpa é das senhoras por falta de planeamento familiar.  

    O IRRITADO não pode deixar de vir a público elogiar mais uma medida socialista para o aumento da natalidade.

     

    25.6.19

  • PRINCÍPIOS

    PRINCÍPIOS

    Há dez cidadãos à pega por causa dos incêndios de 2017. Homicidas, incompetentes, negligentes corruptos, uma cambada, um nunca acabar de crimes a punir exemplarmente.

    Pois. Mas algo me diz que falta gente. Não vi, na lista dos suspeitos, nem a dona Constança, nem o senhor Costa, nem ninguém que tivesse a ver com o Estado propriamente dito, com a geringonça, com altas instâncias do poder instalado.

    No fundo, está certo. É coerente com a regra da impunidade do poder, um dos mais importantes princípios do socialimo costita.

     

    25.6.19

  • O GRANDE CULPADO

     

    Segundo a geringoncial opinião, oficialmente declarada, a culpa dos atrasos nas emissões de cartões do cidadão ou de passaportes, nos atendimentos das finanças, etc., é dos benificiários dos magníficos serviços do Estado.

    Assim, sem mais nem menos e pela palavra de quem sabe, você, caro colega cidadão, é uma besta. Porquê? Porque tem a mania de se ir pôr à porta dos impecáveis serviços públicos às sete da manhã, com uma cadeirinha dobrável para não cansar as pernas (comodista!) e, assim, os seus concidadãos que chegam a horas já nem senha arranjam.

    Todos temos experiências destas, por toda a parte, em todos os serviços. Por outras palavras, somos todos umas bestas, uns tipos que não merecem o carinho, o amor, a disponibilidade dos departamentos estatais para nos prestar os excelsos serviços a que, bem vistas as coisas, não temos direito.

    Se o problema fosse dos cães, o PAN já teria feito aprovar, por unanimidade e geral aplauso, uma lei para evitar que os cães tivessem que esperar para ser atendidos por veterinários, tosquiadores, cabeleireiros especializados e outros servidores a que têm inalienável direito. E mais. Tal lei já tinha sido promulgada de urgência pelo senhor de Belém.

    Foge, cidadão, antes que te multem, ou prendam, por estares à porta antes de tempo!

     

    24.6.19

  • CHERNOBYL

    O “Observador” de hoje faz um relato pormenorizado do que aconteceu em Chernobyl em 1986.

    A URSS começou por desvalorizar o problema. Depois, perante a brutalidade do desastre, acabou por reconhecer a sua gravidade, ainda que com desculpas de mau pagador (“culpada foi a CIA”, por exemplo). Toda a gente percebeu. Toda? Não. Uma espécie de homo erectus português, o camarada Cunhal, vindo de Kiev, desembarcou em Lisboa dois dias depois, e declarou que não havia problema de maior. Mais, criticou acerbamente um diplomata português que tinha apelado aos nacionais, na maioria estudantes, para que abandonassem a região.

    Cunhal nunca se auto-desmentiu. A miserável subserviência do PCP perante o seu patrão e financiador não conhecia limites.

    Duas observações:

    1. O bservador faz um um apanhado das reacções da nossa informação, esquecendo as declarações do Cunhal. Porquê?
    2. Hoje, o PCP, troglodita, mantém a sua fidelidade a todas as ditaduras comunistas, ou mais ou menos: Coreia do Norte, Cuba, Venezuela… e até o Putin merece uma certa compreensão, quem sabe se por razões “históricas”.

    Para que conste, nem que seja só no IRRITADO.

     

    24.6.19

  • MILAGRE?

    Contrariando as opiniões do IRRITADO, o senhor Costa veio garantir à Pátria que, a partir de agora, o SIRESP vai funcionar maravilhosamente. “Sem qualquer falha”.

    Sabem porquê? Porque o Estado, que vai pagar uns sete milhões (peanuts em relação ao que se vai seguir), e que só passará a “gerir o sistema” em 2020, acha que,  para que a coisa funcione desde já, basta vir o Estado a tê-la na mão daqui a seis meses.

    Um doce a quem perceber.  

     

    19.6.19

  • TERRÍVEL FLAGELO

    Para esclarecimento público, é bom que as pessoas se lembrem de que as PPP’s da saúde são parte integrante do respectivo Serviço Nacional. O horror que, nas esclarecidas palavras das esquerdoidas e do PC, tal coisa representa, veio a ser comprovado pela respectiva autoridade, cifrando-se -se em cerca de 190 milhões que o Estado poupou com ela.

     

    19.6.19

  • INOCENTES AOS PONTAPÉS

    Segundo o douto parecer da comissão de inquérito ao caso de Tancos, nada há que indique haver qualquer sombra de culpa ou responsabilidade atribuíveis ao chamado governo.

    Prémio de consolação: o PSD e o CDS votaram contra o relatório magistralmente elaborado por um deputado do PS. Para compensar a atitude, ouvimos mais uns rasgados elogios do senhor Rio à nacionalização do SIRESP e outras obras da geringonça.

    O Constâncio também não tem seja que resquícios for de responsabilidade no caso Berardo.

    Conclusão: em notável coerência com a moral republicana em vigor, nada há de menos limpo que possa ser apontado, seja à geringonça, seja ao seu impoluto líder, seja ainda a qualquer membro do PS.

    Aliás, sublinhe-se que, no caso dos incêndios, segundo a doutrinadora das doidices e o deputado animalesco, a culpa é dos eucaliptos. Seguindo a mesma lógica, suponho que, no caso dos pinheiros, a culpa seja do Senhor Dom Dinis.

    Que bom!

     

    19.6.19

  • CARTA ABERTA

    Excelentíssima Senhora Dona Assumpção Cristas

    Excelentíssimo Senhor Rui Rio

    Venho, humildemente, aconselhar Vossas Excelências a ler dois artigos publicados no “Expresso” de Sábado, os quais me parece poder ser-lhes úteis. Um, publicado pelo Senhor Henrique Raposo, pessoa que muito admiro excepto quando se põe a contar histórias da sua vida pessoal (Caderno Principal), outro pela Senhora Dona Clara Ferreira Alves, pessoa por cuja pespinetice me irrita (Revista).

    Tem sido ramalhete argumentatório dos intelectuais de esquerda acusar o discurso do 10 de Junho de João Miguel Tavares de apontar defeitos sem dizer como emendá-los. Não têm razão, como de costume: não competia ao orador decretar um programa político, só denunciar os limites a que a sociedade está sujeita. Fê-lo com mestria.

    Para colmatar as “lacunas” de tal discurso nada melhor que ler os artigos acima referidos, cheiinhos que estão de boas linhas para tal programa, e mostrando o que a direita devia dizer, e fazer, coisas de que Vossas Excelências não fazem a menor ideia. De facto, como demonstram os articulistas, nem um nem outro de vós tem uma só ideia de boa e democrática opinião que seja incompatível com, ou contrária à esquerda. Navegam à vista, na “espuma dos dias” como se diz agora, e não são capazes de assumir os vossos próprios valores e de comunicar as respectivas virtudes ou dizer o que eles implicam de bom, de projectável no futuro, de forma que as pessoas os percebam como tal.

     

    A direita está em crise, proclamou o senhor de Belém numa das suas habituais ajudas à esquerda. Não devia tê-lo feito, como unanimemente é reconhecido, mas fazê-lo é da inelutável natureza dos escorpiões.

    A direita está, de facto, em crise, não por causa da trambiqueira política da frente de esquerda, está-o porque não tem líderes à altura. Vossa Excelência, Dona Assumpção, não passa da sua infeliz pasmaceira ideológica. Vossa Excelência, Senhor Rio, anda a prègar moral em vez de doutrina que se veja, rodeou-se de pataratas, tem complexos social-democratas que já nada dizem ao eleitorado, não sai da cepa torta, cada cavadela cada minhoca.

    Nos artigos que recomendo, sobretudo o da Dona Clara, está tudo, ou quase tudo o que faz falta às vossas ilustres cabecinhas. Não cito tais escritos porque poderia diminuí-los. Vem lá o que é preciso fazer de bom sem ser de esquerda, vem lá quase tudo o que é fundamental para nos tirar da porca miséria em que vogamos, sem horizontes, sem nada que aponte para um futuro desejável ou até aceitável.

    Como Vossas Excelências estão ocos de ideias, bem podem, ou ir lá buscá-las, ou pedir a reforma antecipada. É que a direita democrática portuguesa tem, ou devia ter, muito a fazer e a dizer que tenha eco nas pessoas. No fundo, a miséria mental a que Vossas Exclências se reduziram é comparável às desgraças que a esquerda provoca e que os senhores não são capazes de combater.

    Vão por mim. Leiam, cultivem-se, comecem a pensar, em vez de se deixar dominar pelo vazio das vossas mentes em crise.    

     

    Com os cumprimentos possíveis.

     

    IRRITADO

     

    17.5.19

  • HABITUEM-SE

    Vítima ou consequência da monumental demagogia que a semana de 35 horas representa, estamos, todos os dias, a assistir ao colapso geral dos serviços públicos, com dramáticas consequências na vida das pessoas.

    Declarou o chefe da geringonça que, para pôr fim ao caos que motivou e que, sem vergonha, reconhece e até louva, vai dar largas às sua tendências para um pleno emprego de inspiração soviética: admitir mais umas dezenas de milhar de funcionários, com o lastro fatal de aumento da despesa, da criação de empregos para a vida, tudo na filosofia das “letras”, não do mérito, de que enferma toda a função pública.

    Estava em vigor a norma do “saem dois entra um”. Acabou. Agora passa a vigorar a do sai um entram cinquenta. Reformas dos serviços, nada. Diminuição da burocracia, zero. Operacionalização dos procedimentos, nem pensar. Mais uns milhares de votos, OK. Exames para entrar, querias!, a CRESAP tem os dias contados, entra quem nós, os geringoços, queremos. A economia que se lixe, que encolha, o dinheiro não é preciso para ela, só para pagar votos. Uma chapelada à boa moda do passado.

    Há quem diga que isto acaba mal. O que acaba mal é o nosso futuro, com mais ou menos crise, não é a geringonça. A malta habitua-se, já começa a habituar-se. Um triunfo.

     

    17.5.19

  • UMA FARTURA

    Nada menos que dezoito é o número de câmaras municipais – parece que onze do PSD e sete do PS – que estão à pega devido a um esquema qualquer aplicado ao aluguer de camionetas. A polícia não faz a coisa por menos. Tudo ao molho, uma fartura.

    Parece que há uns piores que outros. São cinco, um do PSD, os outros não sei. Para o comum dos mortais, segundo as informações disponíveis, deve tratar-se de um bando de mafiosos que se apoderaram do chamado poder local para se encher de dinheiro. Faziam compras sem concurso (“procedimento concursal”, em novilíngua), tudo à pala de ajustes directos, somando já uma data de milhões, só nos últimos dez anos. Ainda ninguém fez as contas de quanto isso representa ao ano, nem dividiu o resultado por dezoito, o que deixa no ar uma série de dúvidas. A lista dos crimes é vasta, ainda que falte acrescentar os de violência doméstca, tráfico de drogas e outros da moda.

    Uma coisa há que me põe de sobreaviso sobre a verdadeira natureza desta história. Os mesmos jornais que sublinham os montantes vezes sem conta, dando ideia de uma monstruosa trafulhice, dizem em letra miudinha que a empresa privilegiada pelos suspeitos “esmagava os preços da concorrência”.  Parece que os autarcas em causa são suspeitos de escolher o preço mais barato sem prejuízo do bom serviço.

    Onde estará a verdade no meio disto tudo?

     

    14.6.19

  • A PANACEIA

    O mal-amado SIRESP vai ser, finalmente, estatizado. Toda a gente sabe que, com falhas ou sem elas, o sistema foi erigido em bombo da festa dos incêndios. Culpas, responsabilidades, incompetências, são coisas que, ao nível do governo e, por extensão, do Estado, não fazem parte do dicionário. A reconstrução do ardido vai tão devagar quanto possível. Os dinheiros para tal recolhidos, ou parte deles, não se sabe onde estão. Mas,meus amigos, tudo bem. O Estado é um herói, o chamado governo também, o senhor de Belém disse umas coisas mas depressa se desinteressou do assunto. O país rebrilha de felicidade. E nós, nós somos formidáveis, fantásticos, ricos, o progresso da Nação é indiscutível.

    Mais uma vez o chamado governo descobriu a solução para acabar com os males do bode expiatório, através da aplicação ao caso panaceia universal do socialismo em geral e da geringonça em particular: nacionalizar o SIRESP.  Não se admite que haja privados a mandar nisto. Segundo a filosofia triunfante funcionam mal, como todos os privados. E até, ó desgraça, ganham dinheiro! E, por definição, são desonestos. Assim, acabe-se com a moscambilha: o SIRESP vai passar a ser nosso, de todos. Para já, pagamos sete milhões, e tudo passará a funcionar maravilhosamente. Vale a pena, não é?

    Uma coisa é certa, na opinião do IRRITADO: passámos a ter a garantia de que o SIRESP vai, definitivamente, deixar de funcionar. E ser mais caro. Não interessa, cá estamos para pagar a factura. Lindo.

    Sublinhe-se a esfusiante alegria com que a maluca Mortágua comentou o caso, tendo o cuidado de afirmar que não sabia nada do assunto, isto é, que desconhecia o contrato em vigor e as normas em incumprimento. Se se trata de colectivizar, é uma excelente medida.

    Por definição, evidentemente.

     

    14.6.19   

  • O INSTRUMENTO

    Quem vem acompanhando os episódios do caso Berardo, com olhos de ver/ler e ouvidos de ouvir, já tem dados que cheguem para perceber que o homem mais não foi que o instrumento de uma política que o ultrapassava, mas lhe convinha. É hoje para muitos o bode expiatório ideal dos males da CGD.

    O caso CGD/Berardo não passa de um dos muitos da grande manobra socialista para dominar a banca, as comunicações, os media, tudo o que mexesse. Não se sabe, sequer, se foi o mais grave, ou o mais caro. Sabe-se que, com os dois maiores bancos na mão, com a TVI no papo, a PT no bolso, etc., o PS ficaria a abarrotar de poder e a proporcionar aos seus donos inúmeros potes de poder financeiro (chamemos-lhes só isto).

    Algo falhou. É que o Berardo pode ser o que quiserem, mas de parvo tem pouco. Querem que me meta no BCP? A ideia agrada-me. Ora digam lá onde vou buscar o cacau para a operação? A máquina socialista resolveu o problema. A administração socialista propôs-se emprestar os hoje célebres 350 milhões sem garantias reais. O governo socialista achou muito bem. O Banco de Portugal socialista também. O Berardo a mesma coisa… desde que a garantia fosse o capital investido sob a forma de acções. Agora, comam-nas com batatas.

    Apanhados na sua própria armadilha, os socialistas tratam de culpar o Berardo. Uns não “estavam lá”, como se não estivessem. Outros “não se lembram”, como se não se lembrassem. Outros, sedentos de prestígio que não merecem, apontam o dedo a terceiros como o Berardo.

    O Berardo ri-se-lhes no focinho. Faz ele muito bem. O feitiço virou-se contra o feiticeiro. O feiticeiro mente, a ver se se safa. Desde há quase quatro anos, a imitar outros seis (ou mais), aculpa nunca foi, nem será, do verdadeiro culpado.

     

     12.6.19

  • A SAÚDE NÃO INTERESSA

    Quem lê os jornais, por muito que procure, não conseguirá saber ao certo o que contém o projecto de nova lei da saúde, nem qual a necessidade de abolir uma outra que vinha, há vinte anos, dando conta do recado (o que não dá conta do recado é o chamado governo, não a lei). Que acrescentará a nova de tão importante que a justifique? Que modificações de fundo a tornam indispensável? O que determina a necessidade de uma lei nova? Ninguém o saberá.

    Mas, no entanto, ela é “precisa”. Porquê?

    Primeiro, porque, enquanto o pagode andar entretido com ela, não pensa no estado miserável em que a saúde foi metida pela geringonça, no criminoso abandono a que foi votada, nas consequências que tantos sofrem por causa disso. Talvez o “raciocínio” do PS esteja certo: como a maioria dos portugueses está de boa saúde, que interessa andar a gastar dinheiro com os doentes, que são minoritários?

    Segundo, porque é uma oportunidade de ouro para os partidos comunistas darem (mais) uma machadada no que é privado. Não esqueçam que a abolição da propriedade, do lucro, da iniciativa, da economia em geral, é, sejam quais forem as consequências, o imo da sua ideologia. Os amanhãs que cantam, isto é, choram, dependem disso. A lei da saúde pode ser um passo para tal. Há que aproveitar.

    O PS, com as migalhas de social democracia que lhe restam, resiste à oportunísta avançada dos colegas da geringonça. Suficientemente esquerdalho para nem sequer considerar que as propostas vindas da direita merecem discussão ou que, sequer, existem, o PS prefere uma derrota parlamentar a trocar por outrem os seus bem-amados comunas do BE e do PC.

    O sucesso das PPP da saúde, a realização de mais actos médicos, a sua prontidão quando comparada com os hospitais de gestão pública, a poupança que representam para o Estado, nada disso interessa. Preciso é realçar os seus falhanços, a fim de tudo dominar. Por outras palavras, o que menos interessa é a saúde, preciso é que se morra dentro dos prazos estabelecidos por uma doida varrida que se diz ministra, com o elogioso aval do chamado primeiro-ministro e dos restantes amigos do Sócrates.

    Votos são votos, a saúde que se lixe.

     

    12.6.19

  • DA CONSCIÊNCIA EM CRISE

    Muito se tem dito e escrito sobre as sabichonas palavras do senhor de Belém acerca da “crise da direita” que vai “durar for ten years”.

    Demos de barato que é verdade, segundo a opinião da esquerda e da direita, que o tal senhor não tem, institucionalmente, o direito de dizer quem está em “crise” e, por óbvia extensão, quem não está. São declarações boas para um Louçã qualquer, não para quem já não é (não será?) comentador político ou propagandista de opções políticas, de direita ou de esquerda.

    Por um lado, é de compreender a coerência do senhor. Desde que foi eleito maioritariamente pelo povo de direita e de esquerda moderada, tem-se dedicado a conviver como irmão com a esquerda mais esquerda que o país conheceu nos últimos quarenta anos.

    Muito para além da “coabitação”, ou da velha “cooperação institucional”, o senhor de Belém tem praticado, com pequenas e mal sucedidas falhas, o que podemos chamar cumplicidade institucional. Por isso, não será de estranhar que venha proclamar a existência de tal crise (existindo ela ou não), o que é uma forma sibilina de dizer aos portugueses que não votem nos que estão em crise (a direita) e, por conseguinte, que votem na “estabilidade” (a esquerda em versão geringoncial ou noutra versão qualquer, a animalesca incluída).

    Danos colaterais da República semi-presidencialista que temos e que tantos e tão tristes sinais de politiquice tem dado.

    Do outro lado, o senhor Rio aproveitou para dizer que não tem nada a ver com a crise que a sua reiterada incompetência política gerou, mas com uma crise do regime em geral, coisa que também haverá, mas que não serve de desculpa.

    É evidente que há uma crise na direita, bem personificada no senhor Rio. Crise de imaginação, de ideias fortes, de oposição a sério, de empatia, de liderança, de carisma. Só que, em vez de encarar as coisas de frente e de ultrapassar as circunstâncias, o senhor Rio dedica-se a proclamar que precisa do PS para fazer as suas reformas. Não percebe que quanto mais forte for o PSD, melhor poderá negociar tais reformas. É certo que, à excepção do horror da regionalização, essas reformas são necessárias. É certo que as mais importantes precisam dos dois terços de votos e, portanto, do PS. Por isso, mandaria a mais elementar inteligência que a atitude do principal partido português fosse a de um ataque feroz ao PS e aos seus camaradas da geringonça. É que, em relação às almejadas reformas, se o senhor Rio as quisesse mesmo, trataria de denunciar o que existe – razões não faltam – e propor alternativas políticas, que também não lhe deveriam faltar. Mas é o contrário. Quanto mais em crise, mais o senhor Rio se põe debaixo do adversário.

     

    De volta a Belém, um novo dado ficou à vista de todos no presidencial  speech. O senhor é capaz de tudo para assegurar os votos da esquerda para a sua reeleição. Parece que os fins justificam os meios, como diria o Vasco Gonçalves.

     

    6.6.19

  • SENSACIONAL DESCOBERTA

    Toda a gente sabe que os transportes públicos (metro, carris, comboios – à excepção dos da Fertagus, que é privada – barcos, etc.) andam pelas ruas da amargura. Os meios estão velhos, sem manutenção há quatro anos, nada foi modernizado e, tirando as inaugurações do Marques, nada foi previsto, planeado ou programado, ainda menos feito, nem huove qualquer providência que se visse para estancar os males.

    Mas, meus amigos, não há mal que sempre dure. Para obviar à falta de composições, o Metro de Lisboa descobriu uma solução a todos os títulos sensacional, para não dizer genial. Vai abolir quantro lugares sentados em todas as composições, a fim de meter uns setenta passageiros bem aconchegados, em pé, em vez de quatro privilegiados sentados. A medida tem, além de tudo o mais, o efeito de poupar no aquecimento de Inverno, uma vez que o calor humano gerado por  esta medida o permitirá. Será também de notar a preocupação igualitária que subjaz ao pensamento social, o que, por certo, estará também na base desta grande descoberta.

    Consta em meios informados que a CP, inspirada pelos mesmos princípios e preocupações, e seguindo a genialidade da solução dos problemas que o Metro inaugurou, vai mandar uma equipa técnica à Índia, a fim de estudar a ocupação dos telhados dos combóios, o que permitirá transportar, em média, duas mil e quinhentas pessoas em cada carruagem.

    Como vêem, as empresas públicas velam por nós. Hossana!

     

    4.6.19                                                         

  • SAÚDE PARA O POVO

    Ninguém sabe ao certo para que serve a nova lei de bases da saúde. Para já, serve para encanar a perna à rã, isto é, para distrair a opinião pública do caos em que o SNS vive, vítima da política de esquerda, com terríveis consequência na vida dos cidadãos.

    Tal caos deve-se à obsolescência da lei em vigor? Não. A evolução das tecnologias da saúde exige alterações? Não. Mas, para além da distração, a nova lei serve para dar largas às tiradas ideológicas das esquerdoidas e adjacentes. É uma oportunidade para atacar a iniciativa privada, cujo saldo de serviços e de despesas na saúde é positivo ao ponto de enrodilhar de raiva as tripas de tal gente. O sacrossanto Estado está em causa! Enquanto houver uma capelista privada, a luta continua.

    Engraçado é que parece ainda haver, em franjas reaccionárias do PS, uns tipos com vícios do passado, que resistem à gloriosa arrancada do BE e do infeliz Jerónimo. Tais franjas têm os dias contados mas, para já, ainda são permeáveis às velhas teorias da social-democracia do extinto Soares. Consta que as listas do PS para as legislativas vão acabar com tal gente, o que já se conseguiu nas das europeias.

    É assim a vida. Precatem-se.

     

    4.6.19