O mal-amado SIRESP vai ser, finalmente, estatizado. Toda a gente sabe que, com falhas ou sem elas, o sistema foi erigido em bombo da festa dos incêndios. Culpas, responsabilidades, incompetências, são coisas que, ao nível do governo e, por extensão, do Estado, não fazem parte do dicionário. A reconstrução do ardido vai tão devagar quanto possível. Os dinheiros para tal recolhidos, ou parte deles, não se sabe onde estão. Mas,meus amigos, tudo bem. O Estado é um herói, o chamado governo também, o senhor de Belém disse umas coisas mas depressa se desinteressou do assunto. O país rebrilha de felicidade. E nós, nós somos formidáveis, fantásticos, ricos, o progresso da Nação é indiscutível.
Mais uma vez o chamado governo descobriu a solução para acabar com os males do bode expiatório, através da aplicação ao caso panaceia universal do socialismo em geral e da geringonça em particular: nacionalizar o SIRESP. Não se admite que haja privados a mandar nisto. Segundo a filosofia triunfante funcionam mal, como todos os privados. E até, ó desgraça, ganham dinheiro! E, por definição, são desonestos. Assim, acabe-se com a moscambilha: o SIRESP vai passar a ser nosso, de todos. Para já, pagamos sete milhões, e tudo passará a funcionar maravilhosamente. Vale a pena, não é?
Uma coisa é certa, na opinião do IRRITADO: passámos a ter a garantia de que o SIRESP vai, definitivamente, deixar de funcionar. E ser mais caro. Não interessa, cá estamos para pagar a factura. Lindo.
Sublinhe-se a esfusiante alegria com que a maluca Mortágua comentou o caso, tendo o cuidado de afirmar que não sabia nada do assunto, isto é, que desconhecia o contrato em vigor e as normas em incumprimento. Se se trata de colectivizar, é uma excelente medida.
Por definição, evidentemente.
14.6.19

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